sábado, 22 de novembro de 2008

FEUC: o ciclo continua

FEUC

Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios


24 de Novembro


Teatro Académico Gil Vicente :


4ª sessão do ciclo temático:
"Economia Global, Mercadorização e Interesses Colectivos:


Pessoas, Mercadorias, Ambiente e Paraísos Fiscais".

Esta 4ª sessão tem como tema central :

“Trabalho Feminino, Divisão Internacional do Trabalho


e Direitos Fundamentais”.

Recebi, uma vez mais, do Júlio Mota a informação que a seguir transcrevo e para a qual desde já chamo a vossa atenção.


Caros Colegas e Amigos

O grupo de docentes da FEUC dinamizador e organizador (com a colaboração dos estudantes do Núcleo de Estudantes de Economia da FEUC e com o apoio da Coordenação do Núcleo de Economia) do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC vem com a presente informar que irá decorrer, a 24 de Novembro, a quarta sessão do ciclo temático Economia Global, Mercadorização e Interesses Colectivos: Pessoas, Mercadorias, Ambiente e Paraísos Fiscais, no Teatro Académico Gil Vicente.
A quarta sessão deste Ciclo enquadra-se na problemática Economia global e mercadorização versus interesses Colectivos e tem como tema central “Trabalho Feminino, Divisão Internacional do Trabalho e Direitos Fundamentais”. A análise deste tema é claramente pertinente quando se sabe que, na actual economia globalizada, os trabalhadores nos Estados Unidos concorrem com os trabalhadores do Bangladesh ou com os trabalhadores da China na produção dos mesmos produtos, sendo a escala de salários inequivocamente incomparável, mas com um dado comum, a ausência de direitos, mesmo que nessa escala haja diferenças. É esse dado comum aliado a uma produção igualmente comum que justificou a opção pelos dois documentários, para mostrar aos estudantes, e não só, que os perdedores da globalização, e são muitos, podemos ser nós todos, nos países ricos e nos países pobres, se estruturalmente o sistema continuar desregulado. Nos Estados Unidos, e considerando os salários mais baixos, estes correspondem em média a 3 dólares por hora enquanto no Bangladesh ou na China correspondem a entre 20 a 30 cêntimos igualmente por hora. Pode dizer-se que estamos perante uma tendência decrescente dos direitos dos trabalhadores, constituindo a China (considerada a maior zona franca do mundo) para alguns analistas a zona que determina o seu limite inferior. Trata-se afinal de reduzir o salário a um mero custo de produção e o trabalho a uma mercadoria, que assume caricatamente a função da mais descartável das mercadorias.
Nesta sessão, serão projectados dois documentários sobre as sweatshops: o primeiro, A face escondida da globalização, do National Labor Committee, e o segundo, o filme principal, Fabricado em Los Angeles, de Almudena Carracedo e Robert Bahar.
As sweatshops são fábricas de vestuário, as fábricas do suor, na expressão portuguesa, as fábricas da miséria, na expressão francesa que operam no século XXI, entre o Bangladesh e os Estados Unidos, no centro de Los Angeles, cidade do sonho à escala mundial, a Meca do cinema, mas também a cidade do pesadelo para muitos que aí trabalham de acordo com um mecanismo alimentado pela imigração clandestina, que é assim, uma peça central na reprodução do sistema. Nas sweatshops, os homens podem confundir-se com ratos ou baratas, desde que produzam; podem chegar até à exaustão desde que isso aumente os lucros; podem passar noites inteiras a trabalhar desde que as mercadorias sejam entregues
Estamos longe de Adam Smith, estamos perto da linha de teóricos e políticos que rodearam Reagan e que deram depois Bush pai e Bush filho, sendo hoje Alain Greenspan um dos seus mais importantes representantes e que na sua recente audição no Congresso dos Estados Unidos afirma: “Tenho efectivamente uma ideologia. A minha convicção é a de que os mercados livres e concorrenciais são de longe a forma sem rival de organizar as economias”. Estamos afinal, como sublinha o New York Times, a propósito do filme Fabricado em Los Angeles, num mundo “em que a luta dos trabalhadores por maior salário é também uma batalha pela dignidade”, onde “a contestação laboral não morreu, nem é fútil” (ver anexo).
O documentário Fabricado em Los Angeles mostra-nos também a luta heróica de três mulheres que se batem por uma maior transparência nas relações entre empresas, se batem pela aplicação da lei Assembly Bill 633 da Califórnia, segundo a qual todos os agentes empresariais envolvidos numa sequência de produção serão conjuntamente responsáveis pelo respeito pelas leis do trabalho. Estas mulheres batem-se assim, afinal, por uma relação de transparência entre estas e o fisco, entre as empresas e o Estado, forçando a que a economia subterrânea se torne visível, se torne legal, e que todos sejam responsáveis perante o Estado. Este foi um dos eixos mais marcantes do processo judicial que opôs patronato e trabalhadores, numa viagem ao interior da indústria do vestuário em Los Angeles, feita com os olhos dos trabalhadores imigrantes que afinal eram as suas vítimas directas.
Nesta sessão, falar-se-á assim da actual economia global a partir de dois ângulos de análise: por um lado, falar-se-á da globalização a partir da produção de vestuário em sweatshops no Bangladesh e em Los Angeles; por outro lado, falar-se-á duma luta tenaz de mulheres imigrantes que lutam pelos seus direitos, luta esta que neste contexto significa também uma luta pelos direitos dos trabalhadores em toda parte do mundo e de todo o mundo. Aliás, uma das figuras espantosas do documentário sobre os Estados Unidos leva a sua mensagem a Hong Kong e à OMC e reconhece ao fazê-lo que a sua batalha pelos direitos dos trabalhadores é exactamente ali e agora que começa.

O programa detalhado desta sessão é o seguinte:


Hora:
21:15
Local:
Teatro Académico de Gil Vicente

Filme/Documentários:

1. A Face escondida da Globalização, de National Labor Committee

2. Fabricado em Los Angeles, de Almudena Carracedo e Robert Bahar

Comentários:

Margarida Chagas Lopes
Virgínia Ferreira
Lina Coelho

Debate

O filme Fabricado em Los Angeles já foi premiado em diversos festivais, salientando-se o seu último galardão, Emmy Award na 29th Annual News and Documentary Emmy Awards, em Setembro de 2008.

Tal como tem sido hábito, no Teatro Académico Gil Vicente, será distribuída gratuitamente uma brochura com textos sobre o filme e sobre os temas em análise.
Informamos que a estrutura de todo o ciclo até agora estabelecido para este ano lectivo assim como os textos que neste âmbito irão sendo produzidos estão disponíveis no site
http://www4.fe.uc.pt/ciclo_int/index.htm.

Sem outro assunto e certos da vossa atenção e presença, que antecipadamente agradecemos, apresentamos os nossos cumprimentos.

Pela Comissão Organizadora,


Júlio Marques Mota


ANEXO

Sobre o filme, diz-nos o New York Times:

Quando a luta dos trabalhadores por maior salário é igualmente uma batalha pela dignidade.
A contestação laboral não morreu. Nem é inútil, de acordo com um excelente documentário “Fabricado em Los Angeles”. Quantas vezes é que nós já não ouvimos falar da necessidade dos trabalhadores se organizarem quando os empresários apresentam exigências intoleráveis sobre os seus empregados? Pois bem, neste documentário, isto acontece de novo e a lição repete-se.
Embora o filme descreva uma longa e laboriosa campanha conduzida pelos trabalhadores, muitos deles com o estatuto de “não documentado”, na indústria de vestuário de Los Angeles, este não se limita a questionar somente a imigração ilegal e as suas consequências. O Congresso dos Estados Unidos pode não ser capaz de decidir como tratar os imigrantes ilegais da nação, mas o filme compreende e explica que esta é, simplesmente aqui, uma componente integral da economia. Mais ainda, o documentário fala-nos, basicamente, sobre a dignidade humana.

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