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terça-feira, 18 de agosto de 2015

MANUEL ALEGRE toma posição quanto às Presidenciais.



No DN de hoje vem publicado um texto de Manuel Alegre que divulga publicamente o seu apoio à provável candidatura presidencial de Maria de Belém. Estamos perante um valioso apoio, mas também perante um facto político relevante.

Na verdade, alguns adversários desta possível candidatura tinham vindo a tentar colar-lhe o estigma de ser uma candidatura confinada a uma facção interna do PS, que cristalizava recentes divisões em disputas internas, além de a procurar situar numa alegada direita interna do PS, da qual seria apenas mais uma expressão. Esta dupla tentativa de estigmatização era em si própria uma falsificação da realidade. A candidatura de Maria Belém, espelhando sua a história pessoal, de modo nenhum podia ser confinada  aos espaços alegados. O artigo de Manuel Alegre veio sublinhar e documentar o que acabo de dizer. Insistir nas imputações redutoras acima referidas traduzirá, daqui para a frente, uma pura agressão propagandística.

É tempo de legislativas. O quadro dos candidatos  presidenciais à esquerda está agora mais claramente definido, embora possa não estar ainda completo, pela possível emergência de candidatos apoiados pelo PCP e pelo BE. As candidaturas de Maria de Belém e de Sampaio da Nóvoa partilham estruturalmente um espaço político, ainda que nesse campo não sejam completamente sobreponíveis. 

Disputam a preferência dos eleitores, não concorrem a um qualquer campeonato de agressões mútuas. Se entre elas o combate for de ideias e de propostas, com drástica subalternização de ataques e imputações pessoais, ambas se dignificarão com isso e dentro da esquerda começar-se-á a ganhar o hábito de se discordar e de se competir cordialmente. Isto é em si positivo, mas quando se percebe que uma das candidaturas precisará dos votos dos apoiantes da outra numa segunda volta, fica clara a razão porque isso será indispensável.

Recordemos, com a devida vénia, o texto de Manuel Alegre hoje saído no DN :

Apoiarei Maria de Belém
por MANUEL ALEGRE

Era minha intenção não me pronunciar sobre presidenciais antes das legislativas, que são, para os socialistas, a prioridade das prioridades.
Mas algumas afirmações feitas ultimamente sobre a pessoa de Maria de Belém obrigam-me a tomar posição.
Está confirmado que Maria de Belém comunicou ao secretário-geral do PS que se candidatará à Presidência da República. É um direito que lhe assiste, merece respeito e não pode ser posto em causa por considerações táticas, interpretações sectárias e inaceitáveis ataques de carácter.
Começo por lembrar que Maria de Lourdes Pintasilgo e eu próprio fomos pioneiros de candidaturas cidadãs à Presidência da República. A engenheira como inde- pendente, eu como militante do PS, embora sem o apoio da sua direção. As candidaturas presidenciais são, por excelência, o espaço da cidadania. Mas este tanto existe dentro como fora dos partidos. Ninguém tem o exclusivo da cidadania. Ser membro de um partido não constitui uma menoridade cívica, como ser independente não confere a ninguém um estatuto de superioridade sobre quem assume a sua filiação partidária.
Posto isto, declaro que a candidatura de Maria de Belém terá o meu apoio. Não tanto por ela ter sido mandatária nacional da minha segunda candidatura, nem por termos estado juntos no Congresso do PS em 2004, defendendo os mesmos valores contra a versão portuguesa da tentação blairista. Mas porque Maria de Belém é uma socialista substantiva, com uma longa biografia política e provas dadas na luta pelos valores da liberdade, pelos direitos sociais, pela igualdade de género e pelos serviços públicos que simbolizam a natureza progressista e igualitária da nossa democracia: Serviço Nacional de Saúde, escola pública, Segurança Social. Sabe-se quem é, que posições tomou, que causas defendeu, em quem votou. A sua atividade, tanto nas lutas académicas anteriores ao 25 de Abril como no processo da construção da democracia, foi sempre orientada pela recusa de qualquer forma de ditadura, pela defesa da liberdade e da justiça social.
É tempo de Portugal ter uma mulher na Presidência da República. Muitas das críticas a Maria de Belém partem de preconceitos sexistas e machistas.
Não há proprietários da esquerda nem monopólio de candidaturas. Maria de Belém, ao contrário do que alguns disseram, não divide, não fratura nem é redutora, antes tem condições para unir, alargar e mobilizar aqueles que, dentro e fora do PS, na sociedade civil e em diversificados setores da vida pública, desejam a mudança, um presidente que respeite a Constituição e seja, de facto, o presidente de todos os portugueses.
Apoiarei uma candidatura de Maria de Belém porque não me considero órfão de ninguém nem admito que o PS e a esquerda se resignem a perder a eleição presidencial. Estes quatro anos de "uma maioria, um governo e um presidente" mostram que, se é fundamental ganhar as legislativas, seria um erro imperdoável menosprezar a importância decisiva das eleições presidenciais. Não vale a pena alimentar ilusões sobre uma hipotética coabitação com outro presidente de direita, fosse ele qual fosse. A experiência de Cavaco Silva devia ter vacinado de vez os socialistas, toda a esquerda portuguesa e todos os que prezam a função institucional do PR como árbitro e garante das instituições democráticas.
A candidatura de Maria de Belém é, em si mesma, um ato de coragem cívica, essencial a qualquer combate político. Partindo da esquerda socialista, terá a abrangência e transversalidade indispensáveis a uma candidatura vencedora. Conheço a sua capacidade de debate e a sua consistência política aliadas a um profundo sentido de tolerância e solidariedade. Maria de Belém é uma falsa frágil. Essa é a sua força. Tem condições para derrotar qualquer candidato de direita.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SINDICALISTAS COM MANUEL ALEGRE

Uma candidatura presidencial define-se pela conjungação de diversos factores, políticos, ideológicos, sociais, culturais, programáticos e até conjunturais. Um deles, seguramente um dos mais significativos, é o que reflecte a relação existente entre um candidato e os trabalhadores, com particular relevo para os activistas, quadros e dirigentes que dão vida quotidiana aos sindicatos. Por isso, me parece importante transcrever um texto sobre o documento "Um Compromisso entre Manuel Alegre e os Trabalhadores", recebido da direcção de campanha do candidato , que nos diz o seguinte:


"Manuel Alegre assinou um documento de compromisso com cerca de uma centena de dirigentes sindicais da CGTP e da UGT, no qual promete usar todos os seus poderes para defender os direitos sociais e os serviços públicos, intitulado “Um compromisso entre Manuel Alegre e os trabalhadores”, tendo o candidato presidencial recebido o apoio destes sindicalistas.


O candidato deixou uma garantia aos dirigentes sindicais: “Se for eleito Presidente da República ninguém contará comigo para pôr em causa o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública, a segurança social pública ou os direitos sociais”.

Manuel Alegre compromete-se assim “a usar todos os poderes presidenciais para defender a democracia, direitos políticos e direitos sociais, para defender os serviços públicos, para defender os valores do 25 de Abril que estão consagrados na Constituição da República”. O candidato compromete-se ainda a lutar por defender “o direito dos jovens à esperança num futuro que garanta a dignidade humana, só plenamente alcançável com o direito ao emprego”.

Portugal precisa do Presidente Manuel Alegre.

“Nós, sindicalistas e activistas sociais, comprometidos com o mundo do trabalho, a defesa do Estado social e dos direitos dos trabalhadores, identificamo-nos com este candidato que tem uma visão humanista de Portugal e não uma visão contabilística. Um homem para quem as pessoas são pessoas e não números.”

Este documento foi assinado por dirigentes sindicais como Delmiro Carreira (Presidente do SBSI – UGT), Carlos Trindade (Dirigente do STAD – Com. Executiva CGTP), António Avelãs (Presidente SPGL – FENPROF), Paulo Sucena (Presidente Conselho Geral SPGL – FENPROF), Carlos Silva (Presidente SBC – UGT), Guadalupe Simões (Sindicato Enfermeiros), Manuel Camacho (Presidente UGT/Lisboa), Mário Jorge Neves (Presidente da Federação Nacional dos Médicos), Ulisses Garrido (Com. Executiva CGTP), António Chora (CT Autoeuropa), Rui Godinho (Presidente UGT – Setúbal), Óscar Antunes (Presidente SITEMA - UGT), Ana Paula Viseu (Presidente Mulheres/UGT) e a histórica dirigente socialista da UGT, Wanda Guimarães, entre outros".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MANUEL ALEGRE : PRESIDENTE


Caloroso ambiente de combate, bandeiras desfraldadas, discursos fortes. Foi a sessão dedicada ao lançamento da Comissão de Honra da candidatura presidencial de Manuel Alegre. Maria de Belém, Jorge Sampaio, Manuel Alegre, fizeram-nos ouvir palavras limpas, complementares, intensas.


A esperança não é um território perdido. É possível evitar a sombra do recavaquismo. É indispensável. Não se pode deixar crescer mais a arrogância da direita, banhada por uma tecnocracia economicista, com a qual se julga blindada. Não se pode deixar crescer ainda mais essa direita melíflua, disposta a suportar molemente a vergonha de todos os "diktats", desde que sejam da responsabilidade do que resta de imperial no xadrez europeu, do poder frio do dinheiro ou das sombras autoritárias dos poderes de facto. Uma direita como sempre preparada para balir como um cordeiro perante os predadores internacionais que nos cercam e para rugir como um leão contra o seu próprio povo.


Manuel Alegre, Presidente : é uma oportunidade única para um regresso do povo de esquerda à sua enorme força de se mover em conjunto, ao mesmo tempo, para o mesmo lado. É uma oportunidade, não é uma oferta. É um objectivo possível, não é uma certeza. É o oxigénio que todas as esquerdas podem respirar, sem terem que deixar de ser elas próprias.


Manuel Alegre, Presidente: é a muralha que nos protegerá dos bárbaros, que, mesmo com os seus ouropéis coloridos e tonitroantes, não conseguem esconder a sofreguidão com que procuram salvar-se, à custa de um retrocesso civilizacional, que começaria por afundar os povos, para depois arrastar na sua voragem o volátil conforto dos senhores.


Manuel Alegre, Presidente: não é a oportunidade de um poeta, nem o destino de um combatente. É a oportunidade de o povo de esquerda regressar à sua viagem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Manuel Alegre em Coimbra


Manuel Alegre está em Coimbra hoje e amanhã


1. Quinta-feira - dia 14 de Outubro - às 18 horas

INAUGURAÇÃO da sede de Coimbra
(Av. Calouste Gulbenkian/ Celas, 22-C)


2. Sexta-feira, 15/10/2010, às 11:30h - Auditório

(FEUC - Av. Dias da Silva, 165 )

DEBATE

«Inovação e emprego: desafios para as novas gerações»
Prof. José Reis
Candidato presidencial Manuel Alegre
Representantes dos Núcleos de Estudantes da FEUC
Prof. Elísio Estanque (moderador)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Várias esquerdas, uma vontade


1. Na Comissão Nacional do Partido Socialista votei o apoio à candidatura do Manuel Alegre, tendo sido um dos participantes que expressamente interveio, defendendo essa posição. Nem talvez eu conseguisse, nem teria interesse reproduzir essa intervenção, mas talvez valha a pena indicar o sentido geral daquilo que disse.
Comecei por apoiar a proposta de José Sócrates e o modo como a apresentou e justificou. Foi uma proposta directa, simples e clara. A opção pela candidatura de Alegre baseou-se politicamente, no essencial, no facto de ela ser inequivocamente progressista, o que tornava natural que o PS com ela substancialmente se identificasse. Não se estava a escolher um candidato do PS. Estava a dar-se apoio, expresso e oficial, a um candidato que já existia.
Sem pôr em causa a sua independência, a sua vitória passava a ser um objectivo político central do PS. Sócrates deixou bem claro que o PS nunca poderia ter como opção a não escolha, ou seja, uma hipotética liberdade de voto, concedida aos seus militantes e apoiantes, que alguns opositores de Alegre tinham defendido. Foi também peremptório a garantir que o PS assumia a sua posição sem reserva mental e sem meias tintas. O que estava em causa era apoiar ou não um candidato, nunca uma opção de meias tintas. Propunha o apoio a Manuel Alegre; e fazendo-o, queria que o PS procurasse pesar nesse prato da balança com toda a sua força. No respeito pleno pela autonomia da candidatura e pela independência do candidato, procuraria fazer tudo para que Alegre fosse eleito.Foi esta atitude que eu e muitos outros apoiámos.
Sublinhei depois que a política não devia ser guiada por emoções. Devia pôr-se emoção na maneira racional de fazer política. Se eu me tivesse guiado por emoções, teria apoiado Manuel Alegre na eleição anterior, pois era amigo dele há décadas, não conhecendo então pessoalmente Mário Soares. Mas foi a este e não a Alegre que apoiei, por uma escolha racional que me pareceu certa e na qual pesou o que eu entendia ser nessa circunstância o interesse do PS, da esquerda e do país.
Por uma razão idêntica, apoio agora Manuel Alegre. Aliás, há alguns meses já que declarei publicamente esse apoio.Valorizei a escolha proposta, como uma das movimentações estratégicas necessárias ao PS (uma das movimentações, mas não a única), para não se deixar encurralar numa espécie de reduto simbólico, no qual apenas lhe fosse dado resistir. Ora, a resistência, mesmo que valente, não basta, por si só. Não será suficiente para sobrevivermos como força organizada, actuante e institucionalmente relevante, aos ferozes bombardeamentos políticos que, provavelmente, nos esperam num futuro próximo.
Depois de mais algumas breves considerações nesse registo, concluí sustentado a ideia de que, devendo-se sempre lutar para vencer, era importante combater-se bem, pois só assim se poderá pensar em ganhar. E se, mesmo combatendo-se bem, não se conseguisse ganhar, o efeito político obtido seria, seguramente, positivo para o PS, para a esquerda em geral e para o país.

2. Fazendo agora um comentário breve ao significado político da candidatura de Alegre, penso que a sua grande força estratégica está no facto de a sua independência não ser uma contrariedade que tenham que digerir as forças políticas que resolvam apoiá-la, mas pelo contrário algo que convém a essas forças. A sua força táctica está no facto de o candidato, ao ser ele próprio com plena autonomia, estar em consonância plena com aqueles que o apoiam.
É claro, que isto será tanto mais assim quanto Alegre consiga executar com plena eficácia uma orientação geral que valorize os grandes eixos de desenvolvimento de uma sociedade mais justa, no quadro de uma democracia em constante aperfeiçoamento, de modo a que no horizonte se perfile o fim dos pesadelos sociais que sobre eles hoje se abatem. Se ele conseguir fixar as grandes linhas de uma esperança progressista , congregando-as num desígnio nacional que prossiga na senda de Abril e se assuma como plenamente identificado com a nossa actual Constituição, fará tudo o que lhe compete e tornará possível que um leque diversificado de opções políticas dentro da esquerda , sem reserva mental, vejam na sua candidatura um passo muito importante para fazer sair os actuais humilhados, excluídos e desfavorecidos, do pesadelo para onde os arrastaram.
Não se espera que, nem o candidato, nem as forças que o apoiam, renunciem aos seus objectivos próprios ou às suas convicções, espera-se que ganhe solidez uma confluência natural de interesses políticos, uma ideia de complementaridade na diversidade, viradas para o futuro e para a construção de uma sociedade justa e livre.

sábado, 5 de junho de 2010

A transigência dos intransigentes


É muito estranho que aqueles que se insurgem contra as dissonâncias de Alegre, em face da linha dominante no PS, em conjunturas passadas, não hesitem agora, por si próprios, em fazer aquilo que consideram um pecado mortal quando cometido por ele.


De facto, quem pensar que outros têm um dever absoluto, de nunca estarem em contradição com a linha dominante de um partido a que pertençam, não é coerente consigo próprio se depois se autorizar a estar contra essa linha noutra circunstância. Por isso, os que se recusam a apoiar Alegre por causa de alegadas dissonâncias em face do PS, estão afinal agora a praticar aquilo que lhe censuram.


Isto para não falar num outro estranho esquecimento: sem o contributo político de Manuel Alegre teria sido praticamente impossível que tivéssemos reconquistado a Presidência da Câmara de Lisboa. E já agora recordem também a presença de Alegre, enormemente ovacionada no Comício de Coimbra das últimas legislativas. Enfim, memórias selectivas.


Mas se posso compreender a lógica de ressentimento que leva alguns socialistas a não apoiarem o candidato apoiado pelo PS, mesmo que de modo algum a partilhe ou ache razoável, já me parece verdadeiramente absurdo que algum socialista possa pensar sequer em apoiar um candidato politicamente oportunista como é o caso do Nobre, que ainda por cima é um protagonista de relevo na pequena legião reaccionária que segue o candidato miguelista ao inexistente trono português e já se revelou durante a campanha como um banal expoente da direita ideológica. Digo que é politicamente absurdo para não dizer que é civicamente vergonhoso para qualquer republicano, para qualquer socialista, que não seja politicamente tonto apoiar o tal Nobre.

sábado, 29 de maio de 2010

Uma esquerda mansa dentro do PS


Há uma esquerda mansa dentro do PS que murmura de vez em quando a sombra de uma ligeira discordância circunstancial com a direcção do partido, para que se desconfie que possa existir.

Move-se com discreta elegância, como um fantasma de uma terceira via de cuja órbita verdadeiramente nunca fugiu, embora sempre tenha mantido a necessária distância para não ser salpicada pelos desastres que ela protagonizou.

Nos órgãos do PS, resguarda-se de fazer ouvir a sua voz, deixando por vezes a subtil demarcação de um sorriso céptico como grau máximo da ostensibilidade que consente a si própria na crítica à linha dominante.

Na comunicação social ou na blogosfera, concede por vezes uma ideia, onde se surpreende um perfume de demarcação em face do Governo ou perante a direcção do partido. A comunicação social noticia a inesperada sombra dessa nuvem passageira.

Ela não gosta do Manuel Alegre como possível candidato apoiado pelo PS. Preferia talvez um português suave que sussurrasse uma campanha serena, susceptível de fazer com que as cinquentonas melancólicas regressassem à breve primavera de um voto. Preferia talvez um candidato sem alma que nos dissesse uma prosa lisa e nos aconchegasse num território centrista, sem gritos e sem arestas. Ou seja, a esquerda mansa, que vive pé ante pé, dentro do PS preferia um candidato asséptico de fato cinzento e gravata azul cobalto, que nos fizesse repousar a todos numa hipotética harmonia universal, para onde felizes se encaminhariam em romaria os apreciados votos do alegado centro. Velha ideia, velha ilusão.

E no meio de uma tão discreta mansidão, pergunto-me: Mas afinal que pequenas coisas ou que grandes cálculos separam estes camaradas da direcção actual do nosso partido ?

sábado, 30 de janeiro de 2010

A força objectiva de uma candidatura


No decorrer desta semana, entre as notícias políticas relevantes, recordo o artigo de Vital Moreira no “Público”. Recordo-o, pelo facto de ele ter sido um dos mais expressivos reconhecimentos públicos da incontornabilidade da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República. E reconheça-se que foi, por isso, um poderoso apoio objectivo a essa candidatura. E foi-o tanto mais quanto se tratou de um texto criticamente desfavorável à candidatura que objectivamente acabou por favorecer.

Na verdade, Vital Moreira não gosta da candidatura de Alegre . Não gosta especialmente que o PS venha a apoiar essa candidatura. E mesmo assim vê-se forçado a reconhecer que o PS e a esquerda não têm objectivamente outra saída que não seja a de apoiarem Manuel Alegre.

Não imagino um atestado de força a uma candidatura mais expressivo do que este.

Bem sei que Vital Moreira expressou uma preferência política por um candidato ideal que fizesse o pleno das virtudes e se mostrasse vazio de defeitos, tendo sido claro a dizer que, para ele, esse candidato não era Manuel Alegre.

Mas quem não acompanhará Vital Moreira nessa preferência? Estou certo que o próprio Manuel Alegre não hesitaria um instante em desistir de imediato, se lhe assegurassem, a cem por cento, que um anjo seria destacado pelo Altíssimo, para vir à terra assumir a veste de candidato ideal da esquerda em geral, e do PS em particular, à Presidência da República. Um anjo de esquerda, inevitável e infalível, que concitasse o entusiasmo de Vital Moreira, das direcções do PS, do BE e do PCP, numa beatitude militante que arrastasse todo o eleitorado de esquerda, numa caminhada gloriosa que o instalasse em Belém.

No entanto, como a política terrena não se faz com anjos, nem com candidatos ideais, mas com a carne-e-osso relativa e imperfeita dos homens, Manuel Alegre não tem outro remédio que não seja o de continuar a robustecer a sua candidatura, fazendo jus ao facto de ser, entre os humanos, o melhor candidato presidencial, quer do ponto de vista do PS, quer do ponto de vista da esquerda , em geral, quer do ponto de vista do interesse histórico prospectivo do país, no seu todo.

Como moralidade final, posso alegar que é esta uma das riquezas da atmosfera democrática que se respira, e deve continuar a respirar, na área socialista. Assim, de facto, da pluralidade de opiniões, naturalmente mostrada, podem emergir objectivamente caminhos que transcendem a própria subjectividade de quem, demarcando-se deles, acaba por favorecê-los.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Se o inimigo me ataca...


Num diário de grande circulação, cita-se hoje com destaque uma douta sentença de um oráculo da "linha". Dizem-nos que Marcelo Rebelo de Sousa sentenciou :

"Má partida de Alegre".

Ensina-nos a estratégia ancestral dos chineses que:

" Se o inimigo me ataca é porque estou no bom caminho!"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sondagem - os números da esperança



No "Correio da Manhã" de hoje é publicada uma sondagem respeitante às próximas eleições presidenciais , comparando o apoio de que dispõem Cavaco Silva e Manuel Alegre. O modo como os resultados são apresentados reflecte um ponto de vista predominante na conjuntura mediática, cujo sentido essencial é o apoucamento da posição de Manuel Alegre.
Especialmente curiosa, é a posição de alguns dos mais petrificados apoiantes intelectuais de Cavaco. Afixam um perfume de simpatia e consideração por Alegre, vestem uma pele apressada de analistas independentes e, como se fossem a personificação de uma imaginária objectividade, quase lamentam que Manuel Alegre seja um candidato que não vai ganhar.
Se lermos este fenómeno na sua globalidade, há uma conclusão objectiva que podemos tirar: a direita que pensa percebeu que a candidatura de Alegre é perigosa para Cavaco, pelo que se deu ao trabalho de a combater desde já.
Em si própria, a sondagem mostra um MA com quase o dobro das intenções de voto, se as compararmos com os votos que obteve nas últimas presidenciais; e um CS com cerca de dez por cento a mais do que aqueles que então teve. Se pensarmos que CS é o actual Presidente da República e que a campanha eleitoral está ainda longe de ter começado, o ponto de partida de MA é bastante auspicioso. E é-o tanto mais, quanto, até agora, da área política que o poderá vir a apoiar apenas o BE se pronunciou favoravelmente, através da manifestação pública de opinião de um dos seus dirigentes de maior relevo. O PS não manifestou uma posição oficial; o mesmo tendo acontecido com o PCP.
Apesar disso, o eleitorado de cada um destes três partidos da esquerda revelou-se desde já maioritariamente favorável a Manuel Alegre. Por isso, o que deveria ser notícia não é o facto de o eleitorado de esquerda não ser unânime, desde já, no apoio a MA, mas sim o facto de que, mesmo sem o apoio oficial do PS, esta candidatura parte com o o apoio de 46% das preferências eleitorais dos socialistas; mesmo sem o apoio oficial do PCP com 50,8% das preferências dos eleitores da CDU; e, perante fortes indicações de que terá o apoio do BE, com 81,9% das preferências dos eleitores do Bloco.
Se pensarmos que, de algum modo, esta sondagem assinala para MA um ponto de partida e para CS um tecto que dificilmente ultrapassará, talvez possamos compreender que ela represente um sinal de alarme para Belém e uma luz de esperança para os apoiantes da Alegre. Luz de esperança que, impedindo qualquer afrouxamento de empenho, mostra que temos um objectivo viável. Um objectivo difícil, mas viável.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Homenagem a Manuel Alegre

O Manuel Alegre despediu-se ontem da Assembleia da República. Como é seu timbre, despediu-se olhando para o futuro. É tempo de homenagem. Por mim, vou transcrever um o poema que lhe dediquei e que foi publicado em 2003, no meu livro “Nenhum Lugar e Sempre”.



“A terceira rosa”
para Manuel Alegre



No íntimo de um gesto foi colhida,
a primeira, e logo se perdeu.

Só sabemos ainda que a segunda
é o luar de todos os segredos.

Mas uma de si própria renasceu,
flor da claridade e da memória.

Terceira, por ser antes do princípio
e estar além de tudo, além do fim:
a que se deu inteira a cada cor
e traz em si o cheiro do futuro.

Uma rosa por todos inventada:
foi essa que lançaste a meio da praça,
num gesto de amor e de combate.