sexta-feira, 18 de julho de 2008

O Sr. FMI ou o avesso do Robin dos bosques


O Sr. FMI , um sujeito esguio e bem vestido do qual brotam de vez em quando algumas doutas recomendações, resolveu fazer algumas a Portugal.


Segundo tal conselheiro, os portugueses são uns incorrigíveis gastadores, as empresas, pelo contrário, portam-se bem. Por seu lado, o Governo se estiver disposto a apertar bem o garrote a todos os que trabalham e a afagar com ternura os simpáticos detentores do capital, será objecto de um discreto encorajamento.


Mas há, entre os portugueses, um pequeno grupo que merece todos os elogios : os ricos. Por uma vez que fosse, não foram objecto de um único reparo crítico. Cumprem o papel que lhes destinou o FMI: gozam tranquilamente os seus privilégios. Ou seja, o Sr. FMI acha que os pobres, que são muitos, devem apertar o cinto, para que os ricos, que são poucos, possam fruir as suas eternas férias. O Sr. FMI é realmente muito competente.


Tão competente, que não são poucos os seus admiradores que, religiosamente, exaltam para nós, as suas sábias palavras, sempre que esse oráculo tão puro de um tão cristalino neo-liberalismo lhes dá oportunidade.

Por isso, eu atrevo-me aqui a fazer um apelo aos portugueses: ouçam sempre o Sr FMI, porque ele é, sempre foi e há-de continuar a ser, um verdadeiro avesso do Robin dos bosques: rouba aos pobres para dar aos ricos.