
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A GREVE, O SAPO E O ESCORPIÃO

terça-feira, 23 de novembro de 2010
INDISPENSÁVEL LER !
Indispensável ler de João Silva “ERA PRECISO segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O MISTERIOSO SR. MERCADO

De facto, o Sr. Mercado de Capitais é uma maneira discreta de designar uma neblina, por detrás da qual se escondem, certamente por modéstia, pessoas e entidades. São pessoas e entidades muito diferentes entre si. Mas que têm uma característica comum: dispõem de capitais que precisam de investir. E como é que se chamam as pessoas e as entidades que dispõem de capitais e os querem investir? Capitalistas, diria eu se quisesse chamar as coisas pelo seu nome mais apropriado.
E agora, que já disse isso, talvez ouse pensar que não será só por modéstia que essas pessoas e entidades não se assumem tal como são e aceitam andar escondidas por detrás da cortina representada por uma alegada existência de um imaginário Sr. Mercado, sujeito volátil e imprevisível..
Imaginem o que aconteceria se nas primeiras páginas dos jornais e nas aberturas dos noticiários televisivos, em vez de se dizer que o Sr. Mercado especula com as dívidas dos estados, que o Sr. Mercado se prepara para atacar especulativamente o euro, que por causa do Sr. Mercado perderam emprego e entraram na pobreza milhões de europeus, se dissesse que por causa de alguns capitalistas, vários países europeus se aproximavam do colapso e milhões de seres humanos viam as suas vidas desfeitas.
Imaginem o que aconteceria. E estejam certos de que esses senhores já imaginaram. E é precisamente por isso que passaram a chamar-se Sr. Mercado de Capitais, e a serem familiarmente conhecidos por Mercado.
sábado, 20 de novembro de 2010
O GRANDE CIRCO DA NATO
Milhares de pessoas confluem em Lisboa. São pessoas graves, circunspectas, levando penosamente às costas o peso do mundo. Cada político arrasta consigo a sapiência lisa de muitos peritos. Mesmo nos almoços, surpreendem-se conversas densas, jogos complexos de misteriosos desígnios. Cá fora, milhares de polícias construem a imagem pura de um perigo imaginário. Vestindo as alvas roupagens da paz, uma mistura de jovens e de menos jovens esbraceja ao longe slogans épicos e desagradáveis contra a NATO. Uma pedra perdida voa numa ambição de estilhaço, um polícia num automatismo sereno dá uma cacetetada. Donas de casa espantadas, reformados ociosos e criaturas simplesmente curiosas surpreendem deleitados ao longe a sombra fugidia de Obama. A chuva num toque melancólico desce pela tarde. Sábios jornalistas , ágeis de muitas guerras, experimentados em todos os labirintos do poder, aguardam tensos a chegada das palavras ditas. Nos meios de comunicação social domésticos, espraia-se o enciclopedismo dos naftalínicos da política; os carimbados com os novos saberes, sobre qualquer coisa que seja internacional, falam com a superficialidade de manuais vivos, sobre os alegadamente grandes deste mundo.
Navios, tanques, aviões, carros de combate, jovens armados como felinos da morte, generais mortíferos como milhafres, mísseis fatais como maldições, aguardam impacientes a palavra arguta dos estrategas, o desígnio histórico dos políticos de horizonte.
E as palavras chegam: medidas, plenas de uma exactidão sem mácula, subtis como serpentes, ópios dissimulados em alusões de esperança. Os jornalistas mais experientes observam-nas com o microscópio das rotinas instituídas, percorrem o seu interior com uma paciência sem limites, pesquisam as entrelinhas com a curiosidade dos detectives. Mas, em vez de serem possuídos por um sobressalto de espanto, pela novidade que cega, descem melancolicamente das suas curiosidades, reclinam-se cépticos ao longo das conclusões proclamadas e experimentam, mais uma vez, a náusea suprema do já visto.
E é essa suprema náusea que verdadeiramente resume o alvoroço destes dias, afinal vazios. Um vago estudante de Relações Internacionais, nos primeiros passos de caloiro, a quem um professor optimista pedisse o bocejo de um texto simples, sobre a geo-estratégia das desgraças e das guerras, à porta das quais se ajoelham a Europa e a América, não criaria um produto textual mais plano, mais previsível e mais inócuo.
Em seus fatos escuros, em seus vestidos cinzento-choque, os grandes e as grandes deste mundo saíram repetidamente de grandes carros pretos, almoçaram-se discretamente, uma e outra vez, num sussurro de conversas cifradas, cujos códigos parecem ter esquecido. Grande representação de um novo teatro do absurdo, em que todos parecem caminhar apressadamente para lado nenhum.
Exaustos, recolherão a suas casas, como se tivessem mudado o mundo de sítio, mas afinal a luz que verdadeiramente se acende, no mais íntimo das suas profundidades, é a volúpia indizível de terem deixado tudo na mesma.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
O MISTÉRIO DA MULTIDÃO PERDIDA

PERFUMES SECRETOS
Uma das mais secréticas figuras da cena secreta portuguesa demitiu-se. As trombetas da comunicação social doméstica rugiram entusiasticamente a notícia. Graves figuras de Estado sussurraram publicamente alegações descansatórias.LIGEIRA ALJUBARROTA

2. Portugal faz barba, cabelo e bigode contra a Espanha: 4 a 0
3.Portugal goleia a Espanha em clássico-
portugueses estragaram a festa espanhola em jogo que promovia Copa conjunta dos dois países
4. Nuevo papelón del campeón del mundo en un amistoso
5. Humilla Portugal 4-0 a España
6. Portugal vapulea a la campeona
7. España derrocha prestigio
8. Portugal golea a España liderada por Nani y el madridista y retrata a una campeona del mundo que se arrastró en Lisboa.
9. Vendetta Portogallo: 4-0 alla Spagna
10. Spagna, clamorosa debacle.
11. Le Portugal corrige les champions du monde espagnols
12. Une sacrée revanche
13. Le Portugal écrase les champions espagnols 4-0.
14. Spain suffered defeat by Portugal in Lisbon, their heaviest loss since Scotland beat them 6-2 in 1963
15. Portugal eventually beat the World Cup holders 4-0, but the game was goalless when Ronaldo turned Gerard Pique inside out and dinked a glorious shot over Iker Casillas.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
DIAS CINZENTOS

domingo, 14 de novembro de 2010
COLIGAÇÕES E EMBOSCADAS

sábado, 13 de novembro de 2010
VIVA O SACRIFICADO- GERAL !

O mais recente fenómeno dessa natureza manifestou-se através do Ministro Amado, quando ele nos mostrou, com a simplicidade dos luminosos e a disponibilidade para o sacrifício dos estóicos, o caminho salvador da coligação, como remédio certo para as maleitas do Governo a que pertence e para as desgraças que se abatem sobre o povo que somos.
Uma coligação entre o partido do governo e o maior partido da oposição, com Paulo Portas à porta, chorando diatribes. Uma coligação PS/PSD, plana, previsível, pronta a vestir, para que a política institucional seja anestesiada e o Sr. Professor Mercado nos possa dar a sua benção. Só então a Europa, austera e distante, nos dará o resto dos rebuçados que nos prometeu. O Pedrinho tirará os seus calções de menino traquina e entrará em S. Bento com toda a pompa necessária na circunstância. Tudo ficará na santa paz do senhor, o povo com um furo mais no aperto do cinto e suas eminências biblicamente preocupadas com os pobrezinhos, sem caírem no exagero da excomunhão dos ricos. Mas o Ministro Amado não se embaraça com detalhes. Ele apenas convive com os grandes desígnios.
Acontece que eu, talvez empolgado pela visão felina do alumiado Ministro, acho que se deve ir mais longe. E dentro desse mesmo espírito, o PS e o PSD têm que se fundir, numa vontade única de ferro, numa organização simbiótica, que todos os Professores Mercado deste mundo, aplaudirão, estou seguro, olimpicamente e de pé.
E, quando esse transcendente objectivo for atingido, quem estará mais bem colocado do que o Ministro Amado para aspirar ao posto supremo da nova organização: o lugar de Sacrificado-Geral .
O MISTÉRIO DOS BICHANOS QUE RUGEM
Foram bichanos ronronantes, enquanto lhes pareceu que Sócrates era forte. Quando, no mais recente Congresso Nacional do PS, apresentámos uma moção alternativa no plano político, foram como cordeiros a balir, no seio da corrente dominante, sem estados de alma a toldar-lhes a decidida fidelidade.As dificuldades por que passam o Governo e o PS parecem ter-lhes aberto o apetite. E já se imaginam vistosos tigres a rugir ferozmente sonoridades audíveis pela comunicação social. Megafones de jornalices banais afixam poses que julgam ser a de “homens de Estado”. Transcendentemente, afixam uma coligação hoje, uma remodelação amanhã, como quem oferece ao espanto dos mortais, ideias dignas de um oráculo.
Estarão possuídos pela miragem que os coloca à mercê dos nossos adversários como instrumentos seus. Talvez involuntariamente transformam-se em janelas de esperança para aqueles que, de fora do PS, se sentem autorizados a dizer quem deve ser o nosso secretário-geral, quem devemos indicar para a liderança dos governos que o voto dos portugueses nos encarregar de constituir.
Com a autoridade de quem pertence ao pequeno quadrado dos que contrapuseram uma moção de orientação própria à de Sócrates, sublinho que é ao PS que cabe decidir quem o lidera ou a quem delega a sua representação política externa. Não é um qualquer brilhante cabeça de abóbora que irá ditar em nossa casa aquilo que gostaria de fazer na dele.
Aos bichanos que acordaram do seu longo remanso de veneração a Sócrates para darem pequenos sinais de que não concordam com ele neste ou naquele detalhe, apenas se lhes pode pedir um pouco de verticalidade. Aos socialistas que há muito não escondem divergências que não são de pormenor nem de circunstância, deve apelar-se para que assinalem com profundidade as suas diferenças estratégicas, para que a diversidade entre socialistas se evidencie no plano das ideias mais amplas e dos vectores de profundidade da evolução social, se for esse o caso, deixando para a voracidade mediática e para a rafeiragem que erra pela vida política as urgências e os dramas das agendas efémeras.
A todos os socialistas é tempo de pedir que valorizem as clivagens que implicam caminhos diferenciados dentro do espaço socialista e esqueçam os reflexos de bando, as fidelidades a pessoas, os cálculos de carreiras. É tempo de assumir, rumo a um próximo congresso, alternativas políticas claras e de proscrever uivos mediáticos de circunstância com sabor a punhaladas nas costas seja de quem for.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
SOMBRAS DO PASSADO

Seja o sindicalista Palma ou o político Passos, é quando o ovo da serpente ainda não foi chocado, que as vozes se têm que erguer.
E, já agora, não esqueçamos também essa cambada de idiotas que anda para aí a cuspir fins de regime como se falasse em rosas, quando afinal apenas se está a acolher à pestilenta sombra do fascismo.
Mastigaram fins da história, quando caiu o muro, democratas de olhos em alvo reconciliados com um futuro que se esqueceu de acontecer. Apelam agora ao "duce" de Santa Comba para que os salve da democracia.
É certo que só os mais estúpidos, e assaz raramente, dizem realmente ao que vêm. Mas na algaraviada economicista, que infesta o espaço mediático de uma sofreguidão neoliberal, é essa sombra política que realmente paira.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
PERGUNTEM AO VIEIRA.
Assinalável feito do Benfica, liderado pelo mui subtil Vieira: decorrida a 10ª Jornada do Campeonato, está em segundo lugar, a dez pontos do primeiro classificado, o F. C. Porto, e a dez pontos do décimo quarto ( 1º acima da linha de água), o Portimonense.domingo, 7 de novembro de 2010
TOTALITARISMO DO MERCADO

O diário espanhol El País publica hoje uma entrevista que Juan José Millás fez a Felipe González. Entre as muitas perguntas, destaco duas, com as respectivas respostas:
-Exacto, no quería ser tan duro, pero así es. En lugar de dictar tú la norma para que el mercado funcione, el mercado te impone la norma para sobrevivir (que, por cierto, es la ausencia de norma). Y eso es lo peor, porque el mercado sin reglas te pide hoy lo contrario de lo que te va a pedir mañana. O de lo que te pidieron ayer, que era que rescataras la mano invisible del mercado de la propia catástrofe que había generado. Esto es, que hagas intervencionismo del más descarado a costa del contribuyente o del ahorrador, para rescatar al mercado. Sitúate en la piel de Obama: debo poner primero setecientos mil millones, después ochocientos ochenta mil, total, dos billones de dólares solo para salir de esa catástrofe provocada por el sistema financiero sin reglas. Muy bien. Y una vez que pongo ese dinero, puro erario público, puro endeudamiento, y usted ya está rescatado, ahora me exige que reduzca dramáticamente el déficit y el endeudamiento al que he llegado para rescatarlo. Me pide que me endeude y después me exige que me desendeude o me penaliza. Esto es lo incomprensible de la situación que estamos viviendo. Si se tuviera poder y decisión para regular el funcionamiento del sistema financiero, no volvería a ocurrir lo que ha ocurrido y devolverían el dinero público que se les ha entregado.
-Está muy claro, se está pagando con nuestros impuestos una crisis que no hemos provocado nosotros. ¿No es como para tomar las armas?
-Sí, sí, produce una revuelta... Estamos incubando la siguiente crisis financiera y la diferencia con esta será que los ciudadanos ya no tolerarán que haya centenares de miles de millones de dólares para rescatar a los banqueros de sus propios errores. Probablemente, estamos ante la última oportunidad de una reforma seria del funcionamiento del sistema.
O BE, A CHINA E O SOCIALISMO DEMOCRÀTICO

As duas almas têm vindo a digerir-se com apreciável êxito. Nem a memória da morte trágica de Trotsky às mãos de um simples núncio de uma das mais sólidas referências dos maoistas parece perturbar uma tão suave harmonia.
Um episódio da actualidade política abriu-me, no entanto, uma janela de espanto. Perante a visita de Hu Jintao, Presidente da República Popular da China ao nosso país, foi tornado público que o BE não estará presente no Parlamento uma vez que o regime chinês é «uma ditadura com créditos firmados na violação dos Direitos Humanos». Sublinhando um dos seus dirigentes, que : «A nossa posição tem a ver com uma avaliação muito crítica que fazemos do Estado em causa, uma ditadura que tem créditos firmados na violação de Direitos Humanos, de direitos individuais e sindicais». Ele compreendia «que o Estado português tenha relações diplomáticas com a China e que haja momentos de discussão formal dessas relações». Mas não podia deixar de sublinhar : «Entendemos, contudo, que na Assembleia da República, que é a casa mãe da Democracia devemos dar um sinal de distanciamento relativamente a regimes como o da República Popular da China».
Será que a alma maoista do BE abandonou o seu código genético e se conformou com o imperativo de renegar as suas raízes ? Ou terá sido afinal submersa por uma inesperada vaga de socialismo democrático, transportada para o seu seio no bojo oculto da alma trotskista ou nas almas simples dos seus eleitores?
Incrédulo quanto ao milagre de uma tal conversão, deambulei pela internet e chegando a Alcanena tive uma surpresa, quando li , num escrito oficial do BE aquando da inauguração de uma sede, o seguinte naco de discurso: “ Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta.”
Era pois verdade, todas as almas e todas as inquietações fundadouras do BE estavam agora fundidas no Socialismo Democrático. Como militante do PS, só posso congratular-me com a chegada ao socialismo democrático de mais um partido político. É certo que em muitos aspectos do seu dia a dia político ele ainda não parece adequadamente integrado na área a que diz pertencer, mas para tudo há um caminho e para percorrer qualquer caminho há um tempo a gastar.
sábado, 6 de novembro de 2010
AINDA A CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA

JUSTIÇA DE PASSOS

Também não faria sentido que se trovejasse com tanta pompa em defesa do que é uma banalidade em qualquer Estado de Direito: todos os cidadãos que cometam crimes ou incorram em ilegalidades, mesmo que sejam políticos designados democrática e legitimamente, ficam sujeitos às sanções previamente cominadas para o respectivo tipo de infracções.
Portanto, Passos Coelho só pode ter querido defender a criminalização e a responsabilização civil por actos políticos. Talvez, num plano subjectivo, apenas tivesse querido sublinhar a crença sem limites que tem na infalibilidade das suas ideias e das suas propostas e o repúdio visceral que lhe merecem as ideias dos outros, em especial as do actual governo. Talvez tenha apenas querido dar mais uma pincelada na sua imagem de político com sangue na guelra; ou excitado pelo ruído dos talheres dos militantes laranja, atacando ferozmente o lombo assado, tivesse subido um pouco alto demais na parede da sua imaginação. Não importa. Se foi fruto de reflexão o tipo de ferocidade demonstrado é significativo, mas se apenas reflectiu, num automatismo de circunstância, as camadas profundas das opções políticas de Passos Coelho, também não deixa de o ser.
E o que se projecta dessas camadas profundas da ideologia “passista” carece do mínimo de salubridade democrática. Se o adversário político não é apenas alguém que está errado, que representa preferências políticas diferentes das nossas, que exprime interesses sociais radicados em posições distintas no seio da pirâmide social, passando a ser um prevaricador, um criminoso que é preciso castigar, isso só pode significar que está de regresso o modo totalitário de olhar para a política. Numa lógica idêntica, outros, nos seu tempo, transformaram os seus adversários em traidores à Pátria, perseguindo-os; outros consideraram que quem fosse seu adversário só podia estar louco e meteram-nos em manicómios. Pela nossa parte, vivemos em Portugal, uma boa parte do século XX, sob um regime que olhava para os seus opositores como criminosos. Era então que se falava em crimes políticos, que afinal eram apenas comportamentos que reflectiam opiniões políticas distintas das que o salazarismo considerava como as únicas verdadeiras e legítimas, as suas.
É esta a genealogia das posições assumidas por Passos Coelho. Podemos pois, parafraseando com alguma liberdade um clássico da nossa literatura, dizer quanto a elas: “ sob o manto estéril do neoliberalismo, no plano económico, o rigor forte do autoritarismo, no plano político”.
A direita portuguesa não esquece nem desiste. Sob a camada de um verniz democrático, mesmo que para muitos psicologicamente sincero no plano individual, nas camadas ideológicas mais profundas continua estruturalmente em hibernação a permanente saudade dos tempos em que conduzia o poder sem o incómodo da democracia.
Foi isso que Passos Coelho revelou, mostrando também que, mesmo que possa ser um perigoso predador no plano superficial do teatro político-mediático, no plano mais fundo da sua estrutura ideológico-política, não passa ainda de um garnisé.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
CARTEL DE URUBUS

Dizer que o cartel de investidores só nos ataca porque somos economicamente frágeis, absolvendo-o assim da perversidade do ataque, é admitir que é legítimo um tipo de sociedade em que o forte esmaga o fraco, imputando a este a culpa pela sua fraqueza e ignorando a maldade do forte que perpetrou o ataque. É inviável que uma sociedade que pactue com isso possa sobreviver em democracia. A União Europeia não permite que um dos seus membros, por militarmente fraco que seja, possa ser atacado por uma potência exterior. Porque admite um ataque de banqueiros e outros investidores que pode deixar sequelas mais duradouras do que uma invasão militar?
Se a União Europeia não é suficiente forte, ou suficientemente solidária, para impedir isso, não merece existir. E se, mesmo assim, sobreviver, acabará por sofrer nos seus países mais poderosos aquilo que cobardemente consentiu que fosse feito aos seus membros mais desprotegidos.
De facto, quando o próprio FMI reconhece que não há base objectiva, a não ser um cálculo especulativo, para agravar a taxa de juro cobrada a Portugal, mas continua a encarar o nosso país como se ele tivesse uma culpa que o próprio FMI reconhece que ele não tem, está a passar a si próprio um certificado de cinismo do mais alto grau.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
MEMÓRIAS PRESTIGIANTES



quarta-feira, 3 de novembro de 2010
BRASIL - relação de forças após as eleições


Olhando agora para o quadro dos partidos que apoiaram José Serra, que certamente irão constituir a oposição mais consistente e mais relevante ao governo de Dilma, verificamos que neste bloco há um partido claramente dominante, o PSDB, o qual tendo tido uma quebra quer no Senado quer na Câmara de Deputados, conseguiu ser o partido com um maior múmero de governadores eleitos, tendo continuado à frente de S. Paulo e de Minas Gerais. E, também aqui, há que salientar que é o partido liderante da coligação e que dele faz parte o candidato deste bloco partidário. Os Democratas (antigo PFL, oriundo da ala moderada dos apoiantes da ditadura militar) sofreram um sério revés, sendo agora um parceiro enfraquecido do PSDB. Surge depois o desacreditado PTB, com alguma expressão; e depois o estranho PPS (correspondente à facção maioritária do velho Partido Comunista Brasileiro que, como se vê, não só mudou de nome, como parece ter perdido, por completo, a própria identidade), que saiu destas eleições com uma expressão reduzida. O PMN tem o relevo de ter um Governo estadual. Falta saber se, o ex-Governador de Minas Gerais e actual Senador, Aécio Neves ( neto de Tancredo Neves )vai sair do PDSB e formar um novo partido; ou se o PSDB consegue albergar sem rupturas a luta pela sua liderança interna, entre paulistas e mineiros. A derrota de Serra foi um revés para os paulistas, mas eles ainda são governo em S.Paulo. 
Dos quatro partidos que, não tendo apoiado oficialmente qualquer candidato, tiveram representantes eleitos, apenas tem um peso relativo com alguma importância o PP( oriundo do sector mais conservador dos antigos apoiantes da ditadura militar).


