segunda-feira, 17 de abril de 2017

Regresso a 17 de Abril de 1969




Regresso a 17 de Abril de 1969

Como princesa triste está deitada
Coimbra do eterno encantamento
Lembrada desse dia eternamente
Irmã antiga do que mais quisemos.

O fio da memória traz ainda
A luz aberta e limpa desse dia.
Uma luz crua, imensa , sem fronteiras,
Como se o tempo fosse hoje e não passasse.

Lenta a saudade paira sobre nós
Brisa de um tempo que não tem limites.
Há nomes que nos rasgam por partirem
Quando era ainda o tempo de ficarem.

Vamos sendo esculpidos docemente  
Por dias novos  sempre já passados,
Quando ágeis se escapam entre os dedos
Como se antes de serem, regressassem.

Voltamos por todos os caminhos
Ao tempo que fundámos nesse dia.
Cada hora nos lembra do mistério
De termos sido o vento da alegria.

E agora que os anos se cansaram
Da limpidez sem margens do futuro
E parecem perdidos da aventura
Esquecidos do clamor e da viagem,

Voltamos às planícies que inventámos
Para sermos  a semente,  tempestade,
Na linha vertical que cultivámos
Subindo desmedida em todos nós.

Escrevemos a memória no futuro,
Colhemos a saudade sem temor,
Onde estivermos está o mês de Abril
A cólera dos sonhos, o amor.

Subimos a garganta dos clamores
No gume das palavras mais cortantes,
Queremos  a voz exacta da justiça
O som de respirar a liberdade.


[ Rui Namorado -17/04/2017]


sábado, 15 de abril de 2017

As eleições presidenciais em França


Nos dias mais recentes adensou-se o dramatismo em torno das eleições presidenciais em França. Já pairava o espectro, ainda que longínquo, de uma vitória da candidata da extrema-direita. A direita clássica mantinha-se sob a espada de Damócles de um desastre eleitoral que a sombra de corrupção que paira sobre o seu candidato tornava provável. Um jovem ex-banqueiro, cooptado por François Hollande para o seu séquito presidencial e depois para o seu governo como vassalo de Valls, talentoso videirinho do nem esquerda nem direita que apunhalou suavemente os seus dois citados benfeitores, parecia correr para uma entronização certa na esteira dos diversos desmoronamentos de certezas que têm ocorrido nesta campanha.O candidato que venceu com nitidez as primárias do Partido Socialista, Benoit Hamon, gorada a tentativa de ser o único candidato relevante à esquerda, passava por uma via sacra de traições de alguns dos seus próprios camaradas. Tendo fugido ao abraço de urso de Hamon,  Melenchon conseguiu reacender o fogo dos insubmissos. Passou ele a ser o urso que abraçava pouco a pouco Hamon, fazendo-o definhar nas sondagens à medida que ele próprio ganhava novas asas.
Eis senão quando nos dias mais recentes, uma combinação de subidas e descidas nas intenções de voto espelhadas nas sondagens colocou praticamente a par quatro candidatos: Marine Le Pen, F.Fillon, E. Macron e J.-L.Melenchon. Qualquer deles, a fazer fé nas sondagens, poderá estar na segunda volta a disputar a vitória a um dos outros.
Este último é um recém-chegado ao pelotão da frente, onde até agora nunca estivera. É o candidato dos insubmissos, líder do Parti de Gauche, aliado do PCF ( que o vai suportando por necessidade), ex-militante e ex-ministro socialista, deputado europeu. Tem a vantagem de estar com uma dinâmica de subida e pode beneficiar de pequenos contributos eleitorais dos candidato da extrema-esquerda que são vários; pode esvaziar ainda mais a candidatura do candidato socialista. Paira , no entanto, sobre ele a recordação do que se passou com ele  em 2012. na última semana da campanha: os 17 % das sondagens passaram a 11% na hora de votar; arrisca-se ainda a que regressem ao candidato socialista os votantes socialistas que privilegiem a solidariedade para com um partido em dificuldades. E não é seguro que o simples facto de ele poder ir à segunda volta não venha a ser um fator que favoreça relativamente qualquer dos  outros candidatos na competição entre si..
Entretanto, parece claro que para além das presidenciais, o que está no horizonte é um forte abalo no sistema político francês, sem haver uma noção clara do que advirá daí. De momento, o PS parece ser quem corre riscos mais profundos e mais dramáticos. Mas se Fillon for derrotado "Les Republicains" ficarão provavelmente em muito mau estado. Se Macron ganhar não é nítido como poderá governar se a paisagem política depois das legislativas de junho não for totalmente  mudada a seu favor. Se a Srª Le Pen vencer ( o que parece improvável) a Vª República francesa provavelmente não sobreviverá.

quarta-feira, 22 de março de 2017

O "Público" e a pré-verdade



O "Público" e a pré-verdade

No jornal  “Público” de hoje, um título encimando, em toda a largura, a primeira  página dizia : “Banco de Portugal abre a porta  a  reavaliar gestão do Montepio”.
É um título gritante que só pode suscitar uma impressão negativa  do que se passa no Montepio. E nada indica que se trate de um resultado involuntário de um mero acaso noticioso.

Mas vejamos. Que factos se anunciam? Uma decisão do Banco de Portugal quanto ao Montepio ? Não. Simplesmente a abertura de uma porta que pode eventualmente  ser atravessada por uma decisão. Mas ainda não o foi e não é certo que o venha a ser. 

E qual é a causa dessa porta aberta? Uma decisão do Montepio efetivamente tomada ? Não. Apenas uma tentativa que não foi consumada, por força do funcionamento dos mecanismos de controle interno do próprio Montepio.

Ou seja, não se notícia a prática de nenhum ato ilegal, nem a ocorrência de qualquer decisão. Mas a notícia de uma não-decisão por causa de uma não-ação. É uma notícia ou uma não-notícia convertida num ataque ao Montepio?

É certo que eu pude verificar tudo no que estou a dizer lendo o próprio texto do jornal, mas a mais ingénua criança percebe que o destaque dado e o modo como foi feito é uma fortíssima publicidade negativa contra o Montepio, baseada em dois não factos.

Quero acreditar que na base de tão insólita operação noticiosa esteve apenas uma pulsão irresistível do sensacionalismo que ambiciona vender jornais. Sem segundas intenções. Mas quem porventura quisesse enfraquecer  Montepio, tentando desvalorizá-lo e empurrá-lo para a esfera privada para depois lhe deitar a unha a baixo preço, não poderia deixar de considerar o destaque em análise como um presente providencial.

Os atuais e os ex- crânios financeiros ( e talvez os seus mandantes) que colocaram em mãos estrangeiras quase toda a banca portuguesa, não estarão eventualmente saciados. 

A CGD , a grande presa, apesar de continuar sobre a virtuosa pressão dos partidos de direita e de alguns dispersos e virtuosos arcanjos que se julgam de esquerda, parece resistir. Mas sobram ainda presas menores: o Montepio e as CCAM. Há a chatice de não serem privadas, uma vez que os seus titulares são entidades da economia social. Talvez enfraquecendo-as se lhes possa deitar a unha. Talvez.

Terá alguma coisa a ver com isto o folhetim tecido em torno do Montepio?

Talvez sim. Talvez não. Mas que há coisas que parecem bruxedo, lá isso há.

terça-feira, 21 de março de 2017

Confusões



Um ligeiro acréscimo da notoriedade mediática da economia social tem causado em muitos o irresistível impulso de falarem dela. Acho esse desvelo súbito quase comovente. Porém, já me parece menos exaltante que alguns desses eminentes comentadores considerem doutamente estarmos perante um conceito confuso ou perante um espaço de limites fluidos. Ora, se virmos bem, a verdadeira confusão está dentro desses tão aguçados espíritos, que confundem o seu próprio desconhecimento, a sua imprudente ignorância, com a insuficiência de literatura especializada sobre o tema e com uma alegada obscuridade da noção. E no entanto entre muitas outras hipóteses, bastaria, por exemplo, darem-se ao trabalho de ir à biblioteca da Fac. Economia da Universidade de Coimbra. Aí entre os milhares de títulos sobre essa misteriosa matéria certamente conseguiriam desfazer a confusão que os atormenta.

segunda-feira, 20 de março de 2017

PSOE



Segundo as mais recentes sondagens divulgadas em Espanha, o PSOE teria hoje menos vinte deputados de que o “Podemos” e quase seria alcançado pelos “Cidadãos”.  O Partido Popular perderia lugares, mas continuaria a ser de longe o partido mais votado. Uma hecatombe!
Ou seja, a Comissão Administrativa [ “Gestora” – como lhe chamam] protelou por vários meses a eleição do novo secretário-geral, alapando-se no poder dentro do PSOE, depois de a direita interna ter derrubado Pedro Sanchez, o anterior secretário-geral eleito democraticamente pelos militantes.
Mas não conseguiu entronizar sem luta a leader andaluza que encabeça os complacentes internos. Tem, por isso, que enfrentar a participação nas primárias do ex-secretário-geral derrubado. Entretanto, tem vindo a viabilizar o governo do PP e a fazer mirrar o partido.

Grita que quer fazer do PSOE  um partido ganhador, mas, ao fazê-lo ser suporte de um governo de direita, apenas o vai tornando mais e mais frágil. Enfim, parece mais uma Comissão Liquidatária do que uma “Gestora”. Talvez o os militantes do PSOE  deem em breve uma resposta adequada a tão desastrados  dirigentes, que aliás nem elegeram.

sexta-feira, 17 de março de 2017

EM LISBOA - amanhã ,sábado ,18 de Março.


                                         CONFERÊNCIA
Economia Social
 - Responder ao Presente, Preparar o Futuro

Vai decorrer amanhã, sábado, 18 de Março de 2017, em Lisboa, na sede nacional do PS, no Largo do Rato, uma Conferência sobre a Economia Social, onde estará em relevo o seu envolvimento no desenvolvimento local.
O programa será o seguinte:

15H - Sessão de Abertura
Susana RamosSecretária Nacional do PS
Fernando Martinho – Coordenador da Secção Setorial de Economia Social da Federação Distrital do Porto do PS
Marcos Perestrello - Presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS
Ana Catarina MendesSecretária-Geral Adjunta do PS

15H30 - “Identidade da Economia Social”
ModeradoraSusana AmadorDeputada, Presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas, Área Urbana de Lisboa
- O que é a economia social?
Rui NamoradoMembro do Conselho Nacional para a Economia Social (CNES) e juscooperativista.
- Importância da economia social para a criação de emprego, riqueza e desenvolvimento sustentável.
Eduardo Graça Presidente da Direção da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES).
Debate

16H30 - “A Economia Social no desenvolvimento local”
Moderadora Cátia Rosas, Coordenadora da Secção de Ambiente e Território do PS-FAUL
- Economia Social– um protagonismo indispensável no desenvolvimento local.
 Bernardo de CamposEconomista e cooperativista.
 - As Cooperativas de Interesse Público instrumentos do desenvolvimento local.
 Manuel Ferreiraex-Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e cooperativista.
- Os Conselhos Municipais para a Economia Social como instâncias dinamizadoras do desenvolvimento local.
Jorge Alves - Vereador da Ação Social na Câmara Municipal de Coimbra.
Debate

18H00 – Sessão de Encerramento
Pedro Cegonho - Presidente da Associação Nacional de Freguesias
Jorge Fariarepresentante da Associação Nacional de Municípios Portugueses no Conselho Nacional para a Economia Social
José António Vieira da Silva - Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
 António Costa - Secretário-Geral do PS




terça-feira, 14 de março de 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

NÓS, OS DA CRISE DE 62.



1. Nos passados dias 9,10 e 11 de Março a República dos Galifões, no âmbito das comemorações do seu 7º Milenário, evocou a crise académica de 1962 na sua dimensão coimbrã. Cinquenta e cinco anos depois, um punhado de gente vinda desses tempos já longínquos dialogou com estudantes de hoje.


Com esta iniciativa a República dos Galifões honrou-nos e honrou a memória das lutas e um episódio da parte luminosa da história da nossa Universidade. A Associação Académica de Coimbra apoiou e participou. A Universidade também, tendo o Magnífico Reitor presidido à sessão de encerramento.

No dia 9, a sessão de abertura foi presidida pelo Prof. Rui de Alarcão, reitor Honorário da Universidade de Coimbra da qual é Professor Jubilado. Tendo sido sucessivamente eleito Reitor da nossa Universidade desempenhou esse cargo durante dezasseis anos; é também “Galifão Honorário”. Falou também um vice-presidente da Direcção-Geral da AAC e Francisco Leal Paiva, antigo da República dos Galifões e Presidente  da Direcção-Geral da AAC em 1961/62.



Na primeira sessão, cujo tema foi “ A Consciencialização Coletiva ─ o despertar da Crise Académica de 62”, usaram da palavra José Augusto Rocha, membro da Direção- Geral da AAC, em 61/62  (orador vibrante e influente, capaz de incendiar as Assembleias Magnas) e de novo Francisco Paiva.

Na sessão seguinte, sobre “O papel da mulher nos movimentos cívicos”, mas centrando-se no contexto universitário, falaram Maria Fernanda Dias, da Direcção-Geral da AAC em 60/61, Margarida Lucas, da Direcção- Geral da AAC em 61/62 e Eliana Gersão, presidente do Conselho Feminino da AAC em 1962 e secretária de redacção da Via Latina em 1962.

Na terceira sessão, falei eu, Rui Namorado (que pertenci à redacção da Via Latina no final de 60/ 61 e em 61/62  bem como ao Círculo de Estudos Literários da AAC ), sobre “Coimbra da contestação ─ uma questão cultural”.

No fim da manhã do dia 10, tal como na véspera na emblemática Sala 17 de Abril, decorreu uma sessão  sobre “O I Encontro Nacional de Estudantes ─ objetivos comuns”. Usaram da palavra : por Coimbra – José Augusto Rocha e António Monteiro Taborda  ( também ele membro da Direcção-Geral da AAC em 61/62); pelo Porto – Carlos Morais , dirigente da Pró-Associação  da Faculdade de Ciências do Porto em 1962; por Lisboa - Eurico de Figueiredo, Presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina de Lisboa em 1962 e um dos mais emblemáticos dirigentes dos estudantes de Lisboa durante a crise.

No sábado , no início da tarde, decorreu um sessão sobre “As Crises Académicas e o seu papel na democracia”, tendo falado António Avelãs Nunes, director da Via Latina em 1961/62 ( que viria a ser Vice-Reitor da Universidade de Coimbra da qual é hoje Professor Jubilado); e José Lopes de Almeida, que foi eleito Presidente da Direcção-Geral da AAC em 1961/62, não tendo tomado posse por ter sido mobilizado para a guerra colonial.

Logo de seguida, decorreu a Sessão de Encerramento. Falou de novo o Francisco Leal Paiva, seguindo-se-lhe Jorge Soares da Silva membro atual da República dos Galifões. Como último orador, usou da palavra o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, Prof. João Gabriel Silva.

Além destas sessões, houve na sexta-feira uma mesa-redonda sobre questões pedagógicas e depois um jantar-convívio. Na República dos Galifões foi aberta ao público uma exposição alusiva e no sábado houve atuação de um grupo de fados.

Para além dos intervenientes já citados , não foi grande a presença de gente desses tempos antigos. Sem menosprezo por outros, lembro-me de : Irene Namorado, Helena Lucas, David Rebelo (D.-G. da AAC de 61/62), Manuel Balonas [Manecas] (D.-G. da AAC de 63/64), Joaquim Loureiro (República dos Galifões), Vítor Miragaia (República do Palácio da Loucura).
Talvez valha a pena dizer que entre os 44 estudantes presos pela PIDE em 62 no quadro da crise académica, alguns estiveram presentes nas comemorações:  a Irene Namorado e a Margarida Lucas foram então  “hospedadas” na sede da PIDE em Coimbra,  enquanto o José Augusto Rocha , o Manuel Balonas  e o Rui Namorado o foram no Forte de Caxias.

Mencionando apenas os presentes, entre os 39 estudantes de Coimbra expulsos por causa da crise, entre os presentes foram então “honrados” com a expulsão de todas as Universidades portuguesas por dois anos: António Taborda, David Rebelo, Francisco Paiva, José Augusto Rocha e Margarida Lucas. Foram “honrados” com a expulsão por dois anos da Universidade de Coimbra a Fernanda Dias e o Rui Namorado.

Por causa da mesma crise, foram expulsos da Universidade de Lisboa 21 estudantes. Um deles foi o Eurico de Figueiredo, que assim foi forçado a regressar a Coimbra, cuja Universidade já antes havia frequentado.

2. Esta comemoração, talvez por ter sido uma  iniciativa dos estudantes actuais,  não se reduziu a um ato de saudade, não foi uma reunião de antigos combatentes. Foi um ato de memória em que todos os seus participantes olharam para um passado pelo que ele possa ter ainda de alavanca de futuros e não  por causa do perfume  sépia de qualquer melancolia. Quem se inscreve no lado futurante da História só muito lentamente desliza para o esquecimento, mas não deixa nunca de regressar quando se marcam novos encontros com a esperança e quando e se rompem as atmosferas cinzentas da injustiça e da opressão. Ilhas luminosas de uma cadeia que não acaba, pequenos passos de uma trajectória que partilhamos. Mesmo quando entrelaçámos os fios dispersos das pequenas memórias foi do presente que falámos, foi o futuro que procurámos.
3.
Em  26 de março de 2012, publiquei neste blog um poema de homenagem a quem participou na crise de 62, antecedido de um pequeno texto. Com a sua publicação reitero essa homenagem e reforço a comemoração que acabou de ser feita.
Eis esse texto e esse poema.

“Acabei hoje este poema. Apresso-me a publicá-lo em homenagem aos estudantes que, há meio século, em Lisboa e Coimbra lutaram pelas coisas simples que corroem as ditaduras. Não procuraram glória. Apenas não consentiram que as botas do poder os pisassem sem que resistissem. Os de cima talvez tivessem julgado que os tinham vencido. Se assim foi, hoje sabemos que se enganaram. Não me foi possível estar no sábado passado em Lisboa. Com este poema quero, de algum modo, não só compensar essa ausência, mas também evocar fraternalmente os estudantes que então juntaram as suas vozes nos "Poemas Livres".



Nós, os da crise de 62

Eram de frio as botas do poder,
dentes podres de um medo mergulhado

no simples respirar de cada dia.

Os sacerdotes negros do destino
eram sombras de inverno repetidas,
num abismo sem cor e sem limites.

Mas o vento da história regressou
e o cão foi arrancado do poder,
sem ter sequer a honra do vencido.

Nós fomos breve grão de liberdade,
ali tão rudemente semeado,
num gesto sem temor e sem amparo.

Abril foi então desembainhado
e a colheita nasceu em todos nós,
flor de audácia, gestos de ousadia.

Agora que os morcegos regressaram,
não esperem de nós que nos deitemos
numa cama de medo e de saudade.

Estamos ainda aqui de ideias limpas,
peregrinos que não perdem a memória,
viajantes no tempo que há de vir.

                                         [Rui Namorado]


 Os morcegos foram entretanto enxotados, mas continuam a a pairar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

PORTO - economia social em perspetiva



Ontem , dia 8 de fevereiro participei no Porto na cerimónia pública de atribuição do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2016 nas suas várias modalidades, atribuído pela CASES, uma vez que recebi nesse âmbito o Prémio Especial Personalidade do Ano. Transcrevo de seguida as palavras por mim proferidas nessa circunstância.
______________

Exº Senhor Ministro do Trabalho e da Solidariedade
Exªª Autoridades Nacionais e Municipais
Exº Senhor Presidente da CASES
Exº Senhor Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
 Exºº Senhores dirigentes e militantes das organizações da economia social
 Caros amigos

Começo por felicitar vivamente todos os outros premiados.
 
Honra-me muito a distinção recebida, assumindo por isso o dever de ser digno dela.
 
Muito agradeço todos os apoios recebidos no decurso deste processo.
 
Mas só pude chegar aqui porque beneficiei, ao longo de décadas, da cooperação e da solidariedade de muitos cooperativistas e de outros militantes da economia social que comigo partilharam lutas e sonhos, pequenas e grandes vitórias, algumas derrotas.
 
Só pude chegar aqui porque o meu trabalho foi acolhido e estimulado pela Universidade de Coimbra através da sua Faculdade de Economia, a minha faculdade.
 
E porque beneficiei da cooperação e da solidariedade dos Colegas que comigo partilham há muito a aventura e a persistência de um Centro de Estudos Cooperativos e da Economia Social.
 
E, é claro, só pude chegar aqui graças à minha família e aos meus amigos.
 
Não faz sentido agradecer-lhes, mas com todos partilho hoje esta honra e este júbilo.

__________________________

Cheguei ao que é hoje a economia social através do cooperativismo, uma das grandes dinâmicas sociais que estão na base da sua identidade e da sua afirmação.
 
Envolvi-me no cooperativismo, teórica e praticamente, desde antes do 25 de abril, no quadro de uma resistência democrática que procurava um horizonte que fosse além do capitalismo.
 
 Mais tarde, já na Universidade continuei esse caminho valorizando a sua dimensão jurídica.
 
Nunca estudei o cooperativismo e a economia social, como objetos vistos de fora, no âmbito de um laboratório imaginário. Procurei sempre envolver-me neles como dinâmicas a estimular. Conhecê-los o melhor possível, para poder contribuir para o seu desenvolvimento.
 
A geografia mundial das diversas constelações da economia social reflete uma disseminação diversificada.
 
No plano europeu, a sua visibilidade aumenta.
 
Em Portugal, a economia social tem vindo a tomar consciência de si própria e a inscrever-se como prioridade nas políticas públicas.
 
As suas várias constelações vão aprendendo a reconhecer-se umas às outras como partes de uma mesma galáxia. O Estado tem-na valorizado política e institucionalmente, fixando o seu perfil jurídico-legal e dando nitidez crescente à mensagem normativa da Constituição da República nesta matéria.
 
É cada vez mais claro que a qualidade de vida das pessoas depende da afirmação de uma vasta rede de processos de desenvolvimento local unidos numa sinergia virtuosa. E parece claro que esses processos ganham robustez e perenidade, quando são enriquecidos com um protagonismo efetivo das entidades da economia social.
 
E é também certo que dificilmente pode haver desenvolvimento da economia social sem uma reforma do Estado. Uma reforma que incorpore esse desenvolvimento como energia que cresça com ela e que a impeça de se reduzir a uma simples evolução burocrático-administrativa.
 
E se olharmos com atenção para o lugar que as várias constelações da economia social ocupam na Constituição da República, facilmente a identificamos como um dos principais eixos identitários do projeto constitucional. Nessa medida, desenvolver a economia social é ainda hoje continuar a realizar o projeto de Abril.
 
Mas o império do automatismo predatório do capitalismo financeiro, a que chamam neoliberalismo, projeta no futuro de toda a humanidade o sombrio risco das catástrofes. Sejam elas ambientais, sociais, políticas ou mesmo civilizacionais.
 
Concebida para dar esperança aos povos europeus, a União Europeia deixou-se inquinar por uma tecnocracia burocraticamente aprisionada na regressão social e na anemia política, guiada por um automatismo economicista que reproduz privilégios e desigualdades, cada vez mais se afastando do horizonte inicialmente prometido.
 
É este o difícil contexto que constrange o nosso país, tolhendo o poder democrático e impedindo-o de percorrer com verdadeira liberdade o caminho que o povo escolha.
 
As várias instâncias do Estado democrático, mesmo quando protagonizadas por sujeitos políticos que pugnam pela igualdade, pela liberdade e pelo desenvolvimento sustentável, não escapam ao cerco desse contexto hostil. Um contexto construído por inércias e automatismos que, ao reproduzirem privilégios, constrangimentos e desigualdades, são a marca e o rosto do tipo de sociedade atualmente dominante.
 
Por isso, para que o Estado possa ter êxito, como impulsionador da transformação da sociedade, rumo a um horizonte de liberdade e de justiça, precisa de estar radicado numa sociedade viva. Numa sociedade animada por uma dinâmica endógena que corporize essa transformação.
 
Na verdade, nada de irreversivelmente novo se poderá esperar  do ímpeto de transformação de um Estado, cujas raízes mergulhem numa sociedade adormecida. Mas nenhum horizonte de esperança pode também ser assumido por uma sociedade cuja dinâmica endógena não seja estimulada, amparada e vertebrada por um Estado democrático em permanente aperfeiçoamento.
 
E em sociedades como a nossa, não se vislumbra  protagonismo endógeno mais relevante para uma mudança emancipatória  e humanista do que o do conjunto das organizações da economia social, encaradas na sua diversificada globalidade. Nelas se combinam a capacidade de resposta rápida e efetiva a muitos problemas relevantes da nossa sociedade e uma inequívoca ambição futurante.
 
Por isso, o desenvolvimento da economia social não é apenas uma questão que interesse aos seus protagonistas mais diretos. É, pelo contrário, uma questão que interessa ao país no seu todo, ao povo no seu conjunto.
 
 Há quem reiteradamente procure trazer para a ribalta mediática a questão de saber se a economia social tem futuro. É uma questão subalterna. A questão decisiva, cuja resposta não pode ser iludida, é outra, é a de sabermos se o nosso país é viável como democracia sem a economia social.
 
Por isso, o seu fomento, sendo uma orientação desejável das políticas públicas, não pode limitar-se a ser uma pequena região de um painel programático.
 
Pelo contrário, tem que ser um foco de irradiação para todo o espaço político, que impregne quer a política do Estado central quer a das autarquias; sem esquecer a necessidade de se projetar sem ambiguidades no espaço europeu.
 
A economia social responde à exclusão, à pobreza, à frustração, ao sofrimento, à exploração, não porque sejam eternas, mas para que sejam vencidas.
 
Por isso, não pode renunciar a responder prontamente aos desafios do presente, em nome de possíveis amanhãs que um dia possam cantar. Mas também não pode deixar-se amputar do seu próprio futuro, perdendo a energia emancipatória que a esperança lhe dá e demitindo-se de ser uma economia humana.

[Rui Namorado – Porto, 8 de Fevereiro de 2017]

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Necessidade de uma orquestra

                                                                     Delacroix  - A liberdade guiando o povo

A força dos de cima está na disseminação desorientada das revoltas dos de baixo. Muitas vezes elas defrontam-se, anulando-se. Muitas vezes caminham apressadamente para lado nenhum.

Os poucos  de cima querem inculcar nos povos a ilusão de que está no incremento da sua riqueza, que prometem um dia distribuir, a salvação da humanidade. Mas eles próprios criaram um automatismo predatório de que agora dependem e que controlam cada vez menos ; o qual traz no seu bojo o perfume negro das catástrofes.

Mas a sobrevivência da humanidade está cada vez mais nas mãos dos muitos de baixo, na grande orquestra humilhada dos povos da terra.

Orquestra, fixem bem. Uma orquestra de revoltas que se conjuguem harmoniosamente numa sinfonia emancipatória. Uma orquestra e não um ajuntamento caótico  de revoltas que se devorem e anulem entre si num paroxismo suicida. Como hoje , em grande medida, acontece.

Não se dispensa o rufar rude dos tambores, nem  o trovejar altivo das trombetas. Mas não pode esquecer-se a subtil luz dos violinos, nem o calor humano dos maestros. Não pode desprezar-se a partitura.

Não chega o rasgar aflito de uma guitarra sozinha, nem o trovejar dos trompetes que se fechem em si próprios.


É urgente uma orquestra dos de baixo, um pertinaz acordar das multidões dispersas. É preciso  escrever a partitura, ouvindo sempre os mestres da revolta e o leve sussurrar do pensamento.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

No PORTO, uma cerimónia pública



Vai ter lugar no Porto, no próximo dia 8 de fevereiro (quarta- feira), pelas 16 horas, no Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis [ Rua D. Manuel II – nº44], a cerimónia pública de entrega do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2016, nas categorias de Inovação e Sustentabilidade, de Estudos e Investigação, de Formação Pós-Graduada, de Trabalhos Escolares; e ainda o Prémio Especial Personalidade do Ano. 

É uma grande honra que este último me tenha sido atribuído a mim. 

A sessão pública será aberta pelo Presidente da CASES, Dr. Eduardo Graça e encerrada pelo Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dr. José António Vieira da Silva.

sábado, 14 de janeiro de 2017

UM LIVRO, UM POETA - 15

Hoje, vou recordar  Vinicius de Moraes, poeta brasileiro do século XX [ Rio de Janeiro -1913/1980] que se espraiou pela vida com alegria e genialidade. Diplomata, cronista e jornalista, intrometeu-se na música brasileira, misturando verbo, voz e música, na sua fraternidade boémia com Tom Jobim, João Gilberto e Chico Buarque. Usando o seu próprio modo de dizer, como poeta voou alto.

Lembro hoje, dois dos seus poemas  incluídos na 17ª edição do seu "Livro de Sonetos", publicada no Rio de Janeiro pela José Olympio Editora em 1987. Num deles Vinicius homenageia Pablo Neruda, noutro exalta o futebol brasileiro através do lendário Garrincha.

Como evocação adiciono uma fotografia que ilustra a passagem de Vinicius por Coimbra, nos anos 60.




Soneto a Pablo Neruda

Quantos caminhos não fizemos juntos
Neruda, meu irmão, meu companheiro...
Mas este encontro súbito, entre muitos
Não foi ele o mais belo e verdadeiro?

Canto maior, canto menor — dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o Cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro

E o seu amor — o amor que hoje encontramos...
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, Cantor Geral

Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!

[Atlântico Sul, a caminho do Rio, 1960

O anjo das pernas tortas


A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento: ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés ─ um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: ─ Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!


                                                          [Rio, 1962]

************ 

Em Coimbra, nos anos 60, na República Baco, confraternizando com estudantes,Vinicius, de óculos escuros, com o braço sobre o ombro de Joaquim Namorado. De costas no primeiro plano, Zé Niza; mexendo no nariz, Quim Brandão.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

UM LIVRO, UM POETA - 14


UM LIVRO, UM POETA -14


1. Incluí neste blog uma série de evocações de poetas que , por uma ou outra razão, por um ou outro poema, produziram em mim um eco mais fundo. Fi-lo através de uma seção específica, “Um livro, um poema”, mas que por vezes incluiu para cada autor mais do que um poema.

Desde 2 junho de 2015 que a interrompi. Até então, a um ritmo irregular havia recordado: Daniel Filipe, G. Ungaretti, Carlos de Oliveira, Manoel de Barros, Egito Gonçalves, B.Brecht, Reinaldo Ferreira, João Cabral de Melo Neto, Pablo Neruda, Sidónio Muralha, Manuel Bandeira, Cesário Verde e António Nobre.

Uma e outra vez decidi retomar essas evocações. Por uma razão ou por outra, isso foi não acontecendo.

O facto de, na homenagem prestada no Mosteiro dos Jerónimos a Mário Soares aquando da sua recente morte, ter sido incluída a transmissão de dois poemas  de Álvaro Feijó declamados por Maria Barroso, foi o impulso que me fez retomar a série há tanto interrompida. Vou pois transcrever esses dois poemas: “ Os dois sonetos de amor da hora triste”.

Embora  dando continuidade à série, vou introduzir uma ligeira alteração na sua designação que passará a ser: “ Um livro, um poeta”. Ela traduz mais fielmente o que ela tem sido e que penso que venha a ser.


2.Álvaro Feijó nasceu em Viana do Castelo em 1916 e morreu em Coimbra em 1941, onde era estudante de direito, antes de completar 25 anos. Com outos jovens estudantes de Coimbra , como Joaquim Namorado, Carlos de Oliveira, João José Cochofel e Fernando Namora, fez parte do grupo neo-realista  do Novo Cancioneiro. Um livro seu viria a ser publicado nesta coleção já depois da sua morte sob o título de :”Os poemas de Álvaro Feijó”.


                                                              [ Álvaro  Feijó]

Os dois sonetos de amor da hora triste



Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
do que tu - não deixes fechar-me os olhos
meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
e ver-te-ás de corpo inteiro

como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
fecha-me os olhos com um beijo.

Eu, Marco Pólo,

farei a nebulosa travessia
e o rastro da minha barca
segui-lo-ás em pensamento. Abarca

nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.

II
Não um adeus distante
ou um adeus de quem não torna cá,
nem espera tornar. Um adeus de até já,
como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
de novo para ti, no mesmo barco
sem remos e sem velas, pelo charco
azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.

domingo, 8 de janeiro de 2017

HOMENAGEM EM CONTRA-MÃO A MÁRIO SOARES



                                                         [ retrato oficial -pintura de Júlio  Pomar]

Nestes dias mais próximos, vão cair sobre Mário Soares todas as palavras de pesar que a nossa imaginação alcança. Vão bater-lhe à porta, quer as memórias sentidas de muitos amigos, quer  a dor calorosa e triste do povo.

Justamente, vão alinhar-se junto ao seu nome as maiores solenidades discursivas. Os mais eloquentes cultivarão, graves, o sabor das grandes frases. As pompas mais crepusculares deitarão as suas sombras sobre as ruas.

Se Mário Soares se desse ao trabalho de acordar por um momento, deixaria  certamente escorrer ligeiramente pelo seu rosto cansado a ponta de um sorriso e libertaria a sua ironia mais funda para que se espreguiçasse um pouco.

Quem tenha escrito o que eu acabo de escrever não pode associar-se, pura e simplesmente, ao coro das homenagens , mesmo  que se  limite  a deixar uma palavra de tristeza e o esboço convencional de uma  esperança coletiva, ainda que ténue,  que possa fazer  pensar que valeu a pena a gesta do homenageado.

Tem que procurar abrir alguma janela, ainda que pequena e forçosamente breve. Ora, estava eu à procura dessa fugidia janela de arejamento, quando me recordei da metáfora do caçador que talvez um dia eu tenha inventado.

Diz ela que era uma vez um  caçador que sabia tudo acerca da caça. Sabia tudo acerca dos coelhos, sabia tudo acerca das perdizes. Sabia exatamente como aproveitar  cada cão em cada momento da caçada. Quando treinava tiro ao alvo, acertava sempre no mais íntimo do centro. Pontuação máxima.

Começada a caçada, lançados os coelhos na desesperada fuga, o genial  caçador, lesto e rápido, disparava. Mas era o cão que gania sofredor, enquanto  o coelho continuava a sua louca desfilada, escapando. Súbita,  soltava-se a perdiz matreira num voo inesperado. O  caçador, forte da sua vasta erudição,  disparava. O chapéu do vizinho voava e a perdiz, essa, perdia-se nos  insondáveis arbustos.

Mas Mário Soares era um outro tipo de caçador: precisamente o oposto.  Sabia sobre coelhos e sobre perdizes apenas o que lhe dava prazer saber, o que lhe apetecia saber.  Dos cães, limitava-se a ser amigo. Não tinha paciência para treinar tiro ao alvo. Não treinava. Caçava.

E , no entanto, aberta  a caçada, não há memória de que alguma vez tenha  acertado num cão e muito menos de que tenha feito voar  o chapéu de um companheiro de caça.  Mas as perdizes não lhe escapavam; os coelhos muito menos. Tiro e queda. Com naturalidade e alegria.


E com um detalhe que não devemos esquecer: as suas felizes caçadas foram a nossa vida.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Inscrições até ao próximo dia 6 de janeiro

Pós-Graduação em Economia Social - 2016/2017.



Exmos/as Senhores/as,

Os estudos pós-graduados são hoje parte fundamental da missão universitária.

É com grande satisfação que vimos informar que se encontram abertas, até ao próximo dia 6 de janeiro de 2017, as candidaturas de Acesso à Pós-Graduação em Economia Social – Cooperativismo, Mutualismo e Solidariedade para o ano letivo 2016/2017.

No âmbito do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio, na categoria “Formação Pós-Graduada”, atribuído a esta Pós-Graduação em 2014 pela CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, 5 estudantes selecionados nesta Pós-Graduação e que não possuam “meios para autofinanciar a sua participação“ poderão candidatar-se a Bolsa de Estudo, no valor de 300,00€ cada, relativa ao montante da propina.

As candidaturas são feitas online. Poderá encontrar mais informações na página web da FEUC.

Se quiser obter algum esclarecimento adicional ou mais informações sobre o curso e o seu funcionamento, não deixe de contactar a Escola de Estudos Avançados da FEUC (eea@fe.uc.pt | Telef. +239 790 501/510).

Esperamos por si!