segunda-feira, 16 de novembro de 2009

“O PS Coimbra tem de ser um lugar de ética e moral”.


O seu primeiro subscritor, Hugo Duarte teve a amabilidade de me enviar por e-mail o manifesto, “O PS Coimbra tem de ser um lugar de ética e moral”.

A intenção do manifesto é, evidentemente, louvável. O seu conteúdo dificilmente pode ser questionado. O seu tom pode ser discutível, mas este é um aspecto realmente secundário.Enfim, sem qualquer dúvida, uma iniciativa positiva e generosa.

Entretanto, li atentamente a lista de quem já se afirmou como apoiante. Alguns dos subscritores não conheço. Dos que conheço muitos são credores naturais de consideração e estima, não tendo eu qualquer dúvida de que subscrevem o manifesto com plena autenticidade. Mas tropecei em dois ou três nomes que me espantaram. Como pode revoltar-se tanto, contra certas práticas e derivas, quem durante tanto tempo foi seu cúmplice?

É certo que o facto de um texto sofrer o peso de tais subscritores não invalida o seu conteúdo. Mas não deixa de perturbar o seu significado político. Realmente, num partido laico como o PS não está em causa a conquista de uma espécie de “céu” da política, onde se acotovelassem “anjos” de uma cepa impoluta. Mas tudo não pode também reduzir-se a uma espécie de oração de esconjuro a que se associem sem pudor alguns dos que, sem resistir, têm deixado abrir o vazio que parece esperar-nos. Não precisamos de protestos de uma virtude retórica que se pendure em todas as bocas com angélica inocência. Precisamos de uma verdadeira novidade política, no sentido mais autêntico e decidido. Enquanto partido, não está para nós em causa apenas uma decência individual que obviamente se tem que dar como adquirida. Está sim em causa a autenticidade de uma verdadeira ruptura com práticas e rotinas estéreis que nada têm de socialista.


O PS não tem que ser um campeonato de virtudes; tem apenas que ser um partido socialista. Responsável decerto por gerir o presente, mas determinado também a transformar a sociedade que temos, para que ela tenha um futuro. Cair na tentação de procurar envolver de novas retóricas os velhos carreirismos não levará a lado nenhum. Pelo contrário, só uma decidida e radical superação das mazelas que não evitámos pode ter algum significado. Só um maior empenhamento de todo o partido no combate político pode expurgá-lo das tentações de carreirismo, das vertigens de aproveitamento pessoal. Se formos um verdadeiro colectivo de luta, em constante movimento, passará rapida e automaticamente o tempo dos "soldadinhos de chumbo", dos "oficiais de parada", sempre prontos a sorver o sossego luzidio das cerimónias e o lustro das honrarias, sempre alérgicos ao incómodo da confrontação e do risco.


E nunca esqueçamos que a ostensiva pressa em se abandonar um barco que há muito se partilha, perante a sombra de um possível naufrágio, não pode credenciar ninguém para promotor de novas viagens.

2 comentários:

alvaroaroso disse...

Caros camaradas
Só hoje li blog e este texto. Mas ha muito que enviei aos destinatarios de tal manifesto o seguinte:
Camaradas
Mais importante que qualquer profissão de fé, é aceitar as eleiçoes primárias para as escolhas dos candidatos do PS.
Que os militantes de Coimbra sejam percursores desta medida invetivável para a credibilização dos partidos e da democracia( para que eu nao ouça de novo alguns ilustres militantes dizerem:"os militantes nao estão preparados para escolher!")
E é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.

Alvaro Aroso

André Pereira disse...

Pela minha parte, não assinei e contesto esse tipo de petições. A ética é um pressuposto da actuação política, não se afirma, nem se invoca, pratica-se.
No plano externo, acho profundamente deselegante e revela falta de solidariedade com o momento difícil que alguns camaradas (justa ou injustamente - não sei) estão a atravessar.