Mostrar mensagens com a etiqueta carnaval. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta carnaval. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CARNAVAL DE 2012

Nestes ruas de cor que nos percorrem,
algo leva, por dentro, muitas máscaras

são às vezes sinais, contentamentos,
que de tudo se mostram descuidados

uma bruxa sorri eternamente, ao lado
da tristeza de um palhaço

há um dente que cresce, cresce sempre,
e o dente vai morder, seguramente

São máscaras, são gestos, sãos trejeitos
fazendo em cada rua um Carnaval

um aroma caído, um pó de espanto,
uma corneta com a voz de um pranto

Chegam depois os filhos do diabo
na luxúria dos corpos que se enlaçam

e agora um cardeal traz a bênção,
inútil, untuosa, densa, fria

A rainha vai nua, a rebolar-se
num samba que ameaça explodir

e o rei sofre o peso de um almoço
no hálito festivo da cachaça

A mão deste coelho não tem fim
mais, sempre mais fundo, em cada bolso

um cavaco andrajoso pede esmola
e traz uma verruga no nariz

Feliz a terça-feira deste Entrudo
fecha o cortejo nua e proibida

e há ainda esta garrafa de mau cheiro
que nos troika o nariz e o dinheiro

Mas ninguém nos arranca deste dia
ninguém há-de pisar a gargalhada

que aqui guardamos firme, desbragada,
para sermos os últimos a rir.


[Rui Namorado]

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O meu bairro ao ritmo do samba


O Carnaval passou na minha rua. Não atingiu ainda o perfume tropical do samba carioca, nem o colorido esfusiante de desvairadas rebolações. Mas permitiu já o arejamento de algumas elegantes carnações. E principalmente pôs na rua a discreta alegria portuguesa, com um visível apimentamento brasileiro. Não faltaram no cortejo, saudavelmente anárquico, as plácidas avós e os irrequietos netinhos, numa mistura de amáveis bruxas, índias e senadores romanos, todos dançando numa vertigem quase tropical de sambas e corridinho, com as janelas polvilhadas de pacatos cidadãos, que hesitavam entre o contido espanto e uma bonomia alegre de fim de tarde .
Durante um breve pedaço de tarde, no Bairro Norton de Matos, na plácida cidade de Coimbra, pareceu sentir-se a brisa colorida de Copacabana.