terça-feira, 18 de junho de 2019

Enquadramento das opções programáticas do PS


Para um enquadramento prospetivo
das opções programáticas do PS
                                                                          
1. O programa político que o PS tem vindo a delinear nos últimos meses assenta em quatro eixos principais: Alterações Climáticas, Demografia, Sociedade Digital e Desigualdades. Ou seja, o PS assume como desígnios estruturantes: combater o declínio demográfico, travar a degradação climática, reverter as desigualdades sociais e valorizar as tecnologias digitais. A centralidade destes vetores não exclui a atribuição de importância a outras questões e a outras áreas programáticas, que sem apagarem essa centralidade não deixam de implicar uma abordagem específica.
Estes desígnios situam-se em planos diversos. Reverter a degradação ambiental que já se vem refletindo nas alterações climáticas é um desígnio mundial que, no entanto, não afasta uma responsabilidade de cada povo e de cada Estado. Combater o declínio demográfico é principalmente uma necessidade da comunidade nacional inscrita na qualidade de vida antecipada como provável por parte dos pais quanto aos filhos e nas dificuldades esperadas para os criarem. Reverter as desigualdades sociais é mudar o coração podre do atual modo de produção da vida social, empreendendo uma longa marcha rumo a uma sociedade justa. Valorizar as tecnologias digitais implica dar centralidade a esse tipo de inovação, fazendo com que elas irriguem com intensidade crescente o tecido social, a esfera pública, as estruturas económicas e a criatividade cultural e artística. Estes eixos temáticos interagem entre si, potenciando-se ou constrangendo-se.
Inscrevê-los com autenticidade no horizonte político implica assumir-se a necessidade de uma profunda transformação social (sem a qual a proclamação desses objetivos pouco mais será do que uma retórica vazia) e portanto de se empreender uma transição para um outro tipo de sociedade. Um processo de transição longo, radicalmente democrático, que se traduza num percurso reformista rumo a um pós-capitalismo desejável. Um processo que parte da constatação de que a hegemonia capitalista, o predomínio da lógica capitalista nas sociedades atuais, não significa a inexistência de realidades organizativas e de práticas sociais que, ainda que subalternamente, protagonizam lógicas distintas e até opostas à que é dominante. Nestes focos de alternatividade, em face da lógica dominante, reside uma energia futurante que não pode ser menosprezada pelas políticas públicas transformadoras, que neles se podem robustecer ao mesmo tempo que os estimulam.

2. O papel do Estado, como expressão da vontade do povo democraticamente expressa, é naturalmente determinante num processo de transição social, mas corre um grave risco de ineficácia transformadora se não funcionar em sinergia com as dinâmicas sociais endógenas de cariz transformador. Por isso, uma determinação realista de percorrer os caminhos assumidos pelo programa implica uma atitude reformista em face do Estado. Uma atitude reformista concebida em conjugação com um feixe articulado de políticas públicas dirigidas ao estímulo das dinâmicas próprias do tecido social, com especial destaque para a economia social. Ou seja, uma reforma permanente do Estado é um elemento constitutivo da prossecução dos objetivos almejados. Ela não pode limitar-se a um processo de modificação tecnológica, organizativa, funcional e administrativa, sem que isso signifique desprezo por essas vertentes. Implica também uma sinergia contínua com as políticas públicas de empoderamento  do tecido social, com destaque para a economia social, e reforça-se pela qualidade das políticas públicas que vai pondo em prática.
Esta reforma do Estado tende a converter o Estado Social num Estado de Transformação Social rumo a uma sociedade justa, liberta de desigualdades estruturais. Só é viável, só pode almejar realisticamente a ter êxito se for permanentemente impregnada por uma lógica democrática, ela própria em permanente aprofundamento e extensão. Ou seja, o Estado só pode pilotar a transformação social rumo a um pós-capitalismo desejável, em sinergia com uma dinâmica social, pelo menos parcialmente antecipadora desse futuro, que o oxigena e dele recebe, ao mesmo tempo, um estímulo permanente.

3. O gradualismo reformista e a democraticidade radical, inerentes ao processo de transição em causa, não dispensam a explícita assunção do horizonte para onde se caminha. Isto é, um horizonte pós-capitalista cuja desejabilidade é para os socialistas necessariamente um horizonte socialista. Isto é, um horizonte que consubstancie no essencial os valores socialistas, nomeadamente, os da sobrevivência da humanidade, da liberdade, da justiça e da felicidade, irrigados pelos princípios e objetivos estratégicos que têm sido a espinha dorsal da identidade histórica dos socialistas.
Na verdade, assumir a tarefa histórica de estimular a metamorfose do capitalismo é condição necessária para uma legibilidade do sentido das políticas públicas constitutivas do programa socialista. Uma legibilidade indispensável para a solidez de um bloco social que sustente essa transição, quer no plano eleitoral, quer no terreno das lutas sociais e na afirmação consistente de uma cultura crítica.
Sem a inscrição explícita da metamorfose em causa como desígnio estruturante da ação política do Partido Socialista, dificilmente se tornará compreensível para os desfavorecidos, gerados pelo atual tipo de sociedade, que se pretende caminhar para o fim da sua subalternidade e das inerentes desigualdades sociais que os condenam ao desfavorecimento. E sem essa compreensão fragiliza-se necessariamente não só a simples perenidade do seu apoio eleitoral à prossecução dos objetivos visados, mas principalmente a sua apetência para se envolverem como protagonistas determinantes no processo de transformação social que deverá ser pilotado pelo Partido Socialista. Sem essa fusão entre a organização partidária e o povo socialista numa dinâmica comum, é precária e mais difícil qualquer verdadeira mutação qualitativa da sociedade.

4. A clarificação dos objetivos de longo prazo tornou-se assim um elemento essencial para a compreensão plena do sentido das medidas políticas no curto prazo. E só essa clarificação permitirá solidificar, estender e aprofundar o apoio social ao caminho seguido. Paralelamente, tudo parece apontar para que essa clarificação facilite também significativamente os entendimentos e as convergências entre as várias esquerdas.
Não deve também menosprezar-se o facto de o combate ideológico dos liberais e conservadores, que pugnam pela eternização do modo de produção da vida social atualmente predominante, o capitalismo, assentar em larga medida num aparente repúdio pelas chagas sociais e pela desigualdade social que as gera, conjugado com  uma efetiva  e persistente luta para que as causas dessas chagas sociais se mantenham intactas ou se agravem. Esta duplicidade hipócrita só pode ser desmascarada indo-se à raiz do problema e evidenciando-se uma vontade política de lutar pela sua efetiva erradicação. Sá assim se pode combater com eficácia o ilusionismo ideológico mistificatório, cultivado pelas direitas. Ilusionismo esse que é um elemento determinante do combate das direitas pela conservação do capitalismo e que é dotado de imensos e complexos meios de propaganda que usa para instituir uma hegemonia cultural que o proteja.
Não se trata de preconizar qualquer espécie de radicalismo programático que ignore a temporalidade reformista dos ritmos evolutivos ou aceite uma qualquer anemia democrática. Trata-se de dar consistência a um amplo bloco social, politicamente consonante no plano eleitoral, que dê suporte a um processo de transição para uma sociedade justa.
Isso não substitui um programa político, nem dispensa o trabalho da sua construção e do seu aprofundamento, como aquele que está agora em curso no Partido Socialista. Não o dispensa , mas pode dar-lhe uma maior consistência lógica e um sentido estratégico suficientemente evidente para mobilizar os grupos sociais mais penalizados pelas desigualdades sociais vigentes. E pode ainda ser um útil fator de arrumação dos tópicos indicados como possíveis desdobramentos dos quatro grandes eixos propostos.

5. Ou seja, o combate à degradação ambiental, sendo embora possível e necessário, mesmo num contexto de predomínio do capitalismo, só poderá atingir o máximo da sua efetividade, integrado numa transição para um pós-capitalismo desejável. O combate às desigualdades sociais, embora deva ser desde já uma luta de resistência dentro do capitalismo, só pode ter um êxito pleno, no quadro de um processo de transição para uma sociedade pós-capitalista. O combate à anemia demográfica em Portugal, para além das necessárias medidas específicas de curto prazo, só pode ser plenamente eficaz, radicando-se na esperança de uma humanização  da sociedade,  geradora de uma qualidade de vida satisfatória para as próximas gerações. A valorização da sociedade digital só poderá integrar-se virtuosamente no desenvolvimento social , como um dos aspetos da dignificação e do empoderamento dos seres humanos , enquanto sujeitos criativos, libertos da exploração e da opressão.
Este enquadramento prospetivo das opções programáticas do PS poderá facilitar a sua materialização e potenciar um apoio social que dará força e consistência à transformação social que elas implicam. Não visa, obviamente, desvalorizar os detalhes indispensáveis da proposta programática do PS, mas sim sublinhar o seu potencial transformador, tornando mais fácil a conquista do apoio social e político indispensáveis para a sua plena realização.
                                              Rui Namorado
                                                  [18/06/2019]

domingo, 9 de junho de 2019

Lula Cruxificado

Reproduzo hoje um vídeo com uma expressiva e eloquente intervenção do ex-Senador brasileiro do Movimento Democrático Brasileiro,  Roberto Requião onde este  denuncia politicamente a perseguição feita contra Lula pela direita brasileira , ao serviço  poderes fácticos e financeiros internacionais .

                                            [ Para ouvir clique sobre a imagem]

terça-feira, 4 de junho de 2019

MONTEPIO - as raposas andam por aí…







MONTEPIO

As raposas andam por aí…

Todos se recordam dos longos alaridos envolvendo o Montepio. Não está aqui em causa apurar em que medida havia críticas certeiras, em que medida se justificavam mudanças. Hoje, aqui, está apenas em causa sopesar a recordação dessas vicissitudes, à luz de uma notícia vinda hoje a público num jornal diário, dando conta de uma sofisticada estratégia de reconversão do Banco Montepio.

Banco que, mesmo separado organicamente da Associação Mutualista a que em exclusivo pertence, é ainda uma das três entidades bancárias portuguesas que subsistem entre nós; ao lado, da CGD e do grupo que congrega as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo.

O que se anuncia é a separação do Banco Montepio do setor dos clientes mais importantes. Separa-se assim do todo uma parte especialmente rentável o que necessariamente prejudica o todo. Embora se alegue que o todo não é prejudicado pois é o único dono da parte, não deixa de se admitir  num sussurro que o capital desse Banco “filet mignon” possa ser aberto ao capital privado.

Tudo, alegadamente, respeitando a ordem jurídica vigente, tudo exprimindo a excelência de uma gestão bancária de fino recorte  banqueiro. E, no entanto, fica no ar um vago perfume de alarme, como se alguém estivesse apenas a dourar a intenção última e  perigosa da abrir a capoeira ao zelo suspeito das raposas.

Ora, sendo certo que podemos estar perante uma expressão transcendente de uma estratégia  de excelência  na gestão bancária, nada nos garante que afinal não estejamos apenas perante  uma espoliação ilegítima de uma associação mutualista. Uma espoliação  que leve a que os seus bens sejam capturados pelo capital financeiro privado, seja ele português, norte-americano, chinês ou colombiano.

E se o cenário mais pessimista se concretizasse, estaríamos perante um golpe muito mais profundo nos interesses dos seiscentos mil associados do Montepio do que aquele que teria tido  a soma de todas as malfeitorias propagandeadas nos últimos anos na comunicação social como tendo ocorrido dentro do universo Montepio, mesmo que todas elas fossem o espelho fiel da verdade. Desse modo, poderíamos até desconfiar, com alguma razão, que uma parte do alarido dos últimos anos à volta desse universo, tenha sido em parte promovido ou encorajado por protagonistas financeiros que querem apossar-se do negócio bancário do Montepio.

Assim, há duas coisas a dizer.
Primeira: seja qual for o labirinto jurídico inventado para dar uma aparência de legalidade à entrada do capital financeiro privado no Banco, que é propriedade exclusiva da Associação Mutualista Montepio,assim integrado nna economia social, essa operação é eticamente ilegítima, constitucionalmente duvidosa  e de questionável legalidade.
Segunda: julgo não atraiçoar o essencial das opiniões dos meus coassociados da Associação Mutualista Montepio se disser que, não transigindo nós naturalmente quanto a ilegalidades na gestão da nossa Associação e do seu banco, também não admitimos que nos espoliem enquanto associados, mesmo que o façam sob a capa de manobras de ilusionismo jurídico-financeiro.

Portanto, no mínimo, os seiscentos mil associados da Associação Mutualista Montepio merecem ( ou exigem?) ser consultados para que decidam se querem ou não que seja aberta a porta do seu Banco, direta ou indiretamente, às raposas financeiras que tão bem conhecemos.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

PARA ALÉM DO UMBIGO DA EDUCAÇÃO





PARA ALÉM DO UMBIGO DA EDUCAÇÃO

O perverso furacão Bolsonaro assola o Brasil. Entre as devastações mais graves, a que atinge a educação dos brasileiros. Da autoria de Ana Luiza Basilio, foi publicado um texto sobre educação,  na página virtual da prestigiada revista de grande circulação CartaCapital.

No essencial, apela-se para que o tosco poder atual olhe para alguns exemplos positivos dados por outros países através do mundo. São mencionados cinco exemplos: Finlândia, Canadá, Alemanha, Estónia e Portugal.

Para além de alguns detalhes discutíveis,o texto mostra em si próprio que  Portugal é visto como projetando no campo da educação uma imagem global suficientemente positiva, para suportar a sua invocação como exemplo.

E,no entanto, na última década temos sido tolhidos por um grande desperdício de energias, desviadas para aspetos menores da problemática educativa ou para maneiras tóxicas de abordar aspetos relevantes dessa problemática. É tempo de arripiar caminho.

Se partirmos do essencial,provavelmente, criaremos condições para superar sem dificuldades de maior  algumas das crispações que têm grassado entre nós nos  últimos anos, sem benefício para ninguém e com prejuízo para o país.

Olhemo-nos tal como somos visto no texto seguinte e aprendamos a aprender com os outros países dados como exemplo ao nosso lado. Não para os imitarmos acefalamente mas para  tirarmos deles as lições que nos possam dar.
Eis o texto que mencionei.

*****************

5 países que apostam, e muito, na educação
(fica a dica, Bolsonaro)


Conheça a trajetória de nações que valorizam os professores e são exemplos de modelos educacionais do mundo

Se é difícil encontrar paralelo no mundo com o que se passa no Brasil de maneira geral, é quase impossível detectar uma experiência semelhante quando se trata de educação. Na maioria dos países, ricos ou pobres, ao Norte ou ao Sul, a compreensão do ensino como esteio da civilização e da prosperidade é disseminada e defendida pela sociedade. Ninguém se atreveria a cortar o orçamento das universidades sob a alegação de “balbúrdia”, interromper o pagamento de bolsistas de mestrado ou doutorado sem critérios claros ou chantagear os eleitores com a possibilidade de secar as torneiras caso uma reforma da Previdência não seja aprovada. O mais provável destino de um governo que assim se comportasse seria uma breve temporada no poder – e o ostracismo político.
Na Europa, berço do Estado de Bem-Estar Social, o ensino, do maternal à universidade, é público e gratuito, salvo raras exceções, e não há líder populista de direita capaz de convencer a população de que o sistema prejudica a economia e estimula o privilégio. Ao contrário. A educação universal e às expensas do Estado é vista como uma condição básica para garantir a igualdade e o desenvolvimento. Nas nações em que escolas públicas e privadas convivem, o ensino pago é preenchido por uma minoria – ou filhos de milionários ou estudantes com dificuldades de adaptação.
Não bastasse, enquanto o governo Bolsonaro escolhe a educação e a ciência como os inimigos número 1, nações que há muito tempo atingiram a universalização do ensino preparam-se para a nova etapa do capitalismo: a revolução industrial e tecnológica chamada de 4.0, tsunami que destruirá milhares de profissões e milhões de empregos ao redor do mundo nas próximas décadas. Corrida para a qual, obviamente, o Brasil se torna cada vez menos competitivo.
A seguir, listamos cinco países que, em diferentes medidas, redobraram seus esforços para adaptar os cidadãos à nova fase do desenvolvimento:
Portugal
Desde que a OCDE, a organização das nações desenvolvidas, começou, em 2000, a aplicar um sistema de avaliação entre seus afiliados, Portugal registra melhoras constantes nos indicadores. Em 2015, os estudantes do país conseguiram notas acima da média em ciências, leitura e matemática. Um dos segredos é o maciço investimento nas famílias e nos primeiros seis anos de uma criança. Entre 2003 e 2015, o total de mães com ensino secundário completo subiu 41%. Quanto maior a escolaridade materna, mostram os estudos, maior o rendimento dos filhos na escola. Nem a crise econômica que devastou Portugal em 2008 interferiu nas políticas públicas.
A educação básica em Portugal é dividida em três ciclos e leva 12 anos para ser concluída. O Ensino Superior contempla dois sistemas: universitário e politécnico. No primeiro, são conferidos aos estudantes os graus de licenciatura, mestrado e doutorado. Os institutos politécnicos concentram-se na formação profissional prática.
Finlândia
Referência mundial, a Finlândia constantemente aparece no topo das avaliações de qualidade da educação. A revolução no ensino começou ainda nos anos 1960, quando os impostos gerados pela indústria de papel e celulose sustentaram a adoção das políticas de Bem-Estar Social. O ensino gratuito e universal foi adotado na década de 70 e desde então mira o conhecimento interdisciplinar e não estanque. Matemática, ciência e música são apresentadas aos estudantes por meio de projetos integrados, forma de combinar os conteúdos e adaptá-los ao cotidiano dos alunos. Como a individualidade é estimulada e não reprimida, uma sala reúne até cinco níveis de estudantes em torno de uma mesma tarefa.
O governo incentiva a adoção de novas tecnologias e modelos de aprendizagem. Os professores são valorizados e exigidos. É preciso mestrado para dar aulas em uma escola de Ensino Fundamental. Na Finlândia é mais difícil ser professor – em 2015, a taxa de aprovação nos cursos de formação de professores foi de 4,2% – do que médico, cujo índice de aprovação nas faculdades é de 8,8%.

Canadá
Em 2015, o país ocupou o terceiro lugar do ranking da OCDE em leitura e ficou entre os dez melhores na avaliação geral. O sistema canadense organiza-se a partir de províncias autônomas, ou seja, não há um sistema nacional, mas políticas distintas em cada localidade. Um traço comum no sistema é, no entanto, a igualdade de oportunidades. Há um esforço para integrar o grande contingente de migrantes que todos os anos aporta no país. Em geral, um aluno de fora leva três anos para alcançar uma performance semelhante aos estudantes de origem canadense.
São também expressivos os investimentos em alfabetização, treinamento de professores, bibliotecas e reforço para alunos com dificuldade de aprendizagem.
Os bons índices refletem ainda a homogeneidade socioeconômica. Há pouca diferença de rendimento escolar entre os alunos mais e menos pobres. No último Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, a variação de notas causada por diferenças socioeconômicas foi de apenas 9%, em comparação aos 20% da França e 17% de Cingapura, para citar dois casos.
A rede pública abriga o maior número de estudantes. Em Ontário, 94% dos alunos estão matriculados em unidades públicas. De maneira geral, o sistema repele a lógica “academicista”, de fixação de conteúdos, e estimula a autonomia. Aos 14 anos, os canadenses podem escolher as disciplinas que mais interessam e montar a própria grade curricular. A educação obrigatória vai até os 16 anos.
Alemanha
Depois de um contingenciamento na última década causado pela crise econômica de 2008, a Alemanha anunciou a retomada dos investimentos públicos. Serão 160 bilhões de euros a mais entre 2021 e 2030 para universidades e centros de pesquisa científica independentes. “Com isso, estaremos garantindo a prosperidade do nosso país no longo prazo”, afirmou Anja Karliczek, ministra da Educação, durante o anúncio dos novos investimentos.
Além de mais dinheiro para a contratação de professores, as universidades terão acesso a um fundo de 150 milhões de euros destinado a projetos especiais.

Estônia
Na última edição do Pisa, o ranking da OCDE, a Estônia apareceu em terceiro lugar, atrás apenas de Cingapura e Japão. O sucesso educacional recente do pequeno país báltico sustenta-se em um tripé: acesso universal e gratuito em todas as etapas do ensino, autonomia garantida a professores e escolas e valorização da educação pela sociedade.
O governo investe atualmente 6% do PIB em educação. Enquanto o Brasil gasta 6,6 mil reais com estudantes do Ensino Fundamental, a Estônia aplica o equivalente a 28 mil reais. Boa parte do dinheiro garantiu o aumento de renda dos professores, que cresceu 80% nos últimos dez anos. O piso salarial é de 1,2 mil euros, cerca de 5 mil reais.
Um currículo nacional orienta os ciclos de aprendizagem, mas as escolas têm autonomia para aplicá-lo da maneira que acharem melhor. Como na Finlândia, as disciplinas são integradas e não respeitam limites burocráticos. Ética e educação digital estão entre os temas mais explorados. Exige-se no mínimo mestrado dos professores.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Deputadas no seu labirinto.




Eis um grupo de deputadas do BE, do PCP, do PSD e do CDS num diligente trabalho de grupo a prepararem na Assembleia da República, em sede de especialidade, a versão final da proposta sobre contagem do tempo de serviço dos professores. O resultado dessa concertação viria a provocar a tomada de posição do Governo que informou que se demitiria se essa proposta fosse aprovada ena Votação Final Global. Uma deputada do PSD e outra do CDS, depois da reunião, gabaram-se perante as câmaras de televisão, de que cada um dos respetivos partidos tinha sido decisivo no alcançar da proposta em causa, com a qual exultaram.

Eis se não quando, algum tempo mais tarde, os líderes desses dois partidos de direita vêm dizer que era uma mentira do Governo que tivesse acontecido aquilo que acabamos de referir. Ou seja, nós não tínhamos visto aquilo que tínhamos visto, já que aquilo que tínhamos visto era afinal apenas uma grande  mentira do Governo.

Foi também comovente  vermos  a líder do BE apelar ao PS para não se conluiar com a direita. E para dar mais realidade a essa frondosa  cominação,  para dar mais força e verosimilhança ao seu apelo, atrevo-me a sugerir que recorra a uma das deputadas do BE que na foto acima reproduzida foram apanhadas num flagrante  tricotar do acordo com o PSD e o CDS.

Por último, fiquei muito  impressionado com a alegação do PCP de que a posição do Governo era um gesto eleitoralista destinado a tornar mais provável uma maioria absoluta. É que essa imputação era afinal o reconhecimento tácito de que a posição tomada pelo Governo era suficientemente acertada e boa para fazer crescer o apoio eleitoral. na esteira de um  aumento de popularidade. Ora, ninguém ganha prestígio popular cometendo erros políticos. Não é por isso  lógico  considerar que na raiz de uma asneira política esteja  a sofreguidão em  ganhar votos.

Numa palavra, olhando-se  para aquela comovente imagem de uma virtuosa conspiração contra o Governo tecida por deputadas do BE, do PCP, do PSD e do CDS , hoje já se pode pensar :”Foram à lã e acabaram tosquiadas”.

domingo, 5 de maio de 2019

Quarta-feira, dia 8 de maio, em LISBOA.


No próximo dia 8 de maio (4ª feira), em Lisboa, às 18 horas, na Associação 25 de abril, Fernando Pereira Marques vai a apresentar um livro de que sou autor. 

Interrogações sobre o socialismo, o capitalismo, a Europa e o futuro que podem ser partilhadas. Uma conversa com  atualidade .Todos são  bem-vindos. Para mais detalhes, podem ver a imagem subsequente.

                                     [ Para ampliar a imagem pode clicar-se sobre ela]

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A especificidade portuguesa em crise ?


A propósito da atual crispação política no seio das esquerdas, escrevi hoje no FB estes dois textos. O segundo responde a alguns comentários feitos ao primeiro.


1. As esquerdas têm as suas razões. Batem-se entre si por elas com coerência. Sorvem-nas até ao fim com coerência. Grande coerência mesmo em problemas pequenos. Será essa coerência suficiente para derrubar o atual governo que todas elas apoiam? Ninguém sabe.
Duas delas foram apoiadas pelas direitas contra a outra e o governo. Grande generosidade? Talvez. Mas também pode acontecer que não seja uma ajuda das direitas, mas um empurrão. Para o abismo?
Cansar-se-ão os eleitores de esquerda de votar nos seus partidos? Talvez. Se assim for as direitas agradecerão a boleia e chegarão sem esforço ao poder.
Há casos em que uma fidelidade basáltica a pequenas razões faz perder a razão. Será este o caso? Talvez . Mas mesmo que não cheguem a perder a razão, se continuarem intransigentes, perderão certamente o poder.
E quando festejarem a vitória as direitas unidas hão de olhar para as esquerdas desunidas, mas fiéis ás suas razões mesmo pequenas e rir-se-ão delas. Merecidamente…
________________________
2. A diversidade dentro da esquerda implica que cada uma das suas partes encare as outras como protagonistas de opiniões diferentes, sem por isso as diabolizar. Diferenças, mas não anátemas mútuos Só assim as ações conjuntas podem ter consistência e perenidade. Só assim se pode construir um bloco social amplo que dê suporte a verdadeiras mudanças sociais. As crispações atuais são o contrário de tudo isso. E se eu estou convencido que a intenção subjacente de quem votou em conjunto com a direita uma solução que o governo alega ser incomportável não era o derrube do Governo, a verdade é que no domínio das possibilidades objetivas isso pode acontecer. Se assim for politicamente constituiu-se uma nova maioria integrada pelos partidos que se uniram contra o atual governo .Quererão os partidos que a integram dar suporte a uma solução governamental alternativa á atual? Não me parece. Mas nesse caso estarão apenas a dar força a uma alternativa ao governo atual protagonizada apenas pelos partidos de direita que votaram contra o atual governo neste caso. Ficarão os professores beneficiados com essa mudança de governo ? Ficarão os eleitores desses partidos satisfeitos com essa mudança? Ficará o povo português em melhores mãos? Se os protagonistas em causa não ponderaram estas questões ou são irresponsáveis ou são políticos amadores. É que como escreveu BOSSUET: " Não há pior desregramento do espírito do que tomar a realidade por aquilo que gostaríamos que ela fosse."

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Emoção em abril, 45 anos depois




Emoção em abril, 45 anos depois

há um cravo de bronze aqui nascido
nesta terra que o povo chama história

é um cravo rasgado  intenso  duro
onde vive o que foi e o que há de vir

flor de um tempo que não tem limites
colhe sem medo o pó da madrugada

há um cravo vermelho que é um rio
que em cada um de nós procura o  mar

vem salvar-nos salvando-se   subindo
as cordilheiras limpas do futuro

saímos de uma noite sem limites
como perfume que amanhece os mitos

e vai esculpindo em dor e sofrimento
os sonhos que lhe roubam dia a dia

há um cravo de bronze aqui colhido
pelas mãos da alegria   rio da história

a memória que cresce em movimento
colhe dentro de nós a luz de um  dia

                  [ Rui Namorado -25/04/19]

quarta-feira, 24 de abril de 2019

SOCIALISMO EM DEBATE - em Lisboa, no dia 8 de maio

                                         [Clique sobre a imagem para a ampliar]

sábado, 20 de abril de 2019

Em COIMBRA, no dia 23 de abril


                                              [Clique sobre a imagem para aumentar]

quarta-feira, 17 de abril de 2019

FOI HÁ CINQUENTA ANOS





Cinquenta anos do 17 de abril

a sombra dos outonos vai cobrindo
as cores da memória em movimento

música distante     verso lento
glória de inventar o que há de vir

o tempo desliza     docemente
veneno que não dói e incendeia

longe de tudo     aqui     no meio de nós
vivem dias que fomos    num só dia

aí deitámos fogo à planície
sem ódio ou vingança    sem perdão

fugiram os corvos da desgraça
esquecidos do próprio movimento

baixaram-se as pontes dos castelos
que fechavam todos os caminhos

alguém nos pôs na mão um fruto imenso
que guardámos sem medo

olhamos para trás     e é futuro
olhamos para a frente    e somos nós

                                    [Rui  Namorado]

sábado, 13 de abril de 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Ainda em BRAGA - Comemorações dos 50 anos da Crise Académica de Coimbra de 1969

Comemorações dos 50 anos da Crise Académica de Coimbra de 1969 em Braga. 

Dias 11, 12, 13, 16, 17, 23 de abril e 28 de maio. 

Organização da CIVITAS, Fundação Bracara Augusta, Universidade do Minho e Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.


quinta-feira, 28 de março de 2019

Em BRAGA - dia 4 de Abril (5ªfeira)

Em  BRAGA - dia 4 de Abril (5ªfeira), vai ser apresentado um livro de que sou autor. 
Uma oportunidade para se trocarem ideias sobre o socialismo e a Europa.


                                      [ Para ampliar clique sobre a imagem.]

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia - 2 poemas de Carlos de Oliveira


DOIS POEMAS DE CARLOS DE OLIVEIRA


Participando na celebração do  Dia Mundial da Poesia , evoco Carlos de Oliveira (1921/81), através de dois dos seus seus poemas. E assim homenageio também todos os poetas do "Novo Cancioneiro", bem como toda a resistência poética  ao fascismo português.



Acusam-me de mágoa e desalento
*     
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança. 


Cantiga do Ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros? 


[ in "Mãe Pobre"]