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domingo, 8 de maio de 2016

A educação é um eixo do Estado democrático, não é um negócio!



A educação é um eixo do Estado democrático, não é um negócio!

1. O actual governo, sem qualquer brusquidão, pretende começar a reverter uma deriva histórica de captura dos dinheiros públicos por negócios privados no campo da educação, que há décadas se vinha instalando. Procura, assim, ir reduzindo  as práticas desviantes em curso, de modo a reconduzi-las  a uma consonância plena com o disposto na nossa Constituição e a uma harmonia com uma verdadeira racionalidade económica nos gastos públicos. Uma racionalidade que uma parte dos que hoje se desdobram em alaridos públicos tanto acarinham, quando se trata de a traduzir em perda de direitos para os trabalhadores e em degradação dos serviços públicos.
Não podemos deixar de lamentar o uso ilegal e abusivo de milhares de crianças para servirem, em actos públicos de propaganda política, interesses privados e corporativos, tenham ou não o consentimento dos pais. De facto, como se sabe, a protecção dos menores é um bem público ao qual está ligado a correspondente protecção. Sabemos que nem todos os que protestaram o puseram em prática, mas alguns o fizeram; e é apenas a esses que censuramos.
Não podemos também deixar de lamentar a agressiva corrosão dos direitos laborais e profissionais de muitos professores, perpetrada por entidades que auferem apoios públicos, mas não respeitam a dignidade laboral constitucionalmente garantida. Ainda neste caso, não visamos, evidentemente, quem assim não proceda, mas é público que são muitos os casos em que isso acontece.
Dificultada e contida a caça aos dinheiros públicos por interesses privados egoísticos no campo da educação, é tempo de (com o natural respeito pelos compromissos legal e legitimamente assumidos na medida em que realmente o tenham sido) se racionalizar de vez o sector. Um primeiro passo talvez seja o de distinguir no ensino que não é público as vertentes que realmente o compõem. Ou seja, o ensino concordatário ligado à Igreja Católica, o ensino cooperativo e o ensino privado lucrativo. Haverá que ponderar nesse registo, se é justificado um tratamento específico para entidades cuja titularidade pertença a organizações não cooperativas da economia social que  não estejam ligada à Igreja Católica,  o mesmo se passando quanto a entidades tituladas por outras Igrejas ou Religiões. Haverá, é claro,  regras comuns, mas certamente que haverá um eco das diferenças entre estes vários tipos de entidades, no modo como o Estado se deve relacionar com elas no campo da educação.
Será talvez este o momento de se constituir uma comissão cívica por iniciativa do governo e com apoio na Assembleia da República que, de antemão despida de qualquer ambição sancionatória, elabore um livro branco sobre a criação dos colégios privados, para que se fique a saber quais os colégios privados que foram criados no exercício normal de um direito de iniciativa, sem qualquer atropelo da legalidade nem qualquer recurso ao tráfico de influências; e se houve outros que materializaram uma verdadeira captura de dinheiros públicos, facilitada pela complacência ou cumplicidade de decisores políticos.
Em paralelo, poder-se-ia apurar quais os estabelecimentos que têm vivido com plena lisura e sem favorecimentos; e quais os que eventualmente tenham beneficiado ( se for esse o caso) de favores ilegítimos dos poderes públicos. A comissão cívica para a transparência na educação apenas apuraria a verdade, havendo o compromisso prévio de que, das suas conclusões, não seriam extraídas consequências sancionatórias para as organizações. Se fosse caso disso, os responsáveis por falhas políticas seriam identificados sem excepções nem tergiversações, mas sem que a comissão tivesse qualquer competência sancionatória também neste caso.
Seria assim mais fácil defender e tornar evidente o interesse público e salvaguardar os interesses de todas as pessoas e instâncias envolvidas na educação, que sempre se tenham comportado dentro da legalidade e da decência.

2. Nesta conjuntura, vale a pena lembrar que em Julho de 2011, um conjunto de 45 militantes do PS, dois terços dos quais residentes em Coimbra, tornaram público um Manifesto para uma renovação socialista.
Na sua nota de abertura sublinhava –se o facto de ele não ser integrável na disputa pela liderança do PS que tinha sido desencadeada, quando já estava em curso a sua preparação. Isso não o impedia de se assumir como uma intervenção na vida interna do partido. E concluía: “ no mundo actual, o imediatismo excessivo, com a sua correspondente desconsideração pela vertente estratégica dos problemas, pode acabar por se traduzir, afinal, numa incapacidade para os compreender”.      
E quanto à educação, dizia o manifesto no seu ponto 8.3.: “A educação é um processo de transformação das pessoas, através do conhecimento, é um factor de integração social, hoje indispensável para a impregnação cultural dos seres humanos. Sendo o direito à educação um direito humano fundamental, a aprendizagem ao longo da vida é um elemento integrante do processo de repartição do trabalho, do lazer e do rendimento, um campo central da transformação da sociedade. Como agente dessa transformação, o Estado é o responsável por um sistema público de educação, o qual é um elemento estruturante de qualquer democracia como factor insubstituível do seu reforço e como índice da sua qualidade.”

3. É à luz do que é estruturante, futurante e promotor de uma sociedade justa que se deve encarar e resolver este problema no quadro jurídico-constitucional que é o nosso.
Os socialistas têm por isso que encarar esta problemática a partir dos seus valores e da sua visão humanista, igualitária e emancipatória do mundo em que vivemos.
Não devem deixar-se impressionar pelo ruído propagandístico baseado em interesses corporativos ou oligárquicos, ou fruto de equívocos gerados por ilusões mistificatórias de quem, julgando estar a bater-se por direitos próprios, está afinal a ser instrumentalizado por interesses alheios.
A educação não é um serviço. É um elemento essencial de qualquer Estado verdadeiramente democrático. Num país como Portugal, inserido numa união de Estados e integrado num mundo como é o de hoje, a educação pública é um elemento essencial da independência nacional, da sobrevivência autónoma da nossa cultura e da nossa identidade de povo que se autogoverna há muitos séculos.

Por isso, lhe é dado o lugar que tem na ordem jurídico-constitucional portuguesa.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Que Europa depois das eleições ?


 Colóquio do Clube Manifesto

              
 Que Europa depois das eleições ?  




No próximo dia 21 de junho (sábado) com início às 15 horas , vai ter lugar em Coimbra, um colóquio promovido pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista, que procurará contribuir para uma reflexão sobre a Europa depois das eleições do próximo dia 25 de maio.
Que Europa depois das eleições ?  ── eis a interrogação que a todos se coloca e cuja resposta estará em debate.

O Colóquio constará de três intervenções e de um debate aberto a todos os presentes. Será moderado por um dos membros do Clube, Luís Marinho. Duas das intervenções serão feitas por convidados, Joaquim Feio, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Pedro Nuno Santos, vice-presidente da direção do Grupo Parlamentar do PS e Presidente da Federação de Aveiro do PS. A outra intervenção estará a cargo de outro membro do Clube, Rui Namorado.

Este colóquio é aberto a todos os cidadãos interessados, esperando-se que mereça uma  particular atenção dos militantes do PS. Vem na sequência  de um outro que o Clube Manifesto  promoveu em 1  fevereiro passado, o qual se desdobrou em três sessões e contou com intervenções de A. Casimiro Ferreira, Carlos Silva, José Medeiros Ferreira, Luís Marinho, Maria de Belém Roseira e Rui Namorado Moderaram as sessões: Jorge Strecht Ribeiro, Manuel Ferreira e Nuno Filipe

O colóquio de fevereiro foi um momento relevante no processo de elaboração de um documento político, entregue ao Secretário do PS e publicamente divulgado, subscrito por vinte e nove militantes do PS: “A  Europa  e as próximas eleições europeias ─ procurar um  horizonte  para não cair numa miragem.”
Deste documento, no qual foi salientada a relevância política das próximas eleições europeia, transcrevemos a sua terceira parte:
“Tudo isto, torna particularmente importante que os socialistas portugueses e europeus assumam o seu próprio caminho para uma  renovação do projeto europeu. Desde logo, através de uma fusão crescente com as aspirações dos trabalhadores, dos excluídos  e dos jovens europeus  tão expressivamente manifestadas nos últimos anos nas ruas de tantas cidades europeias.

Para isso, o PS tem que sublinhar a sua identificação, plena e sem ambiguidades,  com  algumas linhas de orientação política. Sem excluir outras, mas destacando a importância destas , o PS tem que ser fiel às seguintes :

3.1.Defender uma Europa radicada na igualdade entre os Estados, no protagonismo democrático dos cidadãos e numa participação solidária na comunidade mundial.
3.2.Reverter o processo de desvalorização do trabalho em face do capital, iniciando um processo de aumento continuado da parte do rendimento nacional remuneradora do primeiro, rumo a uma sociedade impregnada pela dignificação e humanização dos trabalhadores e das suas organizações. Neste contexto, impõe-se desde já estimular o emprego, combater a precariedade laboral  e assegurar o pagamento atempado aos trabalhadores.
3.3.Subordinar o poder económico ao poder político, de modo a assegurar o controle democrático do capital financeiro e das instituições que o consubstanciam, bem como a garantir um combate efetivo à criminalidade económica.
3.4.Mobilização geral e sistemática dos poderes públicos, em todos os seus níveis, no apoio às organizações que constituem a economia social, encarada como simbiose entre a utilidade social imediata e um potencial  futurante, como instância de transformação social que, em sinergia com os poderes públicos, antecipa e procura um novo tipo de sociedade.
3.5.Promover a educação pública como dever fundamental do Estado e direito fundamental dos cidadãos, encarando-a como um processo de transformação das pessoas através do conhecimento e dos saberes, como lugar por excelência de integração social, cultural e cívica, como espinha dorsal da República  e da identidade cultural dos povos. Ou seja, recusa inequívoca  da mercantilização do ensino e da transmissão do saber.
3.6.Promover um serviço público de saúde universal como condição para o conseguimento do máximo de bem-estar das pessoas. Ou seja, recusa inequívoca da mercantilização da prestação dos cuidados de saúde, assente na garantia de um direito universal à saúde , materializado pelo  protagonismo público na prestação desse serviço.
3.7.Garantia da perenidade e reforço  de um sistema público de proteção social  e do seu funcionamento justo, pautado pelo respeito  pelos direitos humanos , pela legalidade democrática e pela defesa irredutível dos direitos dos reformados, encarando-os como equivalentes a direitos de propriedade, respeitando por completo o montante e a natureza das pensões já atribuídas, tal como tenham sido legalmente reconhecidas, ao longo de toda a vida contributiva.”

A Europa depois das eleições vai traduzir-se num feixe de novos problemas que provavelmente virão complicar ainda mais os que já existem. Em Portugal, uma derrota da coligação governamental, consubstanciada na obtenção de um número de deputados eleitos menor do que o que for eleito pelo conjunto das oposições, poderá acelerar o processo político. E acelerá-lo tanto mais quanto maior for a dimensão dessa derrota. Uma derrota que será tanto mais relevante e contundente quanto melhor for o resultado do Partido Socialista, único partido que tem dimensão eleitoral e política para gerar uma alternativa política ao atual governo.

            Pela Coordenadora do Clube Manifesto para uma Renovação

                                                          Rui Namorado

domingo, 9 de fevereiro de 2014

TRÊS INSTÂNCIAS DE DEBATE POLÍTICO


O Clube Manifesto Para uma Renovação Socialista promoveu mo passado dia 1 de Fevereiro em Coimbra, um colóquio subordinado ao tema " EUROPA  - miragem ou horizonte?". O Colóquio decorreu na Casa Municipal da Cultura e desdobrou-se em três sessões :
 1ª) Os trabalhadores e a Europa.
Com a participação Carlos SilvaSecretário-Geral da UGT; e de A. Casimiro Ferreira Professor da FEUC, Investigador do CES/UC.
O moderador foi  Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS.
2ª) A economia social e a construção europeia.
Com a participação de Maria de Belém RoseiraPresidente do Partido Socialista e Deputada; e de Rui Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social.
O moderador foi : Manuel Ferreira- Presidente da Cooperativa NAVE.
3ª) A Europa em tempo de crise
Com a participação de José Medeiros FerreiraMembro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa; e de Luís MarinhoPresidente da Assembleia Municipal de Coimbra.
Moderador: Jorge Strecht RibeiroAdvogado.

Na foto de cima mostra-se a mesa da segunda sessão, com os intervenientes atrás mencionados. Na foto  de baixo, mostra-se a mesa da terceira sessão, com os intervenientes atrás mencionados.


No dia 5 de Fevereiro, na sede da Federação de Coimbra do PS, teve lugar uma Tertúlia, promovida pela Concelhia  da JS de Coimbra,  para uma conversa a propósito do Estado Social e das suas actuais desgraças, para a qual fui convidado. Na foto abaixo, um aspecto da sessão, moderada pelo Presidente da Concelhia de Coimbra da JS , Tiago Martins, ao lado esquerdo do qual estou sentado. 


No sábado, dia 8 de Fevereiro, decorreu em Matosinhos, na respectiva Secção do PS, um Colóquio, sobre "Autarquias e Cooperativismo", no qual fui convidado a participar. O Colóquio foi aberto pelo Presidente da Federação Distrital, José Luís Carneiro e encerrado por um outro dirigente distrital em sua representação,  Ricardo Bexiga. Na mesa , cuja foto abaixo se reproduz, da esquerda para a direita, Fernando Martinho, principal promotor da iniciativa, histórico cooperativista com um protagonismo muito relevante, quer no plano nacional, quer internacional; Jorge de Sá, da Universidade de Lisboa, membro do CNES  e dirigente do CIRIEC, quer nacional, quer internacional; Rui Namorado; e Manuel Ferreira, ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e pioneiro em Portugal da criação de régies cooperativas de amplitude municipal.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

EUROPA - miragem ou horizonte?



1.  O  “CLUBE MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA” vai promover em Coimbra  um Colóquio sobre a Europa,  no próximo dia 1 de fevereiro de 2014 (sábado), na Casa Municipal da Cultura de Coimbra. 
Colóquio será subordinado ao tema:
 “Europa – miragem ou horizonte?”.
[A entrada é livre]

O Colóquio vai desdobrar-se em três sessões:
[1 de fevereiro de 2014 (sábado)] 
1ª Sessão - 10 h e 30 m
- Os trabalhadores e a Europa.
Oradores:
Carlos Silva – Secretário-Geral da UGT
A. Casimiro Ferreira – Professor da FEUC, Investigador do CES/UC e Clube Manifesto
Moderador: Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS,  ex- Deputado e Clube Manifesto

2ª Sessão – 14 h e 30 m
- A economia social e a construção europeia.
Oradores:
Maria de Belém Roseira – Presidente do Partido Socialista e Deputada.
Rui Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social, ex-Deputado e Clube Manifesto
Moderador : Manuel Ferreira- ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Presidente da Cooperativa NAVE e Clube Manifesto

3ª Sessão – 16 h e 30 m
-A Europa em tempo de crise
Oradores:
José Medeiros Ferreira – Membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa, Professor Universitário, ex-Ministro, ex-Deputado Europeu e ex-Deputado.
Luís Marinho – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, ex-Deputado Europeu, ex-deputado e Clube Manifesto.
Moderador: Jorge Strecht Ribeiro – Advogado, ex-Deputado e Clube Manifesto.

2. Seria redundante destacar a importância do debate sobre a Europa numa conjuntura como a que temos vindo a atravessar. A proximidade das eleições europeias torna ainda mais relevante o tema em questão.
Queremos um debate vivo que contribua para agitar realmente as águas mortas em que a questão europeia tem vivido entre nós. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

COLÓQUIO SOBRE O SOCIALISMO



Clube Manifesto para uma Renovação Socialista convida  todos os interessados, para participarem amanhã , sábado,  dia 15 de dezembro, às 15horas,  num colóquio sobre  O socialismo como horizonte - uma visão humanista do pós-capitalismo.
O Colóquio terá lugar na Faculdade de Economia, Av.Dias da SIlva - nº 165 em COIMBRA [ Anfiteatro 1.1.] .
 O moderador será um dos membros do Clube, Pio Abreu. Uma das intervenções será feita por um convidado, Pedro Nuno Santos  [deputado e Presidente da Federação de Aveiro do PS], a outra, será feita por outro membro do Clube, Rui Namorado. Seguir-se-á  um debate.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

SOCIALISMO EM DEBATE




O socialismo como horizonte
 - uma visão humanista do pós-capitalismo.

Colóquio promovido pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista 
no sábado dia 15 de dezembro, de 2012, às 15 horas
na Faculdade de Economia em Coimbra.


1. O texto que abaixo se transcreve é  parte do documento político fundador do Clube Político Margem Esquerda (ME), o primeiro clube  a ser instituído no seio do PS em 2002. Depois dele, os estatutos deste partido viriam a reconhecer a utilidade política deste tipo de clubes, legitimando-os expressamente.

Muita água correu desde então debaixo das pontes, mas este texto não perdeu atualidade. O tema é importante, ao refletir afinal sobre o cerne da identidade político-ideológica dos socialistas.

De fato, se o capitalismo tem vindo a sublinhar o seu profundo anti-humanismo estrutural, transformando-se num pesadelo que aflige cada vez mais seres humanos, nem por isso o socialismo ganhou robustez como síntese das melhores esperanças da humanidade. Mesmo os partidos da Internacional Socialista que, ainda olham para si próprios como se fossem portadores de um futuro que os identifique como socialistas, parecem possuídos por uma melancolia estratégica que, afastando-os da utopia, os torna incapazes de imaginar um futuro que sintetize e exprima os ideais emancipatórios que têm impulsionado a história da humanidade.

Apesar do seus dez anos, este texto conserva ainda, penso eu, um potencial suficiente para poder ser utilizado como um elemento preparatório do debate  que vai decorrer em Coimbra no próximo sábado.

2. Nunca renunciar a um horizonte socialista
" Mais de dois séculos decorreram desde a Revolução Francesa. Não foram, contudo, suficientes para apagar muitas das chagas sociais e humanas que continuam a desafiar o mundo.
A aceleração do tempo histórico e do progresso tecnológico, com a dinâmica de mudança que implica, tornou-se um factor social de uma importância decisiva, surgindo como um desafio que tem que ser enfrentado com uma eficácia muito maior do que aquela que até agora tem sido conseguida. Mas não podemos confundir o relevo da aceleração da mudança com uma certa retórica ilusionista da modernidade, que ignora a complexidade das sociedades actuais, encarando-as numa perspectiva redutora, de índole economicista e anti-humanista, que, em larga medida, se destina a servir de cortina de fumo para ocultar alguns dos problemas mais graves do mundo de hoje.
Se o socialismo se quer afirmar como a juventude do mundo, não pode ficar preso a um passado que já não existe, isto é, tem de saber compreender as novas tendências de mudança das sociedades actuais. Mas, sob pena de perder a alma, de deixar de ser ele próprio, tem de aprender a reencontrar-se mais profundamente com os seus valores históricos. Não pode alhear-se dos flagelos sociais que estão na raiz da sua existência e que se mantêm ou se agravaram. Não pode ficar indiferente aos problemas e às angústias dos traba­lhadores, bem como de todos os que sofram exclusão, exploração ou opressão.
Muitos serão os problemas e os temas dignos de atenção que elegeremos como objectos de reflexão e debate. Queremos, no entanto, desde já destacar duas áreas de incerteza, entre as várias que podiam ser escolhidas, que merecem ser exploradas, para que possamos compreender melhor tudo o que com elas se relaciona.
A primeira diz respeito à fluidez do conceito actual de socialismo, ao carácter discutível do que significa um horizonte socialista como objectivo e como possibilidade histórica que se mantém em aberto.
A segunda diz respeito à dificuldade em aferir com precisão em que medida as grandes linhas de orientação política por que optamos, bem como os objectivos políticos genéricos que assumimos conjunturalmente em termos programáticos, nos aproximam ou nos afastam de um horizonte socialista. E essa dificuldade aumenta, quando estão em causa medidas políticas pontuais de significado limitado.
Os socialistas têm que ser capazes de fazer sempre uma dupla ava­liação das suas orientações e das medidas políticas que preconizam. Têm de saber em que medida elas perturbam ou melhoram o fun­cionamento corrente da sociedade, em que medida elas são harmo­nizáveis ou contraditórias com a procura de um horizonte socialista e com a trajectória a percorrer para dele nos aproximarmos.
Isso nunca foi fácil, mas o desmoronamento do modelo soviético tornou possível uma consciência mais aguda da sua dificuldade. Não porque ele tenha atingido directamente os partidos da Internacional Socialista, mas porque tornou evidente que o problema da alternativa ao capitalismo deveria ser colocado em termos mais complexos do que até então.
De facto, mesmo não tendo inscrito no seu código genético o sonho do assalto a um Palácio de Inverno como acto fundador e purificador, era dominante na Internacional Socialista a valorização da ideia de uma espécie de "grande noite eleitoral", que abrisse abruptamente um novo tempo, em que os socialistas, a partir do governo de um único país, aí construíssem democraticamente uma sociedade dife­rente.
A Internacional Socialista recusava-se a caminhar para o socialismo, sacrificando a democracia. Na sua identidade era central a ideia de que só em democracia era possível alcançá-lo. No entanto, ainda que difusamente, encarava a falta de democracia como o problema essencial do modelo soviético,
Com o seu desmoronamento, todavia, ficou claro que o modelo soviético não foi um simples atalho histórico, penalizado apenas por ter escolhido uma rota que sacrificou a democracia para atingir mais depressa uma sociedade justa. Foi, sim, um colectivismo produtivista de Estado, globalmente diferente do socialismo, que em vez de con­duzir rapidamente ao um futuro libertador, deixou milhões de seres humanos divididos entre uma miragem do que afinal nunca existiu e um passado a que é impossível voltar.
Hoje, é mais fácil perceber que não será o simples exercício do poder político num determinado Estado que, por si só, nos aproximará deci­sivamente de um horizonte socialista.
Hoje, é mais fácil perceber que a actualidade da ideia socialista se radica na possibilidade do socialismo ser um horizonte qualificante da democracia e da civilização humana, para o qual a sociedade no seu todo caminhará ou não, com naturais sobressaltos e retrocessos, no quadro de um processo prolongado, ainda distante do seu termo. Horizonte que não deve confundir-se com um destino predefinido, já que é antes uma referência que sustenta uma ambição reformadora radical, fundada num projecto aberto sempre em evolução. Uma ambição guiada pelos valores do socialismo, em permanente cons­trução crítica no quadro de uma atitude prospectiva, realista e incon­formada, que não aceita que o capitalismo seja o fim da história.
Renunciar a esse horizonte é perder a identidade socialista. Valori­zá-lo é uma opção que está longe de estar balizada e caracterizada, podendo dizer-se que estamos perante um espaço problemático e não perante um conjunto de orientações reflectidas e testadas.
Está em causa um processo de amadurecimento social que deve contar com um importante protagonismo do Estado, mas que está muito longe de lhe ficar circunscrito. A evolução do tecido social terá de conjugar-se com o exercício do poder político, numa sinergia vir­tuosa. A valorização do Estado como expressão plena da política é uma prioridade que implica uma renovada atenção sobre as suas crescentes responsabilidades reguladoras e uma rigorosa dinâmica reformadora da administração pública. Mas não pode dispensá-lo também de um novo tipo de relacionamento com as dinâmicas soci­ais de base, que constituem uma vertente insubstituível do desen­volvimento social, assumindo-se como instância de permanente encorajamento e de apoio crítico às suas iniciativas.
Neste contexto, percebe-se que a estatização dos meios de produção não seja encarada como etapa necessária de uma evolução socia­lista. Ficou mais nítido o seu carácter instrumental, bem como os riscos de, por si só, poder não conduzir aos objectivos que a justifi­cavam, ou contribuir mesmo para nos afastar deles.
No entanto, também não parece sustentável querer substituir um fundamentalismo económico de pendor estatizante, por um fundamentalismo privatizador, radicado no neo-liberalismo como numa ver­dadeira religião do mercado.
Na época da globalização, em que é visível o seu carácter contra­ditório, temos de assumir a incomodidade de um pensamento crítico. Um pensamento capaz de combater as ideias feitas, mediaticamente inculcadas pelo aparelho ideológico-cultural dominante, como se re­presentasse a verdade definitiva. Um pensamento crítico que nos impeça de confundir a realidade com aquilo que gostaríamos que ela fosse, mas que esteja longe de aceitar aquilo que existe.
Por isso, em cada conjuntura, devemos procurar perceber sempre qual é a força propulsora principal, qual é o obstáculo mais difícil. Estarão estes aspectos devidamente ponderados nas questões que ocupam a ribalta das nossas ideias? E estarão estas irremediavel­mente ancoradas na nossa experiência histórica, correspondendo, por isso, a uma sociedade que já é passado? Por que outras vias de­veremos prosseguir? Com base em que novas referências? Alguma vez transformaram os homens a sociedade, a não ser a partir da va­lorização das questões que lhes ocorreram? Se não devemos va­lorizar as questões que reflectidamente nos ocorrerem, que questões devemos, então, valorizar?
Sem nunca renunciarmos a uma atitude anti-dogmática, poderemos orientar-nos melhor nesta multiplicidade de interrogações, se con­frontarmos sempre o presente com o horizonte socialista que nos identifica e que ambicionamos como futuro.
É, por isso, preciso que estejamos atentos às transformações do ca­pitalismo, sabendo que elas podem, eventualmente, conduzir a pro­fundas alterações da própria natureza da luta política, sem nunca cairmos na ilusão de que o capitalismo se extinguiu.
Seria de facto a suprema ironia que os socialistas renunciassem a combatê-lo, com a alegação de que já não existe, precisamente num tempo em que os seus arautos decretaram a sua irreversível vitória histórica.
Isto não significa que encaremos o capitalismo numa óptica simplista e redutora, que menospreze a sua complexidade, os seus aspectos ambivalentes, as suas virtualidades de dinamização económica. Significa antes, que o consideramos incapaz de eliminar a pobreza e a marginalidade, de suscitar a felicidade humana e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, generalizada e sustentadamente, dado o facto de ser predominantemente predatório e desumanizante. Nesta medida, é decisiva a nossa capacidade para revitalizar os va­lores socialistas da liberdade, da justiça, da igualdade, da frater­nidade, da solidariedade, do respeito pela natureza, da cooperatividade, da criatividade cultural, da inovação organizacional, subme­tendo-os a uma permanente reactualização crítica, que os complete e enriqueça. No fundo, será talvez um caminho para encarar o socia­lismo como um humanismo que possa aproximar o mundo de hoje da felicidade, livrando-o dos pesadelos colectivos que continuam a povoá-lo.
Por tudo isto, o território conceptual assinalado pelo leque de hipóte­ses e de interrogações que acabamos de percorrer constituirá um dos principais objectos da nossa atenção e da nossa actividade."

3. Para debater toda a problemática do socialismo,  no próximo dia 15 de dezembro (sábado), com início às 15 horas, o Clube Manifesto para uma Renovação Socialista vai promover um colóquio sobre: : O socialismo como horizonte - uma visão humanista do pós-capitalismo.
O Colóquio terá lugar na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Anfiteatro 1.1. – piso 1), na Avenida Dias da Silva – nº 165, em Coimbra.
Conservando-se o formato dos três colóquios anteriores, serámoderador um dos membros do Clube, Pio Abreu. Uma das intervenções será feita por um convidado, Pedro Nuno Santos, a outra, será feita por outro membro do Clube, Rui Namorado. Seguir-se-á um debate.
O nosso convidado, Pedro Nuno Santos, é economista, deputado na Assembleia da República pelo PS e Presidente da Federação de Aveiro do PS, tendo sido secretário-geral daJuventude Socialista (2004-2008).
Este colóquio é aberto a todos os interessados, esperando-se que seja objeto de uma particular atenção por parte dos militantes do PS.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A URGÊNCIA DO LONGO PRAZO


O socialismo como horizonte
 - uma visão humanista do pós-capitalismo.

Colóquio promovido pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista


1. As causas últimas da crise que atinge as sociedades europeias, entre as quais e muito particularmente a sociedade portuguesa, são quotidianamente ocultadas por uma nuvem de mistificação ideológica e, por vezes, através de uma propaganda grosseira. Mas os sofrimentos que  a crise causa são arduamente sentidos pelas suas vítimas e os remédios alegadamente encontrados para tentar superá-la revelam-se dia após dia como factores do seu agravamento. Num desesperado cinismo, os grandes poderes tentam fazer passar a ideia de que os grandes culpados de tudo são em última instância as suas vítimas, os povos estrangulados pelo garrote do capitalismo financeiro.
A deriva ultramontana do capitalismo neoliberal desembocou num feixe de problemas que os poderes instituídos se revelam incapazes de resolver. Eventualmente sem ter sido essa a sua intenção, conduziram o capitalismo para um beco sem saída, cortando-lhe esperança de vida. Por isso, recitam sem convicção toadas vazias, comportando-se cada vez mais como pássaros sem rumo, melancólicos e aflitos.
Acatar cegamente o mito da eternidade do capitalismo, apesar de tudo o que vivemos dia após dia, não parece por isso uma atitude  nem esclarecida, nem inteligente. Percorrer os caminhos ilusoriamente simples que no passado se revelaram conducentes a parte nenhuma é caminhar sem sair do mesmo sítio.
Por isso, é importante procurar no presente as sementes de futuro, sabendo que neste campo só se pode encontrar aquilo que se procurar. É esse o desígnio que anima o Clube Manifesto para uma Renovação Socialista, fundado por militantes do PS.
2. Com esse objectivo no próximo dia 15 de dezembro (sábado), com início às 15 horas, o Clube Manifesto para uma Renovação Socialista vai promover um colóquio sobre: O socialismo como horizonte - uma visão humanista do pós-capitalismo.
O Colóquio terá lugar na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Anfiteatro 1.1. – piso 1), na Avenida Dias da Silva – nº 165, em Coimbra.
Conservando-se o formato dos três colóquios anteriores, será moderador um dos membros do Clube, Pio Abreu. Uma das intervenções será feita por um convidado, Pedro Nuno Santos, a outra, será feita por outro membro do Clube, Rui Namorado. Seguir-se-á um debate.
O nosso convidado, Pedro Nuno Santos, é economista, deputado na Assembleia da República pelo PS e Presidente da Federação de Aveiro do PS, tendo sido secretário-geral da Juventude Socialista (2004-2008).
Este colóquio é aberto a todos os interessados, esperando-se que seja objeto de uma particular atenção por parte dos militantes do PS.
Pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista

Rui  Namorado

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O SOCIALISMO COMO HORIZONTE - uma visão humanista do pós-capitalismo.






Colóquio promovido pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista




No próximo dia 15 de dezembro (sábado), com início às 15 horas, o Clube Manifesto para uma Renovação Socialista vai promover um colóquio sobre:  O socialismo como horizonte - uma visão humanista do pós-capitalismo.

O Colóquio terá lugar na Faculdade de Economia da UC (Anfiteatro 1.1. – piso 1), na Avenida dias da Silva – nº 165, em Coimbra.
Conservando-se o formato dos três colóquios anteriores, será moderador um dos membros do Clube, Pio Abreu. Uma das intervenções será feita por um convidado, Pedro Nuno Santos, a outra, será feita por outro membro do Clube, Rui Namorado. Seguir-se-á um debate.
O nosso convidado, Pedro Nuno Santos, é economista, deputado na Assembleia da República pelo PS e Presidente da Federação de Aveiro do PS, tendo sido secretário-geral da Juventude Socialista (2004-2008).
Este colóquio é aberto a todos os interessados, esperando-se que seja objeto de uma particular atenção por parte dos militantes do PS.
Pelo Clube Manifesto para uma Renovação Socialista
 Rui Namorado

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A EUROPA NO SEU LABIRINTO.


1. O “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover mais um colóquio que terá lugar, no próximo dia 29 de junho, sexta-feira, às 21 h e 30 m, no Hotel D. Luís, em Coimbra. 

O tema do colóquio será: “A Europa no seu Labirinto”.
O interveniente convidado será Augusto Rogério Leitão, Professor de Relações Internacionais na FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Luís Marinho, ex-deputado europeu.
O debate será moderado por um outro membro do Clube, António Casimiro Ferreira.



Todos os cidadãos interessados em discutir a Europa podem considerar-se nossos convidados.  
 

2. Os problemas acumulam-se no horizonte europeu. Os dirigentes políticos, quase exclusivamente pertencentes ao Partido Popular Europeu,  parecem cada vez mais incapazes de solucionarem os problemas a que o seu fanatismo neoliberal nos conduziu. Os numerólogos conservadores, que se julgam economistas, possuídos pela ilusão  de que  o modelo capitalista actual é eterno, cultivam uma nova  alquimia de falsos axiomas eticamente repugnantes e  politicamente absurdos. Axiomas que desqualificam  e agridem barbaramente os trabalhadores, ao mesmo tempo que servilmente se subordinam o capital. Confrontados com a evidência dos próprios erros, parecem mais dispostos a agravá-los (como se desse modo pudessem   transformá-los em acertos) do que a corrigi-los.
Mas, nos últimos tempos, a conjuntura passou por mudanças marcantes. O eixo conservador germano-francês desvaneceu-se com a vitória dos socialistas em França. A evidência de que a chamada crise das dívidas soberanas foi sempre, essencialmente, uma crise do euro no seu todo e de que as políticas da União Europeia (e não as decisões nacionais) foram a principal causa do seu agravamento, reduzem os principais dirigentes europeus a uma tropa fandanga, desorientada e medíocre, que sobrevive a si própria numa embriaguez perturbante.
3. É uma boa ocasião para se discutir a Europa. Tanto mais que mesmo as instâncias dirigentes das várias esquerdas europeias parecem confinadas a uma fraseologia  repetitiva  , própria de quem parece perdido e longe de qualquer ideia consistente que possa realmente ajudar-nos a sair do atoleiro em que estamos.

Tal como aconteceu com os anteriores, este Terceiro Colóquio do Manifesto vai decerto correr bem.

domingo, 6 de maio de 2012

SEGUNDO COLÓQUIO DO MANIFESTO

Decorreu, ontem, no Hotel D. Luís, em Coimbra, o segundo Colóquio do Manifesto, subordinado ao tema: “Reformar a política autárquica: inovação e território”.

A interveniente convidada foi Maria Manuel Leitão Marques, Professora Catedrática da FEUC e Secretária de Estado no anterior Governo. O interveniente membro do Clube Manifesto foi Nuno Filipe. O debate foi moderado por um outro membro do Clube,  Romero de Magalhães.
As duas intervenções foram consistentes, estimulantes e complementares, tendo o moderador sabido encorajar e enquadrar um debate tecido por diversas participações inovadoras, consistentes e geradoras de uma informação diversificada.
O próximo debate será sobre a Europa, como desígnio, mas também como problema, incorporando uma natural atenção sobre as novidades políticas que se prometem, a curto prazo, no horizonte europeu.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PS - metamorfose ou estagnação ?

[Mesa do colóquio - Alberto Martins, Araújo Barbosa e Rui Namorado]


O “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, promoveu no passado sábado, dia 14 de Abril, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, o primeiro de uma série de colóquios .

O tema foi: “Partido Socialista – metamorfose ou estagnação?”. A sessão foi aberta por Araújo Barbosa que, após uma breve saudação em nome do clube, deu a palavra a Rui Namorado, que sublinhou a urgência de uma metamorfose do PS. Encerrando as intervenções , Alberto Martins, deputado e membro do Secretariado Nacional PS, apresentou um amplo painel dos problemas que o PS tem pela frente em Portugal e os socialistas europeus na Europa.

Abriu-se depois um animado debate, no decurso do qual ficou clara a necessidade de se conseguir que o PS caminhe, com decisão, rumo à sua completa transformação, de modo a adquirir uma robustez que lhe permita resistir aos cercos que o têm envolvido e vão continuar a envolver.


Repetindo um excerto do “Manifesto”, fundador do nosso Clube, permito-me sublinhar , uma vez mais , que : “o PS tem que viver uma metamorfose conducente a um novo tipo de partido, com uma nova atitude perante a sociedade, orientações políticas renovadas nos aspectos propulsores da transformação social, novo tipo de protagonismo na construção europeia e um forte activismo em todas as instâncias internacionais que procurem um horizonte socialista”.

terça-feira, 3 de abril de 2012

OS COLÓQUIOS DO MANIFESTO

1. O “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover uma série de colóquios, realizando-se os dois primeiros em Coimbra.

Sublinhamos que os Colóquios são abertos a todos os cidadãos interessados. Isto não impede que convidemos muito especialmente todos os militantes do PS a participarem neles, já que, não sendo os únicos protagonistas relevantes das problemáticas abordadas, estão certamente entre os principais.

2. O primeiro dos colóquios vai ter lugar, no próximo dia 14 de Abril, às 15 horas, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Av. Dias da Silva, nº165).

O tema do colóquio será: “Partido Socialista – metamorfose ou estagnação?”
O interveniente convidado será Alberto Martins, deputado e dirigente nacional do PS.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Rui Namorado.
O debate será moderado por Araújo Barbosa.

Como se pode ler na Introdução do nosso “Manifesto”, já divulgado em Junho de 2011: “o PS tem que viver uma metamorfose conducente a um novo tipo de partido, com uma nova atitude perante a sociedade, orientações políticas renovadas nos aspectos propulsores da transformação social, novo tipo de protagonismo na construção europeia e um forte activismo em todas as instâncias internacionais que procurem um horizonte socialista”.

É toda esta problemática que queremos discutir neste primeiro Colóquio, de modo a que a troca de ideias, que certamente ocorrerá, nos ajude a ir mais além. De facto, por vezes, é olhando um pouco mais para diante, que damos com mais segurança os próximos passos. Não queremos fugir ao imediato, mas sabemos que sem um horizonte de referência dificilmente podemos acertar na escolha do caminho

3. O segundo colóquio vai ter lugar, no dia 5 de Maio, às 14 h e 30 m, no Hotel D. Luís, em Coimbra.

O tema do colóquio será: “Reformar a política autárquica: inovação e território”.
A interveniente convidada será Maria Manuel Leitão Marques, Professora Catedrática da FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Nuno Filipe.
O debate será moderado por Romero de Magalhães.

O “Manifesto” sublinhou também a necessidade de uma “qualificação equilibrada dos territórios “, defendendo que:”O território, como espaço onde se conjugam iniciativas e protagonismos nele enraizados, é o ponto de partida e a referência básica para o desenvolvimento local. As sinergias entre processos geograficamente articuláveis são um poderoso factor de propulsão de uma expansão democraticamente vivida de todos eles. E serão especialmente potenciadas por uma diversificação dos patamares de decisão democraticamente legitimados, permitindo uma adequada descentralização de competências, indutora de uma maior agilidade do poder político e de um acréscimo da sua racionalidade.”

É nesta perspectiva que devemos encarar todo o processo de reforma administrativa em curso, cientes de que o nível de aprofundamento que conseguirmos alcançar na sua análise e a qualidade da respectiva reflexão política que formos capazes de colectivamente protagonizar, vão determinar até onde chegaremos nas próximas eleições autárquicas. Este colóquio pretende ser uma etapa nesse processo de reflexão, para o qual, necessariamente, está convocado todo o povo socialista.

Pelo “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”,
Rui Namorado