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sábado, 11 de outubro de 2008

São eles que o dizem !



No JN de hoje, Luís Filipe Menezes publica um texto onde põe em contraste o modo como foi tratada uma sondagem no tempo da sua liderança e o modo como foi tratada, pelo referido jornal, uma sondagem publicada ontem.
No fundo, procura demonstrar que os resultados de ontem são piores para o PSD do que os outros, mas foram tratados jornalisticamente de um modo muito mais macio. No decorrer da sua argumentação faz um diagnóstico do actual PSD, cujos termos eloquentes merecem ser sublinhados. Ei-los:



"Em escassos 100 dias, já ficou provado o embuste em que tantos alinharam. O silêncio disfarçado de táctico, que mais não traduz que a ausência de ideias e soluções. Da privatização da Caixa Geral de Depósitos proposta por António Borges, ao referendo à institucionalização dos casamentos homossexuais defendido por Mota Pinto, das declarações de disponibilidade para a liderança - no meio de umas flexões ginasticadas no seu escritório (!) - de Morais Sarmento, às banalidades grandiloquentes de Aguiar Branco, já assistimos a todo o tipo de bizarrias por parte desta direcção do PSD.
Esta direcção do PSD não tem possibilidades de convencer o país, com a agravante de que, em época de grandes incertezas como a que vivemos, o povo nunca troca o certo pelo duvidoso."

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pixordices 2.- D. Menezes I, o Protestativo



O PSD liderou um plural coro de protestos pelo facto do Governador do Banco de Portugal só ir à Assembleia da República, no dia 24, quando era forçoso que lá fosse já na próxima semana.


Não interessa aqui calcorrear os meandros de tão intrincada questão. Interessa sim dar notícia de que, num assomo de vigilância e coragem, o PSD ameaçou mesmo recorrer a um agendamento potestativo da audição do Governador.


Foi então que o seu comandante em chefe, o Dr. Menezes, sempre atento e enérgico, resolveu levar os seus deputados ainda mais longe, impulsionando-os para irem até aos limites da vociferação, exigindo trovejantemente um agendamento "protestativo".


Foi então que o espírito do legislador se viu obrigado a dizer:

"Protestativo?! Ó santinho, "essa é de queirós!" Isso nem vem no dicionário, quanto mais no Regimento".

domingo, 23 de dezembro de 2007

Um inefável trinca-fortes.


Numa entrevista a um semanário, o Dr. Menezes, levando a sério a vulgata neoliberal, transforma-a num catálogo de promessas, com o qual ameaça os portugueses. Parecendo convicto de que é um ousado imaginador de futuros, não passa afinal daquilo a que os nossos irmãos brasileiros chamam um verdadeiro"encosto". Na verdade, ele está apenas a oferecer um programa irresponsável de apoucamento dos mais pobres e de descaso pelos excluídos, assumindo-se como um risco sério de completa desorganização do nosso país.


Como se isso não bastasse, também se mete na confusão bancária (desencadeada, ao que tudo indica, por um conhecido banqueiro da Opus Dei), em termos tais que parece estar a jogar ao "Monopólio" num grupo de adolescentes.


Enquanto o Dr. Menezes assustar os portugueses duas vezes por semana, mostrando-lhes que como como líder político não passa de um peso pluma, o actual Governo pode dar-se ao luxo de olhar para as sondagens com uma calma olímpica.


De facto, o Dr. Menezes, que parecia querer assumir o estatuto de um anti- Marques Mendes, corre agora o risco de se tornar numa caricatura do seu antecessor; ou, pior ainda, numa caricatura de si próprio.

sábado, 22 de dezembro de 2007

As Máscaras do Dr. Menezes



Saiu da audiência com o Presidente da República com um andar de veludo, manso e subtil, como se pedisse desculpa por existir. Deixou o pescoço pender muito ligeiramente para o lado, num sinal de submissão.
Disse: "Dois mil e oito vai ser um ano muito difícil. Vamos ser uma oposição responsável. Não queremos agravar as dificuldades do nosso país."

A voz saíra quase ciciada como uma brisa de paz e de concórdia. Os jornalistas atónitos olhavam. Quem era aquele santo homem, saído da lista dos futuros santos ? Apenas um manso cordeiro perdido nos corredores acres da política ? Não. Era o Dr. Menezes, modesto, fiável, colaborante. Uma bênção para o Governo, um orgulho para qualquer oposição. Num passo sacerdotal com ademanes de humildade lá se encaminhou para o carro que o esperava.
A Engª Maria da Boavontade, coordenadora do gabinete de imagem para os maiores de 50 anos, exultava. Era exactamente assim: tinha que ser quase impossível distinguir o Dr. Menezes de um cordeiro, se possível sacrificial. Todas as avós tinham que ficar com vontade de lhe fazer suaves festas , num assomo de ternura. Não menos de dez por cento , era o que valia uma pose de tal gabarito.
O Dr. Menezes rumou ao Norte. Com os ares de Gaia , com a brisa falando-lhe do Douro, uma discreta tempestade germinava nas arcas mais remotas das suas intenções. À chegada aos Paços do Concelho, duas notícias: uma criança fora atropelada por um condutor embriagado; um amante ciumento matara o objecto da sua paixão com sete facadas.

Com um sorriso afiado, aflorando-lhe nuns lábios quase imperceptíveis, o Prof. Epifânio Malvadeza esperava. Director do marketing do Dr. Menezes, junto aos empresários de sucesso, tinha uma visão enérgica e decidida da política. "Cara, vai fundo! Baixa o pau neles. Duas mortes violentas vêm mesmo a calhar. Bota as culpas no Governo!"
O Dr. Menezes recebeu aquelas palavras como um relâmpago de decisão. As pequenas tempestades que vinham crescendo dentro dele, desde Oliveira de Azeméis, pareciam agora mais imperativas. Quando entrou nos Paços do Concelho, o Dr. Menezes deixara já para trás os pézinhos de lã. Era agora um lobo ansioso, por se lançar sobre a presa. Sem piedade.
Aproximou-se então dos jornalistas, como um predador seguro e enérgico. A voz saiu-lhe numa rajada implacável :" O governo tem que pedir desculpa aos portugueses. A insegurança está a tornar-se intolerável. Não podemos admitir. Sete facadas ! Uma criança indefesa atropelada ! Os portugueses não podem admitir a incompetência deste Governo".
Os jornalistas viram logo que aquele era realmente o Dr Menezes, marcial, impetuoso, implacável. O Prof.ºMalvadeza estava em êxtase. Excelente! Pelo menos dez por cento de aumento nas sondagens.
Um mocho sábio que por ali passava, desconhecedor dos meandros da maquilhagem política, mas conhecedor do que acontecera em Lisboa, resolveu perguntar: "Os dez por cento que ganhaste há bocado somam-se ou subtraiem-se aos que conseguiste agora."
Menezes apreensivo ensaiou um gesto de enfado, mas o mocho concluiu: "Não te esqueças do ditado : Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal".

domingo, 9 de dezembro de 2007

Fujam! Vem aí o Dr. Menezes.


O Dr. Menezes pensou cuidadosamente durante uma semana. Ouviu os oráculos que o aconselham. Ajustou o sorriso, de acordo com o técnico de marketing que lhe faz os jantares. Preparado, penteado, barbeado, numa cerimónia de partidários, ei-lo que levanta uma ponta do véu que ainda esconde a imagem imponente de um programa salvador que nos promete para Janeiro próximo.
As linhas gerais são aliciantes e altamente inovadoras: procurar à lupa o que resta por privatizar, no plano das empresas públicas, para um golpe final; destruir o sistema público de educação, com uma receita inefavelmente mercantilista; instituir uma concorrência sem limites no campo da saúde, entre públicos e privados lucrativos, numa vertigem de regressão; modificar ainda mais radicalmente as leis laborais, em desfavor dos trabalhadores.
Ou seja, agravar até à caricatura o sentido das medidas que mais reservas têm suscitado, a uma boa parte da sua base social, na política do actual Governo, desse modo, aprofundando as causas de algumas das consequências que, quando as sondagens apertam, têm feito pregar o Dr. Menezes , como pregaria qualquer esforçado expoente da generosidade social, que olhasse para a vida numa perspectiva de esquerda.

Numa palavra, o Dr. Menezes pode tornar-se perigoso. Capaz de criticar ferozmente as consequências do que ele próprio propõe, tem aquela singular intuição cénica que o coloca entre os vendedores de ilusões. E se os eleitores portugueses, num dia de ingenuidade ou alucinação colectiva, lhe dessem os votos que tanto almeja, o Dr. Menezes, como um D. Quixote ao contrário, era menino para derrear o país. Na sua tonitroância engravatada, desenhada a preceito pela agência de imagem que o ampara, o dr. Menezes assusta. De tal modo, que ao pé do que ele ameaça ser, o Dr. Santana Lopes passaria a ser recordado como um Primeiro-Ministro equilibrado e discreto, conquanto dado a alguma inabilidade política e a um pouco de má-sorte.
Mas não se regale o actual Governo , na fruição sem cuidados do medo dos portugueses de que lhes aconteça o desastre de um governo Menezes. De facto, há sempre um limite que não é possível predeterminar com rigor, para além do qual um eleitorado socialmente ligado a um partido corta as amarras com a habitualidade do seu voto. Por ironia do destino, o Dr. Menezes acabou por indicar ao Governo os caminhos que deve percorrer: exactamente no sentido oposto ao que ele próprio preconiza, para os pontos que destacou.
Seguramente, que, se o actual Governo fizer essa opção, não correrá o risco de ver fugir os eleitores que o escolheram.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A laranja marota



Eis o excerto de um texto de João Pedro Henriques, publicado hoje no "Diário de Notícias":

"Ontem, em declarações ao DN, o juiz Rui Moura Ramos, eleito em Abril passado presidente do TC, disse que o argumentário de Menezes para sustentar a tese da extinção do tribunal "está completamente errado". Segundo acrescentou, o novo líder social-democrata demonstrou uma "grande falta de rigor no argumento segundo o qual o tribunal funciona como correia de transmissão das maiorias parlamentares". Para o comprovar, Moura Ramos mandou os seus serviços fazerem um levantamento sobre as maiorias de decisão do tribunal desde para ali entrou, em Abril de 2003.Fechando o ângulo desta contabilidade nas decisões a que implicitamente se referia Menezes - as fiscalizações abstractas de constitucionalidade, ou seja, aquelas que são suscitadas por órgãos políticos como, por exemplo, o Presidente da República - chegou-se à conclusão que o TC aprovou 87 acórdãos. Destes somente três - isto, apenas 3,4 por cento - foram aprovados pela margem mínima de um voto, como o líder do PSD referiu. Dois desses acórdãos foram sobre o referendo ao aborto e um sobre o imposto sobre o imposto petrolífero. Todos os outros foram aprovados por uma maioria superior a um voto, sendo que 45 por cento foram por unanimidade."

Um aspirante à chefia do Governo, que faz uma proposta tão fracturante como a de extinguir o Tribunal Constitucional, deveria pelo menos ter uma justificação consistente para uma tal ruptura. Como o texto, que se acaba de transcrever, mostra, os argumentos em que se baseou nada têm a ver com a realidade. Ou seja, o Dr. Menezes deu mais uma prova de ligeireza. Teve logo um apoiante à altura: o ferrabraz do Funchal.

E assim os portugueses podem estar tranquilos. O PSD tem para lhes ofercer um trio pleno de equilíbrio, sentido de Estado e de credibilidade política: Menezes, Jardim , Santana.

Neste contexto, transformar a Constituição num pretexto para palpites é uma trivialidade que o Dr. Menezes , decerto, não deixará sózinha, no seu afã de nos surpreender sempre mais.