segunda-feira, 9 de junho de 2008

Amigos de tempestades

1. A dimensão e as consequências do "lock-out" das empresas de camionagem não são ainda claras. Os noticiários já mostraram alguns patrões, que não acharam necessário ocultar a sua identidade, assumindo publicamente a prática de um crime.

É certo que, querendo fazer de nós idiotas ou sendo eles próprios idiotas, houve alguns "espertos" que vieram dizer que não é um "lock-out", mas uma paralisação o que está em curso.


Seria o mesmo que alguém apanhado a furtar, alegasse que não estava a cometer qualquer furto, porque estava apenas a proceder a uma subtracção de um bem ao seu proprietário. Mas se não é grave que nos tomem por idiotas, ou o sejam eles próprios, já não é admissível que o Estado de direito democrático consinta num apoucamento tão primário.

2. Este episódio pode ser lido como um aviso em dois sentidos. Primeiro, reduzir a realidade social a um pressuposto simplista de uma lei económica é uma idiotice perigosa. Segundo, é mais ou menos claro, que perante a dramatização e o alargamento da crispação social, nem o governo e o PS, nem a oposição e os sindicatos, nem os próprios patrões bloqueadores, dominam com clareza os acontecimentos que estão a ocorrer. Ninguém parece ter uma ideia clara das consequências dos próprios actos. A comunicação social segue um caminho fácil e irresponsável: sopra nas fogueiras de todos os conflitos.

3. Sendo assim, o unidimensionalismo economicista revela cada vez mais a sua perigosidade, pois tende cada vez mais a ser, não um auxiliar de uma desejada cura , mas o agravar de uma cada vez mais ostensiva doença.

A política, ou seja a incorporação numa visão complexa da realidade social da luta por um poder de decisão democrático mas efectivo, anuncia-se através dos bloqueios e das manifestações. Se não for assumida racionalmente , propositadamente, chegará irracionalmente, desordenadamente através de conflitos dramáticos.

Não havendo sujeitos políticos que pareçam próximos de uma atitude madura, o risco de crises inesperadas e incontroladas, cresce.


4. Na Europa, a Comissão faz jus ao seu sinal político dominante: em vez de dar sinais de poder contribuir para solucionar as questões emergentes, toma posições provocatórias.

Não se trata apenas de termos um Europa liderada por conservadores e liberais, trata-se de vivermos numa Europa dirigida por políticos ligeiros.

3 comentários:

aminhapele disse...

Os termos que utilizo para a "coisa" não são politicamente correctos(desconheço mesmo se terão algum suporte legal).
Estamos perante um ACTO TERRORISTA a que ninguém dá resposta e que as televisões transmitem em múltiplos directos.
Alinda tenho presentes aquelas "instruções" para não se transmitirem actos de violência(por exemplo,no futebol),porque era exactamente provocarem esses "minutos de glória" que os seus autores pretendiam...

Anónimo disse...

Sopapos diz:
A tua conclusão vale tudo e tudo justifa, melhor, tudo explica. Temos uma Europa dirigida por políticos ligeiros, sem conhecimento e sem mérito. É sintomático que, no caso português os arrivistas da dita comunicação social(que sempre andaram a lamber as botas ao poder- ~e para os machos a táctica do sucesso: ser "puxa saco") comecem agora a bater forte e feio nas incompetências de Sócrates... A últina que ouvi, e de "reputado crítico" é que o "Sócrates já não tem maioria, já não tem apoio e consideração, já não tem partido" Será verdade? Doi-me muito ser levado a acreditar que há aqui, pelo menos, uma verdade próxima... Ainda que isso te possa doer tanto como me doi a mim.

horta pinto disse...

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ahp disse...
Curiosamente, o texto de Fernando Madrinha de hoje no insuspeito "Expresso" intitula-se "Terrorismo Social" e tem interesse lê-lo na íntegra. Transcrevo apenas alguns passos:

" O bloqueio que um grupo de empresários de camionagem e de profissionais ao seu serviço impôs esta semana ao país foi um acto de puro terrorismo social."

"Curioso e muito revelador foi o facto de nenhum líder partidário, sequer Manuela Ferreira Leite - um mau começo - ter dado a cara nos dias da crise. Nem um teve a coragem de condenar o bloqueio sem 'mas' nem 'poréns', como ele devia ser condenado."

Sáb Jun 14, 11:56:00 PM