segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Abominável Economista das Neves

Qualquer cidadão minimamente atento sabe que, nos dias de hoje, só há um verdadeiro cancro na economia: gastar dinheiro em salários. Sim, salários, essa despesa improdutiva com os defeitos vivos que, no fundo, as pessoas são.

Pelo contrário nada há de mais saudável para uma economia moderna do que soprar nos lucros até ao infinito. Sim, nos lucros essa síntese maravilhosa do progresso, esa secreção mágica do capital que só gera felicidade e justiça, essa virtude rolante que supera os anjos.

Por isso, mais do que concordando com o estimado blog Água Lisa, aplaudimos com todas as mãos o arguto economista das Neves, sujeito aliás religioso e pio, que em poucas palavras disse tudo num periódico recente: "A subida do salário mínimo constitui o maior atentado das últimas décadas às classes desfavorecidas".

De facto, sendo as classe desfavoredcidas um alfobre de vícios, quanto mais dinheiro tiverem mais se embebedam e mais se afundam na luxúria e no pecado. Por isso, programa virtuoso seria o de reduzir, não só os salários mínimos, mas também todos os rendimentos auferidos pelos pobres. Não se iludam, piedosos senhores, não é qualquer um que pode dispor de dinheiro. Dinheiro, dinheiro, só verdadeiramente o merece quem já estiver bem treinado a gastá-lo; e quanto mais desportivamente melhor.

Inflacciomemos pois os lucros, baixemos os salários, e o país será salvo. Façamos chegar mais dinheiro a quem o saiba, verdadeiramente, esbanjar, deixemos os sacrifícios e os sofrimentos concentrarem-se em quem já esteja a habituado a penar. Sejamos inteligentes e generososos.

Por tudo isso, acho muito injusto que um tão arguto expoente do nosso pensamento económico tenha sido considerado, por alguns desfavorecidos mais sectários e mal-agradecidos, como: "O Abominável Economista das Neves".

2 comentários:

miss red disse...

'se o pobre come galinha, um ou o outro estão doentes'

caro, caríssimo rui, é o melhor post dos ultimos tempos. um beijo enorme

André Pereira disse...

um homem de moral corrupta que infesta tudo por onde passa...