sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pânico no laranjal.


Era uma vez um laranjal, onde vivia uma estranha comunidade zoológica, moldada por sonhos, por ambições, por simples ilusões, imune à força normal da natureza.

De quando em quando, disputavam entre si o ceptro do máximo poder. Uma série de eventos infelizes fez com que a sua mais suprema criatura tivesse que ser substituída.

Aos pomares vizinhos voltou um assomo de arrepio. De facto, daquele laranjal sai às vezes, por escolha democrática, o supremo guia de todos os pomares. E no leque dos possíveis e novos senhores do laranjal surgia como forte candidato o Liberalodonte , um fogoso exemplar, rejuvenescedor de antiguidades, que ameaça inovar, ressuscitando as múmias mais antigas do passado.

Esperava-se dos barões do laranjal um sopro de vigor que os perfilasse, por detrás de um sólido animal. Porém, regressando de longe , inopinado, apresenta-se afinal um candidato que reduz a contenda à condição de uma simples luta de vazios. De facto, regressando dos longes europeus voltou preocupante o conhecido Arrasodonte, que a ciência mais sábia e rigorosa decidiu classificar, há muito tempo, como arrasodontis pernosticus .

E agora em todo o laranjal estende-se insidiosa uma pergunta : conseguiremos ao menos um terceiro?

3 comentários:

Alexandre Nunes disse...

Texto brilhante, caro Rui Namorado! Fico a aguardar, impaciente, a caracterização da terceira figura, agora já apresentada...talvez se trate de um palidus passadonte, mas deixo para si, a genialidade da criação.

Raimundo Narciso disse...

Gostei da volta pelo laranjal. Por acaso acabei de postar sobre 2 dos
laranjodontes
também costumava usar o RN mas confundiam-me com a Rodoviária Nacional...
Um abraço

Anónimo disse...

Caro Raimundo Narciso:

Li os teus comentários e confirmei que ambos olhamos para os recentes malabarismos dos "laranjodontes", a partir de perspectivas idênticas.

Estão a ficar azedos e julgam que conseguem fazer dos outros parvos.

Quanto à Roviária Nacional, a verdade que ela até já nem existe e nós cá estamos.

Abraço.

Rui Namorado