domingo, 5 de maio de 2019
Quarta-feira, dia 8 de maio, em LISBOA.
No próximo dia 8 de maio (4ª feira), em Lisboa, às 18 horas, na Associação 25 de abril, Fernando Pereira Marques vai a apresentar um livro de que sou autor.
Interrogações sobre o socialismo, o capitalismo, a Europa e o futuro que podem ser partilhadas. Uma conversa com atualidade .Todos são bem-vindos. Para mais detalhes, podem ver a imagem subsequente.
[ Para ampliar a imagem pode clicar-se sobre ela]
quarta-feira, 24 de abril de 2019
domingo, 27 de novembro de 2011
NA EUROPA: melancolia socialista.
Hoje, vou dar-vos a conhecer um pequeno texto noticioso, publicado no diário espanhol El País, escrito em Bruxelas, pelo jornalista , Ricardo Martínez de Rituerto, intitulado “Papandreu culpa a los conservadores de "hacer fracasar a Europa" ”, cujo subtítulo é “Los socialistas europeos buscan respuestas a la crisis que los arrolla”.Pelo texto, se pode confirmar a gravidade do esvaziamento político que atingiu o Partido Socialista Europeu. Em contrapartida, não se consegue vislumbrar o mínimo sinal de esperança nos horizontes por ele sugeridos. Tenhamos esperança, apesar de tudo, de que se trate apenas de uma falha de informação e fiquemos a aguardr melhores notícias.
"Los socialistas europeos celebran este viernes y sábado en Bruselas el congreso de su partido en la atmósfera de depresión y desorientación propia de quienes se han convertido en los administradores de políticas que sus electores consideran serviles a las ideas liberales y a los mercados. “Necesitamos otro espacio político”, dice el danés Poul Nyrup Rasmussen en el discurso de despedida como presidente del Partido de los Socialistas Europeos (PSE), un mandato que comenzó con otras expectativas en 2004. En su parlamento, Rasmusen ha dado calor político al ex primer ministro griego Yorgos Papandreu, quien, a su vez, ha arremetido contra “la Europa conservadora que ha hecho muy poco y muy tarde” por evitar la crisis que tiene a la UE contra las cuerdas.
Papandreu ha sido el penúltimo socialista al que la crisis le ha costado el cargo, justo por delante de los socialistas españoles barridos en las urnas el pasado domingo. A ambos les precedió el portugués José Socrates. Ante este panorama, Rasmussen ha animado a sus correligionarios con el hecho de la llegada de socialistas a los Gobiernos de Irlanda, Finlandia y Dinamarca, en todos lo casos en coalición y sólo en Copenhague al frente del Ejecutivo. Socialistas quedan también en las coaliciones gubernamentales de Eslovaquia (con próximas elecciones que pintan mal para ellos), Austria y Bélgica (en funciones).
Para animar al auditorio ha dicho Ramussen que quizá haya de nuevo socialistas al frente de Bélgica (si es que Elio di Rupo, que hace unos días tiró la toalla de formador de Gobierno, acepta el encargo regio de seguir intentándolo), Alemania (donde hay elecciones el próximo otoño), Francia (con François Hollande deseoso de desplazar a Nicolas Sarkozy en mayo de 2012) e Italia, en fecha imprevisible.
En buena ley, más deseos que realidades. “El enfado contra la austeridad está ahí fuera”, ha dicho Rasmussen a un auditorio que lo sabe de sobra porque lo está pagando caro. Con ánimo batallador ha pedido que estos dos días de debate y reflexión sean los de renovación y reactivación del socialismo europeo.
Papandreu ha reconocido las cosas como son: Europa “hoy está dominada por los conservadores”, antes de arrojar sobre ellos toda la responsabilidad de lo que ocurre: “Son los que han hecho fracasar Europa y han fallado al pueblo”. En el caso griego, subraya, fueron los conservadores de Nueva Democracia quienes minaron el territorio. Él, ha dicho, sólo heredó los problemas y adoptó medidas impopulares “para poner la casa en orden”, siguiendo los dictados de la Comisión Europea, el Banco Central Europeo y el Fondo Monetario Internacional.
Las referencias le han servido para explicar su órdago fallido del referéndum sobre el plan de rescate griego: se trataba de “redistribuir el poder, dar el poder a la gente, voz a su voluntad e ir más allá de los intereses conservadores”. En el aire ha quedado por qué no llegó hasta el final en su deseo de dejar al pueblo que “decidiera su futuro” mientras ha vuelto a hacerse eco de palabras que de repetidas suenan a hueco a electores de izquierda frustrados: estrategia responsable de crecimiento, Europa competitiva, necesidad de invertir en la juventud y el empleo...
Rasmussen cede la presidencia del PSE al exprimer ministro búlgaro Serguei Stanishev, que en 2009 perdió en su país las elecciones generales y europeas."
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
INTERNACIONAL SOCIALISTA

Ora acontece que, na minha opinião, talvez essa leviana transigência não seja mais do que um efeito colateral do esquecimento da IS quanto à parte socialista da sua identidade, esquecimento aliás suficientemente desestruturante, para poder significar a própria perda dessa identidade.
De facto, a IS já deveria ter assumido há muito, como sinal estratégico da sua linha de orientação, a ideia de que o capitalismo, não sendo o fim da história, entrou numa fase intensamente autofágica, pelo que se torna imperioso sair dele organizadamente através de um reformismo transformador. Afinal, o verdadeiro reformismo, cujo rumo teria que ser um pós-capitalismo, que para os socialistas será a naturalmente materialização dos seus valores históricos. Se a IS trilhasse esse caminho, há muito que teria interiorizado, como um dos vectores determinantes da sua orientação estratégica, a necessidade de praticar e permanentemente aperfeiçoar a democracia, não como uma virtude, que nos abrisse as portas de um imaginário paraíso, mas como um elemento básico e decisivamente qualificante, quer do caminho a percorrer, quer do horizonte procurado.
Numa IS envolvida numa viagem destas, não caberiam, objectivamente, quaisquer partidos que não vivessem esse compromisso estruturante com a democracia, por completo e sem reserva mental. E a IS não estaria agora na caricata e penalizadora posição de ter que engendrar apressadas expulsões que, diga-se a verdade, só não serão simples gestos de hipocrisia, se forem o ponto de partida para uma profunda metamorfose da IS.
Em que sentido? Parece-me fácil começar, fazendo jus à sua qualidade “socialista”, ao contrapor-se ao capitalismo numa óptica reformista e ao inscrever a democracia no código genético da sua marcha e do seu horizonte histórico e estratégico.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Debate sim, canto coral não

Receia-se um festival de previsibilidades num colóquio que o PS, por via da sua fundação, vai promover proximamente em Lisboa.
A encenação pode ser vistosa, mas a pluralidade no debate interno não pode esgotar-se no círculo de notáveis que dizem as mesmas coisas em tons diferentes, com exclusão das vozes socialistas que realmente não são integráveis no coro de conformismo actualmente dominante.
Mas a verdadeira pluralidade não existe. De facto, o PS, ora resmungando, ora sorrindo, mas sempre num passo triste e conformado, vai fechando os seus próprios horizontes.
Arrepiemos caminho. Abra-se um debate verdadeiro, para ir mesmo ao fundo das coisas, onde caibam vozes que não sejam apenas versões orquestrais diferentes das melodias de sempre. Não persistam nessa mastigação, no essencial justificativa, da ideologia dominante, entrecortada por assomos dispersos, inconsequentes e cada vez mais raros de uma identidade perdida.
Olhem para os desastres políticos, por intermédio dos quais, a terceira via e seus próximos quase arrasaram o socialismo europeu. Tenham a humildade de reconhecer que a insistência, dos que têm hegemonizado a IS e o PSE, numa via que tem vindo a destruir, país após país, a força dos socialistas europeus, não pode continuar, sob pena de nos deixarmos envolver numa espiral de decadência, paralela à que reduziu os comunistas europeus a uma força residual e simbólica.
Passemos pois além de cerimónias que, querendo-se assemelhar a verdadeiros debates, arriscam-se a não ser mais do que encenações de propaganda, durante as quais se procura enfeitar as previsibilidades mansas, com duas ou três figuras de prestígio internacional, que assim acabam por não serem mais do que um pouco de pimenta num cozinhado insosso.
sábado, 12 de junho de 2010
Eleições na Holanda

As recentes eleições parlamentares na Holanda abriram o caminho do poder a um partido liberal conservador ( 31 deputados) que há décadas não liderava nenhum governo. Os trabalhistas da Internacional Socialista, participantes secundários do governo cessante, ficaram em segundo lugar com menos um deputado (30), mas não deixaram de perder três lugares, relativamente ao seu fraco resultado anterior. De facto, o resultado agora obtido só foi negativamente superado uma vez desde 1946. Os democratas-cristãos que lideravam o governo cessante desceram de 41 para 20 lugares, tendo tido o seu pior resultado de sempre, desde que existem com a actual configuração, desde 1977, tendo descido do 1º para o 4º lugar. Mas, em terceiro lugar, com 24 deputados, ficou um partido de direita radical o Partido da Liberdade (PVV), que antes tivera apenas 9.
Mas o desaire relativo dos trabalhistas não foi aproveitado pelo Partido Socialista (um partido defensor de um socialismo democrático, à esquerda dos trabalhistas) que, pelo contrário, teve um resultado ainda pior, tendo recuado nove lugares, ao descer de 25 para 16 deputados. Em seguida, os Democratas 66 (defensores de um liberalismo social) tal como a Esquerda Verde ficam com 10 deputados cada um, o que significa que ambos subiram, já que antes o primeiro tinha 3 deputados e o segundo tinha 7. Assim, se estes quatro partidos se juntassem, ficariam com 66 deputados, longe dos 76 que precisariam de ter, para chegarem a uma maioria absoluta, já que o Parlamento Holandês (câmara baixa) tem 150 deputados [o Senado tem 75 senadores]. E no entanto, em 1998, embora com pesos relativos diferente [as maiores diferenças: trabalhistas – 45; socialistas -5], os mesmos quatro partidos haviam chegado aos 75 lugares.
Há dúvidas quanto ao tipo de coligação que vai surgir com base na nova relação de forças, embora sempre com o partido vencedor como eixo, sendo embora possível que se incline mais para a esquerda ou mais para a direita.
Tudo isso mostra como é evidente, fica claro que, também na Holanda, a Internacional Socialista continua a murchar. E contra o que antes acontecera não foram os socialistas de esquerda que ganharam com isso: pelo contrário, recuaram ainda mais do que os trabalhistas. E os grandes beneficiários da derrota estrondosa dos democratas-cristãos foram os liberais conservadores e a extrema-direita.
Para quando a declaração da Internacional Socialista e do Partido Socialista Europeu como tendo caído num estado de calamidade política? De facto, sem isso, pode recear-- se que os partidos nacionais desta família política não consigam sacudir o torpor que parece envolvê-los, de modo a que, em simbiose com um novo protagonismo do povo europeu de esquerda, consigam reverter o declínio que parece tê-los atingido.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Mais um outono em Praga
Eis o texto completo: " Partidos de centro-direita favoráveis à austeridade econômica para evitar uma crise como a ocorrida na Grécia venceram as eleições parlamentares da República Tcheca neste sábado e devem formar um governo de coalizão com maioria no Parlamento.Os Sociais Democratas, que prometeram elevar os impostos para empresas e as camadas mais ricas para bancar os custos dos projetos sociais, conquistaram a maioria dos votos entre todos os partidos, com 22,1 por cento. Mas os partidos de centro-direita conseguiram a maioria parlamentar, liderados pelos Democratas Cívicos com 20,2 por cento, de acordo com os resultados de 99 por cento dos votos contabilizados.O conservador TOP09, um de seus prováveis aliados, obteve 16,6 por cento, e o Assuntos Públicos, de centro, ficou com 10,9 por cento.Os resultados acabam com a chance de que os Sociais Democratas poderiam governar com o apoio dos Comunistas, que tiveram 11,3 por cento. Os Comunistas não dividem o poder desde o fim do governo totalitário, em 1989.Os resultados também reduziram o risco de que as negociações sobre a coalizão sejam muito demoradas, um temor dos economistas. Eles temiam que a demora possa espantar investidores que querem um governo decisivo para comandar uma retomada do crescimento do país após uma queda de 4,1 por cento na economia no ano passado."
Mais um exemplo do cortejo triste em que a Internacional Socialista e o Partido Socialista Europeu se têm vindo a transformar, incapazes de recuperar uma identidade que claramente os liberte do colete de forças do neoliberalismo e lhes permita desempenhar um papel autónomo na construção de uma Europa que, ao menos, possa ser aliciante como horizonte.
Mas nem este novo sinal, que a vários outros se segue, impediu que alguns espíritos, ousadamente cautelosos, partilhem na esfera pública o fantástico sonho de que se pode reverter a deriva da IS e do PSE, cavando mais fundo a sepultura onde a terceira via os meteu a ambos.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A via tresmalhada


segunda-feira, 26 de abril de 2010
Sacrifício estranho e inútil
Os húngaros da IS e do PSE participaram com denodo na mesma orquestra na execução da mesma partitura.
Os resultados económicos de uns e outros não foram os mesmos, mas com a diferença de alguns anos, primeiro os polacos e agora os húngaros foram varridos pelos eleitores de qualquer verdadeira relevância política do mapa de ambos os países. Num e noutro caso, com exclusivo benefício eleitoral das direitas, mais ou menos radicais.
Se nos recordarmos do que tem vindo a acontecer, em sucessivas eleições, na Dinamarca e na Holanda e se olharmos para a actual paisagem política alemã, bem como para o terrível cinzentismo da esquerda italiana, talvez nos devamos interrogar sobre a razão pela qual, um após outro, os partidos europeus da IS se encaminham mansamente para o altar sacrificial do neo-liberalismo, para sofrerem por deuses que não são seus.
O PS e Portugal passam por tempos difíceis, em boa parte por força da pilhagem financeira perpetrada pelos artefactos mais perversos do capitalismo internacional, mas, mesmo que seja certo tomar como único caminho no curto prazo o que está a ser seguido, não compreendo como se pode ter gerado no seio do PS um silêncio tão pesado sobre tudo o que transcenda o imediato.
Queremos nós ser mais um cordeiro dócil, sacrificado inutilmente no estéril altar do neoliberalismo do PPE , para desgraça dos portugueses e desconsideração da própria ideia de Europa ?
domingo, 3 de janeiro de 2010
O prolongado estertor da terceira via
De um artigo de WALTER OPPENHEIMER, publicado no jornal espanhol, El País, de ontem, permito-me transcrever o seguinte extracto: “El conservador Major, que gobernó entre 1990 y 1997 y era primer ministro durante la I Guerra del Golfo, explicó en el programa Today de BBC Radio 4 que a mediados de los años 90 el entonces presidente estadounidense Hill Clinton ya planteó la posibilidad de provocar un cambio de régimen en Irak y que su respuesta fue que cualquier intento de derrocar a Sadam tenía que ser legal y viable.
"Yo mismo era primer ministro durante la I Guerra del Golfo y cuando decía algo sabía que era absolutamente cierto y era lo correcto. Y siempre dije menos de lo que sabía", declara Major en la entrevista. "Di por descontado que [con Blair] ocurría lo mismo y apoyé, con reticencias, la segunda guerra de Irak".
Pero, a medida que avanzan los trabajos de la comisión que investiga el proceso que llevó al Reino Unido a apoyar la invasión, "crece la sospecha de que se trataba más de provocar un cambio de régimen que de armas de destrucción masiva". Y rechaza las recientes declaraciones de Blair de que la caída de Sadam ya justifica la guerra .
"Hay mucha gente mala en el mundo que está gobernando países y no los derrocamos. Y, desde luego, en años anteriores en realidad apoyamos a Sadam Husein cuando luchaba contra Irán", recuerda el ex primer ministro conservador. "El argumento de que alguien es un hombre malo es un argumento inadecuado para la guerra y desde luego es un argumento inadecuado e inaceptable para el cambio de régimen", concluye John Major.”
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O dilema do socialismo europeu

Eis o texto:
« El dilema del socialismo europeo »
"Los partidos socialistas europeos atraviesan una crisis extremadamente profunda. Si dejamos de lado el caso de los países nórdicos, donde, en su conjunto, la tradición socialista es muy particular y la conflictividad social menos aguda, o incluso de los partidos socialdemócratas de los países del Este europeo, demasiado recientes todavía para poder ser juzgados, constatamos, con la excepción notable de España, que en todos los otros lugares -Francia, Gran Bretaña, Alemania, Italia- los partidos socialistas están de capa caída.
El PS francés perdió al pueblo al decir Jospin que no podía hacer nada ante los despidos de Michelin
El SPD alemán, al que se le escapan votos por la izquierda, elige como líder a un centrista
En Francia, la crisis comenzó a principios del año 2000 con el fracaso estrepitoso del experimento de la "izquierda plural". La aplicación de una política de recuperación económica en 1997 había sido seguida a partir de 1999 de una política de adaptación liberal contraria al programa inicial. Simbólicamente, este cambio se encarnó en la célebre frase del entonces líder socialista Lionel Jospin -"no puedo hacer nada"- en el momento en que la empresa multinacional Michelin anunció superbeneficios y, a la vez, dejaba en el paro a miles de trabajadores debido a las deslocalizaciones. Ahí es donde el Partido Socialista Francés perdió al pueblo.
Pero hay algo aún más grave: el Partido Socialista Francés no ha visto venir la crisis de la globalización liberal; ha sido sorprendido y desconcertado por la estrategia de Nicolas Sarkozy, quien ha congregado alrededor de un único gran partido liberal-conservador a gentes de derechas, de extrema derecha, de centro y de la izquierda social-liberal. Por último, el PS es incapaz de cerrar filas en torno a un candidato creíble, puesto que ninguno de los/as aspirantes que pelean por las próximas elecciones presidenciales tiene ni la personalidad, ni la profundidad de visión necesarias para derrotar a Nicolas Sarkozy. Esta situación engendra la apatía de las clases populares, la desorientación de las clases medias y el aumento de la abstención electoral.
En Gran Bretaña, el fracaso del blairismo ha quedado simbolizado por la propia marcha de Tony Blair. La famosa Tercera Vía no ha sido en los hechos más que una adaptación sonriente y biempensante del tatcherismo basado en el desmantelamiento de los servicios públicos y la privatización generalizada. Hoy, el Partido Laborista está en caída libre. Durante su último congreso, Gordon Brown propuso un Welfare State (Estado del bienestar) centrado en un "nuevo modelo económico, social y político" y basado en la "regulación del mercado". Pero en ninguna parte del programa se especificaba cómo financiar este Welfare State y, menos aún, cómo convencer a las clases medias que quieren a la vez más Estado del bienestar y menos impuestos.
Al no estar en el euro, Gran Bretaña tiene sin duda mayor libertad para gestionar una deuda pública del 80% y un déficit presupuestario del 12,4%; pero el desempleo (3 millones de personas) aumentará y no vemos cómo podríamos contenerlo sin incentivos fiscales, y, por tanto, sin un endeudamiento creciente.
En Italia, la descomposición de la izquierda socialista se ha producido bajo la forma de un agujero negro que se la ha tragado. La alianza en el seno del PD de los ex comunistas y de una parte de la Democracia Cristiana ha llevado a dos desenlaces fatales: de un lado, a la desa-parición del socialismo político e ideológico del terreno político italiano; del otro, a la apertura desde hace casi 10 años de una amplia avenida electoral para el populismo reaccionario de Silvio Berlusconi. La crisis actual del berlusconismo, en lugar de beneficiar a la izquierda, pone sobre todo en evidencia su impotencia.
En Alemania, el SPD está en crisis desde que Oskar Lafontaine se negó a apoyar en el año 2000 la orientación liberal que preconizaba Gerhard Schröder. El SPD acabó perdiendo las elecciones y aceptando un Gobierno de coalición con la CDU. Acostumbrado a establecer alianzas con la derecha, no ha sabido esta vez sacarle provecho porque ha demostrado ser incapaz de ofrecer un discurso propio y creíble sobre la crisis económica. El caso es que, de momento, es el partido socialista europeo que mayores pérdidas ha sufrido. Además de su división por la creación en la izquierda de Die Linke, ha perdido 10 millones de votos desde 1998, en beneficio tanto de Die Linke como de los Verdes, los Liberales y la CDU.
El SPD alemán comparte hoy con el PS francés la misma crisis de liderazgo, y la elección reciente de Sigmar Gabriel, con fama de centrista sin color ideológico, está lejos de concitar unanimidad.
Este breve resumen permite despejar algunas tendencias de fondo.
En primer lugar, los partidos socialistas occidentales aceptaron en los años noventa adaptarse a la globalización liberal (bautizada como tercera vía o cultura de gobierno) no sólo sin ofrecer un proyecto alternativo a su electorado central (clases medias y clases populares), sino también sin sacar todas las consecuencias ideológicas de esta elección.
Con ello, han ganado sin duda en eficacia gubernativa, pero han mutilado gravemente su propia identidad. De ahí la paradoja actual: son arrastrados por la crisis del liberalismo mientras que la derecha liberal no duda en aplicar las recetas tradicionales del Welfare State para hacer frente al temporal. Dicho de otra manera, la derecha se muestra más pragmática que la izquierda, la cual, después de haber perdido su identidad socialista, ha creído plenamente en las virtudes del social-liberalismo.
En segundo lugar, en todas partes de Europa occidental, los partidos socialistas no saben cómo reaccionar ante la tendencia a la "derechización" de la sociedad, que es el resultado de la inestabilidad creada por la desregularización económica y social de estos últimos años y que se encarna en una fuerte demanda de seguridad (social, económica e identitaria), y en una vuelta a los nacionalismos. Estas dos tendencias de fondo, que podemos observar en todas partes, expresan en realidad una grave crisis de identidad de la socialdemocracia: ya no tiene ningún proyecto específico. Así que la victoria del liberalismo en estos últimos 15 años no sólo ha sido económica; ha sido también y, sobre todo, ideológica y cultural.
La izquierda ya no tiene ni conceptos, ni métodos, ni visión para entender el mundo y actuar. Tiene cada vez más dificultades para diferenciarse cualitativamente de la derecha. Además, esta falta de proyecto no puede ser enmascarada por una retórica de defensa de los "valores". Porque si la izquierda sigue creyendo en sus "valores" (de solidaridad, igualdad, libertad y tolerancia), también sabemos desde hace mucho tiempo que los invoca tanto más fácilmente en la oposición cuanto que, a menudo, se olvida de ellos cuando está en el gobierno.
Los partidos socialistas están enfrentados de este modo a un dilema trágico: o se inventan un nuevo programa o perecerán lentamente. ¿Qué hacer ante la crisis de la mundialización liberal? ¿Qué hacer ante el rechazo del que es objeto la Europa liberal? ¿Qué hacer ante el escepticismo y el alejamiento de las clases populares y medias? El proyecto de un nuevo Welfare State europeo, más necesario que nunca, depende de las respuestas que los partidos socialistas sean capaces de dar a estas preguntas.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Europa - socialistas e compromisso histórico- II


"Uma União Europeia aberta ao futuro, humanista, democrática, libertadora e solidária, seria um factor de esperança na evolução do mundo em que vivemos. Pelo contrário, o colapso do projecto que a sustenta seria um retrocesso dramático. No entanto, se ela continuar enredada nos cânones do neoliberalismo, a esperança poderá esvair-se e o risco de colapso aumentará.
Para fugir a esse risco, é necessário um caminho que possa começar a ser percorrido a curto prazo. É o que acontece com o compromisso histórico proposto. Na verdade, nada impede os socialistas de começarem a prepará-lo desde já, uma vez que não pressupõe qualquer ruptura política prévia, não depende de uma dramatização da conflitualidade social, nem de quaisquer acontecimento particular.
Não deve, no entanto, esquecer-se que, para a sociedade evoluir, na vigência desse compromisso, no sentido pretendido pelos socialistas, será decisivo que os movimentos sociais futurantes assumam nesse processo um papel activo e relevante.
De facto, o compromisso histórico proposto é um pacto para garantir as condições gerais de uma disputa política democrática, através da qual os socialistas hão-de procurar, naturalmente, passar de subalternos a hegemónicos. Ora, essa luta nunca poderá ser apenas institucional. Pelo contrário, envolverá necessariamente todos os aspectos da vida em sociedade, nomeadamente, os de natureza social, cultural e ideológica. Por isso, os partidos da Internacional Socialista terão, também, que aprender a suscitar novas sinergias com os movimentos sociais futurantes, particularmente, com os que exprimam resistência e alternatividade, em face do capitalismo.
Envolvendo necessariamente as duas grandes famílias políticas europeias, esse compromisso não deve fechar a porta a um pluralismo mais amplo. Todavia, como se sublinhou, os socialistas europeus têm que participar nele a partir da sua própria identidade, com base, portanto, num paradigma exterior ao neoliberalismo.
Na verdade, os partidos da Internacional Socialista não podem continuar a admitir o condicionamento da sua liberdade de acção, em nome de falsos limites objectivos, que afinal mais não são de que os pressupostos ideológicos dos seus adversários, tributários das conveniências dos poderes económicos dominantes, mas profundamente lesivos dos interesses da larga maioria dos cidadãos.
A matriz de transformação social própria do verdadeiro reformismo corresponde a um processo social complexo e prolongado. Implica imaginar-se um futuro que não repita o presente e aprender-se a descobrir os fragmentos de futuro que já hoje existam, para poder protegê-los e desenvolvê-los.
Nada tem a ver, sublinhe-se uma vez mais, com a contra-reforma neoliberal, que não passa de uma máscara tecida por dinamismos conjunturais e desgarrados, para ocultar o profundo conservadorismo que representa o esforço de eternização do capitalismo.
Tudo isto tem que ser assumido, sem ambiguidades nem tergiversações, pelos partidos da Internacional Socialista. Sem essa radical mutação no processo de construção europeia, a Europa tenderá a ser, cada vez mais, uma sucessão de equívocos, armadilhada por dificuldades crescentes, presa fácil de um agravamento de crispações e conflitos.
De facto, a crise que atravessamos mostra claramente que, sem uma esquerda com protagonismo próprio, relevante na esfera do poder político, a direita tenderá a limitar-se a responder aos problemas imediatos incontornáveis, reproduzindo todas as condições para que ciclicamente se repitam, embora sem poder garantir que o não façam com uma força e gravidade maiores. Paralelamente, tenderá a radicalizar-se em sinergia com os poderes de facto, que tendem a tornar-se crescentemente mais sôfregos.
Além do mais, só a afirmação de uma lógica alternativa ao capitalismo pode tornar visível a raiz dos conflitos sociais e indicar caminhos para sua superação. Doutro modo, perante a imagem, cada vez mais pesada, da inevitabilidade da exclusão social e da desigualdade, bem como da consequente ausência de um caminho político para sair delas, o mal-estar social dos explorados e excluídos tenderá a ser cada vez menos convertível numa energia política institucionalmente relevante e transformadora.
Aumentará o risco de se cair num mal-estar social difuso, numa angústia colectiva alheada da esperança, numa atmosfera propícia ao exacerbamento de uma conflitualidade social movida por factores circunstanciais, assente em preconceitos ou em dinâmicas aleatórias e dissipativas, politicamente estéreis. Ficará assim aberta a porta a todos os fundamentalismos, ao exacerbar dos nacionalismos mais estreitos, às alianças de todos os ressentimentos, às pulsões suicidárias de todos os desesperos. A mais vertiginosa irracionalidade poderá chegar ao cerne de muitos conflitos sociais e políticos, minando os alicerces da democracia e fazendo regredir social e culturalmente a Europa.
Hoje, vivemos uma grave crise financeira e económica que abala os próprios fundamentos do capitalismo reinante, ao mesmo tempo que já é claro o risco de grandes catástrofes ambientais. Todavia, tem sido ideologicamente ocultado o risco de catástrofes sociais e de bloqueamentos políticos. E, no entanto, eles dificilmente serão evitáveis se não soubermos caminhar para um futuro que não se limite a ser uma reprodução degradada do presente.
O contributo da construção europeia para diminuir esse risco é decisivo. Porém, só é realista contar com ele se houver um acréscimo de protagonismo dos partidos socialistas na União Europeia. Sem esse novo protagonismo, pelo contrário, o risco de uma implosão social e política da Europa tenderá a agravar-se.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
EUROPA - socialistas e compromisso histórico
Com o título “Europa - socialistas e compromisso histórico”, foi publicado no número mais recente da revista FINISTERRA um texto meu. Procurarei, tão brevemente quanto possível, arranjar maneira de o pôr na sua totalidade à disposição de eventuais interessados. Entretanto, julgo fazer sentido difundir desde já uma parte da respectiva “Introdução”. Tanto mais que, por razões que me são estranhas, a versão do meu texto que foi publicada não é a mais recente, a que eu havia enviado para “Finisterra” em Novembro passado, mas sim uma versão anterior que eu enviara para a revista em Fevereiro de 2008. O facto de um texto deste tipo não ter ficado desactualizado com o eclodir da crise actual, é algo que valorizei positivamente.
No entanto, para além das sequelas do problema italiano que pode deixar o PSE sem um ramo neste país, pela diluição dos Democratas de Esquerda (DS - ex-PCI) no novo Partido Democrático, há o risco de em países como a França e a Alemanha os resultados serem para o PSE piores que o estimado.
O tema abordado pelo artigo em causa tem por isso toda a actualidade e como não é um eco de posições oficiais ou dominantes, pode contribuir para um indispensável debate. Eis a versão da "Introdução" que devia ter sido publicada:
“A Europa foi acordada da sua letargia. É agora impossível prosseguir numa via que encare o futuro como simples espelho do presente. De facto, aceitar permanecer no círculo vicioso, onde actualmente caiu, é um caminho rodeado de abismos.
É agora mais nítido que a presença e o papel da Europa no mundo não serão nunca o resultado feliz de uma inércia sem sobressaltos. Pelo contrário, ou serão o desenlace almejado de uma luta árdua por novos horizontes, ou ficar-se-ão por um simples Outono com a cor da saudade.
De facto, tudo indica que a Europa não sobreviverá como participante indispensável de uma orquestra mundial, se não abrir a si própria novos horizontes. Horizontes, cuja novidade não pode deixar de ser o mais amplo cumprimento dos ideais, há muito prometidos e sempre adiados, de uma liberdade radicada na igualdade, de uma solidariedade verdadeiramente fraterna e criativa.
E é, precisamente, por isso que este texto podia também ser intitulado: a hora dos socialistas. Na verdade, se já antes o esquecimento de si próprios, de que pareciam padecer os socialistas europeus, vinha dando à União Europeia uma tonalidade outonal, manter esse esquecimento depois da eclosão da recente crise, pode fazê-los sair da história por renúncia.
De facto, o paradigma capitalista dominante, na sua versão neoliberal, foi agora reduzido a uma embaraçada sombra de si próprio. Tornou-se num cadáver ambulante, mendigando morte condigna. Mas enquanto os povos o não enterrarem, continuará a assombrar o mundo como fantasma perdido. E é esta agonia que tem que ser pilotada, para que não arraste consigo toda a sociedade, para que não venha a fazer morrer com o sistema o próprio futuro dos cidadãos europeus.
Não tenhamos, contudo, a ilusão de que a História, qual força irresistível desde sempre programada, nos vai oferecer um futuro melhor, dispensando-nos das lutas e do risco. Não está, de facto, escrito que o mundo resista à eternização das predações, que são a própria natureza do capitalismo; tal como não está escrito que a Europa se integre no futuro da humanidade como esperança em movimento e não como museu de um tempo perdido. Não tenhamos ilusões. Para chegarmos aos portos almejados, há ainda muita viagem pela frente, muitos combates, muito esforço reflexivo, muito sofrimento, muita incerteza.
No entanto, para compreendermos bem a época que atravessamos temos que ter bem presente que o pós-capitalismo é uma inevitabilidade inscrita no horizonte, uma inevitabilidade objectiva agora mais perceptível, mais evidente do que há uns meses atrás. Uma inevitabilidade que pode desembocar nos dramáticos escombros de uma regressão civilizacional, mas que também podemos conseguir que se traduza na conjugação das sinergias de todas as utopias, de todas as esperanças colectivas, de todos os ideais emancipatórios e solidários.
A dúvida sobre se caminharemos para um pesadelo social, político e ecológico, ou se abriremos as portas a um novo tempo de emancipação e solidariedade, não se pode desfazer pela descoberta do que esteja escrito num qualquer livro do destino. Realizar a esperança e evitar o pesadelo depende daquilo que os homens concretos deste novo século forem capazes de fazer, depende do rumo que conseguirem dar à marcha da Humanidade.
São muitos os caminhos que nos podem fazer aproximar do que queremos, todos eles com escolhos, atalhos e armadilhas, num permanente desafio à nossa inteligência, à nossa coragem, à nossa determinação e à nossa generosidade. Cabe aos socialistas não desistirem de um pós-capitalismo que reflicta os sonhos milenares de emancipação e liberdade de que o socialismo aspira ser a realização e o episódio supremo. Há, por isso, todo um exigente trajecto reformista a percorrer. Mas se os partidos da Internacional Socialista na Europa não forem capazes de assumir o protagonismo hegemónico desse processo, podem torná-lo irrealizável, o que poderá fazer com que se esfume a sua própria razão de ser.
Haverá outras áreas políticas da esquerda que na Europa se lhe possam substituir, apossando-se do testemunho simbólico dessa hegemonia? Pelo que se tem visto nos últimos tempos, mesmo que o conseguissem, o que não é certo, é objectivamente impossível que isso acontecesse a curto prazo.
Ora, o tempo é aqui uma condicionante central. Esse hiato, se ocorresse, significaria uma ausência da esquerda num período decisivo, para a escolha dos caminhos a percorrer pela União Europeia. E essa ausência de outros protagonistas liderantes da esquerda, no plano institucional, que substituíssem Partido Socialista Europeu, potenciaria muito o risco de se ver a Europa, entregue sem partilha à liderança do Partido Popular Europeu. Uma liderança que, seguramente, multiplicaria crispações, podendo fazer com que a Europa fosse murchando, até se transformar numa relíquia museológica perdida na História.
Agora, porém, que o fundamentalismo neoliberal está absorvido pela urgência de lamber e esconder as suas próprias feridas, seria ainda mais trágico e absurdo que os partidos da Internacional Socialista, deixassem à direita europeia campo livre, para um golpe de ilusionismo que a absolvesse da culpa pelo desastre para onde nos conduziu. E isso pode acabar por acontecer, se esses partidos continuarem dóceis perante o paradigma neoliberal, incompreensivelmente submissos em face da vulgata economicista ideologicamente dominante.
De facto, o unilateralismo economicista reinante mostrou agora gritantemente que, deixado ao sabor da sua inércia mais pura, conduzirá inevitavelmente o mundo para o abismo. Por isso, permitir que alguns zombies de uma mitologia arcaica continuem a assombrar o mundo com receitas que se viu como podem ser fatais, é um risco insuportável.
A crise aguda que se manifestou fez, por outro lado, com que a renovação do Tratado da União Europeia, que se mantinha na agenda política, tivesse regressado, talvez conjunturalmente, a uma penumbra discreta. Mas, sendo certo que se esbateu como problema de primeira linha, está longe de se ter dissipado. Pelo contrário, ainda que hoje mediaticamente latente, tem amplas potencialidades para um regresso ao centro das atenções, a relativamente curto prazo.
No entanto, não pode, agora mais do que nunca, continuar a ser encarado como problema susceptível de ser resolvido por uma simples cosmética política, feita de habilidades jurídicas e malabarismos conceptuais. É cada vez mais arriscado agir longe das raízes mais fundas desse mal-estar europeu, tão sugestivamente ilustrado pelos resultados dos referendos na França e na Holanda, que por mais que se distanciem no tempo não devem ser esquecidos, enquanto a conjuntura não se tenha qualitativamente alterado. Aliás, o novo fracasso irlandês veio até sublinhá-los.
Por tudo isso, mais do que nunca, é necessário, para se evitarem derivas sociopolíticas mais dramáticas, chegar à raiz desse mal-estar que se tem vindo a instalar nos anos mais recentes e que a crise agora vivida ameaça agravar, potenciando os riscos dessa melancólica estagnação.
De facto, a União Europeia, no essencial, tem vindo a ser construída através de um compromisso entre Estados, o que deu centralidade ao seu protagonismo e induziu respeito pela dignidade de todos eles. É agora necessário valorizar a participação dos cidadãos, reconhecendo-lhes uma dignidade própria e atribuindo-lhes um papel efectivo nesse processo de construção.
Sem menosprezo por outras vias de afirmação desse protagonismo, ele implica, em primeiro lugar, o envolvimento directo e explícito dos partidos políticos congregados nas várias famílias políticas europeias. E esse envolvimento partidário, para ser eficaz, tem que abranger, necessariamente, as duas famílias políticas eleitoralmente predominantes. Envolvimento que, não afastando naturalmente a normal competição política, não pode deixar de implicar um compromisso entre os socialistas, os social – democratas e os trabalhistas do Partido Socialista Europeu, por um lado, e os liberais e os conservadores do Partido Popular Europeu, por outro. Um compromisso que deverá no futuro estender-se a outras famílias políticas europeias e que só será fecundo, se for leal e transparente. Isto é, se resultar de uma conjugação de posições em que cada uma delas reflicta, por completo e sem ambiguidades, a plena identidade histórica do respectivo protagonista. É neste sentido, e pensando no médio prazo, que achamos dever falar num novo compromisso histórico para a Europa.
Para se poder percorrer esse caminho, há contudo um pressuposto incontornável: é preciso reconhecer que até agora, no essencial, a União Europeia tem sido fiel ao paradigma neoliberal, o que significa que o Partido Popular Europeu se tem movido num terreno que é o seu, enquanto o Partido Socialista Europeu tem aceitado ser condicionado, em permanência, por uma ideologia que lhe devia ser estranha. É, por isso, falsa a imagem de uma Europa como fruto de uma convergência tácita, entre duas grandes famílias políticas. Na verdade, apenas uma delas tem conseguido reflectir em pleno a sua identidade no rumo europeu, enquanto a outra se tem confinado a um papel estruturalmente subalterno. No limite, esta última apenas tem impedido que a lógica dominante se exceda numa dinâmica desregrada; mas, como se está a ver, não teve influência suficiente para prevenir a deriva suicidária que nos trouxe às aflições presentes.
Esta é a raiz do equívoco político que inquina a actual fase da vida da União Europeia, pondo-a em perigo como projecto e sendo, ao mesmo tempo, uma das causas de um possível enfraquecimento eleitoral e político dos partidos que integram o Partido Socialista Europeu (PSE).
E isso é assim, porque a deriva neoliberal tem vindo a gerar uma insatisfação crescente nos cidadãos europeus mais penalizados pelo agravamento das desigualdades sociais, tendo-se revelado grosseiramente predatória com a eclosão da actual crise. Se essa insatisfação, em parte ainda latente e difusa, não for debelada, a crise da União Europeia virá a ser real, tanto mais facilmente, quanto se começam a desenhar tentativas de reduzir as dificuldades da actual conjuntura a um episódio fortuito que é preciso fazer esquecer para que tudo fique na mesma.
Mas é ilusório pensar-se que os cidadãos europeus estarão, indefinidamente, dispostos a abdicar dos seus direitos e da sua dignidade, para serem salvaguardados privilégios de grupos sociais minoritários, que mostraram, agora claramente, como é arriscado deixá-los submeter-nos à sua lógica própria, ostensivamente cega e suicida. De facto, essa salvaguarda é uma via cada vez mais estreita, apesar de nos quererem fazer crer o contrário, através da difusão compulsiva da ideia de que é de interesse público o enriquecimento ilimitado dos detentores do capital. Enriquecimento esse que a redução da economia a uma ideologia paroxística do lucro, sob a égide, mais ou menos desregulada, da especulação financeira, tem feito tudo para incentivar.
Ora, os partidos socialistas europeus têm, precisamente, a sua base social de apoio e uma grande parte do seu eleitorado, nos cidadãos mais lesados pelo actual predomínio do paradigma neoliberal na construção europeia e pelas consequências mais agudas da actual crise. No entanto, até agora, não têm sido capazes de escapar a esse paradigma, fazendo aumentar o risco de uma ruptura dramática, e mais ou menos brusca, entre os partidos europeus da Internacional Socialista e o cerne da sua base social
Por isso, embora a União Europeia, tal como existe, esteja profundamente marcada pelas posições do Partido Popular Europeu, o epicentro da sua estagnação actual está no Partido Socialista Europeu, que corre ainda o crescente risco de ver os partidos nacionais que o constituem dramaticamente enfraquecidos. De facto, há que sublinhar que se não mudarem de rumo, se encararem os desafios da actualidade, limitando-se ao jargão previsível dos habituais lugares-comuns, os partidos europeus da Internacional Socialistas arriscam-se a perder a sua base social e a serem abandonados por uma grande parte do seu eleitorado.
Ora, se isso acontecer, pelo que atrás se disse, deixará de ser suficientemente relevante, à escala europeia, a expressão político-institucional dos descontentamentos, abrindo-se a porta a que uma grande parte da respectiva energia política se disperse em pulsões dissipativas de desespero e revolta, inaproveitáveis para a política institucional. E se isto já era assim até ao desencadear da crise presente, agora todos os riscos cresceram, exponencialmente.
E se o Partido Socialista Europeu visse colapsar a sua legitimidade institucional, pela perda da força eleitoral que lhe permite ser um partido de governo, os liberais e os conservadores do Partido Popular Europeu passariam a ser os responsáveis únicos pela vertente institucional da instância política, no seio da União Europeia. Seria o bloqueamento do processo europeu, ou até o risco da sua implosão. Os conflitos sociais, provavelmente, sairiam do terreno democrático institucional, transferindo-se directamente para as ruas. O potencial reformista dessa energia conflitual ficaria, por isso, bastante reduzido. A sua energia política não seria suficiente para se abrir um rumo alternativo. E, se isto já era assim até há pouco, tudo agora evoluiu no sentido de aumentar os riscos de conflitualidade social e de potenciar a sua gravidade.
É neste contexto que devem situar-se os dois pressupostos em que assenta a ideia central do que aqui se escreve: 1) o paradigma neo-liberal tem predominado na actual fase da construção da União Europeia, o que implica a subalternidade dos cidadãos, em face dos poderes de facto economicamente dominantes; e isso é algo que, a médio prazo, será democraticamente insustentável; 2) a ausência de um contributo próprio dos partidos europeus da Internacional Socialista, para a construção europeia, coloca-os na órbita do referido paradigma; por isso, correm o risco de uma grave e duradoura ruptura com a respectiva base social, o que poderá transformar a actual estagnação europeia num bloqueamento institucional, ou mesmo numa crise, o que, conjugado com a crise económica que eclodiu, pode ter efeitos devastadores.
Por isso, para se percorrer um trajecto fecundo, há duas condições prévias a preencher. A primeira implica uma alteração estratégica profunda dos partidos socialistas, trabalhistas e social-democratas que integram a Internacional Socialista. Uma mudança que, em primeiro lugar, os conduza a assumir uma completa exterioridade, em face do paradigma neoliberal, de modo a poderem caminhar para a afirmação de um paradigma alternativo. Uma mudança que, em segundo lugar, coloque no centro das suas políticas a vontade de assumirem uma autonomia de projecto, com base na qual sustentarão a imperatividade de um compromisso histórico com os liberais e os conservadores europeus, aberto às outras correntes políticas representativas, como pilar decisivo da próxima fase da construção da União Europeia.
Preencher a segunda condição implica que os liberais e conservadores europeus, ou seja, o Partido Popular Europeu, admitam que é necessário esse compromisso. Isso exige naturalmente o reconhecimento de que, no caminho já percorrido pela construção europeia, tem predominado largamente o paradigma neoliberal, o que terá que deixar de acontecer, à luz do novo compromisso histórico.
O preenchimento destas duas condições prévias não será a chave mágica para a superação de todas as dificuldades, mas será uma boa base para uma nova fase na vida da União Europeia, que fará com que seja mais sólido e duradouro tudo o que se for conseguindo.
Deste modo, pretender superar o risco de bloqueio do processo europeu, de que os resultados dos referendos francês e holandês foram dois indícios poderosos, com malabarismos institucionais ou retóricas apologéticas, mais não é do que é um conservadorismo estéril que ignora imprudentemente as mais sérias mensagens de aviso. Por outro lado, a tomada de medidas curativas imediatas para combater a crise que grassa nas economias europeias não pode circunscrever-se a uma resposta conjuntural, dirigida afinal a deixar tudo como dantes. Pelo contrário, aquilo que era necessário até agora, tornou-se mais urgente e as resistências ideológicas às opções propugnadas viram a sua razão de ser dramaticamente enfraquecida.
A Europa tem pela frente problemas difíceis. Não deve escondê-los nem ignorá-los, nem mesmo reduzi-los a simples dificuldades conjunturais de natureza institucional ou económica que, podendo ser mais facilmente superadas, dêem a ilusão de que tudo voltará à normalidade, após algumas medidas políticas avulsas mais ou menos felizes.
De facto, a actual estagnação da União Europeia e a crise que atravessa são sinais de um impasse, mas de um impasse estrutural que, por isso mesmo, não pode ser enfrentado com êxito através de medidas que não tenham, pelo menos, a densidade política e a relevância estruturante do compromisso histórico proposto.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A decadência do capitalismo

domingo, 16 de novembro de 2008
Em França, à Esquerda um novo Partido.

Nous nous réjouissons du mouvement de soutien qui s’exprime déjà envers notre démarche, aussi bien depuis les rangs socialistes que l’ensemble de la gauche, en à peine 3 jours. Nous avons déjà enregistré plus de 3 500 soutiens sur le modeste site www.casuffitcommeca.fr que nous avions ouvert vendredi 7 novembre.Ces soutiens montrent l’immense énergie disponible dans notre pays pour changer la gauche, affronter la droite et ouvrir une alternative au capitalisme de notre époque. C’est pourquoi nous annonçons la fondation du « Parti de Gauche » avec tous ceux qui partagent ces orientations.D’ores et déjà Claude Debons, cheville ouvrière des collectifs contre la Constitution européenne participe à notre démarche. Eric Coquerel est également en train de la rejoindre avec ses amis du MARS - Gauche républicaine. Ce n’est qu’un début. D’autres noms seront annoncés dans les jours qui viennent.Nous voulons que le « Parti de Gauche » soit un parti unitaire à gauche. Nous voulons en faire un trait d’union au service de la constitution d’un front de forces de gauche pour les élections européennes, sur une ligne claire de refus du Traité de Lisbonne et de construction d’une autre Europe. Dans ce but nous avons d’ores demandé à rencontrer notamment le PCF et le NPA.Nous voulons aussi que le « Parti de Gauche » soit un parti gouvernemental capable, avec d’autres, d’entraîner la société au service d’un projet majoritaire pour changer la vie du plus grand nombre dans notre pays. Le PG sera enfin un parti résolument républicain, défendant sans concession la souveraineté du peuple, la laïcité des institutions et de la société et l’intérêt général contre le productivisme face à la crise écologique.Nous avons dit que nous mettions nos pas dans ceux d’Oskar Lafontaine. Ce dernier sera présent lors du lancement du « Parti de Gauche », samedi 29 novembre, dans un grand meeting en région parisienne.
terça-feira, 1 de julho de 2008
À procura da esquerda perdida ?

O facto de ser dada centralidade, quando se perscruta o futuro dos trabalhistas, ao que pensam dele alguns simpatizantes endinheirados é, por si só, um sintoma devastador do estado em que o “blairismo” deixou o “Labour”.
Mas, se juntarmos a essa sombra preocupante, uma recente hecatombe eleitoral sofrida pelo Partido Trabalhista, o horizonte carrega-se ainda mais [e já, em 2 de Maio passado, me referi, neste mesmo blog, a um outro péssimo resultado eleitoral deste partido, no texto, “Da terceira via á via sacra”]. Na verdade, numa eleição parcelar recente, os Trabalhistas ficaram em 5º lugar, tendo os conservadores ganho folgadamente. Os liberais democratas passaram dos 20%, tendo ficado em 2º lugar. Todavia, o “Labour”, tendo ficando abaixo dos 3%, foi suplantado quer pelos Verdes, quer por um pequeno partido de extrema-direita.
Por enquanto, estamos apenas perante prenúncios de desastre que se somam. No entanto, se o “blairismo” continuar a infestar o trabalhismo, como até aqui, numa atmosfera malsã, provavelmente, dado o sistema eleitoral britânico, nas próximas eleições parlamentares os trabalhistas podem ser ultrapassados pelos liberais-democratas, o que os poderia tornar uma força política irrelevante em termos institucionais.
Se somarmos o estado lamentável a que chegaram os ramos italianos do Partido Socialista Europeu, a estas nuvens negras, bem como aquilo que fazem recear as sondagens mais recentes feitas na Alemanha, e ainda os resultados das últimas eleições parlamentares ocorridas na Dinamarca e na Holanda, temos reunidos elementos muito preocupantes quanto ao futuro da Internacional Socialista na Europa.

Por isso, é muito importante que nos países, como é o caso de Portugal, em que se pode ainda agir preventivamente, a direcção do PS compreenda a extensão dos riscos políticos que enfrenta e a influência positiva que pode vir a ter nos outros membros do PSE. Não deveria ser preciso sofrer um desastre eleitoral para se acordar para a urgência de uma verdadeira renovação do próprio modo de fazer política, para se compreender que a complacência para com paradigmas económicos que servem outros senhores não é realismo e pragmatismo, é a queda num enorme embuste ideológico.
De facto, será bom que se não esqueça que, sem um forte protagonismo institucional, político, social e cultural dos partidos da Internacional Socialista, a Europa irá sendo reduzida à triste condição de terreno de caça dos senhores do dinheiro, cada vez menos relevante no mundo do século XXI.
sábado, 14 de junho de 2008
Frutos amargos de um bloco central

Para mim, um dos que não pode ser ignorado é o que resulta do facto de o bloco central, por que se optou, ser uma solução que, tendo sido constitucionalmente válida e politicamente legítima, contrariou o essencial da mensagem transmitida pelo eleitorado, quando votou nas últimas legislativas.
De facto, nessas eleições defrontaram-se dois blocos, ambos internamente heterogéneos: à direita, o bloco democrata-cristão e o partido liberal; à esquerda, o SPD, os Verdes e um novo partido, resultante da fusão dos ex-comunistas com os dissidentes do SPD, liderados por Oskar Lafontaine ( Die Linke - A Esquerd
a).
Na competição entre os dois grandes blocos, a esquerda teve uma maioria clara. Na competição entre os partidos, o bloco democrata -cristão(CDU/CSU) foi o vencedor, com algumas décimas de vantagem sobre o SPD. Por isso, a srª Merkl nunca poderia ter sido chefe do Governo alemão, sem o apoio de algum dos partidos da esquerda. Pelo contrário, o leader do SPD poderia ter chegado a esse lugar, sem necessitar de qualquer apoio à sua direita.
O SPD, no entanto, recusou liminarmente ser governo, se isso dependesse do apoio do novo partido de esquerda. E, todavia, o apoio dos Verdes não lhe bastava para chegar à maioria absoluta de deputados. Assim, ao arrepio da vontade global dos eleitores alemães, aceitou apoiar um governo de coligação CDU-CSU/SPD, liderado por uma democrata-cristã, transformando uma vitória pífia da Srª Merkl num passaporte para um protagonismo prestigiante, que pode aniquilar as hipótese de poder do SPD, por muitos anos.







