sábado, 21 de novembro de 2009

A velhice da nova europa


Em passo de assombração, chegaram os dois rostos da nova união europeia. Um tem a cara do partido popular europeu, simbolicamente belga, com um ar de amanuense da política, previsível e bem comportado. Outro assinala uma nova falta de comparência dos socialistas europeus, através de um fantasma fugidio de uma terceira via agonizante, revestida de uma vaga baronesa inglesa, retirada de um filme com os irmãos marx.


Durante algumas semanas, a poeira mediática registará os currículos, estou certo que brilhantes, dos novos desprotagonistas da cena europeia. Uma legião de burocratas cosmopolitas fará circular entre eles um enorme rebanho de emails e uma multidão de papeis, quase todos inócuos, pesando um pouco mais no destino desta pequena península da Eurásia. Os grandes anões da política europeia subirão aos bancos dos seus elogios mútuos e interrogarão ansiosamente um futuro que não enxergam.



Os populares europeus procuram a sombra amiga do vaticano, mas encontram apenas um cantochão passadista que os reconduz regularmente ao seu papel de porteiros dos que realmente têm o poder nesta sociedade do dinheiro. Os socialistas continuam mansamente a recusarem-se a ser eles próprios, resistindo sem nervo à sereia velha do neoliberalismo, sem conseguirem escapar de vez ao perfume trágico do seu canto. Outras esquerdas, que ainda se imaginam ferozes, separam-se do futuro, percorrendo repetitivamente os seus museus de glórias. As velhas botas da extrema-direita, no seu passo de ganso, anunciam, uma e outra vez, o apocalipse. Filósofos tristes e ideólogos em transe vão mastigando desgraças e proibindo horizontes, enquanto espantados cordeiros mediáticos repetem, dia após dia, o rosário negro dos maus prenúncios.



Isto é a europa vista daqui. Mas há um grão irreprimível de esperança que nos impede de baixar os braços.

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