segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Onde está a esquerda polaca?


Os resultados das eleições polacas traduziram-se na vitória da direita liberal contra uma direita conservadora de um primarismo fora de uso, mas que, no entanto, continua a ter como Presidente da República um dos seus líderes.

Contudo, tem ficado em silêncio um outro aspecto dos resultados eleitorais: a esquerda continuou politicamente irrelevante, não tendo chegado aos 15%. A catástrofe das anteriores eleições, que dera a vitória aos conservadores, agora derrotados, apenas foi mais severa cerca de 3%.

Dir-se-á que são sequelas de uma conotação excessiva com o regime pro-soviético derrubado em 1989, já que a actual Aliança da Esquerda Democrática integrada na IS, resultou, de algum modo, de uma reconversão dos sectores mais arejados do regime anterior.Puro engano, a ALD já liderou uma coligação que governou a Polónia depois de 1989, tendo eleito um Presidente da República, o Sr. Kwasniewski, que ocupou o cargo durante dois mandatos,de 1995 até 2005.

Mas o governo de esquerda alinhou com o Sr Blair,mandou os soldados polacos para o Iraque, foi dócil perante os cânones neoliberais dominantes e perante o Sr. Bush, fragmentou-se, tornando-se irrelevante.

Na verdade, quando a esquerda se assemelha demasiado à direita, pode acontecer que os eleitores acabem por preferir os originais, por acharem que serão pelo menos mais autênticos do que a cópia. Enfim, a moderação nem sempre dá votos; também pode levar a catástrofes eleitorais.

1 comentário:

André Pereira disse...

Aqui está um "case study" interessante de ciência política! E com o PSD com cara nova a chegar-se ao PS poderemos vir a assistir a cenas interessantes neste capítulo da "cópia" e do "original". É que o original sempre dá mais garantias e fica melhor na fotografia.
O ponto é que a Direita se dá melhor com este PS porque este domina melhor a comunicação social e os movimentos de descontentamento social que o PSD.
Veremos no que isto dá...