sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Nova morte do General De Gaulle.




Morreu hoje, em Washington, o General De Gaulle. Matou-o um francês de estatura média, descendente de húngaros, deslumbrado com os ricos, há pouco eleito Presidente da França. Eleito à sombra de um Partido que o General inventou, quando, nos idos dos anos 50 do século passado, salvou a direita francesa.


Como ia dizendo, o irrequieto Presidente foi prestar vassalagem a Bush, dizendo, com o seu conhecido talento cénico, que ia conquistar o coração da América. Mas como podia ele querer conquistar o coração da América, através de um Presidente que já o perdera? Ora, como o irrequieto Presidente está muito longe de ser estúpido, certamente que o sabia. Portanto, provavelmente, apenas queria conquistar o coração de Bush. E foi, possivelmente isso, o que mais matou o General De Gaulle.


As discretas câmaras de televisão mostraram a lua de mel, numa vasta sala cheia de luxo, de luzes e de sorrisos. Discreto, com uma expressão beata de quem subiu ao céu, o Ministro Kouchner , ex-comunista que hoje oscila entre um cripto-socialismo difuso e um "sarkozysmo" de sacristia, partilhava a glória do momento. Esse expoente exuberante da social-moderacia à francesa entrava assim pela porta das traseiras da história. Mas entrava...


Entretanto, o coração da América continua a bater desordenadamente por qualquer coisa que não seja Bush. De facto, a "pax democratica" no Médio-Oriente, que o "Clube dos Mentirosos" prometera para seis meses depois do início da guerra no Iraque , continua a perder-se no nevoeiro das miragens. Por seu lado, a Europa ameaça transformar-se numa orquestra pífia sob a batuta de um Comissário que é membro do Clube ( Para alguns, é certo, ele não fazia parte da reunião. Apenas estava ali para servir os cafés. Mas , de uma maneira ou de outra, sempre ficou na fotografia.).


Em França, pouco entusiasmados com o "western " de Sarkozy, os estudantes protestam. E já outros se preparam para entrar na dança, entre desanimados e furiosos , cansados do paraíso dos outros e das dificuldades próprias. Sarkozy medita, enquanto faz "jogging" no Texas.


Entretanto, confirma-se. Não haverá cerimónias fúnebres, nesta morte do General De Gaulle. Mas o oráculo de Colombey já vaticinou que neste dia o que deve ser celebrado é um requiem pela direita francesa. Na verdade, se a esquerda escapar à louca oscilação entre o trinca-fortismo tonto e a social-moderacia sem horizontes, talvez a direita deva começar a temer. No imediato, é certo, vão chegar-lhe euforias e flores, mas o seu longe é uma nuvem negra. Um dia, talvez se leia na História que aqui começou o seu trágico "canto do cisne".


E, com a imagem do irrequieto Sarkozy a curvar-se perante Bush , o General agonizante disse: "Trouxe-vos para Londres. Voltaram para Vichy."

5 comentários:

aminhapele disse...

Levanto-me e aplaudo!

Anónimo disse...

Isto que se está a passar em França é de uma tristeza...O General De Gaulle foi uma grande figura de patriotismo e de um inegável valor humano frente ao abismo que pairou na Europa. É verdade, mas ficaria mais acertado lembrar o resistente comunista Thiego Torez que além do seu patriotismo e saber também andou com armas na mão!

Rosa disse...

fantastico artigo! posso dizer foi mais um grande choque para os franceses... pouco a pouco vao acordando ...

rosa disse...

Fantastico! En français on dit le general doit se retourne! Os franceses acordam ... a pouco e pouco...

André Pereira disse...

Em poucos meses Sarko foi ao beija-mão a Bush, pelo menos, 2 vezes.
Triste humilhação para a Pátria das luzes.