sábado, 6 de junho de 2009

Uma imprudente ousadia ou uma ousada imprudência ?

No "Diário de Coimbra" de hoje, vem noticiada a realização de uma reunião de militantes do PS, que designaram um deles como publicitador das conclusões a que chegaram, quanto ao candidato do PS à Câmara de Coimbra, para as próximas eleições autárquicas.

Apresentaram-se como apoiantes firmes de uma possível candidatura de Henrique Fernandes à Câmara de Coimbra. E, alegando uma alergia profunda, em face de qualquer candidato independente , deixam um claro aviso ao Presidente da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PS, que por acaso até é o mesmo Henrique Fernandes. Um aviso não desarmado, pois alegam dispor desde já do apoio da maioria da referida Comissão Política. Um aviso claro: ou Henrique Fernandes se propõe a si próprio, ou fica desde já avisado que afundarão qualquer candidato independente, que ele possa vir a propor.

Humanamente, compreendo as preocupações dessa maioria de CPC: assustaram-se com as ameaças públicas de algumas candidaturas independentes. Confesso aqui, em surdina, que eu próprio também me assustei.

Politicamente, é grande a minha hesitação quanto à avaliação do anunciado. Se um impulso optimista me atingisse, eu poderia ser levado a aplaudir, encarando a situação como se de uma verdadeira ovação ao novo candidato se tratasse. Seria o equivalente a um erguer em ombros o Henrique Fernandes, projectando-o inesperadamente para um élan de vitória que inevitavelmente se iria colher.

Mas se fosse de pessimismo a onda que me atingisse, talvez devesse temer o resultado do ultimato apresentado. Uma maioria de um órgão do partido reuniu-se à margem do seu presidente e intimou-o a ser candidato, antecipando formalmente a decisão do órgão de que detêm a maioria. O Presidente da Concelhia Henrique Fernandes fica assim claramente fragilizado e só por milagre essa fragilização não contaminará o candidato Henrique Fernandes.

De facto, eu posso imaginar o potencial eleitor socialista confrontado com a imagem de um candidato que foi arrastado para esse desígnio com a alegria de um condenado. E o facto desse arrastamento ter sido perpetrado com a melhor das intenções talvez não atenue o simples facto de ter acontecido.

E é por tudo isto que eu estou ainda muito hesitante quanto ao que hei-de pensar dessa reunião. Foi o impulso inicial de uma grande caminhada que terminará, seguramente, sob um arco de triunfo ? Ou é apenas um passo mais numa caminhada, cujo sentido há dias aqui sublinhei, quando escrevi que, quanto a todo este este processo, quase se poderia dizer que há um suicídio político a ser pacientemente construído.

Enfim, o futuro vai seguramente dizer-me se teria sido mais avisado confiar na ousadia do optimismo ou valorizar mais a prudência do pessimismo.

9 comentários:

Anónimo disse...

Crónica de uma derrota anunciada. Para beneficiar quem?
Segunda veremos se já há Marinho ou não.

Anónimo disse...

Não há.

Anónimo disse...

Quando saiu o Diário de Coimbra de ontem. parecia que as nuvens se começavam a dissipar no horizonte autárquico dos socialistas. O PSD ia ter à perna um dos seus a concorrer como independente.

A derrota do PS nas europeias, todavia, mudou tudo. E para evitar novas e mais pesadas derrotas, o PS tem pouco tempo. Há coisas em que não pode mudar. Há coisas em que, mesmo se mudar, os efeitos dessa mudança não advirão a tempo. Mas há coisas em que pode mudar. Há erros que não pode voltar a cometer, há oportunidades que não pode mais desperdiçar.

Para Coimbra, obviamente, mas também para a imagem política do PS no país, não é indiferente que o candidato do PS á Câmara seja alguém com notoriedade e credibilidade, ou um subproduto do aparelho partidário.

E o PS só poderá aspirar a recuperar da derrota sofrida se souber aproveitar bem todos os trunfos de que disponha.

Por isso, espero bem que, na reunião de hoje á noite de que se falou, se mostre que a lição foi aprendida e que os socialistas querem em Coimbra começar já a dar o seu contributo para uma vitória futura nacional, esquecendo detalhes e preferências pessoais e compreendendo o que é agora essencial.

JMC Pinto disse...

Então, Rui, que se passa? Estás em reflexão?
Abraço
JMCPinto

André Pereira disse...

Henrique Fernandes conseguiu um mandato para fazer uma lista livre, isto é, sem imposições de quotas ou de pequenos interesses aparelhísticos. Isso foi uma vitória conseguida com uma arte que importa assinalar. Esperemos que tenha a inteligência e a sagacidade de fazer uma lista de qualidade e que possa captar o voto do centro da cidade e dos jovens.
Por outro lado, a CPC reforçou a sua soberania ao afirmar que o cabeça-de-lista - fosse quem fosse - deveria prestar contas ali e não ser decidido em "petit comité".
Tudo agora vai depender da dinâmica das listas, dos candidatos às juntas, à Assembleia Municipal e - sem dúvida - da mudança de rumo por parte de Sócrates.
Henrique Fernandes é acarinhado no Partido e em largos sectores da população de Coimbra, tendo ganho notoriedade enqunato Goevrnador Civil. É uma pessoa serena e que sabe ouvir e confia no colectivo. Tem virtudes que devem ser realçadas.

Anónimo disse...

A única liberdade que não deram a HF foi a de não ser candidato.

Anónimo disse...

Se decifrei bem os jornais há duas versões sobre uma tal reunião que decidiu:
1. A dos apoiantes de HF que garante que ele ficou comprometido a ser cabeça de lista pelo PS à Câmara de Coimbra.

2. A do próprio HF que afirma ter-se comprometido a integrar a lista, ter liberdade para a fazer, mas que assegura que não se comprometeu a ser ele o cabeça de lista.

Os muitos eleitores do PS que não estão inscritos no partido interrogam-se. E ficam com a impressão que para os protagonuistas formais do PS o passado dia 7 de Junho não aconteceu.

Anónimo disse...

Acordem !!!

Já chegaram ao nível pós-derrocada dos anos 80.

Será que só quando destruirem totalmente o partido é que se vão dar por satisfeitos ?

Anónimo disse...

Como é possível tanta ingenuidade por parte de alguns camaradas!