terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eleições alemãs - o preço do bloco central

1. A infogravura acima apresentada, transcrita do site do semanário "Der Spiegel", mostra um sugestivo panorama dos resultados das eleições legislativas alemãs do passado dia 27 de Setembro. Venceu a coligação democrata-cristã, CDU/CSU, encabeçada pela srª Merkl, que se manteve assim à frente do governo alemão, embora abandonando os seus antigos parceiros sociais-democratas(SPD), pelos seus novos parceiros liberais (FDP).
Apesar de vencer as eleições, a CDU/CSU teve o seu pior resultado, desde 1949 (33,8%), enquanto o SPD teve o seu pior resultado de sempre (23%). Em contrapartida, os outros partidos, FDP (liberais-14,6%), Die Linke ( A Esquerda -11,9%) e Die Grünen ( Os Verdes - 10,7%), tiveram os seus melhores resultados de sempre.
Os dois partidos de direita somam agora 48,4%, enquanto os três partidos de esquerda somam 45,6 %, o que se traduz numa maioria parlamentar folgada da direita. Recorde-se que em 2005, o SPD, os Verdes e a aliança política que deu origem ao novo partido de esquerda, tinham em conjunto uma clara maioria parlamentar. A CDU/CSU foi então o partido mais votado, com uma pequeníssima vantagem sobre o SPD, o qual aceitou ser acólito da Srª Merkl numa grande coligação, recusando a hipótese de liderar um governo das três forças de esquerda então existentes.
O SPD tentou então congelar a possibilidade de afirmação de uma nova força política ( Die Linke) no panorama alemão, recusando coligar-se com ela. Não conseguiu. O novo partido ganhou vida, tendo vindo desde então a entrar para os parlamentos de diversos estados alemães e tendo atingido cerca de 12% nas recentes eleições. Nesta campanha o SPD insistiu na política de exclusão de qualquer aliança nacional com Die Linke, embora já tenha entrado em coligações com ele em governos estaduais. O SPD pagou um duro preço pela sua participação no bloco central alemão nestes últimos quatro anos: desceu 11,2%, enquanto que o seu parceiro(CDU/CSU) teve uma quebra modesta de 1,4 %.
A réplica alemã do "blairismo", o chamado "Novo Centro", continua assim a sua marcha lenta mas persistente, para o abismo.


2. Um dado elucidativo, que indicia uma mudança qualitativa no sistema político alemão, é a evolução da força eleitoral dos dois maiores partidos, desde 1976 até hoje ( veja-se a infografia, acima publicada). Como vimos, o contraponto à decadência evidenciada pelo gráfico é a conjugação dos resultados dos outros três partidos, cada um dos quais ficou, pela primeira vez acima dos dez por cento, somando todos eles 37,2 %.

Mas vale a pena sublinhar que a decadência do SPD, só parcialmente foi compensada pela subida dos outros dois partidos de esquerda: o SPD desceu 11,2%, mas os outros dois só subiram, no seu todo, 5,8 %. Ou seja, metade das perdas do SPD, foram perdas da esquerda como um todo.

Este exemplo, mostra como é uma ideia simplista e precipitada, pensar que o definhamento de uma força dentro da esquerda gera uma automática compensação, traduzida no reforço de outra ou outras forças de esquerda.

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