

Esta direcção do PSD não tem possibilidades de convencer o país, com a agravante de que, em época de grandes incertezas como a que vivemos, o povo nunca troca o certo pelo duvidoso."
"Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador". Diógenes Laércio








Numa palavra, o Dr. Menezes pode tornar-se perigoso. Capaz de criticar ferozmente as consequências do que ele próprio propõe, tem aquela singular intuição cénica que o coloca entre os vendedores de ilusões. E se os eleitores portugueses, num dia de ingenuidade ou alucinação colectiva, lhe dessem os votos que tanto almeja, o Dr. Menezes, como um D. Quixote ao contrário, era menino para derrear o país. Na sua tonitroância engravatada, desenhada a preceito pela agência de imagem que o ampara, o dr. Menezes assusta. De tal modo, que ao pé do que ele ameaça ser, o Dr. Santana Lopes passaria a ser recordado como um Primeiro-Ministro equilibrado e discreto, conquanto dado a alguma inabilidade política e a um pouco de má-sorte.
Eis o excerto de um texto de João Pedro Henriques, publicado hoje no "Diário de Notícias":
"Ontem, em declarações ao DN, o juiz Rui Moura Ramos, eleito em Abril passado presidente do TC, disse que o argumentário de Menezes para sustentar a tese da extinção do tribunal "está completamente errado". Segundo acrescentou, o novo líder social-democrata demonstrou uma "grande falta de rigor no argumento segundo o qual o tribunal funciona como correia de transmissão das maiorias parlamentares". Para o comprovar, Moura Ramos mandou os seus serviços fazerem um levantamento sobre as maiorias de decisão do tribunal desde para ali entrou, em Abril de 2003.Fechando o ângulo desta contabilidade nas decisões a que implicitamente se referia Menezes - as fiscalizações abstractas de constitucionalidade, ou seja, aquelas que são suscitadas por órgãos políticos como, por exemplo, o Presidente da República - chegou-se à conclusão que o TC aprovou 87 acórdãos. Destes somente três - isto, apenas 3,4 por cento - foram aprovados pela margem mínima de um voto, como o líder do PSD referiu. Dois desses acórdãos foram sobre o referendo ao aborto e um sobre o imposto sobre o imposto petrolífero. Todos os outros foram aprovados por uma maioria superior a um voto, sendo que 45 por cento foram por unanimidade."
Um aspirante à chefia do Governo, que faz uma proposta tão fracturante como a de extinguir o Tribunal Constitucional, deveria pelo menos ter uma justificação consistente para uma tal ruptura. Como o texto, que se acaba de transcrever, mostra, os argumentos em que se baseou nada têm a ver com a realidade. Ou seja, o Dr. Menezes deu mais uma prova de ligeireza. Teve logo um apoiante à altura: o ferrabraz do Funchal.
E assim os portugueses podem estar tranquilos. O PSD tem para lhes ofercer um trio pleno de equilíbrio, sentido de Estado e de credibilidade política: Menezes, Jardim , Santana.
Neste contexto, transformar a Constituição num pretexto para palpites é uma trivialidade que o Dr. Menezes , decerto, não deixará sózinha, no seu afã de nos surpreender sempre mais.