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Manifesto para uma renovação socialista
"Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador". Diógenes Laércio
Aplaudi. Há meses e meses que aqui tenho escrito textos nesse mesmo sentido, pelo que só posso aplaudir e aplaudir. Mas confesso que me surpreendi, já que as mesmas criaturas, que agora tanto gritam, quando o governo era do PS, perante cachorradas idênticas, praticadas pelas mesmas "ratinzanas", apontaram o dedo a Sócrates como causa única de todos os males, absolvendo assim ronronantemente as agência de "rating"que agora vituperam. Enfim, mais vale tarde do que nunca...
É certo que se ficou a ver que afinal todo o alarido, todos os insultos lançados contra o anterior governo do PS, eram uma campanha de agressões gratuitas , lançada por essa mesma gente, agora tão nervosa. E das duas uma : ou eles sabiam que estavam a atacar quem realmente não era o culpado principal pelo agravamento da crise; ou enganaram-se, atacando, como se fosse o principal culpado, quem hoje se vê com clareza que não o era.
Se agiram com má fé falta-lhes a ética que os tornaria críveis; se agiram por erro, carecem da capacidade que os tornaria críveis. De uma maneira ou de outra, à luz do que deveria ser um desígnio português e europeu de dignidade, liberdade e justiça para todos, estamos perante aves de fraco voo, mais próximas dos frangos de aviário do que das águias, estamos perante verdadeiros amanuenses de uma política com letra pequena, aprisionada na teia das conveniências pequenas, das ideias anquilosadas , do conservadorismo pé-ante-pé. Estamos perante as velhas sombras da direita portuguesa e europeia, melífluas e desleais, hipócritas e parciais, pusilânimes e perigosas.
C'est pour moi une piètre consolation de rappeler que j'étais fermement opposé à l'euro, tout en étant très favorable à l'unité européenne pour les raisons qu'Altiero Spinelli avait soulignées avec tant de force. Mon inquiétude venait notamment du fait que chaque pays renonçait ainsi à décider librement de sa politique monétaire et des réévaluations des taux de change, toutes choses qui, par le passé, ont été d'un grand secours pour les pays en difficulté. Cela permettait de ne pas déstabiliser excessivement le quotidien des populations au nom d'une volonté acharnée de stabilisation des marchés financiers. Certes on peut renoncer à l'indépendance monétaire, mais quand il y a par ailleurs intégration politique et budgétaire, comme c'est le cas pour les Etats américains.
La formidable idée d'une Europe unie et démocratique a changé au fil du temps et l'on a fait passer au second plan la politique démocratique pour promouvoir une fidélité absolue à un programme d'intégration financière incohérente. Repenser la zone euro soulèverait de nombreux problèmes, mais les questions épineuses méritent d'être intelligemment discutées (l'Europe doit s'engager démocratiquement à le faire) en prenant en compte de façon réaliste et concrète le contexte différent propre à chaque pays. Dériver au gré des vents financiers que souffle une pensée économique obtuse et entachée de graves lacunes, souvent proférée par des agences affichant de piteux résultats en termes d'anticipation et de diagnostic, est bien la dernière chose dont l'Europe ait besoin. Il faut enrayer la marginalisation de la tradition démocratique européenne : c'est une nécessité impérieuse. On ne l'exagérera jamais assez. [Traduit de l'anglais par Julie Marcot ]