sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PASSOS, o traquinas.


Dizer que depende de um governo minoritário haver ou não haver eleições legislativas em 2011, é em si mesmo absurdo. Um absurdo, que só é compreensível como resultado da ingénua ilusão de que, deitando-se as culpas de uma crise para longe de quem a provoque, se consegue iludir o povo. Iludi-lo, de modo a que se convença que a principal vítima directa da crise é afinal o seu causador. Mas foi isso que o inefável Passos afirmou ontem na televisão.

Ora, se é um facto que o governo tem a faculdade de se demitir, algo que ninguém até hoje sugeriu que pudesse acontecer, é a oposição que pode derrubá-lo no parlamento. E só a oposição pode tecer uma convergência de juízos críticos que aos seus olhos justifiquem o derrube do governo.

Isto é, se o governo se demitir, não poderá deixar de arcar com a responsabilidade da decisão que tomou. Se as oposições se concertarem para derrubar o governo, podem imaginar-se com todas a razão para isso, mas não poderão deixar de arcar com a responsabilidade da decisão que tomaram.

Tanto num caso como no outro, os actores políticos, que realmente tenham causado a queda do governo, podem procurar persuadir os eleitores da justeza do seu comportamento, mas não apagarão o facto de a terem provocado.

Por isso, a patética tentativa de Passos Coelho de fugir à sua responsabilidade por um possível derrube do actual governo que possa vir a decidir em 2011, se vier a ser essa a sua decisão, além de ser um afloramento preocupante de uma profunda desonestidade intelectual , é também mais um contributo para nos lembrar que por detrás da fachada engravatada daquele jovem senhor, espreita ainda uma ligeireza traquina.

3 comentários:

João disse...

Caro Professor,

Antes de mais, devo dizer que tenho seguido com interesse o seu blogue.
Já há alguns dias que me tem surgido a vontade de o contactar. Tenho 22 anos e sou de V.N. de Gaia. Há cerca um ano decidi tornar-me militante do PS. Fi-lo por vontade própria, e sem ter qualquer proximidade com alguém do próprio PS. Frequento uma licenciatura de Serviço Social, no Instituto Superior de Serviço Social do Porto. Sempre tive um certo gosto pela intervenção e revejo-me, acima de tudo, na matriz Socialista. Tenho procurado perceber o funcionamento do PS na minha Secção, bem como na Concelhia e na Distrital. Precavi-me para o que poderia vir a assistir, dados os avisos que alguns amigos me fizeram para uma possível desilusão. Mas não foi suficiente. A angústia era inevitável: assisti a uma organização (bem montada) que em nada tem a ver com a palavra Socialismo. Por vezes, nem com a própria palvra Democracia. Quando visitei a Esquerda Socialista senti uma esperança. Acredito numa mudança dentro dos partidos. Sem que isso implique, por completo, uma mudança geracional. Seria bom, para mim, ouvir alguém que entenda o Socialismo e a Democracia. Alguém que compreenda a tríade Republicana e que me ajude a encontrar maneira de não baixar os braços e lutar para que novos valores se levantem.

Um fraterno abraço,
João Matos

Rui Namorado disse...

Caro Camarada:

É sempre bom sabermos que o dissemos mereceu atenção de alguém.

O PS precisa de gente com atitude crítica, convicções socialistas e curiosidade intelectual.

O importante é nunca se desistir e nunca baixarmos os braços. Nunca termos receio de ter ideias, nem de convencer e ser convencido.

Por acaso, neste momento nem concordo com o que a maioria da ES decidiu quanto ao Congresso, mas isso é um detalhe.

Pode ser que nos encontremos no Congresso.

Cordiais saudações socialistas do

Rui Namorado

João disse...

Caro Professor,

Procurarei estar no Congresso de Abril. Provavelmente, estarei como assistente. Confesso que não estou por dentro da lógica de eleição de um delegado e, apesar de a vontade e a curiosidade não me faltarem, não me parece que isso seja possível através da minha Secção. Mas dentro de mim não faltará inquietação, nem Sonho. Sou um jovem socialista com direito a Sonhar.
Espero pela oportunidade de o conhecer e ouvir.
Continuarei atento às suas palavras. Agradeço-lhe por ter valorizado as minhas.

Um fraterno abraço,
João Matos