domingo, 30 de julho de 2023

Frustração e hipocrisia em Espanha.

 

Frustração e hipocrisia em Espanha.

 

O Partido Popular espanhol, em cuja claque alinham a direita e a extrema-direita portuguesas, alguns distraídos da esquerda baixa ou do “nem esquerda nem direita antes pelo contrário”, confrontou o PSOE com o hipotética dever deste de viabilizar um governo seu. 

Sem isso, a sua vitória revela-se incapaz de gerar uma maioria parlamentar. O PSOE, tendo sido o segundo partido mais votado, embora com dificuldade, pode negociar apoios que lhe permitam liderar um governo de coligação de esquerda com o SUMAR. Também por isso, não se mostrou disponível para dar esse “presente” ao PP.

Com os olhos em alvo, o PP alardeia a qualidade democrática da sus pretensão. No entanto, realmente, se virmos bem  o que revela é descaramento e hipocrisia políticos. Profundos!

Na verdade, depois das mais recentes eleições locais e regionais de 28 de maio, em que a direita teve mais votos, reforçando largamente os seus poderes locais e regionais, foram reconfigurados os diversos executivos com base nas respectivas assembleias municipais e regionais.

Olhemos para alguns exemplos de como a direita espanhola se comportou nesse processo. Na região da Estremadura, o PSOE foi o partido mais votado, mas quem governa é uma aliança do PP com o VOX a qual conseguiu maioria na Assembleia.

E não se ficou por aqui. Realmente, no campo municipal, o PP ocupou as presidências de mais de 200 municípios em que a sua não foi a lista mais votada; na maioria das quais, aliás, foi o PSOE o partido mais votado. E se olharmos para a Espanha como um todo, há 684 municípios em que o partido mais votado não lidera o governo municipal.

Como se vê, a pretensão do PP é o contrário do modo como se tem comportado em situações idênticas. Não é mais, desse modo  do que uma hipocrisia de náufrago que já se julgava no Palácio da Moncloa mas que  afinal “morreu na praia”.