segunda-feira, 12 de junho de 2017
O resultado oculto das eleições britânicas
sábado, 8 de maio de 2010
Resultados das eleições britânicas

Neste momento, não há notícia de fumo branco nas negociações entre Conservadores e Liberais para uma possível coligação de governo entre uns e outros. Solução há décadas não experimentada. Se falhar, os Conservadores pretendem governar sozinhos, mesmo em minoria. Mas não é seguro que, perante esse eventual falhanço, os Trabalhistas não tenham uma nova oportunidade, se conseguirem um acordo com os Liberais. Tudo isto, reflecte uma vitória mitigada e algo amarga dos Conservadores.
De facto, como se pode ver, pelo quadro acima publicado, os Conservadores atingiram 36,1%, tendo conseguido eleger 305 deputados, o que os deixou 21 lugares abaixo da maioria absoluta. Pelo seu lado, os Liberais, esvaziaram-se como surpresa positiva, em termos absolutos, uma vez que, embora apenas tenham conseguido a modesta progressão de 0,9 %, ao atingirem os 23 %, perderam cinco deputados. Isso não os impede de, perante o conjunto de resultados verificados, terem conseguido a posição, estrategicamente muito vantajosa, de fieis da balança. Os Trabalhistas sofreram perdas severas, mas não passaram por uma derrocada. Ficaram-se pelos 29,1%, o que significou um recuo de 6,2%. Com 258 deputados, os Trabalhistas ficaram a cerca de 50 lugares de distância dos Conservadores.
Quanto aos outros partidos, no seu todo, passaram de 10,3% para 11,9% dos votos, mas perderam dois deputados: de 30 desceram para 28. Neste campo, a grande novidade foi a primeira eleição de um deputado representando os Verdes. Manteve-se, com relevo para a Escócia, uma presença significativa de partidos regionais, oriundos dela, do País de Gales e da Irlanda do Norte.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
As eleições britânicas


Como se pode ver, a primeira corresponde a um gráfico comparativo da evolução das intenções de voto reveladas por uma série de sondagens nos últimos meses. Fica clara a continuada supremacia dos conservadores, bem como a brusca recuperação dos liberais na sequência da boa impressão deixada pelo seu líder, aquando do primeiro debate televisivo desta campanha ( aliás, novidade absoluta em campanhas eleitorais britânicas) entre os dirigentes máximos dos três principais partidos. Também se constata a relativa estabilidade das intenções de voto nos trabalhistas. No termo do gráfico, as posições relativas dos três principais partidos era: Conservadores- 35,67%; Trabalhistas-29%; Liberais - 26 % [ o conjunto dos pequenos chegava aos 9,33%].
A segunda infogravura mostra o resultado de sucessivas sondagens, com indicação do número de lugares de deputado conquistados pelos diversos partidos, em cada uma das hipóteses. A primeira sondagem, tendo valores próximos dos que correspondem ao termo do percurso do gráfico e tendo tradução gráfica própria, pode-nos ajudar a formar uma ideia sobre o que é mais provável que ocorra na Grã-Bretanha.
Pode constatar-se que os conservadores dificilmente não serão os mais votados, podendo, contudo, não conseguirem ter o maior número de deputados. Os liberais podem ter um resultado brilhante, em percentagem nacional de votantes, mas não chegarão a ter cem deputados. Pelo contrário, os trabalhistas, que nunca conseguiram ser o partido com melhores expectativas de voto, caindo numa ou noutra sondagem na terceira posição, ficarão, na pior das hipóteses, acima dos duzentos deputados.
Aliás, aos trabalhistas é, por vezes, atribuída a vitória, em termos de número de deputados, outras vezes um inesperado terceiro lugar, em número de votos. Aos conservadores é quase sempre atribuída uma vitória relativa, sendo certo que, na fase final da campanha, parece ter despontado a hipótese de um maioria absoluta , ou seja, 326 deputados.
[ Se clicarem sobre cada uma das infogravuras, ela aumenta de dimensão.]
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O paradoxo das eleições britânicas
No actual parlamento britânico há uma maioria trabalhista : 349 deputados contra 210 Conservadores e 62 Liberais.
Nas eleições da próxima semana, fazendo fé em todas as sondagens, os Trabalhistas sofrerão perdas severas. Simplesmente, uma certa derrapagem dos Conservadores nos últimos meses, atenuou o seu favoritismo. O inesperado crescimento dos Liberais, impulsionados pela popularidade do seu líder, reduziu-o ainda mais.
O sistema eleitoral britânico, uninominal a uma só volta, no quadro da a actual distribuição regional dos eleitores, é amplamente favorável aos Trabalhistas e dramaticamente prejudicial para os Liberais.
Desse modo, como nos mostram os números de oito sondagens, mencionadas no site do jornal inglês Guardian, difundidas entre os dias 26 e 29 de Abril passados, há hoje uma real incerteza, quanto a saber-se qual o Partido que terá maior número de deputados depois das próximas eleições. Parece, no entanto, seguro que os Conservadores serão os mais votados, indicando algumas sondagens os Liberais como segundo partido e outras, como terceiro. E apesar disso, nenhuma das sondagens consideradas imputa aos Liberais mais do que 88 deputados e nenhuma indica que os Trabalhistas tenham menos de 244.


