sábado, 5 de junho de 2010

A transigência dos intransigentes


É muito estranho que aqueles que se insurgem contra as dissonâncias de Alegre, em face da linha dominante no PS, em conjunturas passadas, não hesitem agora, por si próprios, em fazer aquilo que consideram um pecado mortal quando cometido por ele.


De facto, quem pensar que outros têm um dever absoluto, de nunca estarem em contradição com a linha dominante de um partido a que pertençam, não é coerente consigo próprio se depois se autorizar a estar contra essa linha noutra circunstância. Por isso, os que se recusam a apoiar Alegre por causa de alegadas dissonâncias em face do PS, estão afinal agora a praticar aquilo que lhe censuram.


Isto para não falar num outro estranho esquecimento: sem o contributo político de Manuel Alegre teria sido praticamente impossível que tivéssemos reconquistado a Presidência da Câmara de Lisboa. E já agora recordem também a presença de Alegre, enormemente ovacionada no Comício de Coimbra das últimas legislativas. Enfim, memórias selectivas.


Mas se posso compreender a lógica de ressentimento que leva alguns socialistas a não apoiarem o candidato apoiado pelo PS, mesmo que de modo algum a partilhe ou ache razoável, já me parece verdadeiramente absurdo que algum socialista possa pensar sequer em apoiar um candidato politicamente oportunista como é o caso do Nobre, que ainda por cima é um protagonista de relevo na pequena legião reaccionária que segue o candidato miguelista ao inexistente trono português e já se revelou durante a campanha como um banal expoente da direita ideológica. Digo que é politicamente absurdo para não dizer que é civicamente vergonhoso para qualquer republicano, para qualquer socialista, que não seja politicamente tonto apoiar o tal Nobre.

1 comentário:

André Pereira disse...

O problema é o tonto saber reconhecer-se como tal... Mas serão só meia dúzia. Alegre vai dinamizar o debate e vai fazer o pleno contra o tecnocrata, o oportunista e sensaborão Cavaco Silva.