sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nunca, com os nossos votos!



A primeira sondagem, que eu saiba, difundida depois das eleições de 7 de Junho passado, dá uma vitória relativa ao PSD (35,8% dos votos), ficando o PS a uma distância de 1,3% (34,5%). O BE solidifica a sua posição de terceiro partido com 13,1%. Segue-se a CDU com 8,4 %, enquanto o CDS se fica pelos 4,4%. A direita totaliza, assim, 40,2%, enquanto a actual oposição de esquerda atinge os 21,5%.

Se as próximas eleições viessem a ter estes resultados o PSD sairia vitorioso, mas nem uma aliança com o CDS bastaria para gerar uma maioria absoluta.

Este é um cenário extremamente perigoso, para o PS. A propaganda mediática e uma intensa pressão dos poderes de facto haveriam de tentar condicionar o PS para que, ao menos, não inviabilizasse um governo minoritário, de toda a direita ou só do PSD. Alegar-se-ia que impendia sobre o PS uma espécie de dever de bom perdedor, que o deveria conduzir a viabilizar um governo minoritário da direita. Mas, ceder a essa hipotética chantagem poder-lhe ia ser fatal, do ponto de vista da confiança do seu eleitorado e da sua própria coesão interna.

Por outro lado, numa conjuntura em que do PSD faz cair sobre o PS e sobre o actual Governo, não apenas uma chuva de críticas radicais, mas também uma chuva de insultos, temperada com uma ameaça de mudança de todas as políticas sociais e económicas seguidas pelo actual Governo, não se compreenderia que, se o PS viesse a perder as eleições,fosse salvar com o seu voto, o seu mais implacável algoz.

Por isso, o PS tem que deixar claro, desde antes das eleições, que votará contra qualquer governo de direita, pelo que só haverá um governo de direita depois das eleições se a direita no seu todo tiver uma maioria absoluta, ou se algum dos partidos de esquerda, que não o PS, resolver viabilizá-lo.

Deve também tornar claro que não se aliará a qualquer dos partidos da direita e que aceitará formar governo, se para tal for convidado, desde que a direita não tenha maioria absoluta.


E deve ficar claro que não se trata de apenas dar uns meses ou uns anos a um governo minoritário de direita.Deve ficar claro que o convite que o Presidente da República possa fazer a um partido ou a uma coligação de direita, que não tenham maioria absoluta na AR, é pura perda de tempo, a não ser que o BE ou a CDU tenham uma posição diferente da do PS.

Assim, se o PR, apesar disso, insistir nesse convite, há-de fazê-lo por conta própria com a noção de que, pelo menos o PS, apresentará uma moção de rejeição contra qualquer governo de direita, seja ele só do PSD ou do PSD /CDS.

9 comentários:

EMOM disse...

Amigo e Camarada
Não me admirava nada que tudo isto aconteça... Depois de ver as opiniões do P.R. em tão pouco tempo.
Eu, para mim, acho que o presidente do PSD neste momento é ELE. Veja as posições que tem tomado.
Ainda alguns falam mal do SAMPAIO.
Um grande abraço para todos.

Osvaldo Castro disse...

Caro Rui,

Fiz link para o "Praça Stephens".
Abraço.

ahp disse...

Seria uma situação perigosa para o PS mas sobretudo para a democracia. Se a maioria do povo votar, melhor ou pior, em partidos de esquerda, será claramente porque não quer ser govervado pela direita!

Tribuna Socialista disse...

Seria também importante que os partidos como o PS se comprometessem a cumprir com POLITICAS DE ESQUERDA quando governo e não só a comportarem-se como uma espécie de "voto útil" contra a direita, para depois, fazerem no governo o que a direita também faz!
E para que isto aconteça, a direcção de José Sócrates no PS já mostrou o que é capaz de fazer em matéria de honrar compromissos eleitorais.
É precisa e urgente uma ALTERNATIVA DE ESQUERDA com políticas de esquerda, com perspectiva claramente democrática e socialista. As maiorias de esquerda no parlamento não devem ser só somas aritméticas de partidos que esquecem que HÁ uma maioria social de esquerda que quer políticas diferentes e de mudança social, política e económica.

Rui Namorado disse...

1.A noção de maioria social é uma noção difusa a que se vê forçado a recorrer quem não tem uma maioria política efectiva, a qual só é determinável pelos votos que se consigam.

2. Não há convergência possível entre forças políticas diferentes, quando uma delas, ainda por cima a que menos dimensão eleitoral tem, se arvora em juiz político da outra e encara implicitamente a ideia de aliança como a submissão do potencial alidado às suas ideias políticas e aos seus critérios.

3. Admito que o PS tenha feito algumas promessas eleitorais que não cumpriu. Mas para se poder discutir utilmente esse assunto, será necessário, desde logo, saber-se, em concreto, de que documento político constam essas promessas. Depois, será necessário apurar se esse não cumprimento é imputável ao governo do PS, ou se é, total ou parcialmente, explicável pelo inesperado déficite deixado pela direita, ou pela crise mundial que imprevistamente eclodiu.

Por mim, discordo de muitas medidas tomadas pelo Governo actual e de algumas das suas políticas, mas nunca me passou pela cabeça basear essa demarcação na tradicional ladainha do discurso politico-mediático dominanate, que tende a reduzir a crítica política a uma acusação intensiva de promessas não cumpridas.

Anónimo disse...

O JR remeteu-me o email que abaixo transcrevo, esperando estar a colocá-lo no sítio certo:
"Concordo em absoluto com a análise do Rui Namorado e sobretudo com a exigência de clarificação que aqui deixa. O PS deve ser inequivoco desde já, perante essa mórbida - mas considerável - possibilidade. E ajuda a separar as águas e a manter a identidade, duas questões que me amarguram.

Sérgio Ferreira Borges"

Anónimo disse...

Sim, mas falta o resto. Ou seja, que vai o PS fazer com esse Não?
Eu penso que a estratégia eleitoral do PS não é essa, nem me parece útil- do ponto de vista do PS - que fosse. Mas sobre isso já falei no meu blogue o suficiente
Segunda questão: muito mais grave é uma aliança pré-eleitoral da direita, e eu acho que é para aí que as coisa apontam, não obstante o palavreado contrário posto a circular...
CP

Rui Namorado disse...

Com esse Não torna politicamente inúteis quaisquer pressões pós-eleitorais para que, no caso de um resultado em que o PSD tenha o maior número de votos, mas a direita em conjunto não tenha maioria absoluta, deixe passar um governo FLeite.

Se o BE e o PCP fizerem o mesmo, a fasquia política para o PSD sobe imediatamente. Só terá uma vitória útil, se além de ser o partido mais votado, se adicionar a essa vitória uma maioria absoluta da direita no seu todo.

Ora, essa hipótese é. mesmo hoje, improvável; e poderá sê-lo com evidência mais perto das eleições.

Por outro lado, é importante desfazer a ideia de que há uma qualquer legitimidade moral ou política,do partido mais votado ser automaticamente convidado a formar governo.

Deve ficar claro que a legitimidade política recai sobre o governo do partido que tiver, à partida, garantida a não rejeição pela Assembleia da República, apenas sendo determinante a força relativa dos partidos se mais do que um tiver assegurada essa não rejeição.

Por isso,na minha opinião, o PS devia dizer ainda outra coisa: aceitará o encargo de formar Governo, desde que a direita não disponha de maioria absoluta, mesmo que o PSD seja o partido mais votado.

Não sei se o PS tornará tudo isto bem claro antes das eleições. Esta segunda vertente é para mim menos relevante do que a primeira, por que decerto modo é uma consequência automática da primeira. Mas esta é um elemento central de um posicionamento estrategicamente vantajoso para travar o próximo combate eleitoral.

Tribuna Socialista disse...

Caro Rui Namorado,

Gostaria que pudesse participar no debate em http://www.esquerdanova.net
sobre o tema "Alternativa de esquerda: algumas reflexões".
Saudações fraternas,
João Pedro Freire