domingo, 11 de novembro de 2007

O Dr. Menezes é um tigre de papel!




Como poderia ter dito um dia o Comissário Barroso se já soubesse de tudo : "Luís Filipe Menezes é um tigre de papel !"


De facto, ao procurar mostrar como é realmente feroz a fazer oposição, tem-se reduzido a evidenciar uma irresistível falta de imaginação. E, porventura, a principal razão desta falta estará precisamente no facto de ter imaginado que do que ele mais precisava era de imaginação. Ora, como todos sabemos, nada mais fatal para o imaginar do que o esforço para o conseguir.

Por isso, em vez atacar o primeiro-ministro pelas escolhas básicas do governo, apenas o acusou de indelicadeza para com o leader parlamentar, dando dele a fraca impressão de ser alguém que precisa de um guarda-costas político e tendo que fingir que se esquecera dos rasteiros ataques que o seu Partido, liderado pelo actual leader parlamentar, fez ao actual chefe do Governo.

Mas quando se pensaria que, após essa escorregadela, regressaria o verdadeiro artista da contundência política, em vez de a grandeza de uma orquestra de farpas certeiras, saíram dois arrastados toques de trombone, pífios e ferrugentos.

Na verdade, o Dr. Menezes propõe-se fazer pactos com o Governo, nas áreas de governação que intui venham a ser mais prestigiantes, tendo assim sido obrigado a passar um implícito certificado de qualidade, pelos menos nessas áreas. Esqueceu-se que essa aparente ideia de águia, não era de facto mais do que um tique de pardal: ou seja, um acesso da velha ronha da direita que, quando está no poder, ostenta a legitimidade irrepartível da sua maioria, quando está na oposição propõe à esquerda que renuncie a tudo aquilo a que ela não renunciou, quando esteve no poder.

Por fim, depois de tonitroar as acusações habituais, esmagando o governo de lugares comuns, atirou a suprema farpa: "O governo está com medo do PSD!" E a plateia, saboreando já o PS a refugiar-se temeroso debaixo da mesa e Sócrates titubeante e inseguro olhando apavorado para a sombra do Dr. Menezes, explodiu numa revoada de aplausos. Crescendo para o seu destino o grande chefe abandonou o palco deliciado. Triunfara!

Mas o mundo cá fora, injusto, parecia desconhecer o triunfo. E, gulosamente, o Professor puxou da caderneta laranja, rapou num ápice do lápis vermelha e, zás, ferrou-lhe um sete.

Dizem que o Dr Menezes, quando soube, empalideceu, ligeiramente, mas com denodo enfrentou mais este ataque sulista de entre Cascais-e-Estoril.
Lá longe, o Presidente, olhando para o mundo do alto das suas Américas, sorriu discretamente para Sócrates e não se lembrou de ver o Dr. Menezes.

Indignado, o Dr. Santana Lopes ergueu-se. E bastou-lhe fazer um gesto largo, para que metade do seu grupo parlamentar aplaudisse de pé. Mas isso, já não teve importância.






1 comentário:

André Pereira disse...

Bela crónica.
Este líder está a aquecer. Deve ter um carro antigo. Vai devagarinho... Não tem pressa.