quinta-feira, 30 de julho de 2009

A direita acima de toda a suspeita


" O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (Apede) e o Promova reuniram na terça feira e do encontro saiu um objectivo declarado: "fazer campanha política contra o Partido Socialista". Confrontado com a hipótese de os movimentos serem instrumentalizados pelos partidos da oposição, Ilídio Trindade, do MUP, defendeu que "não se trata de apelar ao voto em nenhum partido político, mas apenas tirar o PS do Governo, para estancar a dinâmica destrutiva na educação"."

Eis o extracto que repesquei no DN de hoje. Perante tão esotérica posição, duas hipóteses se colocam, ou os senhores professores em causa, são um destacamento encapotado do PSD; ou desempenham involuntariamente esse papel.

De facto, não contestando ninguém, com o mínimo de sentido das realidades, o facto de haver apenas dois partidos que podem liderar o Governo, na sequência das próximas eleições (o PS e o PSD), impedir um deles de ir para o Governo é contribuir necessariamente para que lá fique o outro.

Ou há alguém que sustente que pode sair das próximas eleições um Governo que, excluindo o PS, não seja dominado pelo PSD? Não pode.

Por isso, estamos, na verdade, perante uma campanha do PSD feita através de siglas que escondem essa realidade, para terem maior eficácia deslegitimadora do PS.

E se nessas associações há professores que não querem um Governo de direita ( PSD ou PSD-PP) como resultado das próximas eleições, apenas os posso convidar a reflectirem sobre o que aqui digo. Àqueles que, sendo de direita querem naturalmente um Governo à medida das suas opções só tenho que felicitar, pela habilidade com que levam pela arreata os seus colegas que, sentindo-se de esquerda, lhes estão a fazer o jogo com uma inocência que chega a comover.


4 comentários:

André Pereira disse...

é sempre a malhar... os leninistas, estalinistas e trotzkistas fizeram as pazes em Portugal: descobriram que é preciso derrubar os traidores burgueses, sociais-democratas (ai Satanás!), do PS...! Para isso fizeram esta Santa aliança com os puros infiéis da direita... para depois a tentar degolar...

Tribuna Socialista disse...

Sou militante do Bloco de Esquerda, votarei no BE, estou claramente contra a renovação da maioria absoluta do PS ou de uma hipotética do PSD só ou com a direita toda. Considero que é DIFERENTE um governo PS com políticas de direita (como aconteceu nos últimos quatro anos) e um governo da direita com políticas de direita. São diferentes, mas, na minha opinião, um não é alternativa ao outro.
Também não me revejo nos apelos "Anti-PS" de alguns grupos de professores, embora os compreenda pelo que o PS foi e fez com os professores. E, curioso, AINDA continua a fazer com uma ministra que AINDA se mantém e nada é dito sobre a sua continuidade como pessoa ou só com as mesmas políticas.
Essa de uma "santa aliança" dos perigosos "esquerdistas" com a direita, dá vontade de rir porque só deve existir na cabeça dos teóricos sócraticos das teorias da conspiração. Relembrem em questões chaves, quantas vezes é que o PS não se aliou ao PSD e ao CDS no Parlamento? Lembram-se?
João Pedro Freire
jpmfreirearrobasapo.pt

RN disse...

O que penso da política de educação do Governo actual e do tipo de oposição que lhe foi feita está bem traduzido em moções que subscrevi com vista ao último Congresso do PS. E não é concordãncia o que aí se exprime.

Mas o que aqui está em causa, é algo de bem diferente. É puxar ou não para que a direita seja governo.

Não sei quem são os professores das associações em causa.Se são de direita estão no seu papel, mesmo que se possa questionar o modo dissimulado que adoptam. Se são de esquerda, ou são ingénuos ou são burros.

É que como expressamente afirmam: eles querem afastar o PS do governo (veja-se o destaque). Logo só podem querer um governo de direita. Pode ser uma realidade desagradável, mas não há outra.

Agir politicamente , procurando ignorá-la, só poderá prejudicar o quadrante político dos que tomem essa atitude.

O homem e a mente disse...

Concordo com parte do que escreveu, mas há algo que discordo quando diz que a governação foi de direita. PS e PSD à parte, em Portugal é necessário mudar a mentalidade das pessoas, porque as pessoas estão e querem estar muito cómodas, esquecendo que o estado não gera dinheiro. É verdade, há má gestão, sem dúvida, mas temos que deixar de querer estar sempre ligado ao estado, para também sabermos usufruir melhor dele.

Porque acho uma tristeza ir a repartições públicas que as pessoas entram as 9 e as 9:30 e 10 horas saem para tomar café. A questão é que durante muito tempo as pessoas habituaram a ter o estado para tudo que precisam, mas não necessariamente para dar. A tempos tive uma amiga holandesa cá que ficou espantada por saber que o irmão de uma amiga recebeu um computador portátil de graça, e também que o filho de outra tinha o dito "Magalhães", por incrível que pareça, só pessoas de fora vêm estas coisas, porque na tv, os canais só souberam ridicularizar.

Verdade é que aqui todos querem mandar, todos são contra, não interessa o partido, por este motivo é que só se consegue governar com maiorias. O PSD fez-me mudar muito de postura também por isso, porque a dada altura não diz o que quer somente o que não gosta no PS.

Não foi perfeito o governo mas há coisas que se deve dar mão a palmatória, a proximidade que JS tem com Angola está a valer por muito, agora a emigração é de Portugal para Angola, porque se assim não fosse estariam lá os Brasileiros.

Muito do que ele fez até a mim prejudicou mas tinham que ser feitas e ao menos teve coragem de fazer, mas outras também deu vantagem.

Acho que como eleitores não podemos olhar a eleição de um governo somente com aumentos salariais, o país estava aos pouco a entrar nos eixos até aparecer a crise "crise da ganância".

Não me estendo mais :D