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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Memória de um dia limpo – 17 de Abril de 1969

 

Memória de um dia limpo – 17 de Abril de 1969

 

A sombra  do olvido não murchou

a glória sempre  aberta dessa dia.

 

A  saudade inventa o que é mais novo

na sombra da memória que sonhámos.

 

Foram  homens  de negro a desabar

no coração de espanto desse dia.

 

E um cerco de ferro foi lançado

num garrote de medo e crispação.

 

Os soldados da noite enegreceram

a sombra das palavras por dizer.

 

Mas houve uma palavra incendiada

dizendo-se na própria liberdade.

 

 e o sórdido milhafre ficou mudo

fechado em sua enorme solidão.

 

Um quadrado de raiva fez-se vento

e  os muros começaram a cair.

                                                           (17 de Abril de 2024)

domingo, 17 de abril de 2022

 


 

LOUVOR AO 17 DE ABRIL

[1969/2022]

 

A pérola do tempo descansou

na guitarra  longínq1ua da saudade,

deixando que um só dia incendiasse

o sagrado sabor da liberdade.

 

Nas mãos nuas dos versos desarmados

que colhem a chegada da alegria,

foi gravada a lenda deste dia

respirou-se no vento a tempestade.

 

Um gume de revolta atravessou

o perfume da nossa primavera

e a verdade ficou no meio de nós,

colhendo-se inteira até ao fim.

 

Capas negras dos sonhos acordados

foram sangue no próprio coração,

dizendo-nos por dentro de quem somos

com as palavras livres e despertas.

 

Caminhámos por todos os lugares,

navegando sempre além do fim,

fomos cidade,  amor  e sedução,

voz súbita de todos os poetas.

 

Quando os corvos do medo nos cercaram

não colhemos a flor do desespero,

erguemo-nos na nossa condição

e lutámos

             [ 17 de Abril de 2022]