Hoje, dia 22 de Julho, é dia de eleições dentro do PS, para Secretário-Geral e para delegados ao Congresso Nacional. Duas candidaturas, a de Assis e a de Seguro. Ambos os candidatos estão agora melhores do que aquilo que estavam, antes desta campanha interna. Foram obrigados a superar-se e a chegarem aos seus limites. Seja qual for o vencedor, esta campanha traduziu-se já numa experiência insubstituível. Mas ela também constituiu uma oportunidade única de o partido tomar o pulso a si próprio. Hoje, os militantes do PS sabem que os ocasos por que passaram e a derrota que sofreram não os transformaram num colectivo de saudades. Estão despertos e ambiciosos de futuro, de um futuro para todos os portugueses, que o seja realmente.sexta-feira, 22 de julho de 2011
PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA !
Hoje, dia 22 de Julho, é dia de eleições dentro do PS, para Secretário-Geral e para delegados ao Congresso Nacional. Duas candidaturas, a de Assis e a de Seguro. Ambos os candidatos estão agora melhores do que aquilo que estavam, antes desta campanha interna. Foram obrigados a superar-se e a chegarem aos seus limites. Seja qual for o vencedor, esta campanha traduziu-se já numa experiência insubstituível. Mas ela também constituiu uma oportunidade única de o partido tomar o pulso a si próprio. Hoje, os militantes do PS sabem que os ocasos por que passaram e a derrota que sofreram não os transformaram num colectivo de saudades. Estão despertos e ambiciosos de futuro, de um futuro para todos os portugueses, que o seja realmente.quinta-feira, 21 de julho de 2011
PALAVRAS ESCRITAS
1. Hoje, vou transcever três pequenos poemas e um poema um pouco mais extenso. Comecemos pelo mais extenso, que foi retirado da antologia de poesia japonesa, "Cem Haiku", publicada pela editora Vega, em 1984, traduzida do inglês por Ana Mafalda Leite e José Manuel Lopes, da autoria de Kyoroku[1656-1715] : quarta-feira, 20 de julho de 2011
PS COIMBRA - OLIVAIS
A lista que agora apresentamos e que segue abaixo é a única representante na sua secção da candidatura de Francisco Assis a Secretário-geral do Partido Socialista, radicada na moção “A Força das Ideias”.Reconhecemo-nos no conteúdo dessa moção, revemo-nos na liderança do respectivo candidato e identificamo-nos com o sentido que ele tem imprimido à sua campanha.
Esta lista resulta de uma conjugação de vontades de militantes socialistas apoiantes de Francisco Assis, com quem partilhamos a determinação de contribuirmos para que o PS se renove profundamente. Na verdade, só assim ele atingirá uma robustez política suficiente para poder enfrentar com êxito as tarefas políticas que inevitavelmente o vão esperar num futuro próximo.
Com Assis, estamos cientes da necessidade de se iniciar já um caminho de profunda mudança. Mas seria trágico que apenas se mudasse à superfície, subsistindo em profundidade o que há de mais gravoso nos actuais bloqueios. Com Francisco Assis não correremos o risco de ver apenas corrigidos os pequenos defeitos. A mudança será real.
De facto, as suas propostas são objectivamente incompatíveis com a perpetuação do que há de estagnado no PS. E é nelas que se inscreve inelutavelmente um futuro realmente novo para todo o nosso partido.
Votem Francisco Assis.
Votem lista B!
Efectivos
· Rui Namorado
· Carlos Veiga
· Elisabete Lemos
· Pedro Vieira Alberto
· José Alberto Moura e Sá
· Maria Fernanda Campos
Suplentes
· João Silva
· Victoriano Nazareth
· Emília Gil
· Bárbara Figueiredo
· Mário Campos
· Américo Figueiredo
Cordiais saudações socialistas,
Rui Namorado
terça-feira, 19 de julho de 2011
UM DELES MENTE !
1. Em pouco tempo, com uma nitidez cujo grau me surpreende, o modo como no espaço mediático tem sido tratado o actual governo, em comparação com o modo como o anterior o foi, encerra um conjunto de lições que não devem passar despercebidas. Essa discrepância atingiu uma intensidade tal que a sua ocultação ou o seu disfarce tornaram-se impossíveis. Alguns dos episódios em que ela se materializa invadem o território do humor. Mas um deles, ainda em curso, reveste-se de características escandalosas. domingo, 17 de julho de 2011
CONTRA A BALANÇA TORTA
Se tivesse sido dada a notícia, na vigência do governo anterior, de que um ministro havia dado um involuntário empurrão numa criança, derrubando-a, uma onda de censuras teria certamente varrido, numa tempestade justiceira, o espaço mediático público, com a veemente exigência da imediata demissão desse ministro, por insensibilidade social. E desprezo pelas crianças.sábado, 16 de julho de 2011
NUDISMO, AMBIENTE E AR CONDICIONADO
A Sr.ª Ministra não gosta de gravatas, tendo por isso ordenado o seu não uso entre os seus subordinados. Nalguns templos de certas religiões, os fiéis descalçam-se para poderem entrar. A partir de agora, será decerto uma imagem corrente ver os visitantes desembaraçarem-se das gravatas, despirem os casacos, para entrarem em mangas de camisa para a reunião com a Sr.ª Ministra.De facto, se dermos o devido valor ao que objectivamente está em causa, seria de uma grande ingenuidade pensar-se que uma importante ministra da corte do Dr. Paulo Portas se ergueria como adamastora perante o império das gravatas, para logo soçobrar tibiamente perante o reino dos casacos, dos vestidos, das saias, das blusas ou mesmo perante a república popular dos quentes soutiens. Não seria lógico. Não estaria à altura da cultura simbólica deste governo e muito menos da sua inequívoca densidade épica.
Por isso, se houvesse entre nós verdadeiros oráculos, à altura dos que pontificaram na Grécia do primeiro Sócrates, certamente nos teriam já mostrado o auspicioso futuro dos ministérios tutelados pela nossa encalorada ministra. Certamente, que teriam já feito desfilar, perante os olhos atónitos da nossa imaginação, esse episódio supremo que irá seguramente coroar a longa saga da ministra contra o ar condicionado.
Consta, como cereja no bolo, que o próprio Álvaro da Economia está criteriosamente a estudar a melhor maneira de rentabilizar a inovação como atracção turística, dispondo-se , talvez, a colocar no roteiro turístico, a seguir aos Jerónimos e ao Museu dos Coches, a visita ao referido ministério que passaria a ser designado, a título de promoção, como Ministério do Ambiente e do Nudismo.
A ILUSÃO DOS IMPLACÁVEIS
quinta-feira, 14 de julho de 2011
UM DESVIO COLOSSAL !
O irrequieto primeiro-ministro declarou haver um desvio colossal entre o défice anunciado pelo governo anterior e a realidade das contas agora verirficada.PIRATARIA E EQUIDADE
Amanuenses de uma misteriosa numerologia, os actuais ocupantes das cadeiras do poder político delegaram num deles, um sujeito hirto mansamente engomado, a tarefa de embrulhar o assalto que nos vai ser feito numa algaraviada tecnocrática que escondesse o mais possível o significado autêntico da captura de uma parte do nosso subsídio de Natal.quarta-feira, 13 de julho de 2011
QUEM FICA EM CASA QUANDO A LUTA COMEÇA
São dias de um chumbo aveludado, mas asfixiante. As vozes parecem veladas. Os gestos parecem tolhidos. As sombras ditam a lei, como se estivessem vivas. Os prégadores numerogam a desgraça, ficcionado-a como neutra. A maré lenta dos povos agita-se ao longe. A Europa é um outono melancólico que se recusa a andar. Ministros deixam os olhos perderem-se no Tejo como navios sem regresso. Aspiram um poder de fim de tarde com a volúpia constragida de quem não sabe muito bem se tem alguma coisa que possa fazer. Neste crepúsculo indolente, resolvi recorrer uma vez mais a Bertolt Brecht, sempre na sua versão portuguesa de Paulo Quintela:terça-feira, 12 de julho de 2011
O FANTASMA DA MARGEM ESQUERDA
Num sentido apelo de António Fonseca Ferreira (AFF), dirigido aos elementos da Corrente de Opinião Esquerda Socialista ( COES) à qual pertence, para que se empenhassem a fundo no apoio a António José Seguro, integrando as suas listas, li há pouco a seguinte frase:segunda-feira, 11 de julho de 2011
A DIREITA PASSOU-SE !
A direita passou-se. Doutores e engenheiros, empreendedores e seus colaboradores, escribas das mais variadas extracções, verdadeiras e falsas marquesas, comendadores e artistas de verbo ágil, jornalistas e donos de jornais, alguns frades e um pouco de cardeais, três curas de aldeia e um verdadeiro bispo, um ex-primeiro ministro e o Presidente da República, todos se erguerem num relâmpago de patriotismo, para bombardearem ferozmente com uma chuva de impropérios as agências de "rating"que ousaram enxovalhar-nos chamando-nos lixo. E logo agora, que o pupilo do senhor engenheiro está ao leme de um governo impecável, de uma direita legítima , integrada no PPE como mandam os cânones do pensamento afunilado. Aplaudi. Há meses e meses que aqui tenho escrito textos nesse mesmo sentido, pelo que só posso aplaudir e aplaudir. Mas confesso que me surpreendi, já que as mesmas criaturas, que agora tanto gritam, quando o governo era do PS, perante cachorradas idênticas, praticadas pelas mesmas "ratinzanas", apontaram o dedo a Sócrates como causa única de todos os males, absolvendo assim ronronantemente as agência de "rating"que agora vituperam. Enfim, mais vale tarde do que nunca...
É certo que se ficou a ver que afinal todo o alarido, todos os insultos lançados contra o anterior governo do PS, eram uma campanha de agressões gratuitas , lançada por essa mesma gente, agora tão nervosa. E das duas uma : ou eles sabiam que estavam a atacar quem realmente não era o culpado principal pelo agravamento da crise; ou enganaram-se, atacando, como se fosse o principal culpado, quem hoje se vê com clareza que não o era.
Se agiram com má fé falta-lhes a ética que os tornaria críveis; se agiram por erro, carecem da capacidade que os tornaria críveis. De uma maneira ou de outra, à luz do que deveria ser um desígnio português e europeu de dignidade, liberdade e justiça para todos, estamos perante aves de fraco voo, mais próximas dos frangos de aviário do que das águias, estamos perante verdadeiros amanuenses de uma política com letra pequena, aprisionada na teia das conveniências pequenas, das ideias anquilosadas , do conservadorismo pé-ante-pé. Estamos perante as velhas sombras da direita portuguesa e europeia, melífluas e desleais, hipócritas e parciais, pusilânimes e perigosas.
sábado, 9 de julho de 2011
QUEM É O TEU INIMIGO ?
"Quem é o teu inimigo?". Boa pergunta, neste tempo de sombras e embustes, neste entardecer de labirintos e ilusões, nesta manhã de espantos.Na versão portuguesa de Paulo Quintela, ouçamos mais uma vez, alguém que nos ajude a responder, o poeta BERTOLT BRECHT:
Ao faminto que te tirou
PELA NOSSA RICA SAÚDE:
Disse um fantasma dos dias futuros (deveria dizer passados ?) que o Estado deve delegar a prestação dos cuidados de saúde, se os não puder garantir.Naturalmente, essa sombra difusa englobava também as organizações com fins lucrativos no bloco dos delegatários. E é quanto a essas que me assalta uma incómoda dúvida.
Por que razão o Estado poderá não garantir a prestação dos serviços de saúde necessários? Certamente, que por falta de dinheiro.
Por que razão uma entidade estruturada para obter lucros se irá abalançar a prestar cuidados de saúde em vez do Estado? Certamente, que para ganhar dinheiro.
Se o Estado não aproveitar essa delegação para se retirar sorrateiramente de algumas das suas obrigações no campo da saúde, há-de pagar aos delegatários aquilo que antes gastava como prestador desses serviços. Mas se os delegatários com fins lucrativos lucrarem, como necessariamente tem que acontecer, das duas uma :1) ou hão-de prestar piores serviços do que prestaria o Estado, para poderem amealhar como lucro o que pouparam com essa degradação; 2) ou, se mantiverem o nível de qualidade dos serviços, antes prestados directamente pelo Estado, e obtiverem lucros, o Estado terá de lhes pagar mais do que aquilo que gastaria se fosse responsável directo pela prestação de serviços.
Ou seja, se a delegação da prestação de cuidados de saúde em entidades com fins lucrativos ocorrer, sem degradação da qualidade dos serviços prestados, os cidadãos ficarão na mesma, o Estado, se não perder, também não ganhará nada com isso. Só os delegatários privados movidos pelo lucro ficarão beneficiados.
Assim se percebe que música tocava esse fantasma .
sexta-feira, 8 de julho de 2011
A MIRAGEM DOS ESPERANÇADOS
Viajar através da versão portuguesa de Paulo Quintela dos Poemas de Bertolt Brecht, abre sempre a porta a novas surpresas e a novas lições. Ajuda-nos muitas vezes a pensar, a proscrever uma eventual letargia, a compreender o que parece estranho. Ontem, quando um zumbido insalubre de numerologia financeira e predatória pairava no espaço mediático português, empreendi uma dessas viagens. Não posso deixar de partilhar com todos vós um poema então encontrado.quinta-feira, 7 de julho de 2011
O CLUBE DOS HOMENS ASSUSTADOS
HOMENAGEM
A notícia surgiu com o peso de todas as palavras que anunciam morte. Desta vez, foi a Maria José Nogueira Pinto. Estive ao mesmo tempo que ela na Assembleia da República durante uma legislatura. Era deputada pelo CDS. Inteligente, combativa e civilizada. Ideologicamente muito marcada pelo espaço a que pertencia, sem que isso a fizesse perder agilidade mental. Não cometo a injúria de a elogiar, agora que ela já não estará do outro lado da barricada. É-lhe devida a saudação que se dirige aos que lutaram.Mas para com o ser humano que ela foi a minha solidariedade é total. Ninguém deveria ser obrigado a morrer. Apagar-se-ia quando quisesse no fim do seu tempo. Tal como ninguém merece a dor insuportável de perder alguém que lhe é querido. Também nesse campo não há limites para a minha solidariedade.
Por isso, não sobrecarrego a sua memória com algumas frases feitas que possam parecer tributárias da renda tranquila da sua ausência nas hostes que combato. Apenas digo que, se me fosse dado esse poder supremo, ela continuaria viva.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
AS MALFEITORAS DO RATING E O DILEMA
Esta última malfeitoria de uma das "malfeitoras do rating", apresentada publicamente com a mesma ligeireza com que um borda-de-água de trazer por casa diria ", amanhã vai chover", reveste-se de uma singular exemplaridade. domingo, 3 de julho de 2011
O NÓ DO PROBLEMA DO PS
As duas narrativas implícitas nas moções de Assis e de Seguro podem ser semelhantes. Mas quando se trata de tentar surpreender diferenças, quanto à vontade efectiva de uma mudança profunda no partido, temos que procurar para além dos textos. Pelo menos nalguns distritos, é tal o peso dos pequenos poderes locais instalados, entre os apoiantes de Seguro, que só uma fé inexplicável nos pode fazer acreditar que por essa via se chegue a qualquer mudança de fundo no PS. A EUROPA EM CRISE !
Na página web do prestigiado diário francês Le Monde, li hoje um texto da autoria de Amartya Sen, prémio Nobel da Economia, recentemente doutorado honoris causa pela Universidade de Coimbra, através da sua Faculdade de Economia . O artigo tem um título sugestivo: "L'euro fait tomber l'Europe".
Mais cela ne signifie pas qu'on doive leur accorder le pouvoir suprême ni qu'ils puissent dicter leur loi à des gouvernements démocratiquement élus, sans que l'Europe exerce aucune résistance organisée. Le pouvoir des agences de notation ne peut être contenu et encadré que par des personnalités politiques exerçant un pouvoir exécutif au niveau européen. Or pour l'heure, un tel pouvoir n'existe pas.
Deuxième point, on voit mal en quoi les sacrifices imposés par ces chevaliers de la finance à des pays en difficulté constituent le remède décisif pour assurer la pérennité à long terme de leur économie, ni même que ces sacrifices soient en mesure de garantir celle de la zone euro dans le cadre non réformé d'un système financier intégré et d'un club de la monnaie unique à la composition inchangée.
Puisque désormais une grande partie de l'Europe s'efforce de juguler au plus vite les déficits publics par le biais de coupes claires dans les dépenses publiques, il est essentiel d'étudier avec réalisme quelles seront les répercussions des mesures adoptées dans ce but, tant sur le quotidien des gens que sur la création de recettes publiques par la croissance économique. Ce qui manque à l'heure actuelle, outre un projet politique plus ambitieux, c'est une réflexion économique plus développée sur les effets et l'efficacité de cette stratégie de réduction maximale des déficits dans "le sang, la sueur et les larmes".
C'est pour moi une piètre consolation de rappeler que j'étais fermement opposé à l'euro, tout en étant très favorable à l'unité européenne pour les raisons qu'Altiero Spinelli avait soulignées avec tant de force. Mon inquiétude venait notamment du fait que chaque pays renonçait ainsi à décider librement de sa politique monétaire et des réévaluations des taux de change, toutes choses qui, par le passé, ont été d'un grand secours pour les pays en difficulté. Cela permettait de ne pas déstabiliser excessivement le quotidien des populations au nom d'une volonté acharnée de stabilisation des marchés financiers. Certes on peut renoncer à l'indépendance monétaire, mais quand il y a par ailleurs intégration politique et budgétaire, comme c'est le cas pour les Etats américains.
La formidable idée d'une Europe unie et démocratique a changé au fil du temps et l'on a fait passer au second plan la politique démocratique pour promouvoir une fidélité absolue à un programme d'intégration financière incohérente. Repenser la zone euro soulèverait de nombreux problèmes, mais les questions épineuses méritent d'être intelligemment discutées (l'Europe doit s'engager démocratiquement à le faire) en prenant en compte de façon réaliste et concrète le contexte différent propre à chaque pays. Dériver au gré des vents financiers que souffle une pensée économique obtuse et entachée de graves lacunes, souvent proférée par des agences affichant de piteux résultats en termes d'anticipation et de diagnostic, est bien la dernière chose dont l'Europe ait besoin. Il faut enrayer la marginalisation de la tradition démocratique européenne : c'est une nécessité impérieuse. On ne l'exagérera jamais assez. [Traduit de l'anglais par Julie Marcot ]



