terça-feira, 16 de outubro de 2007

Cesteiro que faz um cesto...



A desproporção entre o que ocorreu no já célebre episódio da Covilhã (mesmo que se aceite como certa a versão dos sindicatos e não a dos inquiridores) e o ruído público e mediático que persiste, é tão grande, que só pode compreender-se se tiver uma outra razão que a explique.

O meu vaticínio é o de que, dentro de alguns anos, quando, de entre os actuais expoentes do sector sindical do PCP, algum deles passar a percorrer novos territórios políticos, ser-nos-á revelado que todo este exuberante excesso de reacção foi afinal o instrumento possível, para crispar ao máximo o clima público, na esperança de assim se potenciar a captação de manifestantes, para a próxima grande jornada nacional de protesto.

Sem enveredar por comentários de natureza ética, de um ponto de vista apenas político, ainda que, parecendo por vezes imediatamente rentável, a instrumentalização política das lutas sindicais, a médio prazo, acaba por ser penalizadora, quer para instrumentalizadores , quer para instrumentalizados.

Dir-me-ão que esta hipótese é uma simples conjectura.E isso é verdade. No entanto,a área política dominante na CGTP já executou outras manobras dúplices bem mais amplas e complexas, que poucos apontaram como tais, quando estavam a acontecer.

Quem encarou na sua altura o PRD como o resultado de uma manobra política amplamente apoiada pelo PCP, pelo menos, no plano organizativo? E, no entanto, já houve antigos membros do PCP, entretanto saídos, que o afirmaram publicamente, revelando que eles próprios estiveram envolvidos na decisão de desencadear esse processo.

Quem terá pensado, na altura em que isso ocorreu, que o Partido Ecologista "Os Verdes" foi constituído por decisão tomada dentro do PCP e que o seu processo de recolha de assinaturas foi predominantemente posto em prática por militantes do PCP? E no entanto mais do que um antigo membro do PCP afirmou à minha frente ter participado nesse processo, nos termos referidos.

A democracia está estabilizada, o PCP assume-se como partido fiel ao estado democrático, não há nenhuma insurreição popular no horizonte , nem sequer como miragem. Portanto, a duplicidade não é uma arma política legítima. É sim uma verdadeira hipocrisia.


E não há um outro nome para a hipocrisia na política que não seja, pura e simplesmente, o de oportunismo.

2 comentários:

André Pereira disse...

2 polícias visitaram o sindicato para saber o que se ia passar. Parece que isso é inédito. Terão dito: "portem-se bem!".
Será que os polícias sentem as costas quentes pelo facto de o Primeiro-Ministro tentar descridibilizar as manifestações sindicais?
Quanto aos sindicatos: será que ainda ganham influência política nas "lutas" nas ruas. A esta hora partem uns tantos estudantes para Lisboa. Dinamizam-se os mais afoitos, fazem-se camaradagens, passam um dia divertido na capital.
Chamam a isso "actividade cívica"; luta pelos interesses dos estudantes e da Universidade. Mas ganharão realmente algo com o barulho nas ruas?

Anónimo disse...

Nem sequer lhe passa pela cabeça considerar que esses ex-militantes do PCP podem estar a mentir, como é por demais provável, dada a hostilidade que sentem em relação so PCP, não é assim?
É como funciona o oportunismo político... Manipula-se as probabilidades conforme dá mais jeito.