terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Dilemas da esquerda portuguesa.






1. Se a História fosse uma caminhada, mesmo que sofrida, para um futuro que, mais cedo ou mais tarde, sempre viesse a ser radioso, as dificuldades, que hoje a esquerda portuguesa atravessa, talvez causassem igualmente sofrimentos e preocupações, mas não corriam o risco de ser trágicas.

Se o drama vivido actualmente pela esquerda portuguesa fosse apenas uma questão nacional, sem deixarmos de ser responsáveis pelo nosso destino, podíamos talvez confiar que da Europa, mais cedo ou mais tarde, de alguns ou de muitos, nos acabaria por chegar um vento generosos de ajuda.

Mas o determinismo histórico há muito que deixou de ser um certificado de garantia de uma futura felicidade que a todos os povos acabaria por tocar. Mais realista parece ser , pelo contrário, a ideia de que o futuro nos oferece um leque de possibilidades, das quais as mais apetecíveis hão-de depender da extensão do nosso esforço, da sua perenidade, da nossa capacidade de sofrimento, da nossa inteligência individual e, principalmente, da nossa capacidade para gerarmos uma lucidez colectiva nos sujeitos históricos relevantes, que lhes permita moldar o futuro à medida dos seus sonhos. Por outro lado, são muitos os partidos da esquerda europeia de vários países que se debatem com dilemas e bloqueios. Daí podemos talvez esperar a fraternidade nas dificuldades, mas não a possibilidade de uma ajuda.

Está, também a esfumar-se, irreversivelmente, aquele tempo em que, em larga medida, as tendências políticas europeias, quer em particular a socialista, quer as outras partes da esquerda, ao olharem-se a si próprias, era como se estivessem a ver o mundo. Hoje, efectivamente, com realismo a Europa não pode aspirar a ser mais do que um parceiro relevante, num xadrez mundial em mutação. E isto se souber ser fiel a si própria e verdadeiramente ecuménica, de modo a pode vir a ser uma voz determinante num coro de grandes espaços geopolíticos, que aprendam a cooperar num planeta de todos. Mas, se, pelo contrário, continuar a ser, como tem acontecido nas últimas décadas, a sombria ilustração de uma quase vulgata neoliberal, pode acabar, por se deixar reduzir a um simples apêndice museológico de uma Ásia, cujo futuro, nesse caso, lhe escapará por completo.

Por isso, a esquerda portuguesa tem que se deixar impregnar mais profundamente por um protagonismo estratégico efectivo, na luta por uma União Europeia que, autenticamente, se possa vir a cumprir com autonomia num mundo melhor para todos. Sendo, no entanto, claro que se essa esquerda, dentro do seu país, se dissipar como nuvem de desesperança, só em miragem poderá sonhar com qualquer protagonismo europeu.

2. Se procurarmos, friamente, o essencial da fractura que separa as esquerdas portuguesas, não tardaremos a compreender a sua verdadeira natureza. Se desconsiderarmos, provisoriamente, a diversidade, no seio de cada um dos grandes campos através dos quais a esquerda se revela, podemos surpreender uma grande dificuldade genérica para cada um dos seus dois grandes territórios. Dois territórios: um é o que corresponde ao PS e que vale entre 38 a 42 % nas sondagens feitas nos últimos meses; outro é constituído pelo PCP e pelo BE, com as posições relativas oscilantes , mas em que raramente uma das partes se destaca muito da outra e que vale entre 16 e 23 % nas mesmas sondagens. Provavelmente, quanto maior for a soma dos votos nestes dois últimos partidos, mais provável é que o BE seja o mais votado de ambos.

Voltemos às citadas dificuldades. No campo do PS, a sua maior dificuldade é a de ele se ter deixado impregnar pela vertente económica do paradigma neoliberal, assumindo-a como verdade científica, quando, é hoje claro, que nunca passou de uma ilusão ideológica, revestida de uma aparência de cientificidade. Por isso, embora a gravidade da actual crise do capitalismo e os seus contornos tenham revelado o embuste de alguns dos mais ostensivos narizes de cera da vulgata neoliberal, o PS não parece ainda suficientemente ciente, como colectivo, do carácter tóxico de muitas das medidas, dos conceitos e dos indicadores económicos, que até há pouco pareciam revelar uma solidez de ferro.


Deste modo, o PS parece sensibilizado para a proeminência dos valores solidários e da luta contra o desemprego, subalternizando-lhes a sofreguidão lucrativista. Parece consciente de que um Estado forte, competente, ágil e limpo é uma condição irrenunciável para qualquer caminho de esperança que um país queira percorrer. Todavia, parece não ter ainda organizado uma visão alternativa que seja um contraponto estruturado ao neoliberalismo, capaz de o proteger dos alçapões que sempre hão-de existir em qualquer caminho onde nos aventuremos com mapas alheios.

A outra parte da esquerda, renunciou, pelo menos, na prática e nos pressupostos das suas políticas, à opção revolucionária, entendendo-se esta como tomada do poder pela força, ao arrepio das regras democráticas, para impor um programa de transformação rápida a partir apenas do aparelho de Estado. Mas não assumiu ainda o reformismo como um modo de ser da sua actividade política. O resultado é o de se ter vindo a reduzir a uma esquerda de protesto, a um colectivo de porta-vozes de alguns explorados e oprimidos, o que, podendo ser eticamente elogiável e estimável, é politicamente insuficiente. E é este bloqueio que explica que muitas das críticas feitas ao Governo do PS sejam susceptíveis de ser acompanhadas por toda a direita, o que, podendo ser um sinal do desnorte desta, pode também ser um sintoma do carácter asséptico das próprias críticas.

Embora tenham deixado de sonhar com assaltos a “palácios de inverno”, não encontraram ainda uma épica alternativa que verdadeiramente os entusiasmasse. Por isso, caiem por vezes no imediatismo de uma santificadora demonização dos ricos e dos poderosos, que, podendo agitar as multidões desesperadas, dificilmente as ajudará a conquistar um novo tempo, aproximando-se de um populismo, cujas fronteiras com o justicialismo mais primário são por vezes bem ténues.

O drama da esquerda portuguesa está assim à vista, não se afastando muito do que atinge a esquerda europeia: se o capitalismo não é eterno, havendo seguramente num futuro algo que há-de ser, por definição, um pós-capitalismo, a esquerda só pode querer que esse pós-capitalismo espelhe os seus próprios horizontes, porque se assim não for é imenso o risco de que o pós-capitalismo seja um colapso civilizacional e não um tempo de humanização radical das civilizações humanas.

Por isso, ao PS cabe dotar-se de uma capacidade reformista efectiva que ajude a abreviar a eclosão de um pós-capitalismo que espelhe um horizonte socialista, de modo a que aprenda a conjugar a sua gestão das sociedades capitalistas tais como elas são, com o imperativo de as ir transformando através de um processo de transição cuja pilotagem lhe cabe.

Nós, socialistas, temos muito que aprender nesse campo, mas o ponto de partido para o caminho que nos espera é a tomada de consciência de que não é possível, sem graves riscos sistémicos, continuar conformados com o predomínio das visões conservadoras de apologia histórica do capitalismo. De facto, persistirmos na passividade perante a truncagem da nossa própria identidade, é corrermos o risco histórico do desaparecimento.

A outra parte da esquerda será, portanto, muito útil no debate a propósito dessa possível transição entre o capitalismo e um pós-capitalismo emancipatório e solidário. E, nesse quadro, uma boa parte das crispações actuais, e até de algumas crispações históricas entre as duas partes, vão certamente assumir aspectos diferentes ou até perder de todo o sentido, uma vez que os problemas serão outros e até talvez a forma de os resolver possa não ser a mesma. Novas crispações poderão surgir, mas se isso acontecesse, nesse novo contexto, pouca probabilidade haveria de serem estéreis.

Na verdade, o combate ideológico e político, sobre aspectos estruturantes do devir social, tende a ser um factor de enriquecimento e de robustecimento das mentes, das ideias, das organizações e das propostas, mas o exacerbar paroxístico das lutas, por pequenos detalhes da política, ou em torno de episódios menores, mais ou menos infelizes, do quotidiano deste ou daquele, mais não são do que inútil desperdício. Desperdício cultural e factores de cansaço e desprestígio de pessoas e organizações, com a perversa consequência de, muitas vezes, pouca diferença prática fazer o facto de a vitória nessas minúsculas refregas se inclinar para um lado ou para o outro.

3. Já se vê que, se uns e outros continuarem a percorrer as actuais trajectórias, sem tocarem no essencial do seu comportamento, apenas teremos como certo, para o futuro próximo, a incerteza política.

De facto, se o PS nas sondagens tem sempre rondado os 40%, também é verdade que raramente se tem aproximado dos valores que lhe garantem a maioria absoluta. E se tiver maioria relativa, por que solução optará? Em função da actual conjuntura, admitir qualquer tipo de aliança à direita seria um enorme risco político, podendo traduzir-se em graves consequências eleitorais, política e mesmo organizacionais.

E alianças à esquerda? Os possíveis parceiros parecem ter feito questão recentemente de fecharem estrepitosamente a porta a essa hipótese, parecendo querer tornar objectiva para o PS a impossibilidade de alianças à esquerda. Este tipo de pressão sobre o PS não tem grande lógica, do ponto de vista desses partidos, podendo transformar-se num travão à perda de eleitorado do PS, para eles.

Se a direcção do PS souber perspectivar no médio prazo a condução do Partido, demarcando-se globalmente da lógica do sistema capitalista, sem prejuízo do gradualismo reformista que o deve continuar a caracterizar, os outros partidos de esquerda podem vir a ser inesperadamente redimensionados e reconduzidos ao seu eleitorado de há quatro anos. Se continuar vivendo as suas rotinas, já atrás disse o que penso que pode acontecer.

4. E é aqui que entra o factor “Manuel Alegre”. Pelo que atrás disse, pode ver-se que as suas hesitações e a sensação que está em cada momento perante uma bifurcação decisiva, acabando por não escolher nenhuma das hipótese, devem-se muito mais ao panorama actual das esquerdas portuguesas, do que a qualquer limitação ideológica ou política que o diminuam.

A situação é objectivamente difícil: se caminhar para um novo partido não impulsionará com isso qualquer dinâmica de unidade à esquerda, pois em graus diferentes acabará por seguir um caminho que os três partidos actuais da esquerda parlamentar sentirão como risco de amputação de uma parte do respectivo eleitorado; se optar por agir como grupo de pressão dentro do PS, uma parte dos seus apoiantes, que agora o seguem, e ainda o PCP e o BE, podem pensar no fundo, desse modo, estará apenas a beneficiar eleitoralmente o PS, travando uma possível hemorragia eleitoral que beneficiaria esses partidos.

E o seu dilema é tanto mais sufocante, quanto o essencial do seu combate político tem predominantemente seguido a agenda mediática, estando, por isso longe das questões que acima identifiquei. Talvez seja esse o preço a pagar pelas necessidades de poder suscitar apoios ostensivos imediatos, mas não deixa de ser um factor de bloqueio na procura de uma superação do contexto limitado no seio do qual se têm travado os debates dentro da esquerda portuguesa.

Em síntese, Manuel Alegre parece ter à sua frente como caminho potencialmente mais fecundo, sem deixar de ser difícil, um caminho para o qual não tem considerado prioritário preparar-se. Isto é, quando parece querer ser um congregador de esquerdas o seu caminho colide com o trajecto dos principais partidos de todas elas; quando se lhe oferece como a hipótese mais lógica, ainda que extremamente apertada, a de promover um partido diferente de todos os outros, parece não se ter querido preparar para ela. Deste modo, arrisca-se: ou a naufragar nas hesitações para que a realidade política o empurra; ou a desencadear uma tempestade política de resultados imprevisíveis que vá muito para além da sua própria vontade.

6 comentários:

André Pereira disse...

Concordo!
Chegou o momento decisivo em que, não apenas Sócrates tem que ir almoçar com Alegre, mas todos os dirigentes do PS têm que estabelecer um diálogo, de igual para igual, com as correntes diversas dentro do Partido e, realemente, pensar num Novo programa de Governo, numa nova carta de prioridades. O Mundo mudou muito desde 2005, as exigências do país e da Europa são hoje outras. Não podemos mais contar com o factor Santana Lopes. Por isso, devem ser lançadas verdadeiras discussões nos órgãos do PS - e fora dele! - sobre as questões do presente e do futuro.
Manuel Alegre, com o seu saber e experiência, tem obrigação de ajudar nesse processo. O tal MIC em que deu? Qual a sua agenda?
Precisamos de mais Política!

Anónimo disse...

Evidentemente que precisamos de mais e, sobretudo, melhor Política!
Essa é, ou seria, razão suficiente para não apoiarmos - ou integrarmos listas -, candidatos a Presidentes de Comissões Políticas Concelhias ou a Presidentes de Federação que, justamente, são notoriamente por menos Política.
Melhor Política não é também certamente tornar-nos arautos das mensagens veiculadas pela Ministra da Educação relativamente à avaliação dos docentes, muitas delas com o objectivo único de denegrir os educadores e professores.
E por falar neste assunto, quero referir que o problema da avaliação está a montante, está no momento em que, por via do Estatuto da Carreira Docente se dividiu a carreira em duas categorias de professores: os professores e os professores titulares. Mas, o problema foi agravado com um asqueroso concurso para acesso à categoria de professor titular, levado a cabo no contexto de um quadro de duvidosa legalidade e de atropelos à justiça, ao bom-senso e à ponderação.
Assumo ser professor e militante socialista, tendo ainda muitos mais anos pela frente para o exercício da função docente. Mas assumo de igual forma ter perdido todo o interesse em continuar a ser professor enquanto não forem corrigidas as injustiças cometidas pelo actual trio ministerial com o apoio do Primeiro-Ministro.
Neste momento não me vejo numa escola, numa sala de aula, sendo, em bom rigor, minha vontade não o voltar a fazer, uma vez que a minha dignidade profissional se encontra profundamente abalada!

António Gomes Marques disse...

Meu Caro Rui

Li o teu texto «Dilema da Esquerda Portuguesa», com o que estou globalmente de acordo. Parece claro, e nisso tu não pegas, que a crise do capitalismo é mais financeira do que económica, embora esta se vá acentuando por culpa daquela.
Deste teu texto tiro uma outra conclusão, que é estarem as pessoas como nós perante um verdadeiro dilema: ou ficam no PS se pretendem dar algum contributo para uma esquerda necessária ao desenvolvimento do país, ou saem do PS e isolam-se seguindo o exemplo do Alexandre Herculano (a mim, falta-me a quinta, em Santarém ou noutro local).
Uma das minhas preocupações do dia a dia é olhar para os indícios, grandes e pequenos, que me atormentam. Vejo uma juventude para quem ajudámos a construir um presente cheio de dificuldades, como a situação grega bem mostra (em França foi possível disfarçar e dizer que a revolta era dos desenraizados filhos de emigrantes) situação que pode estender-se a toda a Europa; verifico a escandalosa exploração dos jovens licenciados (em Portugal é a geração dos 600 euros –que já foi de 500 euros), chupados até ao tutano, sem garantias de emprego continuado, os olhos a mostrarem a angústia quando o fim do contrato a prazo ou de tarefeiro se aproxima (e para esta verificação basta-me a experiência que vivo,para além da constituição de algumas administrações de empresas estatais, compostas por ex-governantes desempregados ou oportunistas que dos partidos se serviram para subir na vida, apenas interessados nos bons vencimentos que auferem e na manutenção do poder, sendo muito poucas as excepções, que as há também felizmente. O T. dos Santos lembrou recentemente, ao nomear F. de Oliveira, que também tinha sido ele a nomear o António de Sousa, para a CGD, naturalmente para o PSD não esquecer os factos quando chegar ao poder), etc. etc.
Com a crise financeira que se vive, não vejo ninguém preocupado em acabar com os paraísos fiscais, com os «off-shores», centros de lavagem de dinheiro e facilitadores de toda a especulação financeira que deu no que agora vivemos, meios privilegiados para transferências de montantes exorbitantes financiadores de actos terroristas.
Sigo também, com um sorriso nos lábios (chorar não vale já a pena) a mudança de linguagem do camarada José Sócrates. A esquerda moderna, ao que parece, deixou de pensar na privatização da CGD, no todo ou em parte, para começar a realçar a importância de uma banco estatal (J. Sócrates dirá que nunca falou na privatização da CGD, claro!). Lentamente, a sua linguagem tenderá a usurpar-nos alguns conceitos, com a diferença de que nós sempre acreditámos que deveria ser assim e ele apenas começa a utilizar a nossa linguagem para ganhar mais um tempo e iludir mais uns tantos, que talvez não cheguem para a tal maioria absoluta de que tanto necessita e sem a qual não sabe «governar». Claro que ele também aposta na falta de alternativa à esquerda e à direita, mas ainda não me convenceu de que seja capaz de organizar «uma visão alternativa que seja um contraponto estruturado ao neoliberalismo, capaz de o proteger dos alçapões que sempre hão-de existir em qualquer caminho onde nos aventuremos com mapas alheios», para usar as tuas palavras.
Quanto ao Manuel Alegre, penso que ele já conseguiu atingir um dos seus objectivos: publicidade para o livro que acaba de publicar. É sempre assim que actua.
Nunca fui adepto do apoio a uma pessoa como Manuel Alegre, como não esqueço o oportunista que foi em aproveitar a Moção do Margem Esquerda, numa reunião onde muitos dos membros do Clube não puderam estar, para concorrer contra o José Sócrates e o João Soares. Há um aspecto da sua personalidade que me causa asco e que tem a ver com um valor que a minha família me ensinou e que é a gratidão. Manuel Alegre tem mordido a mão de quem lhe tem dado de comer durante mais de 30 anos, e esta ingratidão não abona quanto ao seu carácter. Se ele sair do PS e, depois, avançar para a criação de um partido ou outra qualquer associação, criticando o que tiver de criticar no PS, muito bem; mantendo-se como se mantém e fazendo o que faz, não é digno de qualquer respeito. Claro que o trabalho não é, nem nunca foi, para ele um modo de ganhar a vida, sair do PS e resignar-se à pensão de aposentação (que nunca mereceu) não é caminho que esteja disposto a percorrer. Para mim, não passa do maior narciso da política portuguesa. Alguém conseguirá convencer-me do contrário?
Temos de continuar a lutar por algumas mudanças; se já conseguimos a limitação de mandatos, por que razão não havemos de lutar pela imposição das primárias no PS?
Fico por aqui.
Gomes Marques

Anónimo disse...

Se mesmo os socialistas críticos da actual direcção do PS, o melhor que conseguem criar em conjunto é uma teia de azedumes e de recriminações mútuas, como podem esperar que o povo socialista vos leve a sério como alternativa em que valha a pena apostar-se?

António Gomes Marques disse...

Os socialistas não trocam azedumes, discutem o que pensam, de olhos nos olhos, sem medo de errar, não se escondendo num cobarde anonimato, sendo esta uma das suas vantagens e uma das razões por que continuo a ser militante do PS. Bem sei que esta abertura à discussão aberta incomoda muita gente.
No meu caso, se um dia pensar que a solução passa pela criação de outro partido, devolvo o meu cartão de militante, informando o Partido da razão de tal atitude, mas, enquanto me mantiver como militante, terei de sentir que posso continuar a pensar pela minha cabeça, mesmo que venha a cometer erros, que assumirei, e logo estenderei a mão a quem me demonstrar o meu erro.
Saudações socialistas do
António Gomes Marques

Anónimo disse...

RN participa na troca de ideias:

Caro Gomes Marques:

Temos não só o direito como , mais do que isso, o dever de discutirmos a partir daquilo que cada um de nós pensa.

Uma vez que o essencial da tua postagem corresponde ao que me enviate por e-mail, pensei que deveria transcrever aqui a resposta que te dei. Ei-la:

"Os teus comentários indicam que tenho pelo menos um leitor.

O que dizes na outra mensagem não me merece objecções relevantes.

Já esta me parece excessivamente azeda para com o Manuel Alegre. Nomeadamente, ele não aproveitou qualquer moção nossa. No que alguns de nós foram determinantes foi para fazer com que fosse ele o Candidato da esquerda do PS contra o Sócrates e não o Augusto Santos Silva.

Penso que é algo exagerada a gratidão que achas que ele devia ter para com o PS. O PS também o usou bastante. Não esqueças que, ao contrário de muitos outros, ele já existia como figura pública antes de ser do PS.

Por outro lado, esquecer os seus méritos literários é cegueira. Quantos autores são objecto de múltiplas teses de doutoramento em Universidades estrangeiras? Quantos poetas portugueses vendem tantos livros?

Por isso, me parece redutor e injusto, ligar a sua actual onda de intervenções ao lançamento de um livro.

Um abraço.

Rui Namorado"

2. Quanto ao anónimo que nos critica, penso que não o devemos encarar como estímulo a que nos calemos , mas como alguém que nos diz uma coisa em que devemos pensar.