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terça-feira, 27 de agosto de 2019

PIXORDICES 32- Justino


PIXORDICES 32 - Justino

Justino raspou ao de leve o verniz de uma gravidade que se verifica ser falsa, para reduzir a crítica política a António Costa a um chorrilho de adjetivações depreciativas a roçar o insulto.

Será que não tem mais nada de consistente com que atacar António Costa? Ou é apenas um impulso irresistível de se punir a si próprio enquanto jovem?


Seja como for, sujeita-se a que se lhe responda à letra. Não venham depois dizer que é arrogância do PS o que afinal é apenas legítima defesa.

sábado, 29 de dezembro de 2018

A RTP e uma pixordice bolsonariana


1. Todos os cidadãos portugueses estão obrigados a obedecer ao que está disposto na Constituição em vigor. Por maioria de razão, as entidades públicas portuguesas não podem deixar de se comportar de harmonia com a Constituição, estando-lhes evidentemente vedado tomar posições públicas que ostensivamente a contrariem. Este imperativo de obediência à Constituição é especialmente relevante no caso dos meios de comunicação social públicos.

O art.º 46 no nº 4 da Constituição diz expressamente que “não são consentidas organizações (…) que perfilhem a ideologia fascista”. Não há pois qualquer dúvida quanto à ilegitimidade de ser feita propaganda ideologicamente fascista nos meios de comunicação social públicos em Portugal.

2.Ontem, 28 de dezembro, no telejornal da RTP 1 foi anunciado com especial destaque que a respetiva redação tinha escolhido como personalidade internacional do ano de 2018 Jair Bolsonaro. Para sublinhar bem o significado da escolha foram amplamente mencionadas algumas das suas posições indubitavelmente próprias de uma ideologia fascista.

3. Ficámos assim a saber que, completamente ao invés do povo português, a ideologia fascista é maioritariamente bem aceite no seio da redação da RTP 1.

Por um lado, isso ajuda a compreender o modo como as questões políticas aí, muitas vezes, são tratadas.

Por outro lado, é escandaloso que uma emissora de televisão pública publicite ostensivamente uma preferência da sua redação por uma figura internacional claramente identificada com posições ideológicas fascistas; o que traduz uma transgressão grosseira da Constituição em vigor.

Que os redatores da RTP sejam pessoalmente admiradores de Bolsonaro é algo que é da esfera da sua consciência, não deixando de nos mostrar que espécie de gente nos entra todos os dias pela casa dentro, paga pelo erário público.

Que usem o potencial de propaganda do meio de comunicação social onde trabalham para prestigiarem uma ideologia que a nossa Constituição deslegitima é absolutamente intolerável.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Pixordices 29- Os tontos não compram malmequeres...


Tem-me espantado particularmente o péssimo estado em que parecem estar os neurónios de algumas figuras públicas e de alguns comentadores da comunicação social.

Esse estado tem sido evidenciado a partir de diversos acontecimentos, ou melhor, do modo como são comentados esses acontecimentos.

Um dos exemplos mais gritantes foi aquele que resultou de um comentário mais agreste, feito por dirigentes do PS, a propósito de notícias vindas a público e não desmentidas, atribuindo a colaboradores da Presidência da República um papel activo na preparação do programa eleitoral do PSD.

Pois bem, a escassez de neurónios que não estejam de férias deve ter feito com que da PR, em vez de terem confirmado ou desmentido (talvez por acharem que, lá no Olimpo onde se julgam, não se cultivem confirmações ou desmentidos), tenham denunciado eventuais escutas de que estariam a ser vítimas. E isto não por terem qualquer evidência de que assim acontecia, mas numa pose agarotada querendo dizer que o PS só podia saber de uma colaboração de gente da PR no programa do PSD se tivesse montado escutas à Presidência da República. O “chico esperto” que congeminou essa triste piada de mau gosto, estava aliás com ela a confirmar a veracidade da imputação do PS, o que verdadeiramente é o único facto político realmente escandaloso, nesta xaropada.

Apesar disso, foram vários os plumitivos que gravemente regougaram censuras ao Governo, por não ter desmentido logo solenemente a “garotada” praticada por alguns dos raros neurónios que povoam neste Agosto o Palácio de Belém. Por isso, quando falou de “disparates de Verão” Sócrates reagiu no registo devido. Não vale a pena dar solenidade a dislates tontos.

Espera-se agora que o PR esclareça qual dos porteiros do Palácio foi colocado em serviço de relações públicas nesta época estival, tendo deixado escapar inadvertidamente para a comunicação social a "palermice" das escutas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pixordices 28- A dama , a economia e os anões

Noutros tempos, contava-se a história da "Branca de Neve e os Sete Anões", para ajudar as crianças a dormirem com os anjos.

Uma panóplia de 27 marmanjos e 1 marmanja, possuídos por um desejo irreprimível de servir a Pátria, deliberou no rescaldo das eleições europeias, dar uma mãozinha à colega Ferreira Leite, em nome da boa solidariedade corporativa. Cometeram então um manifesto. O seu tom é dominantemente laranja, envolvido por um delicado perfume neoliberal. Quatro ou cinco distraídos emprestaram a caução do seu nome, para que se dissesse que estava ali um coro autenticamente transversal, que tanto podia trautear uma canção do Frei Hermano da Câmara como uma balada do Zeca Afonso.


Circunspectos, arredondaram uma prosa, deixando recair sobre ela a sombra de alguns números. Afeiçoaram meticulosamente algumas frases, para que pudessem funcionar em várias direcções. E, num assomo de imaginação teórica, preconizaram então, no essencial, duas das coisas, que estão arreigadas na idiossincrasia do povo português, do mesmo modo que o vira do Minho mexe no sangue dos minhotos. Por um lado, querem que se espere; por outro lado, que se façam mais estudos. Mas o que seguramente espera deles a patine conservadora nacional é que contem com verosimilhança aos portugueses uma história da carochinha: "A Dama de Cinza e os Vinte e Oito Oráculos".

Mas eu tenho um vizinho,que é um rapaz mal-disposto. Em vez de escutar pacientemente a nova história, desatou a fazer perguntas:


Tudo somado quanto ganharam aquelas almas em pareceres encomendados pelo Governo, pelas autarquias e pelas empresas públicas?

Quantos dos que foram Ministros fizeram nos seus Governos o contrário do que agora preconizam ?

Quantos deles nos avisaram a tempo da crise que caiu sobre nós, tendo sabido prever e mostrar o que veio a acontecer, como começou e até onde irá ?

O meu vizinho tem mesmo maus fígados e, sem esperar por respostas, não hesitou em afirmar:
" A alguns deles, ainda os hei-de ver naquela fila de pedintes de luxo que estendem a mão a gregos e troianos, pedindo "um estudozinho por amor de Deus". Há outros que assinam seja o que for, se lhes puserem o nome nos jornais. E outros ainda receberam um telefonema de um ex-ministro de quem são amigos , pedindo-lhes colaboração para se dar "uma ferroada ao Sócrates", ou pedindo para se dar uma "mãozinha" à Ferreira Leite. E responderam logo: "Está bem , Sr Professor, ponha lá o meu nome". E a verdade é que acertaram em cheio . Lá vem o nome deles no jornal , com o ar grave de quem está em intensa neuro-secreção económica".

A Dama de Cinza já agradeceu. Os portugueses podem agora ter um sono mais tranquilo, visto haver um comité de sábios, com o modesto tempero de apenas uma sábia, que cometeu a luminosa ideia de os mandar esperar, mas de os mandar esperar com muita consistência, com muito estudo. Os portugueses reconfortados com essa nova pitada de sabedoria, respiram finalmente.

Mas o meu vizinho é mesmo insuportável. Vejam o que teve a ousadia de dizer:
"Politicamente, não podem ser a "Branca de Neve e os Sete Anões". Por isso, politicamente, têm que passar a ser : " A Dama de Cinza e os Vinte e Oito Anões".

Sendo asim, querendo-se contrariar, realmente, o tão insólito vizinho, apenas podemos fazer com que a" Dama de Cinza" se acenda e com que os Vinte Oito Anões cresçam.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pixordices 27: a parcialidade subtil fica à mostra

O deus das sondagens, que parecia recusar-se a esboçar um verdadeiro sorriso para os lados do PSD, resolveu abrir o coração aos perfumes laranja e concedeu numa sondagem alguns pontos de vantagem ao PSD, pela mão diligente do anjo marktest.

Mas se a sorte bateu assim inesperada à porta do pernóstico e da dama de cinza, foi um pouco mais cinzenta para o jornal "Público". Azar dos cabrais para um amanuense de belmiro: estava o subtil periódico aconchegado nas rotinas das sondagens favoráveis ao PS, cuja sombra procurara mitigar com o preciosos achado do empate técnico, quando lhe surgiu este feliz percalço. Pérolas de suor frio afloraram na testa ampla do amanuense: que fazer ?

Deitar exuberantes foguetes pelo despontar da nova tendência, era dar um tom grosseiro à parcialidade do jornal, quebrando irremediavelmente o cristal da sua subtilleza. Mas deixar de ribombar de alegria perante a nova conjuntura, era uma discrição talvez insuportável, depois de tanta espera.

Foi então que, num assomo sofisticado de subtileza, o referido amanuense inventou este inefável título: "
Sondagem dá vitória ao PSD nas europeias, mas em situação de empate técnico ."

Ou seja, temos uma vitóóóória, conquanto empatada; ou então, um empate, mas vitorioso.

Encontrei a pepita comunicacional, que vos acabo de mostrar, no sítio do " Público" na internet.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pixordices 26- Parcialidade subtil

Desde que o “Público” começou a ser publicado, devo tê-lo comprado em mais do 99% dos dias. Nunca foi o jornal ideal ( se é que isso existe), mas os outros pareciam-me piores. Pouco a pouco, a minha empatia com o jornal foi esfriando, até restar pouco mais do que um hábito de o ir comprando dia após dia.

O seu director ganhou notoriedade como um dos expoentes mais retintos da ideologia neoliberal. Os jornalistas de qualidade que integram o seu corpo redactorial não se evaporaram ainda todos, mas começam a rarear. Nos artigos de opinião há um pluralismo enviesado que aponta para uma hostilização ao PS, a partir de uma perspectiva situada à sua direita.

Mas o “ Público” não é um jornal tendencioso primário. É um jornal subtilmente tendencioso. Quiçá, mais eficaz, esse tipo de parcialidade não pode ser encarada com bonomia.

Vejamos um exemplo que ilustra bem o que dissemos. Sabemos que as sondagens dão uma vantagem à direita espanhola relativamente aos socialistas, aproximadamente igual àquela que dão em Portugal ao PS, em face do PSD.


No entanto, para o “Público” as coisas não são bem assim. Vejamos.

Na sua página 10 da edição de ontem, dia 1 de Junho, num destaque que funciona como verdadeiro subtítulo diz:”É a hora da dramatização para PS e PSD , que vão praticamente lado a lado”.
Na página 13 da mesma edição, num título de um pequeno texto diz:”Sondagens em Espanha dão vantagem ao Partido Popular”.

O “Público” pode querer ser uma sucursal hábil do “Povo Livre” e pode estar possuído por uma forte paixão pela direita espanhola, admitindo-se até que seja levado a transformar-se numa espécie de caniche de luxo do Engenheiro Belmiro, mas não pode continuar a ostentar uma patine de esquerda, ainda que ligeira, já que dela só pode realmente ter ficado alguma saudade.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pixordices 25 - Natural estranheza


O Honoris Belmiro estranha que os trabalhadores da Auto Europa pugnem pelos direitos laborais que lhes permitam viver com a dignidade inerente a qualquer ser humano. Eu só estranharia que o referido Honoris portuense estranhasse a sofreguidão do capital.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pixordices 24: pernóstico e amordaçado


Pernóstico Rangel é um vulto com verbo desempoeirado.

Disseram-lhe : “Cuidado com o Vital ! “

Nunca podes tratar o gajo por Professor.”

“Deves reduzi-lo ao modesto estatuto de candidato”.

“Quando te vires atrapalhado grita.”

Chama-lhe estalinista.”

“Diz que te querem amordaçar.”

Pernóstico Rangel tomou nota dos sábios conselhos, mas, como alguns alunos muito aplicados, cai por vezes em excessos. De facto, mal do lado do PS assoma o esboço de uma reserva à prioridade de um tema, logo o Pernóstico candidato grita, como galinha desmamada, que o querem amordaçar. Consta mesmo que só, em última instância, desistiu de imputar graves responsabilidades ao candidato do PS pelo massacre dos arménios, levado a cabo pelos turcos. De facto, reconheceu que era algo exagerado fazê-lo apenas baseado na circunstância de o candidato Vital Moreira ter sido visto a passear na Turquia há alguns anos atrás.

Mas, apesar de tudo, não posso deixar de ter alguma simpatia, perante o esforço do candidato Pernóstico. Deixem lá de amordaçar o rapaz. Deixem –no falar nas obras.

sábado, 25 de abril de 2009

Pixordices 23 - Os amantes da verdade


Se os esforçados pesquisadores, que descobriram e divulgaram o vídeo em que José Sócrates era acusado de ter sido subornado, são realmente amantes da verdade, e nada mais do que isso, por que razão se esqueceram de descobrir, também, que já em 2007, como informa hoje a comunicação social, o inglês que fez as acusações, disse em quatro inquirições que tinha mentido?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pixordices 22 : cabeças trocadas ?


Como podem achar-se ofendidos com o que Sócrates disse deles na entrevista e acharem, ao mesmo tempo, que não o têm ofendido na campanha que a TVI tem feito contra Sócrates?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Pixordices 21 - Bombeiro incendiário ?


Escreveu-se o seguinte no DN de hoje:


"O porta-voz do partido, Vitalino Canas, rejeitou alianças com o PSD, PCP e BE nas legislativas. Já um acordo com o partido de Portas não foi considerado inviável."


Se de facto VC disse isto, revelou uma grande irresponsabilidade. Aliás, se o PS é dos seus militantes talvez fosse bom perguntar-lhes primeiro o que querem, antes de serem trazidas para a praça pública as preferências íntimas deste ou daquele dirigente.


Ou será que VC acha que interessa ao PS uma cisão nas suas fileiras, tendo resolvido deitar gasolina na fogueira que já está publicamente acesa?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pixordices 20 - O silêncio dos prudentes



Leio no "Diário de Notícias" de hoje:

"O braço-de-ferro do PS com o Presidente da República por causa do Estatuto dos Açores divide a direcção do partido. As divisões atingem o próprio secretariado do PS (o órgão mais restrito de direcção). Sob a condição do anonimato, alguns membros deste órgão - incluindo "socráticos" de longa data - admitiram discordar, por não ver a utilidade do conflito."

Como pode alguém aceitar ser membro da direcção de um partido político se reconhece não ter coragem para exprimir publicamente as suas opiniões ?

Ou acha que as suas opiniões pessoais não devem ser publicamente conhecidas, no interesse do partido que dirige que por sua livre decisão resolve privilegiar , e então cala-se, por completo.
Ou acha que deve tornar público o que pensa e então não se refugia na cobardia do anonimato.
Mas se tiver estômago para praticar essa cobardia, mostra claramente, que não tem estatura moral , nem coluna vertebral, para ser dirigente de coisa nenhuma.

sábado, 25 de outubro de 2008

Pixordices 19 - A distracção de Salazar




O Sr. Santos escreveu mais um livro. Por profissão é megafone de televisão: diz notícias nos telejornais e faz perguntas parvas aos senhores que se sentam à sua frente para dizerem umas tantas sábias larachas, sobre assuntos de que se dizem especialistas.

O Sr. Santos baseou-se nas vidas do vô-vô e da vó-vó que namoraram sem autorização. Gente antiga, vivente nos anos trinta do século passado, em pleno salazarismo.

Ora, do alto dos seus romances o Sr. Santos quis dizer-nos como eram toscos os democratas que espalharam a lenda de uma desafeição dos portugueses, quanto ao Dr."Botas" de Santa Comba. E, luminoso, esclareceu-nos, dizendo que o povo estava farto da primeira república e, por isso, considerou o salazarismo um verdadeiro bálsamo. O Sr. Santos esqueceu-se de que essa novidade era afinal, simplesmente, a lenga-lenga repetida pela propaganda oficial do regime fascista, ao longo de dezenas de anos.E assim não se terá apercebido que apenas levianamente estava a ressuscitar a versão oficiosa do salazarismo sobre Salazar.
Se o que Sr. Santos afirmou, tivesse sido verdade, poderia ter-se dito: Pena terá sido que o Dr. Salazar não tivesse sabido dessa grande novidade. De facto, se na época ele desconfiasse que tinha esse apoio acrisolado do povo português não teria certamente hesitado: teria feito eleições livres e decentes, uma vez que era certo ganhá-las. Como julgava o contrário, o nosso Ditador não fez tal coisa.
Pois é . Ficámos a saber que, ao contrário do que ele próprio julgava, o Dr. Salazar tinha afinal o apoio do povo português.

É pelo menos o que pretende o inefável Sr. Santos, mostrando uma infeliz verdade: o facto de se terem escrito dois, três ou mesmo quatro romances, mesmo lidos por muita gente, não vacina contra o dislate.

Sugiro um título para o novo romance do Sr. Santos: "Um Santos contra a república" ou "D. Salazar I, o bem-amado".

sábado, 20 de setembro de 2008

Pixordices 18: Democrácios e humanítricos

1. Quando havia governos de esquerda não legitimados por eleições, os bem-pensantes de serviço exaltavam as eleições como única medida da legitimidade democrática, embora se esquecessem, muitas vezes, de ter o mesmo rigor de julgamento, quanto aos governos de direita, não legitimados por eleições.

Como, actualmente, há muitos governos de esquerda, legitimados por eleições (recorde-se o caso da América do Sul), os mesmos bem-pensantes descobriram que não basta eles terem a maioria eleitoral é preciso também que preencham uma série de requisitos, que vão inventando, de modo a poderem dizer que eles faltam a esse governos de esquerda queridos pela maioria do povo.

Quem deveria governar então? A direita desses países, apoiada apenas por uma parte minoritária do eleitorado ?

São os democratas maioritários: só são a favor da democracia quando ela dá a vitória à direita.

Muito edificante…

2.
Tributária da mesma idiossincrasia, a administração Bush descobriu um caminho esquisito, para se demarcar de governos de outros países que não lhe agradem. Em vez de manifestar as suas divergências políticas, confrontando-os com a correspondente crítica, prefere acusá-los de não participarem com a necessária eficácia no combate à droga.

É que se chama boa fé política, é o que se pode considerar um comportamento impecavelmente marcado pela ética .

3.
Proliferam na actualidade as organizações de defesa dos direitos humanos. Como em tudo, há que separar o trigo do joio. Há que distinguir as que se pautam por regras de imparcialidade política inequívoca, das que são meras entidades mercenárias, que apenas executam uma agenda predeterminada pelos seus financiadores; distinguir as que se batem por um mundo melhor das que são meros agentes de propaganda de uma ideologia ou de um Governo.

Mas o crivo, cujo relevo é decisivo, é o que filtra cuidadosamente os direitos humanos cuja defesa protagoniza, separando-os dos direitos humanos que por completo ignora. É um crivo perverso que marca, inapelavelmente, quem com ele se conformar.

Cada vez mais, uma verdadeira defesa dos direitos humanos não pode deixar na sombra o combate em prol de todos os direitos que estão inscritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. Pugnar por uns e esquecer os outros, é uma atitude que inquina , por completo, todos os resultados a que se chegar.

sábado, 26 de julho de 2008

Pixordices 17 : A persistência da desnotícia



Li no “Diário de Notícias “ de hoje, um texto sobre a visita de Hugo Chavez a Espanha, assinado por Patrícia Viegas, que terminava nos seguintes termos:

“ A seguir a esta visita Chávez voltou à Venezuela. Mas se em Espanha encerrou uma polémica, na visita à Rússia lançou outra, ao convidar Moscovo a instalar bases militares no seu país. Ao estilo Guerra Fria. »

O meu espanto ficou esticado. De facto, já, ontem ou anteontem, tinha ouvido o próprio desmentir na televisão que tivesse dito uma tal coisa e já lera o mesmo na imprensa internacional.

Ou seja, o DN acolhia uma mentira ostensiva, a partir da qual insinuava uma atitude de regresso a uma dita guerra fria por parte de Chavez.

É, no entanto, uma falsa imputação que correspode , em termos simétricos, a intenções ( essas sim ) verdadeiras do USA no que respeita à Rússia, na medida em que quer colocar sistemas de armas estratégicas, junto das suas fronteiras ( República Checa, Polónia e Lituânia).

Será que para o DN os USA também estão a actuar bem "ao estilo da guerra fria" ?
Enfim, cada um tem as suas preferêrncias, mas que um Jornal repise notícias desmentidas, só por que se harmonizam com as suas simpatias, mesmo através de texos assinados, é uma pixordice e das grandes.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pixordices 16 - À sombra dos factos


Transcrevo do DN de hoje o pequeno extracto que se segue:


“Segundo apurou o DN, os dirigentes do PS/Algarve esperavam reunir no jantar com José Sócrates, pelo menos 1.500 dos cerca de 4.000 militantes existentes na região. Contudo, apenas terão estado no Pavilhão Arena cerca de 700 pessoas.”

Eis uma notícia, que, apesar de não ferir ninguém, tem um carácter, claramente, tendencioso, sendo exemplar, como ilustração do que é a “objectividade” de uma boa parte da imprensa portuguesa.

Efectivamente, o facto objectivo é a presença de 700 militantes socialistas num jantar realizado no Algarve. Teria sido perfeitamente legítimo comparar esse facto com outros factos paralelos, ou realizados noutras ocasiões. Por exemplo, com jantares idênticos realizados pelo PS no Algarve; ou com jantares recentes, realizados pelo PS noutros locais; ou até com jantares recentes promovidos por outros partidos no Algarve. Teria sido natural interpretar e comentar essas comparações de factos, sublinho, de factos.

Mas, comparar um número de efectivas presenças, com uma vaga alusão ao que teriam esperado fontes não identificadas, acaba por ser uma tentativa grosseira de desvalorizar o significado daquele número de presenças.


Criticar o PS ou o Governo é natural e legítimo, mas fingir que se está a emitir uma informação, quando se está a embrulhar essa informação num discurso apoucador, é pura “pixordice” jornalística.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pixordices 15 - O silêncio dos indecentes



No jornal espanhol , "El Pais", saído hoje, vinha o texto que abaixo transcrevo, sobre o grande aliado do "bushismo" na América Latina.


"El presidente de Colombia, Alvaro Uribe, ha anunciado este viernes que pedirá al Congreso que tramite una ley que convoque un referéndum en el que se decida si se repiten las elecciones de 2006, en las que fue elegido para un segundo mandato de cuatro años. El presidente colombiano toma esta decisión poco después de que el Tribunal Supremo colombiano pidiera revisar la reforma constitucional que permitió la reelección presidencial porque hubo "una clara desviación de poder" y haya condenado a 47 meses de prisión por cohecho a la ex congresista Yidis Medina, que cambió su voto a última hora para salvar esa iniciativa.

El magistrado Sigifredo Espinosa, presidente de la sala penal de la entidad, en un fallo leído ante la prensa, ha señalado que a Medina se le impondrá también una multa equivalente a unos 12.000 dólares y se le sancionará con la pérdida de derechos públicos por el plazo de la condena "por encontrarla responsable del delito de cohecho propio". Espinosa ha explicado que la ex parlamentaria por el Partido Conservador fue condenada con base en su propio testimonio en el que admitió el cohecho.

Sobornos

El escándalo y la posterior investigación comenzó en abril, después de que la ex congresista declarara que cambió su voto a favor de la reelección presidencial en el 2004 después de que funcionarios del Gobierno le ofrecieran cargos burocráticos. Yidis Medina acusó a Sabas Pretelt, que en esa época era ministro del Interior, Diego Palacio, responsable de Protección Social y a otros funcionarios cercanos a Uribe. Por ello, la Comisión de Acusaciones de la Cámara de Representantes decidió en mayo investigar por el mismo caso a Uribe.
La ex congresista, que se encuentra actualmente en prisión, ha defendido desde el principio que se oponía a la reelección presidencial inmediata, pero que después de las ofertas del Gobierno cambió su voto, un respaldo que fue decisivo para impulsar el proyecto de ley que aprobó el Congreso y que luego avaló la Corte Constitucional. El trámite y la aprobación de esa reforma constitucional abrieron el camino para que Uribe fuera reelegido en el 2006.
Por su parte, Álvaro Uribe ha negado todas las acusaciones y ha declarado que los implicados sólo buscan desacreditar su gestión. Este escándalo de soborno coincide con un momento en el que el Congreso de Colombia sufre una grave crisis crisis política y un proceso judicial que mantiene en prisión a por lo menos 32 legisladores, mientras que más de 30 son investigados por sus presuntos nexos con los escuadrones de ultraderecha."

E, no entanto, a matilha mediática internacional, sempre pronta a soltar-se ferozmente, quando o mais pequeno alvo com perfume de esquerda se põe a jeito em qualquer parte do mundo, continua sonolenta no seu canto, ronronando placidamente.


É a inconsciência acrítica da descomunidade internacional...


[ Imagem retirada da internet]

domingo, 22 de junho de 2008

Pixordices 14 - O perfume das palavras, o peso das ameaças


Congresso do PSD : o pessoal político da direita portuguesa praticou os seus ritos periódicos, no quadro do seu maior Partido.

Começou, assim, a ser construído o holograma ideológico dos interesses estratégicos que a estruturam, de modo a que uma parte do eleitorado possa incorporar a ilusão de que se salva, quando apenas estará a blindar, um pouco mais, os interesses liderantes dos senhores do dinheiro e dos seus capatazes de luxo.

Neste número de ilusionismo, a realidade é um simples cenário e a verdade a mera sombra de uma retórica instrumental. O discurso, desde que seja sedutor e pressionante, basta-se a si próprio. Cabem nele todas as combinações de palavras, que, por serem apenas isso, podem escapar ao filtro da verosimilhança, ao ónus da compatibilidade e à servidão da lógica.


Por exemplo: nos alicerces dos discursos que contaram, surgiu, recorrentemente, como vector estruturante, a determinação do PSD de vir em socorro da " classe média", supostamente esmagada pela governação actual. Eis uma determinação legítima e até louvável.

Todavia, entre as raríssimas intenções governativas concretas da Dama de Cinza, inscreve-se o fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde. Ou seja, uma medida que em termos práticos, para além de ser um factor de irreversível corrosão e degradação do SNS, é uma profunda machadada na " classe média".

De facto, os ricos podem recorrer, conforme preferirem, aos melhores serviços de saúde, em qualquer lugar do mundo. Os pobres ficarão com a caricatura de um saudoso SNS. Mas, a "classe média" verá a sua saúde transformada numa apetecível oportunidade de negócio, para as multinacionais da saúde e para um ou outro grupo económico mais poderoso de raiz portuguesa.

Isto quer dizer que na retórica generalista, o PSD troveja, em favor da classe média; na verdade, já decidiu sangrá-la num ponto essencial, a saúde.

Ou seja, a dama de cinza e os "éticos" barões que se lhe associaram, são ágeis na projecção de paraísos e perigosos na preparação de infernos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pixordices 13 - A difícil resposta


A simpática Drª Manuela é tida, pelo exigente baronato laranja, como o ápice do bom-senso e do equilíbrio emocional.

Um esforçado perguntador questionou-a sobre o sentido do seu voto nas eleições de 2005, na esperança ingénua de se ver recompensado, pela parca glória de a obrigar a dizer que votara no irrequieto Dr. Santana. Contudo, mostrando o seu apurado sentido de oportunidade, a arguta senhora retorquiu, engenhosa:


- Não digo! Não digo ! E não digo !



O perguntador, abatido pelo inesperado da resposta, correu pressuroso a dar conta ao Dr. Santana do despautério. Subindo a uma gravidade só habitual nos grandes dias, o " não-dito", qual Zeus furioso , arrasou a pacata senhora:


- É grave! É muito grave! É muitíssimo grave que uma candidata a chefe do grémio laranja tenha dado uma tal resposta. No mínimo, deve desistir de imediato da sua candidatura.

Como se um vulcão, antes adormecido, tivesse acordado dentro de si, a Drª Manuela convocou os megafones da comunicação social e explodiu definitiva perante todos:

- Só o Dr. Santana, em todo o santo Portugal, tem dúvidas sobre o meu voto. Eu seja ceguinha se não votei sempre no PSD!!

Entre perplexo e ousado, o perguntador foi mais específico: "Em 2005 votou no Dr. Santana Lopes ?".

Afivelando o sorriso cinzento das certezas fortes e da palavra firme, a Drª Manuela explodiu contida, mas quase em raiva:

- Não digo ! Não digo ! E não digo!

Foi então que um dos mais excelsos barões laranja, vocacionado para as mais altas palavras em sublimes ocasiões, deixou o seu verbo produzir as seguintes palavras: "Uma grande senhora"!


Se a um povo fosse concedida a suprema graça de suspirar de alívio, quando realmente se sentisse aliviado, o povo teria suspirado longamente de alívio.
Ou de receio ?