terça-feira, 15 de março de 2011

Dizem que é mau, mas não passam sem ele.



O responsável por um dissimulado programa de propaganda semanal do PSD na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, procurou imputar a Sócrates as culpas por uma crise que vaticinou como bastante provável. Normal, na função que ali desempenha de propagandista subtil do PSD, consistindo aqui a subtileza o modo como ostenta uma imaginária qualidade de comentador independente.

Mas o que eu achei curioso é que, zurzindo no PS, dando notícia da grande convergência nacional que, para ele, existe quanto a essa hostilidade, o arguto propagandista apenas achou, como solução possível da crise atravessada, uma coligação de toda a direita, ou pelo menos do PSD, com o PS.

Estranha incompetência a desse partido, que ao mesmo tempo que é agredido de todos os lados pelo que faz o seu governo, é considerado uma parcela indispensável do governo que viria substituí-lo se conseguissem derrubá-lo.

Talvez, por isso fosse bom que o PS tornasse claro que se outros o derrubarem, menosprezando a estabilidade política mesmo nesta conjuntura, devem estar avisados que, perante qualquer outro governo saído de um derrube do actual, o PS será oposição contra ele, desde o princípio.

De facto, se o governo do PS for derrubado pela recusa do PSD em lhe dar qualquer suporte sequer indirecto, não teria sentido que quem recusou abrir a porta da governabilidade a um adversário, mesmo numa situação limite, lhe vá pedir logo de seguida aquilo que acabou de lhe recusar.

6 comentários:

André Pereira disse...

Boa ideia. Acho que é um bom princípio. Mas o patriotismo dos socialistas faz com que - se essa situação se colocasse - Portugal saberia que poderia contar com o PS. O que tem que ficar claro é que não são os comentadores, nem os outros partidos que escolhem o secretário-Geral e o Primeiro-Ministro ou candidato a Primeiro-Ministro. Eles continuam a fulanizar o problema... e não têm sentido democrático e de Estado.
E deve ler as minhas palavras independentemente dos resultados das próximas eleições internas. se ganhar Fonseca Ferreira afirmo exactamente o mesmo.

Rui Namorado disse...

Cito:"se ganhar Fonseca Ferreira afirmo exactamente o mesmo".

Boa piada.

Mas eu diria : O Fonseca Ferreira, o Brotas ou o Serrão.

ANTONIO MANUEL MARTINS MIGUEL disse...

"...por isso fosse bom que o PS tornasse claro que se outros o derrubarem, menosprezando a estabilidade política mesmo nesta conjuntura, devem estar avisados que, perante qualquer outro governo saído de um derrube do actual, o PS será oposição contra ele, desde o princípio."
Também acho que essa deve ser a posição do PS e deve estar muito bem clara para dentro e para fora do PS.
Essa questão, os factos recentes e os mais antigos, não podem inibir os PS, digo os militantes, nos mais diversos lugares internos do partido, de discutir as verdadeiras questões que interessam ao PS enquanto tal e ao País, aos portugueses.
Continuo a estar convicto que sem constrangimentos e/ou complexos o PS deve discutir as sua liderança. Sim, claro digam-me que é na hora, agora na Convenção, pois eu sei bem disso. Mas o seguidismo de muitos, com medo de perderem os seus "tachos" não pode condicionar o PS, neste momento o único partido capaz de liderar um processo de mudança nas opções estratégicas, de reestruturar os organismos públicos, de reestruturar o poder da Assembleia da República e respectivo número de deputados suas mordomias e reformas antes dos 65 anos de idade, de acabar com os Governos Civis tal como se encontram, de reestruturar as autarquias, Câmaras e Freguesias, de reestruturar os Ministérios bem como suas assessorias e mordomias,de reorientar as opções na área da economia, de obrigar os bancos a pagar o IRC igual ao das empresas, assim evidenciando que as economias poderão atingir mais de 4.000 milhões de euros que suportarão as necessidades na saúde, na educação, na segurança, na justiça. O PS tem que ser capaz de dizer a verdade e enfrentar essa realidade dizendo aos portugueses o que fará e obrigando a oposição a comprometer-se também.
Os portugueses querem seriedade, chega de palavras inconsequentes.
Sim, José Sócrates é uma questão que não pode ser escamoteada, porque é o selo de garantia para muitos que estão dentro do sistema.
O PS tem gente credível capaz de liderar a crise com transparência, mas há que falar claro e com seriedade.
As opções do PSD e do seu líder Cavaco Silva só nos arruinarão. Se estamos a um passo do abismo o PSD dará esse passo concerteza.

Carta a Garcia disse...

Caro Rui,

Excelente.
Fiz link,
OC

ava n'tesma disse...

Pot ser que el Messias Socialist trigui una miqueta a aparèixer al lloc naxional

Rui Namorado disse...

Cortei um comentário porque quem o escreveu não teve a prudência de não envolver uma terceira pessoa que nem tem nada a ver com o que eu escrevo, nem sequer pertence á minha área política.

Pelos vistos o tal comentador é mesmo aquilo que diz ser, embora talvez pense que não.