terça-feira, 2 de junho de 2009

Eleições Europeias: passado e futuro

Fui pescar ao Nouvel Observateur a infografia que acima reproduzo. Através dela, de acordo com os resultados agregados de sondagens feitas nos 27 Estados da União Europeia, pode ficar-se com uma ideia geral dos resultados prováveis das próximas eleições do dia 7. E pode comparar-se a distribuição de lugares que delas resulte, com aqueles de que os diversos grupos dispunham no Parlamento cessante. Na mei-lua externa, inscreve-se a previsão dos lugares que se calcula virem a ser conseguidos. Na meia-lua interna, estão os lugares de que cada grupo dispunha até agora. Deste modo:

- o Partido Popular Europeu (PPE) ficaria com 248 deputados;
- o Partido Socialista Europeu (PSE), com 207 eleitos;
- a Aliança dos Democratas e dos Liberais pela Europa (ALDE), com 88 lugares
;
- a União pela Europa das Nações (conservadores eurocépticos), com 62 lugares;
- a Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, com 44 eleitos;
- os Verdes/Aliança livre Europeia, com 42 lugares;
- a Independência e Democracia (conservadores eurocéplticos), com 19 eleitos.
- a Identidade, Tradição e Democracia / mais os não-inscritos somariam 26 eleitos.


Recorde-se que o número total de deputados desceu de 785 para 736, fazendo com que alguns países perdessem deputados e outros ganhassem.Portugal passou de 24 para 22 deputados.

Se estas previsões anteciparem o que vai acontecer no próximo dia 7, ao PPE não bastará o apoio da ALDE para ter maioria absoluta. Mas os socialistas, os comunistas e os verdes, mesmo que se coligassem também ficariam longe de a ter.
No caso português, como se pode ver e deve sublinhar, o único partido com uma identidade europeia clara e específica é o PS, aliás, idêntica à que assume em Portugal. De facto, ele é o único partido português que pertence ao PSE.
Já os outros partidos parlamentares têm feito uma campanha interna contaminada por uma boa dose de hipocrisia europeia. Efectivamente, mesmo que finjam rosnar entre si, o PSD e o PP pertecem ao mesmo partido europeu, o PPE.
Paralelamente, quer o BE quer o PCP, por mais que subtilmente se esgadanhem, não deixam de pertencer ao mesmo grupo político europeu que, deve dizer-se, é dominado pelo que resta dos estilhaçoes políticos do defunto modelo soviético.
Ou seja, por muito que se finja socialmente sensível e politicamente moderno, o PSD não deixa de ser o principal braço nacional desse monumento de conservadorismo neoliberal que é o Partido Popular Europeu. E o BE, por mais que pretenda captar em Portugal sensibilidades de esquerda, talvez radicais, mas alérgicas ao perfume autoritário das memórias soviéticas, acaba por se juntar a elas na Europa, com toda a tranquilidade.

6 comentários:

b m disse...

Francamente, Rui, olha que o BE não vai indicar para Presidente da Comissão Europeia o inefável Barroso... Abraço!

Anónimo disse...

O PS é o "oásis no meio do deserto"; os outros partidos estão em zonas mais áridas, afastados da razão e da perfeição.

RN disse...

1.O Anónimo das 20 e 02 foi possuído por aquilo que Sartre chamava " mauvaise foi". Não há por isso qualquer utilidade em dialogar com ele.

2. Quanto a ti caro BM é outra histótia.

Eu também acho estúpido e errado anunciar o voto num dos meme
bros daquilo que no meu blog sempre considerei como o "clube dos mentirosos".

Mas não é líquido que o PS português vá votar no Barroso. O PS francês não irá e há deputados espanhóis que também não.
De facto, houve apenas três primeiros-ministros de governos de partidos socialistas que declararam apoio ao dito Barroso,bem como um importante deputado europeu alemão, mas o PSE não tomou ainda qualquer posição. E há um abaixo-assinado, promovido por Soares, Gonzalez e outros históricos, a criticar esse apoio.
Realmente, o que vai decidir se Barroso continuará ou não, é o resultado das eleições europeias. O PPE conseguirá uma maioria de apoio para fazer escolher Barroso ou não? Essa é a questão.

Sem retirar relevância à questão, ela não é tão estruturante como o facto de se pertencer a uma família política europeia hegemonizada pelos partidos que representam o saudosismo pró-soviético. É o que acontece com o BE.
E por mais discutíveis ou criticáveis que sejam as posições do PS, elas nunca podem servir de justificação para a cedência a essa pertença a uma família polítca tão retintamente retrógrada e tão estéril politicamente.

b m disse...

Meu querido Rui,

Não vejo agora reflectido aqui o que há algum tempo escreveste no teu blog,que c/ a devida vénia passo a transcrever:

"Só conseguirás influenciar o futuro, se em alguma medida o conseguires antecipar."

Estar à espera que os teus confrades europeus rectifiquem os v/ erros não diz, nem nunca disse, contigo.

Pois antecipar Barroso é pior que mau. Ele pertence ao "clube dos mentirosos".

Quanto às famílias europeias, muito haveria que dizer. Guardo p/ outra altura, se quiseres, esta questão.

Mas adianto desde já que não é c/ adjectivações do tipo " retrógrada e estéril" nem com labéus de "saudosismo pró-soviético" que vais lá.

E a "social democracia" reunida à volta do teu PSE não te incomoda ?

A tua rive gauche... está bem mais perto da EUE do que do PSE. Faço-te essa justiça !

Um grande abraço

RN disse...

Caro BM:

Muitas vezes, vemos com facilidade o que nos agrada, mas custa-nos a encontrar o que não nos agrada.

E talvez isto se aplique a nós dois, embora em planos diferentes.

Abraço.

RN

Anónimo disse...

Há séculos que se procura ou que alguns procuram os Estados Unidos da Europa. Pessoalmente não vejo grande mal ao mundo que isso venha a acontecer!

Mas porque não a Europa das nações livres e independentes?

Se os políticos de todo o mundo quiserem, melhor dizendo, governarem bem os seus povos as sua nações, haveria algum mal nisso?

Os Impérios cairam e hão de cair mesmo que a doidivana dos políticos e dos povos teimarem nessa da hegemonia assombrosa, doença de séculos dos hegemónicos poderes..!
Um abraço do Catraio