sexta-feira, 20 de março de 2009

Provedores, direita e verdade


Galeria dos Provedores de Justiça realmente existentes:

HENRIQUE ALBERTO NASCIMENTO RODRIGUES (2000/...)

Os nomes que acima transcrevi correspondem à lista de "Provedores de Justiça" que até hoje exerceram as respectivas funções em Portugal.

Pode verificar-se que, desde 1975 até hoje, só desempenhou esse cargo um militante do PS ( José Magalhães Godinho - desde 1976 até 1981). Isto é , há vinte e sete anos que o PS não indica qualquer militante seu para esse cargo.

Em contrapartida, pertenceram ao PSD os três últimos "Provedores de Justiça" ( Mário Raposo, Meneres Pimentel e Nascimento Rodrigues). Isto é, desde 1990 até hoje que não há um Provedor de Justiça que não seja do PSD. Há dezanove anos , portanto, que é um militante do PSD a ocupar o cargo.

E, a quem sustente que o "Provedore de Justiça" deve ser sempre indicado pelo maior partido da oposição, basta recordar que Mário Raposo e Meneres Pimentel foram escolhidos no decurso do consulado cavaquista.

Portanto, se o PS sentisse que era tempo de voltar a haver, 27 anos depois, um socialista na Provedoria, ou que não era saudável prolongar os 19 anos de exercício da provedoria por militantes do PSD, não se pode dizer que estivesse a exagerar. Mas sabe-se que, afinal,nem isso fez, tendo indigitado nomes que nem são militantes socialistas. Por exemplo, relativamente ao convite mais recente, Jorge Miranda, será difícil ver nesta indicação uma sofreguidão partidária do PS.

Por isso, a Dama de Cinza, que tão amiga da verdade se afirma, revelou afinal uma enorme desonestidade política e intelectual, quando, perante o quadro que acima mostrei, acusou o PS e Sócrates de quererem dominar todos os cargos públicos. A verdade é a oposta: o PSD julga-se com um direito natural ao poder e considera um sacrilégio a presença de pessoas de qualquer outro partido, em lugares de seu exercício .
O pernóstico Rangel, assemelhando-se a um caniche de luxo da referida Dama, uivou alguns dislates hipócritas com voz grossa, mostrando até onde está a descer o nível político da oposição, pelo lado do PSD. O cessante provedor e o actual Presidente da República resmungaram algo de discretamente consonante com o alarido do PSD(também deles), esquecidos do panorama que acima evidenciei. Deviam ter mais pudor ou alguma vergonha. Todos se portaram como se 19 anos de provedoria fossem nada e um afastamento de 27 anos ainda fosse pouco. Não gostam do PS? Já sabemos. Mas daí a comportarem-se como donos do país vai uma grande diferença.

Como sacristães deste inusitado sacerdócio, alinharam alguns comentadores, alguns jornalistas, os outros partidos da oposição, comportando-se como se tudo o que acima apontei fosse nada perante o imperativo da malhar no PS a propósito de tudo, independentemente dos factos.

3 comentários:

André Pereira disse...

Começa a ser uma perseguição nacional: todos contra o PS, todos a malhar. A afirmação do Dr. Rodrigues foi das mais graves de sempre dos 34 anos de democracia. Não pode ficar impune. O comportamento do PSD: rancoroso, raivoso e desesperado teve a resposta adequada de Alberto Martins: acabou-se o bloco central; está na hora de colocar todos os partidos no centro da decisão e colocar o PSD no seu verdadeiro lugar: médio partido em desfragmentação, abaixo de 1/3 do Parlamento. E deve ser uma lição para o futuro: Menezes rompeu o Pacto da justiça e da reforma eleitoral, esta senhora emissária da alta finança e da direita mais reaccionária está a arranhar todo o espírito de cooperação que pudesse haver. Basta!

José Fernandes disse...

A questão não é essa...

É a procura da concentração dos titulares dos órgãos do Estado nas mãos de um só partido e a arrogância de quem se acha no direito de a fazer. Talvez os seus defensores se esqueçam que a maioria do PS foi apenas para um mandato de quatro anos na Assembleia da República.

Anónimo disse...

A sua linha de argumentaço baseia-se em ficções e na aceitação da perspectiva do PSD, que, como pode verificar, só acha que o Provedor deve ser indicado pelo maior partido da oposição quando não é ele que está no poder.

De facto, para além do que digo no meu texto, também a última recondução de Nascimento Rodrigues foi feita em pleno governo do PSD/CDS; e na altura não tenho notícia que achassem que devia ser a oposição a indicar o Provedor.

Rui Namorado