segunda-feira, 21 de maio de 2018

Homenagem a ANTÓNIO ARNAUT




As palavras vão atropelar-se neste começo de saudade. A memória está a começar a percorrer, espantada, todos os seus recantos. Perfilam-se as homenagens. Justas.
Penso numa maneira simples, caro António Arnaut, de te dar um abraço que nunca receberás. Descubro. Certamente, que Torga gostaria de te prestar solidariedade, se pudesse. Procuro. No oceano da “Poesia  Completa”, de Miguel Torga, escolho um pequeno poema : “Confiança”. Faço que com ele Torga saúde o seu amigo Arnaut. Ambos se reunirão certamente para que ela seja transmitida a todos nós. Não os podemos defraudar!
Eis o poema:

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

1 comentário:

Jorge de Sá disse...

Homenagem à memória de António Arnaut (por Jorge de Sá)
H.'.
Uma palavra
secreta,
Uma morte
impiedosa,
Gente que lavra
Discreta,
Numa corte
desairosa,
À procura
do local
Onde jaz
o Fundidor.
Na verdura
dum sinal,
Qu’é primaz
de toda a dor,
está a veste
duma morte,
Permanente
Renascer.
Leste a Oeste,
Sul a Norte,
É semente
do Saber,
Da Força junta
à Beleza,
Em todo o mundo
terrestre,
Desde a pergunta
à certeza
Do Ser do fecundo
Mestre.