domingo, 26 de julho de 2015
GRAU ZERO DA POLÌTICA
No FaceBook percorro em regra grupos de esquerda , em especial ligados ao Partido Socialista. É preocupante a escassa publicação de textos de reflexão ou de crítica e a abundante difusão de insultos. Especialmente lamentável é o ódio que transparece no seio de muitos que se dizem do PS no modo como atacam "camaradas" do mesmo Partido. Não há uma ética do insulto. No debate político todo o insulto é uma falta de ética e um sinal de fraqueza de quem insulta. Mas se formos para além da avaliação ética individual, não podemos deixar de nos interrogar sobre as causas dessa triste paisagem. Talvez o PS não se tenha conseguido afirmar suficientemente como uma instância de debate político, com uma habitualidade suficiente para estabelecer relações de maior proximidade entre os seus inscritos. Talvez o PS seja demasiadamente uma organização de eventos políticos esporádicos, ainda que a muitos deles não falte interesse. Se alargarmos o espaço em observação a toda a esquerda o tom de agressividade não diminui. A agressividade intrapartidária não é menos grave do que a agressividade interpartidária. Como fator de esclarecimento é fraca , como exacerbador da conflitualidade é eficaz. O FaceBook não é uma conversa de café entre amigos. Talvez seja menos do que um espaço público alargado, mas transcende muito a esfera privada. Por isso, quando à esquerda se gastam munições no insulto intrapartidário ou interpartidário é a direita que se beneficia. E estejam certos disto: os objetivos da direita estão longe de se limitarem a ter uma civilizada vitória eleitoral, Não, a direita visa o essencial da vida coletiva, das nossas vidas individuais, tornando-nos vítimas da sua necessidade de manterem um tipo de sociedade que gera desigualdade, injustiça e opressão. A crítica, o debate de ideias , o confronto entre opiniões políticas diferentes são o oxigénio da atividade política. Devem ser uma componente central de uma posição de esquerda. O insulto, particularmente se for esgrimido contra outros cidadãos de esquerda, e em especial da mesma área político-partidária, são uma praga que degrada a democracia e desqualifica a ação politica. Não digo que seja fácil perder esse hábito, tão insalubre mas tão arreigado, mas sem o conseguirmos dificilmente teremos a força de transformação das sociedade de que precisamos e que é a razão de ser dos partidos de esquerda.
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