domingo, 9 de junho de 2019

Lula Cruxificado

Reproduzo hoje um vídeo com uma expressiva e eloquente intervenção do ex-Senador brasileiro do Movimento Democrático Brasileiro,  Roberto Requião onde este  denuncia politicamente a perseguição feita contra Lula pela direita brasileira , ao serviço  poderes fácticos e financeiros internacionais .

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terça-feira, 4 de junho de 2019

MONTEPIO - as raposas andam por aí…







MONTEPIO

As raposas andam por aí…

Todos se recordam dos longos alaridos envolvendo o Montepio. Não está aqui em causa apurar em que medida havia críticas certeiras, em que medida se justificavam mudanças. Hoje, aqui, está apenas em causa sopesar a recordação dessas vicissitudes, à luz de uma notícia vinda hoje a público num jornal diário, dando conta de uma sofisticada estratégia de reconversão do Banco Montepio.

Banco que, mesmo separado organicamente da Associação Mutualista a que em exclusivo pertence, é ainda uma das três entidades bancárias portuguesas que subsistem entre nós; ao lado, da CGD e do grupo que congrega as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo.

O que se anuncia é a separação do Banco Montepio do setor dos clientes mais importantes. Separa-se assim do todo uma parte especialmente rentável o que necessariamente prejudica o todo. Embora se alegue que o todo não é prejudicado pois é o único dono da parte, não deixa de se admitir  num sussurro que o capital desse Banco “filet mignon” possa ser aberto ao capital privado.

Tudo, alegadamente, respeitando a ordem jurídica vigente, tudo exprimindo a excelência de uma gestão bancária de fino recorte  banqueiro. E, no entanto, fica no ar um vago perfume de alarme, como se alguém estivesse apenas a dourar a intenção última e  perigosa da abrir a capoeira ao zelo suspeito das raposas.

Ora, sendo certo que podemos estar perante uma expressão transcendente de uma estratégia  de excelência  na gestão bancária, nada nos garante que afinal não estejamos apenas perante  uma espoliação ilegítima de uma associação mutualista. Uma espoliação  que leve a que os seus bens sejam capturados pelo capital financeiro privado, seja ele português, norte-americano, chinês ou colombiano.

E se o cenário mais pessimista se concretizasse, estaríamos perante um golpe muito mais profundo nos interesses dos seiscentos mil associados do Montepio do que aquele que teria tido  a soma de todas as malfeitorias propagandeadas nos últimos anos na comunicação social como tendo ocorrido dentro do universo Montepio, mesmo que todas elas fossem o espelho fiel da verdade. Desse modo, poderíamos até desconfiar, com alguma razão, que uma parte do alarido dos últimos anos à volta desse universo, tenha sido em parte promovido ou encorajado por protagonistas financeiros que querem apossar-se do negócio bancário do Montepio.

Assim, há duas coisas a dizer.
Primeira: seja qual for o labirinto jurídico inventado para dar uma aparência de legalidade à entrada do capital financeiro privado no Banco, que é propriedade exclusiva da Associação Mutualista Montepio,assim integrado nna economia social, essa operação é eticamente ilegítima, constitucionalmente duvidosa  e de questionável legalidade.
Segunda: julgo não atraiçoar o essencial das opiniões dos meus coassociados da Associação Mutualista Montepio se disser que, não transigindo nós naturalmente quanto a ilegalidades na gestão da nossa Associação e do seu banco, também não admitimos que nos espoliem enquanto associados, mesmo que o façam sob a capa de manobras de ilusionismo jurídico-financeiro.

Portanto, no mínimo, os seiscentos mil associados da Associação Mutualista Montepio merecem ( ou exigem?) ser consultados para que decidam se querem ou não que seja aberta a porta do seu Banco, direta ou indiretamente, às raposas financeiras que tão bem conhecemos.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

PARA ALÉM DO UMBIGO DA EDUCAÇÃO





PARA ALÉM DO UMBIGO DA EDUCAÇÃO

O perverso furacão Bolsonaro assola o Brasil. Entre as devastações mais graves, a que atinge a educação dos brasileiros. Da autoria de Ana Luiza Basilio, foi publicado um texto sobre educação,  na página virtual da prestigiada revista de grande circulação CartaCapital.

No essencial, apela-se para que o tosco poder atual olhe para alguns exemplos positivos dados por outros países através do mundo. São mencionados cinco exemplos: Finlândia, Canadá, Alemanha, Estónia e Portugal.

Para além de alguns detalhes discutíveis,o texto mostra em si próprio que  Portugal é visto como projetando no campo da educação uma imagem global suficientemente positiva, para suportar a sua invocação como exemplo.

E,no entanto, na última década temos sido tolhidos por um grande desperdício de energias, desviadas para aspetos menores da problemática educativa ou para maneiras tóxicas de abordar aspetos relevantes dessa problemática. É tempo de arripiar caminho.

Se partirmos do essencial,provavelmente, criaremos condições para superar sem dificuldades de maior  algumas das crispações que têm grassado entre nós nos  últimos anos, sem benefício para ninguém e com prejuízo para o país.

Olhemo-nos tal como somos visto no texto seguinte e aprendamos a aprender com os outros países dados como exemplo ao nosso lado. Não para os imitarmos acefalamente mas para  tirarmos deles as lições que nos possam dar.
Eis o texto que mencionei.

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5 países que apostam, e muito, na educação
(fica a dica, Bolsonaro)


Conheça a trajetória de nações que valorizam os professores e são exemplos de modelos educacionais do mundo

Se é difícil encontrar paralelo no mundo com o que se passa no Brasil de maneira geral, é quase impossível detectar uma experiência semelhante quando se trata de educação. Na maioria dos países, ricos ou pobres, ao Norte ou ao Sul, a compreensão do ensino como esteio da civilização e da prosperidade é disseminada e defendida pela sociedade. Ninguém se atreveria a cortar o orçamento das universidades sob a alegação de “balbúrdia”, interromper o pagamento de bolsistas de mestrado ou doutorado sem critérios claros ou chantagear os eleitores com a possibilidade de secar as torneiras caso uma reforma da Previdência não seja aprovada. O mais provável destino de um governo que assim se comportasse seria uma breve temporada no poder – e o ostracismo político.
Na Europa, berço do Estado de Bem-Estar Social, o ensino, do maternal à universidade, é público e gratuito, salvo raras exceções, e não há líder populista de direita capaz de convencer a população de que o sistema prejudica a economia e estimula o privilégio. Ao contrário. A educação universal e às expensas do Estado é vista como uma condição básica para garantir a igualdade e o desenvolvimento. Nas nações em que escolas públicas e privadas convivem, o ensino pago é preenchido por uma minoria – ou filhos de milionários ou estudantes com dificuldades de adaptação.
Não bastasse, enquanto o governo Bolsonaro escolhe a educação e a ciência como os inimigos número 1, nações que há muito tempo atingiram a universalização do ensino preparam-se para a nova etapa do capitalismo: a revolução industrial e tecnológica chamada de 4.0, tsunami que destruirá milhares de profissões e milhões de empregos ao redor do mundo nas próximas décadas. Corrida para a qual, obviamente, o Brasil se torna cada vez menos competitivo.
A seguir, listamos cinco países que, em diferentes medidas, redobraram seus esforços para adaptar os cidadãos à nova fase do desenvolvimento:
Portugal
Desde que a OCDE, a organização das nações desenvolvidas, começou, em 2000, a aplicar um sistema de avaliação entre seus afiliados, Portugal registra melhoras constantes nos indicadores. Em 2015, os estudantes do país conseguiram notas acima da média em ciências, leitura e matemática. Um dos segredos é o maciço investimento nas famílias e nos primeiros seis anos de uma criança. Entre 2003 e 2015, o total de mães com ensino secundário completo subiu 41%. Quanto maior a escolaridade materna, mostram os estudos, maior o rendimento dos filhos na escola. Nem a crise econômica que devastou Portugal em 2008 interferiu nas políticas públicas.
A educação básica em Portugal é dividida em três ciclos e leva 12 anos para ser concluída. O Ensino Superior contempla dois sistemas: universitário e politécnico. No primeiro, são conferidos aos estudantes os graus de licenciatura, mestrado e doutorado. Os institutos politécnicos concentram-se na formação profissional prática.
Finlândia
Referência mundial, a Finlândia constantemente aparece no topo das avaliações de qualidade da educação. A revolução no ensino começou ainda nos anos 1960, quando os impostos gerados pela indústria de papel e celulose sustentaram a adoção das políticas de Bem-Estar Social. O ensino gratuito e universal foi adotado na década de 70 e desde então mira o conhecimento interdisciplinar e não estanque. Matemática, ciência e música são apresentadas aos estudantes por meio de projetos integrados, forma de combinar os conteúdos e adaptá-los ao cotidiano dos alunos. Como a individualidade é estimulada e não reprimida, uma sala reúne até cinco níveis de estudantes em torno de uma mesma tarefa.
O governo incentiva a adoção de novas tecnologias e modelos de aprendizagem. Os professores são valorizados e exigidos. É preciso mestrado para dar aulas em uma escola de Ensino Fundamental. Na Finlândia é mais difícil ser professor – em 2015, a taxa de aprovação nos cursos de formação de professores foi de 4,2% – do que médico, cujo índice de aprovação nas faculdades é de 8,8%.

Canadá
Em 2015, o país ocupou o terceiro lugar do ranking da OCDE em leitura e ficou entre os dez melhores na avaliação geral. O sistema canadense organiza-se a partir de províncias autônomas, ou seja, não há um sistema nacional, mas políticas distintas em cada localidade. Um traço comum no sistema é, no entanto, a igualdade de oportunidades. Há um esforço para integrar o grande contingente de migrantes que todos os anos aporta no país. Em geral, um aluno de fora leva três anos para alcançar uma performance semelhante aos estudantes de origem canadense.
São também expressivos os investimentos em alfabetização, treinamento de professores, bibliotecas e reforço para alunos com dificuldade de aprendizagem.
Os bons índices refletem ainda a homogeneidade socioeconômica. Há pouca diferença de rendimento escolar entre os alunos mais e menos pobres. No último Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, a variação de notas causada por diferenças socioeconômicas foi de apenas 9%, em comparação aos 20% da França e 17% de Cingapura, para citar dois casos.
A rede pública abriga o maior número de estudantes. Em Ontário, 94% dos alunos estão matriculados em unidades públicas. De maneira geral, o sistema repele a lógica “academicista”, de fixação de conteúdos, e estimula a autonomia. Aos 14 anos, os canadenses podem escolher as disciplinas que mais interessam e montar a própria grade curricular. A educação obrigatória vai até os 16 anos.
Alemanha
Depois de um contingenciamento na última década causado pela crise econômica de 2008, a Alemanha anunciou a retomada dos investimentos públicos. Serão 160 bilhões de euros a mais entre 2021 e 2030 para universidades e centros de pesquisa científica independentes. “Com isso, estaremos garantindo a prosperidade do nosso país no longo prazo”, afirmou Anja Karliczek, ministra da Educação, durante o anúncio dos novos investimentos.
Além de mais dinheiro para a contratação de professores, as universidades terão acesso a um fundo de 150 milhões de euros destinado a projetos especiais.

Estônia
Na última edição do Pisa, o ranking da OCDE, a Estônia apareceu em terceiro lugar, atrás apenas de Cingapura e Japão. O sucesso educacional recente do pequeno país báltico sustenta-se em um tripé: acesso universal e gratuito em todas as etapas do ensino, autonomia garantida a professores e escolas e valorização da educação pela sociedade.
O governo investe atualmente 6% do PIB em educação. Enquanto o Brasil gasta 6,6 mil reais com estudantes do Ensino Fundamental, a Estônia aplica o equivalente a 28 mil reais. Boa parte do dinheiro garantiu o aumento de renda dos professores, que cresceu 80% nos últimos dez anos. O piso salarial é de 1,2 mil euros, cerca de 5 mil reais.
Um currículo nacional orienta os ciclos de aprendizagem, mas as escolas têm autonomia para aplicá-lo da maneira que acharem melhor. Como na Finlândia, as disciplinas são integradas e não respeitam limites burocráticos. Ética e educação digital estão entre os temas mais explorados. Exige-se no mínimo mestrado dos professores.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Deputadas no seu labirinto.




Eis um grupo de deputadas do BE, do PCP, do PSD e do CDS num diligente trabalho de grupo a prepararem na Assembleia da República, em sede de especialidade, a versão final da proposta sobre contagem do tempo de serviço dos professores. O resultado dessa concertação viria a provocar a tomada de posição do Governo que informou que se demitiria se essa proposta fosse aprovada ena Votação Final Global. Uma deputada do PSD e outra do CDS, depois da reunião, gabaram-se perante as câmaras de televisão, de que cada um dos respetivos partidos tinha sido decisivo no alcançar da proposta em causa, com a qual exultaram.

Eis se não quando, algum tempo mais tarde, os líderes desses dois partidos de direita vêm dizer que era uma mentira do Governo que tivesse acontecido aquilo que acabamos de referir. Ou seja, nós não tínhamos visto aquilo que tínhamos visto, já que aquilo que tínhamos visto era afinal apenas uma grande  mentira do Governo.

Foi também comovente  vermos  a líder do BE apelar ao PS para não se conluiar com a direita. E para dar mais realidade a essa frondosa  cominação,  para dar mais força e verosimilhança ao seu apelo, atrevo-me a sugerir que recorra a uma das deputadas do BE que na foto acima reproduzida foram apanhadas num flagrante  tricotar do acordo com o PSD e o CDS.

Por último, fiquei muito  impressionado com a alegação do PCP de que a posição do Governo era um gesto eleitoralista destinado a tornar mais provável uma maioria absoluta. É que essa imputação era afinal o reconhecimento tácito de que a posição tomada pelo Governo era suficientemente acertada e boa para fazer crescer o apoio eleitoral. na esteira de um  aumento de popularidade. Ora, ninguém ganha prestígio popular cometendo erros políticos. Não é por isso  lógico  considerar que na raiz de uma asneira política esteja  a sofreguidão em  ganhar votos.

Numa palavra, olhando-se  para aquela comovente imagem de uma virtuosa conspiração contra o Governo tecida por deputadas do BE, do PCP, do PSD e do CDS , hoje já se pode pensar :”Foram à lã e acabaram tosquiadas”.

domingo, 5 de maio de 2019

Quarta-feira, dia 8 de maio, em LISBOA.


No próximo dia 8 de maio (4ª feira), em Lisboa, às 18 horas, na Associação 25 de abril, Fernando Pereira Marques vai a apresentar um livro de que sou autor. 

Interrogações sobre o socialismo, o capitalismo, a Europa e o futuro que podem ser partilhadas. Uma conversa com  atualidade .Todos são  bem-vindos. Para mais detalhes, podem ver a imagem subsequente.

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sexta-feira, 3 de maio de 2019

A especificidade portuguesa em crise ?


A propósito da atual crispação política no seio das esquerdas, escrevi hoje no FB estes dois textos. O segundo responde a alguns comentários feitos ao primeiro.


1. As esquerdas têm as suas razões. Batem-se entre si por elas com coerência. Sorvem-nas até ao fim com coerência. Grande coerência mesmo em problemas pequenos. Será essa coerência suficiente para derrubar o atual governo que todas elas apoiam? Ninguém sabe.
Duas delas foram apoiadas pelas direitas contra a outra e o governo. Grande generosidade? Talvez. Mas também pode acontecer que não seja uma ajuda das direitas, mas um empurrão. Para o abismo?
Cansar-se-ão os eleitores de esquerda de votar nos seus partidos? Talvez. Se assim for as direitas agradecerão a boleia e chegarão sem esforço ao poder.
Há casos em que uma fidelidade basáltica a pequenas razões faz perder a razão. Será este o caso? Talvez . Mas mesmo que não cheguem a perder a razão, se continuarem intransigentes, perderão certamente o poder.
E quando festejarem a vitória as direitas unidas hão de olhar para as esquerdas desunidas, mas fiéis ás suas razões mesmo pequenas e rir-se-ão delas. Merecidamente…
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2. A diversidade dentro da esquerda implica que cada uma das suas partes encare as outras como protagonistas de opiniões diferentes, sem por isso as diabolizar. Diferenças, mas não anátemas mútuos Só assim as ações conjuntas podem ter consistência e perenidade. Só assim se pode construir um bloco social amplo que dê suporte a verdadeiras mudanças sociais. As crispações atuais são o contrário de tudo isso. E se eu estou convencido que a intenção subjacente de quem votou em conjunto com a direita uma solução que o governo alega ser incomportável não era o derrube do Governo, a verdade é que no domínio das possibilidades objetivas isso pode acontecer. Se assim for politicamente constituiu-se uma nova maioria integrada pelos partidos que se uniram contra o atual governo .Quererão os partidos que a integram dar suporte a uma solução governamental alternativa á atual? Não me parece. Mas nesse caso estarão apenas a dar força a uma alternativa ao governo atual protagonizada apenas pelos partidos de direita que votaram contra o atual governo neste caso. Ficarão os professores beneficiados com essa mudança de governo ? Ficarão os eleitores desses partidos satisfeitos com essa mudança? Ficará o povo português em melhores mãos? Se os protagonistas em causa não ponderaram estas questões ou são irresponsáveis ou são políticos amadores. É que como escreveu BOSSUET: " Não há pior desregramento do espírito do que tomar a realidade por aquilo que gostaríamos que ela fosse."

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Emoção em abril, 45 anos depois




Emoção em abril, 45 anos depois

há um cravo de bronze aqui nascido
nesta terra que o povo chama história

é um cravo rasgado  intenso  duro
onde vive o que foi e o que há de vir

flor de um tempo que não tem limites
colhe sem medo o pó da madrugada

há um cravo vermelho que é um rio
que em cada um de nós procura o  mar

vem salvar-nos salvando-se   subindo
as cordilheiras limpas do futuro

saímos de uma noite sem limites
como perfume que amanhece os mitos

e vai esculpindo em dor e sofrimento
os sonhos que lhe roubam dia a dia

há um cravo de bronze aqui colhido
pelas mãos da alegria   rio da história

a memória que cresce em movimento
colhe dentro de nós a luz de um  dia

                  [ Rui Namorado -25/04/19]

quarta-feira, 24 de abril de 2019

SOCIALISMO EM DEBATE - em Lisboa, no dia 8 de maio

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sábado, 20 de abril de 2019

Em COIMBRA, no dia 23 de abril


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quarta-feira, 17 de abril de 2019

FOI HÁ CINQUENTA ANOS





Cinquenta anos do 17 de abril

a sombra dos outonos vai cobrindo
as cores da memória em movimento

música distante     verso lento
glória de inventar o que há de vir

o tempo desliza     docemente
veneno que não dói e incendeia

longe de tudo     aqui     no meio de nós
vivem dias que fomos    num só dia

aí deitámos fogo à planície
sem ódio ou vingança    sem perdão

fugiram os corvos da desgraça
esquecidos do próprio movimento

baixaram-se as pontes dos castelos
que fechavam todos os caminhos

alguém nos pôs na mão um fruto imenso
que guardámos sem medo

olhamos para trás     e é futuro
olhamos para a frente    e somos nós

                                    [Rui  Namorado]

sábado, 13 de abril de 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Ainda em BRAGA - Comemorações dos 50 anos da Crise Académica de Coimbra de 1969

Comemorações dos 50 anos da Crise Académica de Coimbra de 1969 em Braga. 

Dias 11, 12, 13, 16, 17, 23 de abril e 28 de maio. 

Organização da CIVITAS, Fundação Bracara Augusta, Universidade do Minho e Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.


quinta-feira, 28 de março de 2019

Em BRAGA - dia 4 de Abril (5ªfeira)

Em  BRAGA - dia 4 de Abril (5ªfeira), vai ser apresentado um livro de que sou autor. 
Uma oportunidade para se trocarem ideias sobre o socialismo e a Europa.


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quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia - 2 poemas de Carlos de Oliveira


DOIS POEMAS DE CARLOS DE OLIVEIRA


Participando na celebração do  Dia Mundial da Poesia , evoco Carlos de Oliveira (1921/81), através de dois dos seus seus poemas. E assim homenageio também todos os poetas do "Novo Cancioneiro", bem como toda a resistência poética  ao fascismo português.



Acusam-me de mágoa e desalento
*     
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança. 


Cantiga do Ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros? 


[ in "Mãe Pobre"]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Em Coimbra, revisitar António Sérgio no próximo dia 28.

Em COIMBRA, no próximo dia 28 de fevereiro ( 5ª feira), vai decorrer na Casa da Escrita, de manhã e à tarde, um Colóquio evocativo de António Sérgio.
É um justo tributo prestado a  um dos mais destacados vultos culturais e políticos do Século XX em Portugal.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

DIREITA - inflação de partidos ou procura?





 DIREITA  - inflação de partidos ou procura?

1. Independentemente das subjectividades individuais  dos seus membros,  os partidos políticos da direita funcionam objectivamente como protecção e salvaguarda do sistema económico vigente, o capitalismo. A complexidade das circunstâncias históricas , as conjunturas nacionais e  a qualidade política dos seus  protagonistas  condicionam o desempenho desse papel. A vozearia que lhes dá vida é muitas vezes uma simples cortina de fumo.

Por isso, saber se à direita há um, dois, três ou quatro partidos, é  secundário, ainda que possa ter alguns  efeitos circunstanciais. É que, verdadeiramente,  todos eles funcionam, no essencial, como se fossem marionetas manipuladas por um  todo-poderoso ventríloquo. E assim, por detrás das várias modulações de voz, realmente, as falas que se ouvem são  afinal de um único ventríloquo, que   não vemos  nem  conhecemos.

A desvantagem desta proliferação está no facto de a multiplicidade de partidos à direita poder transformar uma força em várias fraquezas, com consequências devastadoras na representatividade eleitoral de todas elas. Por isso, se excluirmos o folclore corrente, isso só acontece em termos relevantes quando se pense  que o modo de representação política vigente  da direita está em crise, ou pode ser muito melhorado. É o que acontece agora, em Portugal.

Por isso, está em curso um período experimental de verificação politico-partidária que no seu termo permitirá apurar se realmente era necessário e possível promover um reordenamento político-partidário da direita em Portugal. Mas não se trata de uma experimentação laboratorial dirigida por um comando único, coerente estrategicamente e obedecido. Trata-se de uma convivência entre processos distintos com um baixo grau de articulação, cada um dos quais apostado num caminho próprio. 

Temos o estilo tribunício de matriz trovejante que se imagina épico e portador de bandeiras exaltantes, se possível radicalmente portuguesas. Temos o estilo rasca do lixo ideológico que procura juntar toda a lama que possa conseguir  nos subterrâneos da vida. Temos o estilo liberal assético, tecnocrático e modernaço, apostado em fazer-nos ser engolidos pacifica e inteligentemente pela garganta fria do neoliberalismo. 

Aproveitando esta sofreguidão partidista, oriunda  das  oligarquias sociopolíticas da direita nacional, entrou já também no espaço mediático a ameaça humorística de uma política de arraial , seguramente animada por farto foguetório, bem regada por um tinto forte e de boa cepa.

2. Mas, marcado talvez por uma prudência excessiva, eu atrevo-me a recomendar às esquerdas :” Não continuem a fruir docemente o vosso repouso estratégico, como se estivessem adormecidas”.

É que este frenesim da direita não é uma contenda de gatos num saco fechado. Pelo contrário, vai ser cada vez mais uma disputa entre várias maneiras de enganar o povo, de afastar de qualquer das esquerdas uma parte daqueles que fazem parte delas, ou que têm interesses objetivos que os deveriam tornar  seus apoiantes naturais. Que   as esquerdas se permitam continuar o doce repouso estratégico, é deixar os “gatos” sozinhos seduzindo o povo, sem o necessário contraditório a contrariá-los.

Não me cabe a mim (nem saberia como fazê-lo) dar as táticas que abram às esquerdas a porta do êxito. Mas cabe-me, mais do que o direito, o dever de opinião. O dever  de uma opinião cidadã dada dentro do povo de esquerda.

Excluída a persistência do sonolento repouso como desígnio estratégico, não me parece também concebível que a maneira de as esquerdas se afirmarem como vivas possa centrar-se numa intensificação de acrimónias mútuas, numa retórica de um “eu é que sou presidente da junta” coletivo e recíproco. 

Também não me parece realista despejar no espaço público toneladas de banalidades esperançosas, repetidoras óbvias de passados, ainda que agora embrulhadas numa retórica digital e esvoaçante, quer pousando ao de leve na Europa, quer arranhando-a discretamente.

Fazer com que as pessoas , que cada cidadão se possa sentir por dentro das propostas , dos desígnios, do horizonte, não por ser um eleitor cujo voto é almejado, mas por ser um cidadão desafiado a envolver-se num processo social que poderá tornar a sua vida melhor, deixando futuro ás gerações vindouras. Para isso, não é preciso ser complicado. É, pelo contrário, necessário ser simples e claro; autêntico e sem subterfúgios. Fazer compreender para se ser apoiado. Ir à raiz última dos problemas para que fique claro o que pode ser resolvido a curto prazo e o que só pode ser resolvido a médio prazo se fizermos evoluir toda a sociedade, transformando-a estruturalmente. 

Os partidos de esquerda quando são Governo têm a obrigação de gerir a sociedade tal como ela é. Sem dúvida. Mas não serão vistos como tais, se só fizerem isso, renunciando a serem protagonistas da luta por uma sociedade outra, livre e justa. Será mais fácil, se for caso disso, perdoar-lhes por se terem movido erradamente em direção a um horizonte dignificante do que por terem ficado tolhidos na repetição do passado.

3. O ventríloquo instalado confortavelmente nos centros de poder do capital financeiro vai manipulando discretamente as suas marionetas que  gesticulam com entusiasmo como se tivessem voz própria. Por isso, o povo de esquerda espera dos seus partidos que  combatam e neutralizem essas marionetas, sejam elas duas, três, quatro ou cinco.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Em COIMBRA - no próximo dia 15 de Fevereiro



Na FEUC, no próximo dia 15 de Fevereiro, vai decorrer a Conferência de Abertura da 10ª edição da Pós-Graduação em Economia Social


sábado, 26 de janeiro de 2019

O DEMÓNIO DA SAÚDE



O DEMÓNIO DA SAÚDE

Um fantasma dos anos passados apossou-se do espírito do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e (a fazer fé numa nuvem mediática em curso) transportou-o para o tempo em que era Presidente do PSD. Uma vez aí,  levou-o fazer a uma importante comunicação pública. A de que o referido Presidente da República não aceitaria que a futura Lei de Bases da Saúde fosse aprovada na Assembleia da República  sem o apoio do PSD.

Se pelo menos tivesse permanecido desperta a vasta região da mente de Marcelo Rebelo de Sousa especializada em Direito Constitucional, o supracitado fantasma teria sido avisado de que a nossa Constituição não dá legitimidade a um Presidente da República para exigir à Assembleia da República que aprove a lei A ou a lei B, apenas quando ela  for do agrado do partido de que o atual Presidente em tempos foi líder.

Um fantasma destes é decerto  obra do demónio. É urgente um rápido exorcismo!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

NÃO HAVIA NECESSIDADE!




NÃO HAVIA NECESSIDADE!
O conhecido fabricante de factos políticos Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou uma sonolência acidental do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e entrou-lhe insidiosamente no espírito . Foi então que fez com que ele nomeasse para a liderança simbólica do próximo 10 de junho um azougado trauliteiro mediático de nome  Tavares, alegadamente  sociólogo de largo espetro.
Dizem os mais prudentes que não havia necessidade de assim serem ofendidos retroativamente os escolhidos para os anos precedentes, Sobrinho Simões, João Caraça e Onésimo de Almeida; todos eles figuras públicas de verdadeiro  prestígio.
Receiam os mais céticos que em próximos assomos equivalentes, em idênticas oportunidades, o bom povo português seja brindado com a Cristina Ferreira ou, quem sabe, com a Lili Caneças.