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domingo, 27 de outubro de 2013

O DISCRETO RUÍDO DE PALAVRAS GRANDES

Quando alguém diz mal de si próprio, talvez seja um estóico.
Quando alguém se elogia a si próprio, talvez seja um tolo.

Quando alguém diz mal de um outro, talvez seja um invejoso, quando ele é fraco e um justiceiro quando ele é forte.
Quando alguém diz bem de um outro, talvez seja um bajulador, quando ele é forte e um justo quando ele é fraco.

Quando alguém vê nesta sociedade os prelúdios de um desastre, talvez seja um profeta.
Quando alguém vê nesta sociedade os prelúdios de um amanhecer, talvez seja um sonhador.

Ouço com simpatia os estóicos e procuro ignorar os tolos.

Desprezo os invejosos e os bajuladores. Simpatizo mais com os justos do que com os justiceiros.

Ai dos profetas que não temperam os futuros que receiam com a cor de algum sonho. Ai dos sonhadores que não inscrevem na luz que prometem, o risco de um desastre.


Ao escrever  estas linhas talvez eu tenha querido ascender ao alto  patamar dos estóicos, ao planalto digno dos profetas que saibam sonhar, mas reconheço que corro o risco de  ter descido pela escada estreita dos tolos.

sábado, 25 de maio de 2013

DÚVIDAS E CERTEZAS

Henry Charles Bukowski Jr (nascido Heinrich Karl Bukowski; Andernach, 16 de agosto de 1920 – Los Angeles, 9 de março de 1994) foi um poeta, contista e romancista estadunidense nascido na Alemanha.
Recebi há pouco do Zé Cândido a imagem que reproduzo.

sábado, 16 de julho de 2011

A ILUSÃO DOS IMPLACÁVEIS

Há neste planeta agitado quem julgue que, por apoucar ferozmente os outros, se torna grande. Puro engano. Só precisa de apoucar os outros, tornando-os mais pequenos do que aquilo que são, quem, achando-se desesperadamente insignificante e sabendo que não deixará de o ser, anseia por companhia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

BANALIDADES ÚTEIS

1. Um diagnóstico político-social tão implacavelmente rigoroso que suscitasse como certeza a impossibilidade de superar a crise para que serviria? Para fundamentar o desespero? Mesmo que subjectivamente espelhasse uma recusa radical da sociedade que temos, objectivamente só poderia ser um precioso auxiliar da conservação dessa sociedade.

2. Combater com toda a energia para superar uma conjuntura desfavorável, com base em ideias toscas e superficiais, aprisionadas nas simples aparências e distantes de uma perspectiva analítica que permita uma compreensão adequado da realidade, é correr o risco de se desperdiçarem esforços, lutando-se contra o que se queria defender.

3. Passar a vida combatendo miragens, enquanto os palácios do nosso descontentamento continuam a coberto da nossa atenção e desse modo protegidos dos nossos golpes, é o que mais agradará aos nossos inimigos.

4. Sem emoção a política é uma parede de tédio, sem racionalidade é uma roleta russa.