sexta-feira, 29 de junho de 2012

DISCUTIR A EUROPA


1. Hoje, dia 29 de junho, sexta-feira, às 21 h e 30 m, o   “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover mais um colóquio no Hotel D. Luís, em Coimbra. 
O colóquio é de entrada livre, pelo que todos  os cidadãos interessados em discutir a Europa se podem considerar como convidados.
O tema do colóquio será: “A Europa no seu Labirinto”. 
O interveniente convidado será Augusto Rogério Leitão, Professor de Relações Internacionais na FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Luís Marinho, ex-deputado europeu.
O debate será moderado por um outro membro do Clube, António Casimiro Ferreira.

  
2. Os problemas acumulam-se no horizonte europeu. Os dirigentes políticos, quase exclusivamente pertencentes ao Partido Popular Europeu, mostram-se  incapazes de solucionar os problemas a que o fanatismo neoliberal  conduziu. Mas, nos últimos tempos, houve mudanças políticas importantes. A insalubre pareceria  germano-francesa desvaneceu-se com a vitória dos socialistas em França. A evidência de que a chamada crise das dívidas soberanas foi sempre, essencialmente, uma crise do euro no seu todo; e de que as políticas da União Europeia (e não as decisões nacionais) foram a principal causa do seu agravamento, cria uma desorientação crescente entre  os principais dirigentes europeus, que fogem com uma dificuldade cada vez maior ao imperativo de reconhecerem que seguiram  o caminho errado.
3. É uma boa ocasião para se discutir a Europa. Tanto mais que mesmo as instâncias dirigentes das várias esquerdas europeias parecem confinadas a uma fraseologia  repetitiva  , própria de quem parece perdido e longe de qualquer ideia consistente que possa realmente fazer-nos sair do atoleiro em que estamos.

domingo, 24 de junho de 2012

OS MAGNOS PODEM SER PEQUENOS



As primeiras informações que transpiraram acerca da deliberação da ERC sobre o Caso Relvas deixaram no ar fortes indícios de que o grande Magno, chefe dessa autoridade, corria o risco de uma preocupante pequenez. Inesperadamente, conhecido o conteúdo da deliberação e ouvidas as suas espantosas declarações públicas, ficou-se a saber que afinal Magno não se tornou apenas pequeno. Realmente, ele condenou-se a si próprio a não ser mais do que minúsculo.

Na verdade, começou por se saber que os dois votos contra que os três”magnos” do PSD venceram, não foram apenas  o resultado de opiniões avisadas sobre um abuso de poder intolerável. Muito mais do que isso, foram a manifestação de uma recusa  mais do que legítima  de serem cúmplices de um deliberação empastelada, atrabiliária e estúpida.

Ora, no deserto lógico que a ERC tanto demorou a tecer, foi semeada  uma ameaça de oásis. Por dor de consciência do próprio Magno, foi introduzido um juízo de valor negativo sobre as reconhecidas pressões de Relvas à jornalista do Público: elas eram reconhecidas como inaceitáveis. Inaceitáveis. Mesmo esta menção não libertava a deliberação do dislate de absolver uma atitude que implicitamente condenava (como se a liberdade de decisão dos membros da ERC da confiança do PSD acabasse onde começava o generoso espaço de impunidade do ministro Relvas). Mas essa modesta alusão a uma óbvia inaceitabilidade do comportamento dele era pelo menos um pálido sinal,  um vislumbre  de imparcialidade da ERC.

Eis senão quando, mistério dos mistérios, essa ligeira  presença de decência da deliberação foi apagada pelo implacável dedo de um destino inesperado. Aquilo que Magno fizera questão de incluir na deliberação e que fora expressamente votado, havia desaparecido. 

Qualquer jovem estudante do nosso primeiro ciclo diria: houve um erro, corrija-se. Mas isso, era qualquer estudante do primeiro ciclo, não Magno. Para este, viu-se com espanto que mesmo essa modesta acção era para ele  uma tarefa hercúlea.

De facto, quando se esperaria que o arguto comentador dos erros dos políticos desse um enérgico murro na mesa, exigindo que se corrigisses o erro ou a falsificação  e se  apurassem responsabilidades, ei-lo que ronrona inesperadamente a mirífica ideia de que estando escrita e publicada uma falsidade não é possível recuperar a verdade. Nem sei se isto é para rir ou é para chorar. Sei que um presidente de uma autoridade de controle da maior importância defende que deve valer um texto que deturpa uma decisão tomada e é impossível corrigi-lo, de modo a que valha o que realmente foi votado. Inenarrável! Em vez de ter ordenado a imediata correcção de um texto que falseia uma deliberação, com imediata abertura de um inquérito para que se apure se houve um involuntário erro grosseiro ou uma deliberada falsificação (o que seria crime), Magno tornando-se minúsculo, diz que o erro consubstanciado na ausência de uma menção crítica às pressões de Relvas é agora uma fatalidade irremovível.

Não posso deixar de encontrar em tudo isto uma ironia objectiva. Aquele Magno enorme que ano após ano reduziu a cinzas a tantos e tantos políticos, quando tem a oportunidade de deixar o seu sinal de excelência em funções políticas importantes mostra que afinal terá muito ainda que progredir para chegar ao nível mais baixo daqueles que tão implacavelmente atacou ano após ano.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

O CASO DO MINISTRO EMBRAVECIDO


O misterioso caso do ministro embravecido, também conhecido pelo Caso Relvas, atolou-se um pouco mais na lama das tergiversações.

Apesar de contar com dois elementos saudáveis, a ERC, comandada pelo pequeno Magno, acaba de entrar, maioritariamente, no vasto clube dos “renhau-nhau-béu-béu”. De facto, após decidir doutamente, em longas sessões de minuciosa reflexão, que o ministro embravecido tinha feito pressões, mergulhou fragorosamente na destranscendência mais tosca, quando vislumbrou no âmago dessas pressões uma misteriosa licitude. É certo que ronronou melifluamente uma vaga alusão a uma ética de que o ministro se terá distanciado, mas sempre a uma prudente distância de qualquer condenação. Forte por  uma alegada atmosfera da serenidade mais grave, a ERC cometeu a pernóstica proeza de absolver condenando ou de condenar absolvendo.

Aliás, o pequeno Magno, na sua pose imperial, quando comentou a decisão que esforçadamente conseguiu na sua ERC, pela esmagadora maioria de três votos contra dois, a razão que alegou para se sentir “confortável” não foi a óbvia razão de ter apurado a verdade, mas uma algaraviada qualquer que nada tinha a ver com os factos em apuração.

Ou seja, nem ele se atreveu a dizer que tinham apurado a verdade, que era no entanto o que se lhes pedia. E assim ficou claro que a própria maioria da ERC sabe que fugiu da verdade em vez de a procurar.

Já antes, o embravecido Relvas ostentara publicamente a evidência de uma mentira , quando após ter negado quaisquer pressões sobre uma jornalista, reconheceu que lhe tinha pedido desculpa. Confrontado com a grosseira contradição, tirou apressadamente um coelho da cartola. Um coelho  gasto, improvável, falhado. Na verdade, acabou por dizer que pediu desculpa pelo tom e não pelo conteúdo.

Ou seja, o inefável Relvas deu-se a ao trabalho de pegar no telefone para dizer a uma jornalista, a propósito de uma notícia que lhe dizia respeito, num tom agressivamente grosseiro, um conjunto de coisas de conteúdo anódino ou até amável. Ou seja, o ministro Relvas reconheceu implícita e publicamente que mentiu. A não ser que achemos natural que qualquer de nós, quando quiser dizer coisas amáveis a alguém, o faça num tom grosseiro e agressivo, para mais tarde lhe pedir desculpa pelo tom. Mas desculpa de quê se só lhe disse coisas boas ou inócuas. Ou seja, desta vez o espertalhão do Relvas meteu os pés pelas mãos.

Depois,apanhado o homem nesta escorregadela da verdade, agarrou-se como náufrago a uma tábua de salvação, ao resto já escalavrado de uma mentira , insistindo desesperadamente na sua verdade. De facto, quem acha verosímil que, não tendo Relvas feito a sombra de uma ameaça à jornalista, tenha sido ela a enlamear-se a si própria, para culpar da sujeira o inocente ministro. Só mesmo Magno e os dois “erquistas” indicados pelo PSD.

Temos, portanto, que salvar este governo de um ministro que ostensivamente faltou à verdade, na AR e em declarações públicas. E que faltou à verdade, porque com essa mentira pretendeu ocultar pressões que fez a uma jornalista que escreveu ou podia escrever verdades que não lhe convinham, sendo essas verdades relacionadas com gravíssimos anomalias e promiscuidades que envolviam Relvas e os serviços secretos do Estado português. Temos que ajudar este governo a desembaraçar-se deste ministro, já. E eis aqui uma ajuda ao Governo que o PS não pode deixar de dar. Urgentemente. Energicamente.

[ Com a devida vénia, fui buscar a figura que ilustra este texto ao blog Kaosinthwegarden.]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A EUROPA NO SEU LABIRINTO.


1. O “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover mais um colóquio que terá lugar, no próximo dia 29 de junho, sexta-feira, às 21 h e 30 m, no Hotel D. Luís, em Coimbra. 

O tema do colóquio será: “A Europa no seu Labirinto”.
O interveniente convidado será Augusto Rogério Leitão, Professor de Relações Internacionais na FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Luís Marinho, ex-deputado europeu.
O debate será moderado por um outro membro do Clube, António Casimiro Ferreira.



Todos os cidadãos interessados em discutir a Europa podem considerar-se nossos convidados.  
 

2. Os problemas acumulam-se no horizonte europeu. Os dirigentes políticos, quase exclusivamente pertencentes ao Partido Popular Europeu,  parecem cada vez mais incapazes de solucionarem os problemas a que o seu fanatismo neoliberal nos conduziu. Os numerólogos conservadores, que se julgam economistas, possuídos pela ilusão  de que  o modelo capitalista actual é eterno, cultivam uma nova  alquimia de falsos axiomas eticamente repugnantes e  politicamente absurdos. Axiomas que desqualificam  e agridem barbaramente os trabalhadores, ao mesmo tempo que servilmente se subordinam o capital. Confrontados com a evidência dos próprios erros, parecem mais dispostos a agravá-los (como se desse modo pudessem   transformá-los em acertos) do que a corrigi-los.
Mas, nos últimos tempos, a conjuntura passou por mudanças marcantes. O eixo conservador germano-francês desvaneceu-se com a vitória dos socialistas em França. A evidência de que a chamada crise das dívidas soberanas foi sempre, essencialmente, uma crise do euro no seu todo e de que as políticas da União Europeia (e não as decisões nacionais) foram a principal causa do seu agravamento, reduzem os principais dirigentes europeus a uma tropa fandanga, desorientada e medíocre, que sobrevive a si própria numa embriaguez perturbante.
3. É uma boa ocasião para se discutir a Europa. Tanto mais que mesmo as instâncias dirigentes das várias esquerdas europeias parecem confinadas a uma fraseologia  repetitiva  , própria de quem parece perdido e longe de qualquer ideia consistente que possa realmente ajudar-nos a sair do atoleiro em que estamos.

Tal como aconteceu com os anteriores, este Terceiro Colóquio do Manifesto vai decerto correr bem.

domingo, 17 de junho de 2012

AS MAÇÃS IMPOSSÍVEIS DA Sra. MERKL


O clamor cresce. Pedem-se coisas à Sr.ª Merkl, pedem-se coisas ao FMI, pedem-se coisas ao BCE.

A  loiraça teutónica rosna com animosidade crescente contra  a malandragem do Sul.

No sul os anafados acham que sim, que a loiraça tem razão. Estão rodeados por uma enorme malandragem, pobre é certo, mas malandragem. Não é aos seus ferraris que a sereia gorda alemã se refere. Os magros do sul, mês após mês inventando novos buracos nos cintos para os apertarem mais, olham-se ao espelho esquálidos e não compreendem que consumismo desembestado tenham praticado para merecerem os raios implacáveis da deusa germânica. Não percebem, mas desconfia-se que a própria deusa também não compreende o sentido último do que diz. Diz o que se recearia que dissesse e desse modo mostra-se prussiana  e nórdica, como se esperava.

Os alquimistas do fetichismo economicista alimentam diligentemente essa e outros deuses, cada vez mais convencidos que a realidade social tem algo de errado que contraria a eficácia das suas mezinhas. Mas uma coisa denodadamente não fazem : admitir, por um instante que seja, que o defeito está na qualidade do que receitam e não numa modesta realidade social que se limite a ser ela própria, sem estados de alma.

O clamor cresce. Pedem-se coisas à Sr.ª Merkl, pedem-se coisas ao FMI, pedem-se coisas ao BCE. É estranho. [E aqui peço licença para me repetir]: Se eu olhasse para essa plantação de inesperados cromos como se fossem um prosaico laranjal, esse clamor equivaleria a pedir-lhe que nos desse maçãs, que nos desse maçãs. Acham provável que as dê?

Confesso-me céptico: eu não acho!

E é por isso que, cada vez mais, me convenço que se queremos realmente maçãs será mais acertado plantar macieiras do que continuar pateticamente a instar os laranjais para que produzam maçãs.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NADA MENOS DO QUE TODA A VERDADE


Uma neblina insalubre de suspeição tem vindo a rondar o PS, fazendo-o confundir com um ps em letra pequena, aparentemente protagonizado por jovens turcos com jeito para os negócios, uma pequena prótese desprestigiante que, no entanto, nos atinge no coração da nossa credibilidade política e de uma ética que devia ser natural e quotidiana. Uma pequena prótese é certo, mas talvez demasiado próxima, por vezes, de núcleos de poder político-partidário, dos quais deveria ter sido colocada bem longe.

É bem verdade que os que caiem agora sobre o PS como mastins de virtude são veludos de esquecimento, quando a suspeição recai em gente de outros quadrante políticos. Se, apesar disso, tiverem razão quanto às irregularidades que apontam, não é a sua parcialidade que diminui a censurabilidade dos comportamentos que denunciam. Por isso, também o PS só pode exigir que todos os factos sejam apurados, para que se verifique se houve erros, se mais do que erros houve irregularidades, se mais do que irregularidades houve crimes. Que se apurem os factos com celeridade, todos os factos, que se tirem deles todas as consequências jurídicas, todas as consequências sancionatórias que no quadro do nosso Estado de direito devam ser tiradas.

No entanto, para além desta perspectiva não devemos, sem prévia análise, descartar a hipótese dessas acusações serem suscitadas por uma insuficiente capacidade técnico-analítica dos acusadores. Por isso, é urgente que o PS crie internamente uma comissão de peritos que reanalise, com todo o rigor, tudo o que teve a ver com as parcerias publico privadas, começando por analisar as que estão agora no centro do debate público, com imputação de culpas a governos do PS pelo modo como as negociaram. As conclusões dessa peritagem devem ser tornadas públicas e delas devem ser tiradas consequências políticas internas, se for caso disso.

É imperativo que todo o PS garanta o máximo de cooperação e o máximo de empenhamento próprio no apuramento completo de tudo o que envolve as PPP em causa. Menos que isso, é eticamente inaceitável e politicamente suicida.

Mas esse intransigente rigor não pode funcionar apenas quanto ao que diz respeito ao próprio PS. Temos que ser também exigentes para com os outros, para com os nossos adversários, quanto a tudo o que envolva a hipótese de eles estarem envolvidos na prática de irregularidades ou de crimes, em atropelos da legalidade ou da ética política.

É certo que a nuvem de poluição oriunda das PPP parece uma oportuna encomenda destinada a desviar as atenções do aflito ministro Relvas, para fazer esquecer a enorme montanha de promiscuidades que se perfila no horizonte, misturando o actual governo, as secretas e os negócios, numa ressurreição de uma atmosfera pidesca que arrepia. Por isso mesmo, é urgente saber-se com objectividade o que há de verdadeiro em toda esta neblina insalubre. Conhecer a verdade para dela tirar em todos os planos as consequências jurídicas e políticas inerentes ao funcionamento de um estado de Direito democrático. Quanto ao PS, mas também quanto aos partidos que suportam o actual governo.

Não esqueçamos: não se trata apenas da habitual esgrima política em cada um se procura limpar e sujar o outro. Trata-se da exigência para com o nosso lado, mas também para com o outro, de desembaraçar a nossa democracia de uma atmosfera corrosiva que só pode debilitá-la. Por isso, nesta circunstância a actual direcção do PS tem pela frente no imediato  uma enorme exigência da qual não tem como escapar. É essencial para a nossa democracia que esteja  realmente à altura do que as circunstâncias lhe impõem.

domingo, 27 de maio de 2012

CORRUPÇÃO - ilusão e virtude


Aqueles que se sentem possuídos por Júpiter, relampejando de indignação contra a corrupção, têm direito a ser incluídos entre os mensageiros da virtude. Mas se, no mesmo impulso, forem levados a dizer-nos que, varrida a corrupção, a nossa sociedade entrará, só por isso, num tempo novo: estruturalmente democrático, por ser a respiração da liberdade; estruturalmente justo, pela instituição da igualdade; estruturalmente solidário, por ter a seiva da fraternidade ─ entrarão, irremediavelmente, na fugidia sombra dos ilusionistas.

E se eu fosse um caso da imensa prosperidade que se mede em Bancos, sentado numa poltrona de ócio a puxar os cordelinhos de milhões, respirando negócios, decretando com bonomia desgraças e triunfos. Enfim, se fosse um capitalista começado por um C verdadeiramente grande, daqueles que se esfumam através da própria existência, omnipresentes por saberem criar a ilusão de que já não existem; se eu fosse um desses, criaria decerto várias fundações, pelo menos um universidade, várias fileiras de financiamentos a imparciais investigações, para adestrar todos na caça aos pequenos ladrões que todos os dias fazem, justamente, comichão na virtude. Se tivesse êxito, nessa imensa caçada, por poucos anos que fosse, o meu C cresceria decerto enormemente sem ser incomodado por ninguém, seguros que estavam todos de que caçavam os únicos artífices da pobreza e das suas desgraças, mas muito convenientemente esquecidos de que eu sequer existia. Não é esse o meu caso. Não tenho no meu activo fundos suficientes para ser precedido por um qualquer C, por minúsculo que ele pudesse ser. Mas não me admirava nada  que alguns capitalistas mais ladinos, dotados de um C inicial verdadeiramente subtil e adestrado nos jogos de estratégia, estivessem já hoje a organizar tão luminosas caçadas.

Por isso, se a caça aos pequenos, médios e grandes corruptos (especialmente a estes) é um caminho promissor rumo à salubridade ética, social e económica do nosso país, julgar que o seu êxito é uma chegada irreversível a um outro tempo é, repito-o, pura ilusão.

Sem uma metamorfose civilizacional que transforme o capitalismo num pós-capitalismo humanizante, emancipatório e solidário que seja a vivência da própria liberdade, não chegaremos onde sonhamos. Façamos pois com que os mensageiros da virtude de que precisamos não se convertam  nos ilusionistas que devemos dispensar.

sábado, 26 de maio de 2012

DEBATE NO PS - Coimbra


domingo, 20 de maio de 2012

GANHÁMOS A TAÇA !


O jogo começou há longos anos,
quando ganhámos a primeira vez.
Em maio de mil novecentos e sessenta e nove,
julgou-se que tínhamos perdido.
Cinco anos depois viu-se que não,
porque somos de um outro campeonato.
Foi talvez, por isso, que ganhámos
neste ano já de um outro século,
como se tudo tivesse começado.

E, no entanto, o jogo continua.
Há sempre um novo jogo a começar:
entram em campo todas as memórias.
Mas também a saudade e a alegria.
As capas são os ventos que não param.
Os vento que são anos e são  vida.
Há golos para todas as  balizas.
O Bentes virá sempre pela esquerda.
No último minuto, o Artur Jorge
há-de marcar o golo de uma vida.
Ia ser golo já sem remissão,
mas Capela  voou mais que o possível
e a bola não entrou.
E hoje, quando a festa começou,
já o leão rugia rudemente;  
a bola insidiosa veio da esquerda,
procurou a cabeça do Marinho
e o golpe foi desferido e foi mortal. .

Vamos entrar em campo novamente,
sabendo que a Briosa a entrar em campo,
é sempre muito mais do que ali está.
Cada golo é sempre  mais que um golo:
milhares em todo o mundo vão marcá-lo.
Cada vitória é mais que uma vitória:
milhares em todo o mundo vão erguer-se,
num gesto de alegria.
E quando os onze perdem nunca perdem,
porque a Académica ganha moralmente.
E se, apesar de tudo, ainda perderem,
os onze sempre sabem que jamais 
irão perder sozinhos.
O sonho estará sempre ao lado deles
e há sempre um outro jogo para ganhar.

Ganhámos esta taça.
Na praça da saudade estão connosco
os que partiram antes de a ganhar.
Vai haver nas ruas de Coimbra
um fraterno Mondego de pessoas,
um clamor de alegrias.
E se nas largas ruas da vitória
se abrir alguma porta de silêncio,
não estranhem,
são aqueles que partiram,
fazendo recordar a sua ausência.

O que hoje entrou em campo foi a lenda
e o mito de uma eterna juventude.
Briosa é nome de uma caravela,
mas o vento que a leva só é vento
de quem saiba sonhar sem desistir.

Por isso, se percebe com clareza
que nós somos de um outro campeonato.


[Rui  Namorado]

A NUDEZ FORTE DA VERDADE.



O Ministro Relvas foi apanhado na curva de uma grosseira agressão à liberdade de imprensa. Melífluo, negou a proeza, mas, numa genuflexão do espírito, pediu desculpa.
Isto é, ou estamos perante uma individualidade masoquista, que pede desculpa por algo que não fez, ou perante um mentiroso. Diga-se, em abono da verdade, que a primeira hipótese está carregada de improbabilidade. O mais verosímil é que o homem tenha mentido.

Portanto, temos no âmago do núcleo duro de um governo uma figura alérgica à liberdade de imprensa que, ainda por cima, cultiva o pecado da mentira. Essa dupla qualidade excede o necessário para que um governante deixe de o ser. Bastaria que fosse apenas um atropelador da liberdade de imprensa ou um mentiroso oficial, para que qualquer primeiro-ministro o despedisse de imediato.O actual assobia para o lado. Por enquanto.

E, mesmo a nossa comunicação social, de uma maneira geral, apesar de visada no âmago da sua deontologia, espreguiça-se numa indignação comedida, pouco mais que ronronante. Até ver. Se o escândalo crescer, não escapará ao imperativo de ser mais enérgica, sob pena de perder a face e a credibilidade.

Por mim, como ex-leitor do jornal agredido, atrevo-me a deixar um conselho ao ministro: “Vossa Excelência devia ter telefonado ao Sr. Engenheiro”.

sábado, 19 de maio de 2012

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE PERGUNTAR.


O PS pede explicações ao Governo. 
O PS quer ser esclarecido pelo Governo. 
O PS quer ver clarificada a posição do Governo quanto ao ... 
O PS chama o Governo à AR para que desvende o que pretendeu, quando decidiu …
 O PS quer que o Governo faça compreender o que quis dizer, quando…
O PS está-me a sair um grande perguntador!

E fica-se até com a impressão de que, se o ministro relvas num assomo de entusiasmo desse um murro no olho de uma pobre velhinha, o PS reagiria prontamente, perguntando-lhe com toda a energia qual o significado de tão bárbara agressão.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O AVESSO SOMBRIO DA DEMOCRACIA



Um conjunto de mangas de alpaca não eleitos, estacionado na União Europeia, mais um leque de empregados bancários de luxo em quem ninguém votou, estacionado no Banco Central Europeu, mais uma alcateia de tecnocratas chamada FMI, alheia ao mais leve perfume de democracia, conluiaram-se para enxovalhar a liberdade do povo grego votar como entender nas eleições que vão ter lugar em Junho. Ameaças e admoestações, mais ou menos ostensivas, que envergonhariam qualquer consciência minimamente democrática.

Estranho que os mesmos que arrasaram o antigo poder líbio, em nome de uma enorme e confessada paixão pelos valores da democracia, dormitem agora sossegadamente como se nada estivesse a acontecer. Sabemos como a sua consciência democrática subitamente se apaga, quando se trata de algo que tenha a ver com as monarquias autocráticas do petróleo, cuja alergia a tudo o que cheire a democracia é já uma lenda, mas não imaginaríamos que alguma vez se sentissem autorizados a fazer passar a consciência dos gregos, pelo filtro pequeno dos seus  preconceitos burocrático-liberais.

Pergunto-me, por isso, onde pára a consciência democrática europeia, quando consente que um punhado de tecnocratas, que ninguém elegeu, procure constranger vergonhosamente o exercício da democracia pelo povo grego? Um espanto. Em vez de arrepiarem caminho, reconhecendo, de uma vez por todas, que estão a matar o “doente” com a cura, insistem no caminho suicida como se fossem autómatos desgovernados, arrasando os sinais de humanidade que lhes apareçam pela frente.

Só lhes falta, num gesto final de degradação, ajoelhar perante os mais fundos demónios totalitários, para caírem num inimaginável apelo ao regresso dos “coronéis” gregos, como aliados últimos da austeridade e do rigor, capazes de corrigirem o erro da simples existência de tantos gregos dispostos a exercer a liberdade de escolha.

Quem pôs estes burocratas fantasmas dentro do sonho europeu, transformando-o assim em vítima de uma assombração sem limites ?

terça-feira, 15 de maio de 2012

MENSAGENS DAS ELEIÇÕES ALEMÃS

1. Os resultados das recentes eleições no mais populoso e mais rico  Estado Federado da Alemanha , a Renânia do Norte/Vestefália, acentuaram a decadência política da coligação CDU/FDP (democratas-cristãos /liberais) que detém, em Berlim, o poder federal.  Na verdade, de um empate em 2010, entre os dois maiores partidos (CDU/CSU e SPD), com a pequena vantagem de uma décima para os democratas cristãos, passou-se, dois anos depois, para uma vantagem do SPD de quase treze pontos percentuais (39/26).Os liberais progrediram dois por cento e os verdes regrediram quase um por cento, mas mantiveram cerca de três por cento de vantagem sobre aqueles. A Esquerda (Die Linke), que tinha entrado tangencialmente para o parlamento estadual há dois anos ( 5,4%), tendo eleito 11 deputados, perdeu agora  mais de metade do eleitorado; e desta vez ficou excluída.O Partido Pirata, há dois anos escolhido por menos de dois por cento ( e assim excluído do parlamento estadual), foi agora a grande surpresa, tendo conquistado 7,8% dos votos, o que fez com que elegesse 20 deputados.
Este conjunto de resultados permite folgadamente a instituição de um governo vermelho/verde ( Sociais-democratas/ Verdes), presidido pelo SPD.

2. Olhando para este panorama, são visíveis algumas novidades. Na actual coligação governamental, ao contrário do que vinha acontecendo em eleições anteriores, o mais penalizado foi o partido da Srª Merkl, tendo os liberais, também ao contrário do que vinha acontecendo, resistido melhor.
Do outro lado, desta vez, o SPD teve um crescimento muito relevante e foram os Verdes a murchar. A Esquerda teve um importante revés simbólico, ao ficar fora do parlamento estadual. O Partido Pirata, afirmou-se, em consonância com sondagens nacionais recentes, como uma força emergente que pode introduzir uma inesperada  imprevisibilidade no xadrez político alemão.
Podemos pois dizer que os resultados destas eleições adensaram o risco de uma derrota nacional para a Srª Merkl dentro de dezasseis meses, embora  as sondagens nacionais não apontem ainda inequivocamente nesse sentido.
No entanto, deve sublinhar-se que,  até agora, se podia admitir como forte a hipótese de uma vitória relativa da CDU/CSU, com descalabro dos seus aliados liberais, o que podia conduzir a uma nova grande coligação com um  SPD, nesse caso, eventualmente, com menos votos do que a CDU/CSU. Mas estes resultados tornaram essa hipótese muito mais remota.  Assim , se a paisagem política evoluir no sentido por eles revelado, começa a ser uma probabilidade forte a vitória do centro-esquerda na Alemanha no próximo ano. E esta possível evolução da política alemã não pode deixar de influenciar desde já o xadrez político europeu.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ELEGIA 1938



De um dos grandes poetas da língua portuguesa, o brasileiro Carlos Drummond de Andrade, transcrevo hoje o poema “Elegia 1938”( do seu livro “Sentimento do Mundo”). Tão distante, mas tão próximo. Tão escandalosamente próximo. Não são versos de alegria, mas não são palavras desesperadas. São sílabas amargas, de uma amargura profunda. Mas há uma pequena luz que desponta no poema, a esperança de uma cólera que um dia se levante, para levar  nas suas mãos o precioso testemunho de um outro mundo. Peguemos no testemunho do poeta, para  continuarmos, talvez com amargura, mas certamente sem desespero.

Eis o poema:

ELEGIA 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as acções não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

sábado, 12 de maio de 2012

BOMBEIROS INCENDIÁRIOS



Agora que as empresa públicas municipais estão no pelourinho de todas as condenações e que os hospitais-empresas tanto alarmam os numerólogos neoliberais e tanto assombram os equilíbrios orçamentais receitados; agora que as parcerias público-privadas são amaldiçoadas como coisas do demónio pelo maviosos criticismo dos propagandistas neoliberais de serviço − é indispensável ir à raiz desses artefactos empresariais.

Escavemos um pouco nas memórias escondidas pelo fragor quotidiano das novidades sôfregas, que tão diligentemente se ocupam a esconder o essencial. Surpresa! A recordação vai chegar-nos como um autêntico choque: afinal, os inventores de tão nefastos artefactos despesistas foram os ícones do mais puro economicismo neoliberal quando em tempos tiveram à sua disposição as rédeas do poder. É claro que devidamente estimulados pelos burocratas europeus e pelas instâncias universais do neoliberalismo maduro.

A empresarialização generalizada dos serviços públicos, com destaque para os municipais, foi cantada, por tão esquecidos cantores, como um dos mais modernaços hinos à imaginação inovadora, por esses alegados arautos de futuros ridentes. A parceria com desinteressados senhores do dinheiro, convertidos à generosidade de esquecerem lucros e se lembrarem do bem público, foi exaltada como ápice da excelência na gestão dos dinheiros públicos.

Nenhum desses seráficos inventores detectou no bojo dessas novidades qualquer sombra de despesismo qualquer inquinamento corruptor. Pelo contrário, nesses alegados céus, só eram vistas virtudes.

E tão convincentes foram, esses percucientes descobridores dessas novas empresas e dessas novas parcerias, que chegaram a convencer alguns expoentes da mansidão estratégica da terceira via “blairista” e até outros que, sem mergulharem por completo nessas águas mortas, se deixaram inebriar pelo seu perfume distante.

Confiantes no poder das sombras que tolhem a memória, os ex-inventores desembainharam-se sem pudor contra as próprias invenções, deixando que se pense que aqueles que foram empurrados com tanta determinação para dentro desses buracos são os verdadeiros culpados por terem sido empurrados. Mas não são.

A vulgata neoliberal que tanto rosna contra tais empresas e tais parcerias só tem que ladrar contra si própria, porque faz parte do rol triste das suas proezas mais esse tosco deslize.

Não esqueçamos: por debaixo dos metais reluzentes das fardas novas desses denodados bombeiros, está a sombra oculta dos incendiários. Apagam os fogos que lançaram, combatem os frutos das sementes que lançaram à terra.

E não esqueçam também os outros modernaços que correram atrás das canas desses foguetes.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A GRÉCIA E OS BÁRBAROS


1. Uma sujeita mal envelhecida, aparentemente oriunda da Europa mais fria, apareceu nos ecrãs televisivos, falando um vago inglês. Vinha falar dos inconvenientes resultados eleitorais cometidos por essa gente do Sul, os gregos.

Gente que a figura olhava com o espanto e a severidade de uma mestra que admoesta os irrequietos alunos.Gente que a senhora não admitia que tivesse  o descaramento de não manter uma suavidade melancólica, enquanto os alegados mercados e os demónios neoliberais, de que estão possuídos os espíritos toscos dos senhores da Europa, a estrangulam com uma frieza de autómato. Respondendo aos resultados eleitorais acontecidos recentemente na Grécia, a esfíngica criatura vinha com o dedo em riste arremessar furiosamente aos gregos o imperativo de novas humilhações, rumo a uma pobreza mais funda.
                                   
Fiquei siderado. Quando seria de esperar o início de uma profunda auto-crítica dos arautos do fundamentalismo neoliberal, pelos desastrosos resultados políticos causados pelo seu simplismo e pelo doçura com que trataram  o poder financeiro no decurso da crise, vinham afinal acusar as vítimas de se recusarem a morrer sem resistir. Se o remédio é afinal um veneno, censura-se o envenenador e para-se com a medicação ? Não senhor: dá-se mais veneno e censura-se a vítima por se ter deixado envenenar.

Fiquei alarmado. Temos em alguns  postos de comando europeus verdadeiros imbecis políticos.

2. Pois é , ó minha gente do Sul, não somos nós os novos bárbaros. Não temos que pedir desculpa por Platão, por Dante, por Cervantes, por Camões. Os bárbaros do século XXI estão friamente sentados a norte, nas cadeiras de um poder agressivo, agiotas de uma riqueza tingida pelo sofrimento de muitos,de muitos de muitas terras, a  norte, a sul, a oriente.São talvez ricos, mas não deixam de ser bárbaros, novos bárbaros. 

3. Não nos admiremos: ainda eles andavam aos pássaros nas floresta  frias do Norte e já no Mediterrâneo cresciam cidades.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eleições na Federação de Coimbra do PS


A minha posição quanto às eleições para os órgãos da Federação Distrital de Coimbra do PS pode ainda vir a alterar-se. No entanto, de momento, não apoio qualquer das duas candidaturas já anunciadas. Mas, tal como aconteceu nas eleições anteriores, estarei disponível para cooperar com os futuros órgãos eleitos, na medida das minhas possibilidades e da utilidade que esses órgãos vejam nessa cooperação.

Guiando-me apenas pelos reflexos públicos da contenda, tenho a impressão de que a campanha está a ser menos crispada do que as anteriores. E isso é um bom sinal. Já foi gasta, noutras ocasiões, demasiada energia política, esgrimindo-se a propósito de questões menores. Instituíram-se clivagens por fidelidades e compromissos pessoais, mais do que a partir de ideias políticas estruturantes e relevantes. O que podia ter sido sinal de um pluralismo saudável e mutuamente enriquecedor reduziu-se, muitas vezes, a uma troca de diatribes mutuamente desgastantes. O que podia ser um combate político com ecos prestigiantes na base social do PS, era quase só uma girândola de pequenas acusações pessoais que só podiam corroer a imagem do PS junto dos seus eleitores.
É bem certo que quando se não é capaz de identificar as divergências de fundo realmente determinantes dos caminhos políticos que se pretendem ou se recusam, se corre o risco de se ficar prisioneiro de pequenas querelas que apenas degradam quem nelas se envolve.

Por isso, repito, só pode ser positivo que o clima da actual campanha interna não padeça da crispação das anteriores.

No entanto, até agora os temas avançados parecem-me muito presos a aspectos apenas funcionais da organização do partido, substancialmente pouco ousados, ideologicamente assépticos, politicamente lineares, algo repetitivos e demasiado previsíveis. A energia e a generosidade que tantos e tantos camaradas põem na sua militância quotidiana mereciam uma implicação mais profunda e mais informada no enfrentar dos grandes problemas que afligem os portugueses e na procura de caminhos novos susceptíveis de nos fazerem chegar a um tempo verdadeiramente nosso.

Pode ser que durante o resto da campanha surjam factos novos que me levem a mudar de posição. Por enquanto, apesar da consideração pessoal que tenho por ambos os candidatos, como disse acima: não apoio qualquer das duas candidaturas já anunciadas.

ELEIÇÕES EM FRANÇA - resultados finais.


domingo, 6 de maio de 2012

A EUROPA não quer ser sangrada!


Hoje, os europeus espreguiçaram-se. De acordo com sondagens à boca das urnas.

1. Hollande bateu Sarkosy por 6% de vantagem.

2. Os dois maiores partidos gregos ficam claramente abaixo do 40%, passando o PASOK a ser o segundo partido da esquerda grega atrás de um dos partidos de uma esquerda mais radical. Os neo-nazis entram no parlamento grego.
  E agora , ó tróikos, encarregados de sanguessugar a Grécia ?

3. No Estado Federado alemão do Schleswig-Holstein os partidos da coligação que no plano federal suportam a Srª Merkl e que governavam este estado, foram hoje derrotados.

SEGUNDO COLÓQUIO DO MANIFESTO

Decorreu, ontem, no Hotel D. Luís, em Coimbra, o segundo Colóquio do Manifesto, subordinado ao tema: “Reformar a política autárquica: inovação e território”.

A interveniente convidada foi Maria Manuel Leitão Marques, Professora Catedrática da FEUC e Secretária de Estado no anterior Governo. O interveniente membro do Clube Manifesto foi Nuno Filipe. O debate foi moderado por um outro membro do Clube,  Romero de Magalhães.
As duas intervenções foram consistentes, estimulantes e complementares, tendo o moderador sabido encorajar e enquadrar um debate tecido por diversas participações inovadoras, consistentes e geradoras de uma informação diversificada.
O próximo debate será sobre a Europa, como desígnio, mas também como problema, incorporando uma natural atenção sobre as novidades políticas que se prometem, a curto prazo, no horizonte europeu.