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sexta-feira, 29 de junho de 2012

DISCUTIR A EUROPA


1. Hoje, dia 29 de junho, sexta-feira, às 21 h e 30 m, o   “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover mais um colóquio no Hotel D. Luís, em Coimbra. 
O colóquio é de entrada livre, pelo que todos  os cidadãos interessados em discutir a Europa se podem considerar como convidados.
O tema do colóquio será: “A Europa no seu Labirinto”. 
O interveniente convidado será Augusto Rogério Leitão, Professor de Relações Internacionais na FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Luís Marinho, ex-deputado europeu.
O debate será moderado por um outro membro do Clube, António Casimiro Ferreira.

  
2. Os problemas acumulam-se no horizonte europeu. Os dirigentes políticos, quase exclusivamente pertencentes ao Partido Popular Europeu, mostram-se  incapazes de solucionar os problemas a que o fanatismo neoliberal  conduziu. Mas, nos últimos tempos, houve mudanças políticas importantes. A insalubre pareceria  germano-francesa desvaneceu-se com a vitória dos socialistas em França. A evidência de que a chamada crise das dívidas soberanas foi sempre, essencialmente, uma crise do euro no seu todo; e de que as políticas da União Europeia (e não as decisões nacionais) foram a principal causa do seu agravamento, cria uma desorientação crescente entre  os principais dirigentes europeus, que fogem com uma dificuldade cada vez maior ao imperativo de reconhecerem que seguiram  o caminho errado.
3. É uma boa ocasião para se discutir a Europa. Tanto mais que mesmo as instâncias dirigentes das várias esquerdas europeias parecem confinadas a uma fraseologia  repetitiva  , própria de quem parece perdido e longe de qualquer ideia consistente que possa realmente fazer-nos sair do atoleiro em que estamos.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A EUROPA NO SEU LABIRINTO.


1. O “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista”, vai promover mais um colóquio que terá lugar, no próximo dia 29 de junho, sexta-feira, às 21 h e 30 m, no Hotel D. Luís, em Coimbra. 

O tema do colóquio será: “A Europa no seu Labirinto”.
O interveniente convidado será Augusto Rogério Leitão, Professor de Relações Internacionais na FEUC.
O interveniente membro do Clube Manifesto será Luís Marinho, ex-deputado europeu.
O debate será moderado por um outro membro do Clube, António Casimiro Ferreira.



Todos os cidadãos interessados em discutir a Europa podem considerar-se nossos convidados.  
 

2. Os problemas acumulam-se no horizonte europeu. Os dirigentes políticos, quase exclusivamente pertencentes ao Partido Popular Europeu,  parecem cada vez mais incapazes de solucionarem os problemas a que o seu fanatismo neoliberal nos conduziu. Os numerólogos conservadores, que se julgam economistas, possuídos pela ilusão  de que  o modelo capitalista actual é eterno, cultivam uma nova  alquimia de falsos axiomas eticamente repugnantes e  politicamente absurdos. Axiomas que desqualificam  e agridem barbaramente os trabalhadores, ao mesmo tempo que servilmente se subordinam o capital. Confrontados com a evidência dos próprios erros, parecem mais dispostos a agravá-los (como se desse modo pudessem   transformá-los em acertos) do que a corrigi-los.
Mas, nos últimos tempos, a conjuntura passou por mudanças marcantes. O eixo conservador germano-francês desvaneceu-se com a vitória dos socialistas em França. A evidência de que a chamada crise das dívidas soberanas foi sempre, essencialmente, uma crise do euro no seu todo e de que as políticas da União Europeia (e não as decisões nacionais) foram a principal causa do seu agravamento, reduzem os principais dirigentes europeus a uma tropa fandanga, desorientada e medíocre, que sobrevive a si própria numa embriaguez perturbante.
3. É uma boa ocasião para se discutir a Europa. Tanto mais que mesmo as instâncias dirigentes das várias esquerdas europeias parecem confinadas a uma fraseologia  repetitiva  , própria de quem parece perdido e longe de qualquer ideia consistente que possa realmente ajudar-nos a sair do atoleiro em que estamos.

Tal como aconteceu com os anteriores, este Terceiro Colóquio do Manifesto vai decerto correr bem.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

HÁ MUNDO PARA ALÉM DA EUROPA!

Num alpinismo trágico, os anões políticos que dirigem a União Europeia, por intermédio do Partido Popular Europeu, sobem a enorme montanha da sua própria mediocridade. Hesitam, entre a óbvia solidariedade entre os povos da União, rumo a um destino comum e a projecção da sua pequenez prospectiva, rumo a uma coisa esquisita que ora parece ser o arremedo de um império que não conseguiu existir, ora parece ser uma simples sombra dos poderes económicos de facto. Amanuenses de uma numerologia estranha legitimam esforçadamente essa deriva suicidária, como se fizessem ciência num laboratório infalível. Desobediente, a realidade ignora-os.

Numa ópera cómica de salamaleques e sorrisos, para que as câmaras televisivas os registem, confiantes, os anões políticos que dirigem a União Europeia por intermédio do Partido Popular Europeu, reflectem a ilusão que em parceria com o amigo americano são ainda o centro do mundo. Não são. E se os povos europeus continuarem adormecidos e a esquerda continuar a partilhar-se entre a revolução impossível e a renúncia em assumir-se como renovado rosto de um mundo diferente, todos eles dispersos por futuros demasiado fragmentados para terem uma energia transformadora, a Europa pode estar a caminhar para uma irrelevância melancólica. Talvez possa vir a ser estudada no futuro no seio de uma grande Eurásia, como nós estudamos hoje as ruínas romanas. É pouco, porque se essa voragem destruidora se consumar, serão os povos europeus a ficar murchos, como resquícios da História.

Tudo isto vem a propósito, de um acontecimento que acaba de ocorrer em Caracas, onde nasceu uma organização dos povos de toda a América do Sul e das Caraíbas, com a ausência propositada dos USA e do Canadá. Um novo protagonista continental que vinha paulatinamente a assumir-se deu agora um importante passo em frente. E este é um dado novo na cena política mundial, com óbvios reflexos no relacionamento da União Europeia com o resto do mundo.

Para vos transmitir uma ideia do que se passou e do seu significado vou transcrever dois textos publicados no diário argentino Página /12. O primeiro da jornalista e comentadora política argentina Nora Veiras, enviado de Caracas, intitulado “Una oportunidad para ser protagonistas”; o segundo da autoria de um outro jornalista e comentador político argentino Martín Granovsky intitulado, “La Celac en diez claves”.


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Nora Veiras

1.“Una oportunidad para ser protagonistas"

“Estamos poniendo la piedra fundamental de la unidad, la independencia y el desarrollo de Latinoamérica.” Hugo Chávez se enfervorizó frente a la treintena de presidentes de la región que lo escuchaban en la inmensa sala del Teatro Teresa Carreño. Como anfitrión inauguró la primera Cumbre de Estados de Latinoamérica y el Caribe (Celac). El nuevo organismo nace haciendo propia la cláusula democrática de la Unasur y respaldando el reclamo de la Argentina sobre la soberanía en las Islas Malvinas. El venezolano recorrió los vínculos con cada país de la región y reforzó los gestos de afecto hacia Cristina Kirchner. “Ayer le rendimos tributo a Néstor Kirchner, a ese campeón de la unidad. Viste, Cristina, que no se fue ni se irá ese gran compañero”, repitió y otra vez la emoción contenida afloró en el rostro de la Presidenta. Los tres mil invitados se pusieron de pie unidos en un aplauso. Más allá de los sentimientos, a su turno la Presidenta argentina abogó por que se creen “mecanismos concretos de integración” en la región para potenciar “una oportunidad histórica de convertirnos en grandes protagonistas del siglo XXI”.
La Presidenta señaló que “de los 33 países de la Celac, doce integran la Aladi y lo cierto es que nuestros países tienen un comercio intrarregional de apenas el 16 por ciento mientras que el 84 por ciento de exportaciones/importaciones se realiza fuera de nuestros países”. Cristina Kirchner se solidarizó con la lucha contra el narcotráfico y reclamó que la región se ocupe en generar mecanismos para indagar sobre el lavado de dinero y los países consumidores porque “parece que América latina se queda con los muertos y las armas, y con la droga y con el dinero se quedan otros”. Abogó por la coordinación de los organismos regionales y consideró que la integración se va agrandando en anillos: primero el Mercosur, luego la Unasur y ahora la Celac.
También resaltó ante los presidentes latinoamericanos que el encuentro se realizaba “en un marco de crisis inimaginable”, por lo que pidió tomar medidas para que la situación no impacte en la región. “Tenemos una oportunidad única como productores de alimentos para afianzarnos en el mundo, no se trata sólo de hacer catarsis. Somos 598 millones de personas, un mercado más que apetecible”, indicó.
Otro párrafo fue para Malvinas, cuando agradeció el nuevo apoyo recibido aunque sostuvo que no era sólo una causa argentina sino global, dado que el país padecía la intransigente postura británica, “una potencia que tiene poder de veto en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas”. En ese marco, se trataba de “un asunto de relación de fuerzas en el mundo”.
La Presidenta estaba en Caracas desde el miércoles por la noche, dado que el jueves tuvo un encuentro bilateral con Chávez. Por eso, luego de su intervención en la Celac, emprendió el regreso a la Argentina y hoy será reemplazada por el canciller Héctor Timerman, tanto en el cierre de la cumbre como en el plenario de la Unasur.
Acto
“Somos un mismo continente, con una misma alma”, dijo, parafraseando a José Martí, Felipe Calderón, el titular saliente del Grupo Río que se fusiona con la Cumbre de América latina y el Caribe (CAL) para darle vida a la Celac. El mandatario mexicano, un hombre de centroderecha, felicitó a Chávez por la convocatoria para el lanzamiento del nuevo organismo.
El secretario general de la Asociación Latinoamericana de Integración (Aladi), Carlos “Chacho” Alvarez, consideró que “los latinoamericanos estamos empezando a construir nuestra propia historia. Es el principio del fin de una historia de América latina que empezó con la Doctrina Monroe, aquella de ‘América para los americanos’. Ahora es ‘Latinoamérica para los latinoamericanos’. Eramos el trasero de un mundo dominado por un poder hegemónico, hoy hay un mundo multipolar. América latina empieza a ser un sujeto de esa historia, deja de ser un objeto dominado. América latina es parte de la reconfiguración de un nuevo orden mundial y económico”.
Siempre gozando con la provocación, Chávez señaló: “Acá nos estamos uniendo los regulares y los irregulares. Le dije a Dilma (Rousseff) que ella era revolucionaria y llegó escoltada por una generala. Yo soy regular y un poco irregular, Daniel Ortega (Nicaragua) era irregular y ahora es regular. Raúl Castro (Cuba) es irregular, regular, es un poco de todo”. Aludió así al origen guerrillero de algunos mandatarios y a cómo se ha ido forjando una historia común. Le mandó saludos a Fidel Castro, contó cómo lo convenció para que se tratara: “Me dijo. ‘Tú escoges: la cumbre o la vida, como revolucionario no tienes opción, tienes que escoger la vida, la cumbre puede esperar’. Así iniciamos la intervención, la internación, la quimioterapia. Por eso la cumbre no se hizo en junio y se hace ahora”.
El venezolano saludó a “esas dos gigantas”, Dilma y Cristina, y siguió alabando a sus invitados. Antes de partir hacia el fuerte militar Tiuna donde comenzaría el plenario, escucharon a la Orquesta Sinfónica Juvenil de Venezuela. “Antes al Teresa Carreño sólo podías entrar si tenías visa, el pueblo no lo conocía”, contaban cronistas locales.
Cambio de época
El inmenso predio que ocupa el Tiuna fue el lugar donde en 2002 Chávez fue detenido tras el golpe de Estado que lo sacó del poder. Ayer, en ese mismo lugar recibió a sus pares de América latina. Las salas del regimiento equiparan la inmensidad de las salas brasileñas y los presidentes se fueron ubicando a una distancia que desdibujaban los rostros. Chávez divisó a Fernando Lugo de Paraguay y le anunció: “Estás invitado a una cumbre que viene pronto, la de los que vencimos el cáncer. La convoca Dilma, ella es la primera”.
Chávez le dio la palabra a Rousseff. “Estamos en condiciones de crear un hecho político y económico de gran envergadura en la región. Hoy asumimos esa responsabilidad política y como ciudadanos de América latina la responsabilidad de poner en marcha este foro.” La presidenta de Brasil advirtió que “la crisis mundial está en el centro de las preocupaciones de la Celac. Son reales los temores de una recesión global. A pesar de ser originada en países desarrollados y que adoptan políticas que fracasaron en los ’80 y los ’90, pueden tener efectos muy fuertes en la economía internacional. Debemos responder con un nuevo paradigma: mantener el crecimiento en nuestros países con inclusión y justicia social y con la creación de empleos de calidad”.
Chávez apeló a las cifras de la Cepal sobre la región –31 por ciento de reservas de biocombustibles, 13 de reservas de petróleo, 47 de producción de cobre, 48 de producción de soja, 31 de carne y 23 por ciento de leche– para reforzar su potencial. El colombiano Juan Manuel Santos definió “la pobreza y el narcotráfico como los enemigos a combatir”. Reivindicó el nuevo foro, pero advirtió el riesgo de que “aceleremos pero no avancemos”.
“Un día como hoy, hace 55 años –tú no habías nacido, Rafael (Correa)– Raúl Castro desembarcaba en el Granma en Cuba”, recordó Chávez al darle la palabra. El presidente cubano destacó “el hecho trascendental” de formación de la Celac. Señaló que “no tenemos un ideario homogéneo ni coincidencias ideológicas totales, pero sí la decisión de trabajar en respeto y cooperación”. Castro advirtió que “hay 180 millones de pobres y 72 millones en extrema pobreza en América latina, es una tragedia que debemos combatir”. Mientras Castro hablaba empezó a escucharse el “bombazo”, un ruido ensordecedor organizado por el chavismo para contrarrestar el “cacerolazo” que había anunciado la oposición para opacar la cumbre.
La noche avanzaba y los presidentes seguían analizando el escenario regional e internacional. Hoy culmirá la cumbre y sesionará la Unasur".

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Martín Granovsky


2. La Celac en diez claves


"En un mundo que transita hacia no se sabe qué, y tampoco cómo ni cuándo, la primera cumbre de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe (Celac) es una buena noticia para Sudamérica.
La creación de la Celac, en 2010, fue una iniciativa impulsada por Brasil cuando era presidente Luiz Inácio Lula da Silva que la Argentina apoyó con entusiasmo y el venezolano Hugo Chávez acaba de aprovechar con habilidad en medio del cáncer y a 10 meses de las elecciones presidenciales del 7 de octubre.
El sistema planetario y la futurología son malos compañeros. Antes que definir cómo será la Celac dentro de 20 o 30 años parece más útil mostrar algunas claves de su debut en Caracas.
Clave uno. La Celac no sustituye a la Unasur, la Unión Sudamericana de Naciones creada en 2004, relanzada en 2007 y consagrada en su eficacia regional con la secretaría ejecutiva de Néstor Kirchner en 2010. En términos políticos la Unasur sigue siendo el núcleo homogéneo y, como tal, fue el motor de la Celac. Al impulsar el nuevo organismo, brasileños y argentinos se cuidaron de no diluir a la Unasur, así como la Unasur no diluyó al preexistente Mercosur.
Clave dos. La Celac incluye a México, y el propio presidente Felipe Calderón abrió las sesiones, pero la Argentina no repite viejos esquemas según los cuales México debe ser un contrapeso para el espesor internacional de Brasil.
Clave tres. La prueba de los dos primeros puntos es que Cristina Fernández de Kirchner y Dilma Rousseff utilizaron el marco de la cumbre de Caracas para anunciar la creación de un llamado por los gobiernos Mecanismo de Integración Productiva entre la Argentina y Brasil. “Cuando Brasil crece, crece la Argentina”, dijo el canciller Héctor Timerman en una síntesis que pareció apuntar a una visión: más allá de las diferencias comerciales, que no superan el 10 por ciento del volumen total del intercambio entre los dos países, la Argentina apuesta a subir la escala de la relación con Brasi. Y aquí no hay espacio para la nostalgia sobre el PBI de cada país hace 100 o hace 50 años. Brasil está a punto de superar al Reino Unido en el ranking de las economías más poderosas del mundo y resulta que es el gran vecino de acá al lado. Pragmática, la Argentina actúa según esa realidad y se beneficia de ella tanto en términos económicos como políticos. Un ejemplo del último aspecto es el respaldo de la Celac al reclamo nacional de abrir negociaciones diplomáticas con el Reino Unido para recuperar las Malvinas.
Clave cuatro. Brasil y la Argentina no abandonaron a Venezuela ni como apuesta regional (centrada en el potencial energético de los venezolanos y en su rol creciente de puente entre Sudamérica y el Caribe) ni como apuesta política (Cristina y Dilma prodigaron gestos de cariño incluso personal a Chávez, que pelea con la biología y contra el tiempo para un eventual armado oficialista de cara a las elecciones).
Clave cinco. La euforia del presidente cubano Raúl Castro, que calificó a la Celac de la iniciativa más importante de los últimos 200 años, muestra otra cara del nuevo organismo. No reemplaza a la Organización de los Estados Americanos, que sí incluye a los Estados Unidos y tiene apartada a Cuba, pero sigue vaciando de contenido concreto a la OEA. Y, de paso, ofrece un paraguas de amplio espectro político para que Cuba pueda emprender una transición lo más ordenada posible desde la revolución hacia la construcción de un capitalismo mixto que no termine un buen día con una invasión de empresas inmobiliarias de Miami.
Clave seis. La Celac es otra forma más de reunirse y discutir en un mundo multipolar que se encuentra en plena reformulación. Los Estados Unidos, que aún son la única hiperpotencia militar, estos días respiran aliviados ante la caída del índice de desempleo al 8,6 por ciento, por debajo del 9 que parecía imposible de perforar. La Europa comunitaria discute ya sólo la medida en que cada país se reservará alguna cuota de soberanía ante la decisión alemana de convertirse en el gendarme fiscal de sus 27 socios, que así dejan de serlo para transformarse en pupilos. Beijing desacelera el crecimiento sin enfriarse mientras avanza en una sorda disputa naval, típica de la Guerra Fría, a ver quién predomina sobre quién en el Pacífico y el Mar de la China. Rusia hace lo propio con su marina en el Báltico. En ambas regiones está en juego no sólo el acceso a mercados, sino el control de riquezas naturales submarinas a explotarse en el futuro, desde petróleo y gas hasta yacimientos de oro.
Clave siete. En la multipolaridad hay instancias de construcción de poder regional nítido, como Unasur o el Nafta, y también instancias más débiles con objetivos menos permanentes, de composición más heterogénea o de conversión en foros de debate. Un ejemplo son los Brics, que integran Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica. No tienen un objetivo militar común, pero sí disputan juntos cuotas mayores de poder en el Fondo Monetario Internacional e intentan terciar en la crisis europea para evitar una caída brusca de la UE. Otro ejemplo, donde hoy se concentra la tensión de la discusión sobre los modelos internacionales de desarrollo, es el G-20, con presencia de dos latinoamericanos en sintonía (la Argentina y Brasil) y otro alineado con Washington, como México.
Clave ocho. México ya eligió el Nafta (fruto de una decisión política de integración con los Estados Unidos y a la vez consagración de una dependencia comercial y económica respecto del mercado norteamericano), pero un futuro gobierno del Partido Revolucionario Institucional que surja de una victoria eventual el 1ª de julio puede necesitar que a mano haya un foro donde retomar cierta dimensión simbólica de autonomía cultural respecto de su gran vecino. Esa perspectiva sería aún más acuciante si el presidente que suceda a Calderón, del conservador PAN, decidiera cambiar la actual estrategia de enfocar la lucha contra el narcotráfico como una guerra. El enfoque no es sólo intelectual: en México ya murieron más de 40 mil personas en los últimos cuatro años, el narcotráfico no se redujo y el contrabando de armas entre el sur de los Estados Unidos y el norte de México es tan fluido como la trata de inmigrantes.
Clave nueve. La Celac no surge como un organismo dirigido contra los Estados Unidos, y no podría hacerlo por la pluralidad de sus integrantes, pero la mera ausencia de Wa-shington es un indicio de que, siempre que los latinoamericanos eviten el delirio y se abs-
tengan de dar por extinguido el poder de los Estados Unidos, tienen un espacio de autonomía para construir instituciones como Unasur o el Consejo Sudamericano de Defensa.
Clave diez. Chávez no sólo estuvo hábil para utilizar la Celac como una forma de legitimación interna. No podría haber llegado a este punto sin haber desplegado en el Caribe, donde no todos los países son Cuba, Nicaragua o El Salvador, aun con todas las diferencias entre los tres, una diplomacia basada en el activismo que México dejó hace ya 20 años y en la provisión de petróleo más barato".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

TRISTE DILEMA: irresponsáveis ou estúpidos.

A legitimidade da democracia não depende do agrado que em cada um de nós provoquem os resultados do seu funcionamento. Por isso, tudo o que nos últimos tempos se traduziu, no seio do mundo árabe, na abertura de percursos democráticos merece ser saudado.

O caso particular da Líbia está ainda por revelar o seu significado duradouro. Não justificando uma avaliação diferente da qualidade democrática do regime derrubado, merece que se não esqueça que suscitou uma guerra civil e que foi cenário de uma arrasadora interferência do que antes se chamavam as potências ocidentais. Potências que vestiram uma piedosa pele humanista de salvadoras de vidas, quando a maior parte dos mortos eram imputáveis ao regime deposto, mas se esqueceram rapidamente dessa desvanecedora atitude, quando não hesitaram em inscrever no activo da sua guerra um apreciável rosário de vidas humanas ceifadas. Potências que tiveram da ONU um mandato preciso com limites definidos, mas não hesitaram em excedê-lo, quando isso lhes foi conveniente. Potências que julgaram altaneiramente resolver em dias o que afinal lhes demorou meses a conseguir. Potências no seio das quais se assistiu ao apagamento estranho dos USA, para que emergisse caricata uma miniatura de Napoleão e nos chegasse o cheiro a um ranço tardio do império britânico. Ou seja, actores políticos que assumiram a pose de uma grande epopeia, quando afinal se confinaram à modéstia de um drama, com embaraçosos laivos de comédia. Pousaram para a fotografia como se roçassem a glória, mas mostraram apenas a melancólica sombra da decadência.


Daqui a um ano, os mortos continuarão mortos, inscritos na culpa do regime deposto e das potências voadoras, mas o cenário pode ser mais eloquente, como ilustração do verdadeiro resultado político da destruição de uma parte da Líbia e de um regime autoritário, akiás, ultimamente tratado com toda a cordialidade pelos mesmos sujeitos que ordenaram os bombardeamentos.

Mas, se quanto à Líbia será preciso esperar para se perceber qual a tonalidade do que está para vir, noutros países, que também foram palco de mudanças, há já algum começo de resposta. Na Tunísia, os islamistas moderados venceram as eleições e no Egipto a vitória dos islamistas menos radicais foi maior do que receavam os laicos, enquanto o segundo lugar conseguido pelos islamistas radicais foi totalmente inesperado, podendo catapultar o peso global dessas duas forças para uns impressionantes dois terços do eleitorado. Mesmo em Marrocos, numa evolução tutelada pela Coroa, o passo dado rumo a uma democracia menos relativa traduziu-se na vitória de um partido islamista.

Cada um à sua maneira, na Síria e no Iraque continuam a decorrer dramas sangrentos. Com as características específicas de cada caso, perfilam-se nos respectivos horizontes distintas interrogações.

O que espanta é que quer a potência liderante, quer os seus apaniguados mais untuosos, parecem não ter uma política global coerente, onde adquiram uma lógica os diversos episódios que vão protagonizando nos vários tabuleiros em que decorre o grande jogo mundial do poder e dos interesses.

Na verdade, ao mesmo tempo que no essencial parecem enquistar-se num seguidismo acéfalo do fundamentalismo israelita, sectariamente anti-palestiniano, vão abrindo caminho ou estimulando evoluções no mundo muçulmano que, a prazo, só podem agravar o isolamento estratégico de Israel. É como se tivessem perdido a visão global do jogo em que participam, comportando-se em cada tabuleiro como se fosse o único.

Não estou aqui a exprimir acordo ou desacordo com as políticas das potências ocidentais neste campo, embora discorde delas no caso israelo-palestiniano, e não as aceite por completo nos outros casos, não pelo lado que apoiaram , mas pelo modo como materializaram esse apoio. E claro, repudio também a vergonhosa complacência com que tratam as ditaduras monárquicas, de que é exemplo gritante a Arábia Saudita, manifestando assim uma incoerência insuportável, em face do modo como trataram a questão líbia.

Por tudo isto, é cada vez mais claro que as lideranças chamadas ocidentais não têm meios para executar a política por que optam em todos os seus aspectos. E assim praticam actos que só teriam consistência estratégica, se fossem a acompanhados por outros que não conseguem praticar; e assim tornam-se objectivamente irresponsáveis. Mas se, pelo contrário, os têm, isso só pode significar que apenas não têm uma política globalmente coerente, por não serem capazes de a conceber, por serem intelectualmente lineares ou politicamente estúpidos.


E assim chegámos a um triste dilema: os grandes protagonistas da política mundial, alegadamente ocidentais, ou são irresponsáveis ou são estúpidos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

POR UM GOVERNO EUROPEU!

Os empadões mediáticos que nos servem todos os dias, nos vários meios de comunicação social, tendem a reduzir a Alemanha a uma sujeita pesadona e antipática, algo feiosa, que nos diz coisas desagradáveis e nos censura, quase como se fosse uma antiga mestra das velhas escolas da outra senhora. A malta irrita-se, com alguma razão, recordando como toda a Europa foi generosa, quando não tergiversou um segundo, ao tratar-se de consentir na incorporação da RDA na RFA e desse modo na União Europeia. E isto, apesar do claro risco geopolítico para a balança de forças intra-europeia de passar a existir na União Europeia um Estado demasiado mais poderoso do que qualquer dos outros. Aceitou-se esse efeito colateral do desmoronamento soviético com solidariedade e júbilo. Aliás, é também por causa dessa reunificação que a Sr.ª Merkl, não pena ainda hoje no paraíso cinzento do antigo Leste Europeu.


Mas a Alemanha não é apenas uma colecção de matronas antipáticas, de banqueiros sôfregos e de tecnocratas rectilíneos, inventados para nos causarem pesadelos. A Alemanha é também inteligência e generosidade, espírito crítico e ousadia prospectiva. A comprová-lo, está o texto de opinião, publicado recentemente no jornal espanhol, “El País”, que a seguir se transcreve. O seu autor, Joschka Fischer, foi Ministro das Relações Exteriores da Alemanha e vice-chanceler no governo SPD/Verdes, liderado por Gerhard Schröder, de 1998 a 2005; tendo ainda sido líder do partido “Os Verdes”, durante quase 20 anos.

No seu texto, Joschka Fischer, que foi o político mais popular da Alemanha, durante a maior parte do tempo em que esteve no Governo, defende que se deve “Europeizar a Europa”. E, dando a sua opinião sobre o caminho a seguir para aí se chegar, escreveu:

“La eurozona se encuentra en el vórtice de la crisis financiera global, porque solo allí, en el ámbito de la segunda moneda más importante después del dólar, la crisis golpeó una "estructura" débil en lugar de un Estado con poder real. Una estructura que está dilapidando la confianza de los ciudadanos y los mercados en su capacidad de resolver conflictos, al tiempo que empuja el sistema financiero internacional al borde del desastre.
En otras palabras, la crisis financiera actual refleja una crisis política de la eurozona que pone en cuestión la existencia misma del proyecto europeo. Si fracasa la unión monetaria europea, no quedará mucho del mercado común ni de las instituciones y tratados europeos. Tendríamos que tirar por la borda seis décadas de exitosa integración europea, con consecuencias desconocidas.
Este fracaso coincidiría con el surgimiento de un nuevo orden mundial y el fin de dos siglos de predominio occidental. El poder y la riqueza se están desplazando al este de Asia y otros países emergentes, mientras que Estados Unidos estará ocupado con sus propios problemas y cambiando su foco de atención desde el Atlántico hacia el Pacífico. Si los europeos no abordan sus intereses ahora, nadie lo hará por ellos.
El problema de Europa no es lo que sucedió, sino lo que no se hizo: la creación de un gobierno europeo común.
A principios de la década de 1990, cuando la mayoría de los Estados miembros de la Unión Europea decidieron formar una unión monetaria con una moneda y un banco central comunes, la idea de un gobierno central carecía de apoyo. Como resultado, se pospuso esa fase de construcción de la unión monetaria, dejando un imponente edificio que carecía de cimientos sólidos para asegurar estabilidad en tiempos de crisis. La soberanía monetaria se convirtió en una causa común, pero el poder necesario para ejercerla se mantuvo en las capitales nacionales.
En esos años se creía que bastaba con formalizar reglas: la imposición de límites obligatorios sobre el déficit, la deuda y la inflación. Pero este fundamento normativo resultó ser una ilusión: los principios siempre deben contar con poder que los respalde, de lo contrario no pueden resistir la prueba de la realidad.
La eurozona, una confederación de Estados soberanos con moneda, principios y mecanismos comunes, hoy no está pasando la prueba. Incapaz de responder con decisión a una crisis, está perdiendo la confianza, que es el activo más importante de toda moneda. A menos que el poder político de Europa se europeíce a través de la evolución de la actual confederación hacia una federación, la eurozona -y la UE en su conjunto- se desintegrará. Los costes políticos, económicos y financieros de la renacionalización serían enormes; en todo el mundo se teme, con razón, el colapso de la Unión Europea.
Por el contrario, si se da respuesta ahora al déficit político de la unión monetaria, antes que nada mediante la creación de una unión fiscal (con presupuesto y obligaciones comunes), será posible una federación política real. Y, seamos claros: nada menos que unos Estados Unidos de Europa tendrían la fuerza necesaria para evitar el desastre en ciernes.
Nos guste o no, la eurozona tendrá que actuar como vanguardia de la Unión Europea, porque la UE en su conjunto, con sus 27 Estados miembros, no querrá ni será capaz de acelerar la unificación política. Por desgracia, sencillamente no se podría lograr el apoyo unánime a los cambios a los que habrá que someter los tratados de la UE. Entonces, ¿qué se debe hacer?
Los europeos dieron pasos importantes hacia la integración fuera del ámbito de los tratados de la UE (pero muy en el espíritu europeo), cuando accedieron a abrir sus fronteras con el llamado Acuerdo de Schengen (hoy parte de los tratados de la UE). Basándose en esa experiencia exitosa, la eurozona debe evitar el pecado original de la UE de crear una estructura supranacional que carezca de legitimación democrática.
La eurozona necesita un gobierno que, tal y como están las cosas, solo puede consistir en los respectivos jefes de Estado y de Gobierno, algo que ya ha comenzado. Y, porque no puede haber unión fiscal sin una política presupuestaria común, no se puede decidir nada sin los Parlamentos nacionales. Esto significa que es indispensable una Cámara Europea, integrada por líderes de los Parlamentos nacionales.
En un principio, tal cámara puede ser un órgano consultivo en un contexto en que los Parlamentos nacionales mantengan sus competencias; más adelante, teniendo como base un tratado intergubernamental, debe convertirse en una verdadera institución parlamentaria de control y toma de decisiones, integrada por miembros delegados de los Parlamentos nacionales. Por supuesto, ya que un tratado de este tipo significaría una amplia transferencia de soberanía a las instituciones intergubernamentales europeas, sería necesaria su legitimación popular directa mediante referendos en todos los Estados miembros, entre ellos (y especialmente), Alemania.
Nada de esto aborda asuntos importantes, como las políticas comunes para garantizar la estabilidad económica y promover el crecimiento. Pero, si algo hemos aprendido de la crisis actual, es que estos temas ni siquiera se pueden encuadrar a menos y hasta que la eurozona posea un marco institucional confiable, con una base sólida que consista en un verdadero gobierno, un control parlamentario eficaz y genuina legitimación democrática.”

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A EUROPA NUMA ENCRUZILHADA

Ulrich Beck , professor da Universidade de Munique, é um eminente sociólogo alemão com grande prestígio internacional. Favorável à União Europeia, com decisiva contribuição para a compreensão da "sociedade do risco" tem procurado analisar as consequências políticas e sociais da globalização. Preocupado com a assimetria entre a intensidade com que se protegeram os bancos e a modéstia das medidas de combate ao desemprego e à pobreza, considerou que “a União Europeia se pode converter num monstro político”.


Foi entrevistado recentemente por José María Ridao , para o jornal madrileno "El Pais". Numa breve introdução diz-se sobre a sua posição quanto à actual conjuntura: " partidario de profundizar en la Unión Europea, que considera como una concreción del cosmopolitismo, contempla con preocupación los efectos de la actual situación económica y política sobre las instituciones comunes". Eis as perguntas e as respectivas respostas :


Pregunta. Debates políticos que parecían cruciales, como la inmigración o el multiculturalismo, han desaparecido de escena.

Respuesta. La crisis ha modificado por completo el paisaje de los problemas. Hace poco tiempo en Alemania se debatía, en una comisión oficial de la que formo parte, sobre la energía nuclear y el futuro de las renovables. Nadie vuelve a hablar del asunto, y esto es algo que tiene que ver con la percepción de los riesgos.

P. Los riesgos, sin embargo, no parecen nuevos, sino los de siempre: paro, recesión, pobreza.
R. Existe una conexión entre esos riesgos y los nuevos; una conexión que han percibido las generaciones más jóvenes en España y otros países europeos. Incluso, en Estados Unidos. Por un lado, los Gobiernos están empleando ingentes recursos para salvar a los bancos y las instituciones financieras; por otro, el paro o la pobreza, por no hablar de la educación o de la inversión en ciencia, no han recibido un tratamiento equivalente en la agenda política. Esta alteración de las prioridades está provocando una pérdida de legitimidad de las instituciones.
La crisis ha modificado por completo el paisaje de los problemas”

P. ¿A eso responderían movimientos como los indignados?
R. No son movimientos protagonizados por los más pobres ni por los excluidos, sino por una clase media frustrada. Constituyen un fenómeno atípico: no parten de un grupo específico ni tampoco responden a una reivindicación concreta; son transnacionales pero, a la vez, no están organizados. Podrían representar un paso importante en la redefinición de la política en un nivel superior al del Estado nación.

P. Es decir, superar lo que usted llama el "nacionalismo metodológico".
R. La democracia parlamentaria es una democracia nacional, por lo menos hasta ahora. En Alemania, por ejemplo, los jueces del Tribunal Constitucional están actuando como euroescépticos al pronunciarse contra algunas decisiones económicas con las que se ha comprometido el Gobierno con el resto de los miembros de la Unión. Creen estar defendiendo la democracia contra Europa, cuando el proyecto europeo está más allá de los planteamientos nacionales.


P. Pero el proyecto europeo no parece tener hoy otro objetivo que salir de la crisis.
Movimientos como los indignados los protagoniza la clase media frustrada”
R. Dejemos de lado la cuestión de si la gestión de la crisis será o no exitosa. O mejor, pensemos de manera optimista y digamos que sí, que será exitosa. A lo que nos estamos enfrentando, en cualquier caso, es a un cambio absoluto en la manera de entender Europa. La Unión era un espacio donde las decisiones se adoptaban de forma multilateral; ahora, sin embargo, tienden a ser unilaterales, y todas confluyendo en Berlín. La visión alemana de cómo resolver la crisis se está aplicando en un nivel europeo, lo que cuestiona el consenso que alcanzamos hace años. Como alemanes, no queríamos una Europa alemana sino una Alemania europea.


P. ¿En qué se traduce este cambio?
R. Por un lado, genera quejas de España, Portugal, Italia o Grecia, que perciben que su soberanía, o incluso su dignidad, están siendo dañadas. Por otro, molesta a los alemanes, que se dicen que, al final, tienen que pagar por todos.


P. Se afirma, sin embargo, que solo hay una política para salir de la crisis, sea o no la que defiende el Gobierno alemán.
R. Es cierto que la crisis obliga a la austeridad, en España y en el resto de los países. Pero están surgiendo nuevos conflictos en la eurozona que sobrepasan el que existía entre donantes y receptores de recursos. Estos últimos están perdiendo su voz a la hora de tomar decisiones dentro de la UE. Al mismo tiempo, se ha empezado a transmitir la impresión de que no se forma verdaderamente parte de la Unión si no se está en el euro y, como en el caso de los receptores de recursos, se está apartando del proceso de toma de decisiones a los países en esta situación. Si se mantiene semejante rumbo, y aun en el supuesto de que, como decía, la gestión de la crisis fuera exitosa, la UE se puede convertir en un monstruo político.
El paralelismo con Estados Unidos no vale. No hay una nación europea”


P. ¿Está en riesgo el proyecto de la Europa unida?
R. Desde hace unos meses, en Alemania existe un consenso, no sólido, pero al fin y al cabo un consenso, acerca de que la salida de la crisis no exige menos Europa, sino más. Creo que este consenso responde a lo que llamo el "imperativo cosmopolita", esto es, la conciencia de que no existe otra alternativa que cooperar o fracasar. Cuando se percibe que el proyecto europeo está en peligro, la inmediata reacción de los partidos políticos es reclamar más Europa. Lo sorprendente, sin embargo, es que nadie sabe exactamente qué significa eso.


P. Y, ¿qué significa?
R. Se tiene una idea confusa acerca de Europa. En ocasiones se habla de los Estados Unidos de Europa como una utopía que debería colocarse en el horizonte, y que tomaría como modelo los Estados Unidos de América. El paralelismo no vale: no es lo mismo una sociedad de inmigrantes, organizada como un único Estado y orientada hacia la idea de nación, que la situación de la que parte Europa. No hay una nación europea ni debería haberla, porque eso sería tanto como entregarse a un nacionalismo de mayor dimensión que en absoluto encaja con las diferencias que existen por historia y por cultura. A menudo, los alemanes pensamos Europa como un Estado federal. Joschka Fisher, un político al que aprecio y del que soy amigo personal, tiene esta visión. Pero existen otras.


P. Tratándose de construir Europa, da la impresión de que no hay diferencias entre derecha e izquierda.

R. En Alemania, no. Adenauer, Kohl eran firmes europeístas. Pero ahora los problemas para cada una de ambas opciones son otros. Los programas de austeridad que todos se ven obligados a aplicar se han convertido en un suicidio político para los Gobiernos, sin importar si son de derecha o de izquierda. Los socialdemócratas en Alemania están a la búsqueda de un programa, mientras que Merkel va cambiando de opinión según las necesidades para mantener el poder.


P. Y, sin embargo, sólo se habla de crisis de la izquierda. Se suele citar el caso de España.
R. Seguramente el Gobierno español ha cometido errores específicos, pero no es solo la izquierda la que está en crisis. Son también los partidos políticos. Ni la derecha ni la izquierda parecen haber adquirido conciencia de hasta qué punto la seguridad es lo que más importa a la gente de la calle.


P. Tal vez porque no pueden ofrecerla.
R. Se ha manifestado una curiosa paradoja durante estos últimos años, y es que, cuando las instituciones financieras entraron en crisis, su poder no disminuyó sino que se ha acrecentado. Todo el mundo está obligado a hablar el lenguaje económico y a entender lo que ocurre, incluidos los expertos que no supieron prever los acontecimientos. Es imposible escapar a la economía, y de ahí el incremento del poder de las instituciones financieras.


P. Que, además, es un poder transnacional.
R. La democracia está atrapada en una contradicción: permite votar y elegir Gobiernos en un sistema nacional que cada vez pierde más poder en el nivel transnacional. La política es nacional y está nacionalmente organizada, pero los problemas no son nacionales. A mi juicio, ese es el mayor problema político en estos momentos, cómo reinventar el sistema político en el nivel transnacional.

P. Reinventarlo, ¿en qué sentido?
R. Los padres fundadores de Europa fueron extremadamente inteligentes. Dijeron que Europa es, en realidad, una larga crisis, y convinieron en que construirla consistía en identificar siempre el siguiente paso político. En un momento, ese paso fue el euro, por más que ahora no tengamos ni recursos ni ideas para seguir adelante. Pero existe un profundo desfase entre la realidad de Europa que ya estamos viviendo y las instituciones, una realidad más compleja de la que se capta en los debates públicos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

POLÍTICA ITALIANA

Uma sondagem, feita recentemente em Itália, mostra continuidade na descida da popularidade de Berlusconi. O seu partido (PDL) está agora com 25% e a coligação de direita que lidera fica-se pelos 35,5%. O chamado terceito pólo, uma congregação heterogénea de ex-democratas cristãos ( UDC), ex-neo-fascistas ( FLI), ex-apoiantes do centro-esquerda (API) e defensores das autonomias (MPA), mantém-se nos 13%, continuando a UDC a ser o partido dominante, com os seus 7%. O centro-esquerda no seu conjunto chega a 45,5%, o que talvez lhe desse a possibilidade de formar governo, se os resultados de umas possíveis eleições correspondessem ao número desta sondagem. O Partido Democrático, partido liderante, ficou-se, no entanto, por uns modestos 28%, sendo significativo o resultado obtido pela Esquerda e Liberdade ( 7,5%) e pela Itália dos Valores ( 7%). Os Verdes(0,8%) o Partido Socialista Italiano(0,7%) e as listas Bonimo-Panella (1,5%) tiveram um expressão reduzida. Fora dos três blocos, surge a esquerda mais radical com 1,5% e o Movimento 5 Estrelas, que busca apoios principalmente na esquerda, com 3,5%.




Dado o desastre político em que se transformou o "berlusconismo", não pode deixar de se mencionar como significativo o facto de o partido alternativo, o Partido Democrático, resultado da estranha fusão entre o sector maioritário do ex-PCI e de os democratas cristãos de esquerda não reunir intenções de voto que cheguem sequer aos 30%.Registe-se a resistência da Itália dos valores , cada vez mais claramente um fenómeno não conjuntural e uma recuperação da esquerda que não aderiu ao PD, por intermédio da Esquerda e Liberdade, eventualmente na esteira do carisma de N. Vendola. As tentativas de ressuscitar, como força política a ter em conta, o velho Partido Socialista Italiano,parecem não ter eco no eleitorado. Ou seja, a direita italiana afunda-se, mas a esquerda não se revela como uma alternativa entusiasmante. O centro heterogéneo parece sem força para se assumir como solução autónoma , mas com a importância suficiente para ser , mais ou menos discretamente cortejado.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A BUSHIZAÇÃO DE OBAMA

Vítima de uma excessiva complacência perante a pesporrência israelita em face da Palestina, a qual aliás a longo prazo é verdadeiramente suicida, a actual administração americana deixou-se isolar na questão da entrada da Palestina nas Nações Unidas.


E perante a decisão da UNESCO de admitir a Palestina como um dos seus membros, os USA ficaram possessos. Ficaram em fúria, quando até deveriam ter sido eles a encorajar essa admissão; quanto mais não fosse para mimorar sequelas antigas.


Desnorteados, resolveram retaliar, tendo anunciado que deixavam de contribuir financeiramente para a UNESCO. Ou seja: uma vergonha. Ainda se estivesse ao leme o desvairado Bush, haveria também lugar a espanto, mas olhar-se-ia para o insólito desmando como mais um sintoma de uma liderança alucinada e reaccionária. Mas como quem está à frente dos USA é Obama, só há uma palavra para se dizer : vergonha!

domingo, 30 de outubro de 2011

OLHANDO PARA A ISLÂNDIA PARA NOS VERMOS MELHOR

A matilha cinzenta dos ideólogos neoliberais, bem como toda a rafeiragem de acólitos que lhes servem de eco, cumprindo impecavelmente a sua missão histórica de cães de guarda dos poderes de facto, em benefício dos quais o capitalismo existe e o neoliberalismo funciona, estão activos e mediaticamente omnipresentes. Querem-nos fazer crer que estamos a percorrer o único caminho possível, apresentando-nos o leque de medidas que vão tomando por conveniência dos interesses hoje dominantes, que lhes convêm a eles, penalizando os povos, como se espelhasem um imaginário interesse colectivo. Este sim, é um verdadeiro embuste que os ensurdecedores paladinos de verdades que são apenas deles tecem cinicamente, dia após dia. Para ajudar a tornar claro que estamos realmente perante um miserável embuste, vou transcrever um texto difundido hoje no site do diário espanhol “El País”, da autoria de um economista internacionalmente reputado, Paul Krugman que é professor da Universidade de Princeton, uma das mais reputadas univerisdades norte-americanas, e a quem foi atribuído em 2008 o Prémio Nobel da Economia. É um texto sobre a Islândia, mas trata de questões que estão no centro das preocupações actuais de toda a Europa, com especial relevo para Portugal. Este texto é intitulado, “Islandia, el camino que no tomamos”. Vale a pena lê-lo.

"Los mercados financieros están celebrando el pacto alcanzado en Bruselas a primera hora del jueves. De hecho, en relación con lo que podría haber sucedido (un amargo fracaso para ponerse de acuerdo), que los dirigentes europeos se hayan puesto de acuerdo en algo, por imprecisos que sean los detalles y por deficiente que resulte, es un avance positivo.
Al revés que el resto, Islandia dejó arruinarse a los bancos y amplió su red de seguridad social
Pero merece la pena retroceder para contemplar el panorama general, concretamente el lamentable fracaso de una doctrina económica, una doctrina que ha infligido un daño enorme tanto a Europa como a Estados Unidos.
La doctrina en cuestión se resume en la afirmación de que, en el periodo posterior a una crisis financiera, los bancos tienen que ser rescatados, pero los ciudadanos en general deben pagar el precio. De modo que una crisis provocada por la liberalización se convierte en un motivo para desplazarse aún más hacia la derecha; una época de paro masivo, en vez de reanimar los esfuerzos públicos por crear empleo, se convierte en una época de austeridad, en la cual el gasto gubernamental y los programas sociales se recortan drásticamente.
Nos vendieron esta doctrina afirmando que no había ninguna alternativa -que tanto los rescates como los recortes del gasto eran necesarios para satisfacer a los mercados financieros- y también afirmando que la austeridad fiscal en realidad crearía empleo. La idea era que los recortes del gasto harían aumentar la confianza de los consumidores y las empresas. Y, supuestamente, esta confianza estimularía el gasto privado y compensaría de sobra los efectos depresores de los recortes gubernamentales.
Algunos economistas no estaban convencidos. Un escéptico afirmaba cáusticamente que las declaraciones sobre los efectos expansivos de la austeridad eran como creer en el "hada de la confianza". Bueno, vale, era yo.
Pero, no obstante, la doctrina ha sido extremadamente influyente. La austeridad expansiva, en concreto, ha sido defendida tanto por los republicanos del Congreso como por el Banco Central Europeo, que el año pasado instaba a todos los Gobiernos europeos -no solo a los que tenían dificultades fiscales- a emprender la "consolidación fiscal".
Y cuando David Cameron se convirtió en primer ministro de Reino Unido el año pasado, se embarcó inmediatamente en un programa de recortes del gasto, en la creencia de que esto realmente impulsaría la economía (una decisión que muchos expertos estadounidenses acogieron con elogios aduladores).
Ahora, sin embargo, se están viendo las consecuencias, y la imagen no es agradable. Grecia se ha visto empujada por sus medidas de austeridad a una depresión cada vez más profunda; y esa depresión, no la falta de esfuerzo por parte del Gobierno griego, ha sido el motivo de que en un informe secreto enviado a los dirigentes europeos se llegase la semana pasada a la conclusión de que el programa puesto en práctica allí es inviable. La economía británica se ha estancado por el impacto de la austeridad, y la confianza tanto de las empresas como de los consumidores se ha hundido en vez de dispararse.
Puede que lo más revelador sea la que ahora se considera una historia de éxito. Hace unos meses, diversos expertos empezaron a ensalzar los logros de Letonia, que después de una terrible recesión se las arregló, a pesar de todo, para reducir su déficit presupuestario y convencer a los mercados de que era fiscalmente solvente. Aquello fue, en efecto, impresionante, pero para conseguirlo se pagó el precio de un 16% de paro y una economía que, aunque finalmente está creciendo, sigue siendo un 18% más pequeña de lo que era antes de la crisis.
Por eso, rescatar a los bancos mientras se castiga a los trabajadores no es, en realidad, una receta para la prosperidad. ¿Pero había alguna alternativa? Bueno, por eso es por lo que estoy en Islandia, asistiendo a una conferencia sobre el país que hizo algo diferente.
Si han estado leyendo las crónicas sobre la crisis financiera, o viendo adaptaciones cinematográficas como la excelente Inside Job, sabrán que Islandia era supuestamente el ejemplo perfecto de desastre económico: sus banqueros fuera de control cargaron al país con unas deudas enormes y al parecer dejaron a la nación en una situación desesperada.
Pero en el camino hacia el Armagedón económico pasó una cosa curiosa: la propia desesperación de Islandia hizo imposible un comportamiento convencional, lo que dio al país libertad para romper las normas. Mientras todos los demás rescataban a los banqueros y obligaban a los ciudadanos a pagar el precio, Islandia dejó que los bancos se arruinasen y, de hecho, amplió su red de seguridad social. Mientras que todos los demás estaban obsesionados con tratar de aplacar a los inversores internacionales, Islandia impuso unos controles temporales a los movimientos de capital para darse a sí misma cierto margen de maniobra.
¿Y cómo le está yendo? Islandia no ha evitado un daño económico grave ni un descenso considerable del nivel de vida. Pero ha conseguido poner coto tanto al aumento del paro como al sufrimiento de los más vulnerables; la red de seguridad social ha permanecido intacta, al igual que la decencia más elemental de su sociedad. "Las cosas podrían haber ido mucho peor" puede que no sea el más estimulante de los eslóganes, pero dado que todo el mundo esperaba un completo desastre, representa un triunfo político.Y nos enseña una lección al resto de nosotros: el sufrimiento al que se enfrentan tantos de nuestros ciudadanos es innecesario. Si esta es una época de increíble dolor y de una sociedad mucho más dura, ha sido por elección. No tenía, ni tiene, por qué ser de esta manera".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ELEIÇÕES NA ARGENTINA - 2

1. Há quatro anos, comentei os resultados das anteriores eleições presidenciais argentinas neste mesmo blog. Desse comentário, recordo o seguinte excerto :"De facto, a crise que antecedeu a vitória de Nestor Kirchner, em 2003, destroçou a União Cívica Radical (UCR,) e fragmentou ainda mais o Partido Justicialista de obediência peronista. Na verdade, dos quatro candidatos mais votados nas recentes eleições , o 1º, o 3º e o 4º, representam antigas facções do peronismo. Assim, os três candidatos de raiz peronista − Cristina Kirchner (45%), Roberto Lavagna (17%) e Alberto Rodríguez Saá ( 8%) − se pudessem juntar as suas forças teriam atingido os 70% dos votos expressos. A única candidata não peronista que conseguiu alguma expressão, foi Elisa Carrió, que ficou em segundo lugar, com 23%, à frente de uma “Aliança por uma República de Iguais (ARI)”, que é uma dissidência da UCR".


2. Como se pode verificar pelas infografias que a seguir se reproduzem, Cristina Fernandez Kirchner venceu de novo à primeira volta, mas desta vez com mais de 53% dos votos, embora tivesse sido suficiente, para não ter sido necessária uma segunda volta, que tivesse tido mais de 40% dos votos e uma distância de mais de 10% a separá-la do segundo classificado.



Desta vez, o segundo classificado foi H.Binner, com cerca de 17% dos votos, que era o candidato de uma frente das esquerdas não-peronistas (Frente Ampla). A União Cívica Radiacal viu o seu candidato ficar-se pela terceira posição, com pouco mais de onze por cento dos votos. Modesta prestação, para um partido que historicamente tem representado a alternativa ao peronismo. Seguem-se depois dois peronistas dissidentes, que se podem considerar mais à direita do que os "kirchneristas", o primeiro dos quais Aberto Rodriguez Saa, já concorrera há quatro anos , tendo obtido uma percentagem de votos idêntica (cerca de 8%); o outro, Eduardo Duhalde, com uma votação de 5,9 %, foi um dos Presidentes da República anteriores, com passagem efémera pela Casa Rosada, por força da crise económica e política que varreu a Argentina, no princípio deste século.Os outros dois candidatos, tiveram votações ainda menos expressivas : Jorge Altamira ( candidato pela Frente de Izquierda de los Trabajadores -FIT) com 2,3 %; e Elisa Carrió ( Coalícion Cívica), agora com 1,9%, mas que atingira há quatro anos 23 %, tendo então ficado em segundo lugar.


Um olhar rápido sobre os resultados mostra que os vários ramos do peronismo somados chegaram aos 66% o que não fica longe dos 70 % atingidos há quatro anos. Dentro do peronismo, continuou dominante e vitoriosa uma maioria "kirchnerista" que, sendo em si própria bastante heterogénea, tem sido considerada como integrada no centro-esquerda. Esta continuidade tem um significado particularmente relevante na geopolítica do continente, continuando a Argentina solidária com os vários governos de esquerda existentes na América Latina . Somando-se ao que aconteceu no Brasil este resultado sublinhou o carácter até agora excepcional da passagem do Chile para a direita. Em contrapartida, estes resultados, para além de terem sublinhado a incapacidade de o radicalismo se recolocar como força política alternativa, colocam os dois candidatos da esquerda não peronista num patamar conjunto de quase vinte por cento dos votos, o que, sublinhando uma relativa ambiguidade do "peronismo kirchnerista", no plano da política interna, pode indiciar uma mutação qualitativa na cena política argentina.

3. No que diz respeito à Câmara de Deputados, a Presidente Eleita recuperou a maioria que havia perdido no decurso do mandato anterior. De facto, como podem ver na infogravura abaixo reproduzida, numa parlamento com 257 deputados, o "kirchnerismo" dispõe de 114, aos quais se somam 17 aliados formais, o que atinge 131 deputados; as oposições todas juntas atingem os 126. Dentro destes a os radicais têm 41, os peronistas dissidentes, 23, a Frente Ampla Progressista, 22 e a coligação Cívica , 7.

Tendo estado em jogo nesta eleição 24 dos 72 lugares do Senado, o "kirchnerismo"reforçou ligeiramente a curta maioria de que já dispunha. Passou a ter 32 senadores, aos quais se devem somar 6 aliados, o que perfaz, 38 lugares. As oposições todas juntas ficam-se pelos 34 senadores, dos quais a UCR ( radicais) tem 17, os peronistas dissidentes 9 e a Frente Ampla Progressista, 4.

A relação de forças nas duas câmaras é, como se vê, semelhante, mas a amplitude eleitoral da vitória de Cristina Fernandez, pela forte legitimação popular que reflecte, irá certamente reforçar politicamente as maiorias de que o oficialismo "kirchnerista" dispõe em ambas.

ELEIÇÕES NA ARGENTINA - 1

A importância geopolítica da Argentina na América Latina é grande, podendo dizer-se que ocupa o patamar imediato ao do Brasil e sendo estes dois países os principais esteios do Mercosul. Realizaram-se no passado domingo eleições para a Presidência da República da Argentina, o que, dado o pendor presidencialista do respectivo sistema político , justifica que lhe prestemos atenção. Sem prejuízo de um outro texto que incluirei, em breve, neste blog, pareceu-me adequado transcrever do importante jornal argentino Clarín, um artigo hoje difundido no respectivo site, da autoria do jornalista Ignacio Miri. Embora reflicta uma abordagem relativamente superficial, contém um leque alargado de informações que podem ajudar a compreender a actual conjuntura argentina, depois da vitória à primeira volta da actual Presidente, Cristina Kirchner, viúva do seu antecessor na Casa Rosada, Néstor Kirchner, falecido abruptamente nos finais de 2010. O artigo intitula-se: "La era KirchnerDel 22% de Néstor a la acumulación de poder de Cristina [Creció el número de gobernadores, intendentes y legisladores K. ]".



"Cuando Cristina Kirchner durmió por primera vez en la Quinta de Olivos, no existía Facebook. Barack Obama ni siquiera había sido electo senador. Celeste Cid encandilaba a millones de argentinos desde la novela Resistiré. Cuando la presidenta se vaya a su casa, en 2015, habrán pasado más de doce años desde aquel 25 de mayo de 2003 en el cual Néstor Kirchner llegó a la cima de su carrera política apoyado con poco más del 22 % de los votos y con medio gabinete prestado por su mentor, Eduardo Duhalde.
Anoche, con el arrasador triunfo de la Presidenta, quedó clara la distancia con esa situación original: Cristina asumirá su segundo mandato el 10 de diciembre con un poder desconocido para cualquier otro presidente de la restauración democrática . En los últimos ocho años, el kirchnerismo conformó un establishment que se ramifica en la política, los tribunales, los sindicatos y las asociaciones empresarias.
Si se consideran las 23 provincias y la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, la fortaleza del kirchnerismo surge como evidente: desde anoche, sólo cuatro distritos se pueden contar como no alineados al gobierno nacional : la Capital Federal, Santa Fe, Corrientes y San Luis. En 2011, el peronismo recuperó Catamarca y Río Negro -que llevaban años en manos radicales- y provincias como Córdoba o Chubut, que en principio no aparecían cerca de la Presidenta, dieron señales de acercamiento ineludibles a la Casa Rosada.
Si se mira con lupa lo que ocurre dentro de cada provincia, la penetración que consiguió el kirchnerismo en las elecciones que van desde 2003 hasta ayer se puede percibir con mayor claridad. En todo el país existen 2.218 gobiernos locales. Allí se ve el predominio que consiguió el kirchnerismo en estos ocho años y el alcance de la penetración del establishment político K: 1.242 de esos intendentes están enrolados en el Frente Para la Victoria . Ese número seguirá siendo muy parecido, o incluso se incrementará, a partir de ayer.
El partido que le sigue, muy lejos, es la UCR, con 283 intendencias y luego hay 166 de otras agrupaciones nacionales. A la maquinaria K hay que agregar, además, muchos de los 233 jefes comunales que pertenecen a partidos provinciales pero que apoyan a Cristina, y lo mismo vale para buena parte de los 139 intendentes de partidos vecinalistas, según consigna la información oficial del Ministerio del Interior.
A esa cantidad de dirigentes encolumnados bajo el sello del FPV y sus aliados, hay que sumar las decenas de miles de concejales, consejeros escolares que se distribuyen en todo el país y que conforman la maquinaria política y electoral del peronismo, un partido que gobernó el país durante 20 de los últimos 28 años y que la Presidenta mantiene convenientemente disciplinado.
En la Cámara de Diputados , el oficialismo recuperará el quórum propio -si se cuentan los aliados- del cual había disfrutado hasta 2009. En el Senado , todo indica que con la elección de ayer el Gobierno mantendrá la mayoría y el quórum propios .
En el Poder Judicial también se puede ver la influencia K. Además de los cuatro jueces de la Corte Suprema que nominaron, desde 2003 los dos gobiernos del matrimonio nombraron 393 jueces nacionales y 54 fiscales, a lo que en la próxima sesión del Senado habrá que sumar 30 jueces y 7 fiscales más , cuyo nombramiento ya tiene dictamen favorable en la Comisión de Acuerdos. Cada uno de esos pliegos fueron enviados por Néstor Kirchner y su esposa, quienes los eligieron de una terna remitida por el Consejo de la Magistratura, que también controla el kirchnerismo desde que fue reformado por iniciativa de la propia Cristina.
A esa influencia en los tres poderes del Estado a nivel nacional, provincial y municipal, hay que agregar la que el oficialismo posee en los sindicatos de la CGT y en uno de las dos sectores en que quedó dividida la CTA , en las asociaciones de empresarios y en la de organizaciones sociales que se reconocen como oficialistas y que completan el plano de los resortes que tendrá a mano la Presidenta en el tercer mandato consecutivo del kirchnerismo, una longevidad que será también récord."

quarta-feira, 27 de abril de 2011

REGRESSO DO TIGRE DE PAPEL ?




Na retórica propapagandística do maoismo chinês dos bons velhos tempos, o imperialismo norte-americano era um tigre de papel. As vicissitudes das últimas décadas desmentiram que nessa época fosse real a fragilidade desse tigre. Duvido mesmo que o actual estado-maior comunista do neo-capitalismo chinês apadrinhe ainda uma tão tonitroante depreciação pública dos USA. Mas talvez, na actualidade algumas das tradicioniais ambições imperiais dos USA estejam lentamente a transformar-se em verdadeiros tigres de papel.



Especialmente sugestivo, a esse propósito, é um texto difundido, recentemente (23 de Abril de 2011), pela revista brasileira CartaCapital. O texto intitula-se, "Oriente Médio: retrato do Império em apuros", sendo seu autor Immanuel Wallerstein, destacado sociólogo norte-americano de reputação mundial, que, aliás, há muito colabora com o CES da Universidade de Coimbra, tendo estado em Portugal, por mais do que uma vez, a participar em iniciativas deste Centro. Aliás, é Doutor honoris causa pela Universidadede Coimbra, através da sua Faculdade de Economia. Eis o texto :



"Nos últimos cinquenta anos, a política dos Estados Unidos no Oriente Médio tem sido construída em torno de relações muito próximas com três países: Israel, Arábia Saudita e Paquistão.



Em 2011, porém, Washington está em desacordo com os três, e de maneira fundamental. Também é público a divergência com Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China e Brasil sobre as políticas na região. Parece que quase ninguém concorda com os Estados Unidos ou segue sua liderança. Pode-se ouvir a frustração agonizante do presidente, do Departamento de Estado, do Pentágono e da CIA – todos veem a situação saindo do seu controle.



O motivo de os Estados Unidos terem criado uma aliança tão forte com Israel é ponto para muito debate. Mas é claro que, por muitos anos, o relacionamento tem ficado cada vez mais sólido, e segue cada vez mais os termos de Israel. O país tem contado com apoio financeiro e militar dos EUA, e a certeza do veto infalível no Conselho de Segurança da ONU.O que ocorreu agora é que tanto as políticas israelenses quanto suas bases de apoio nos EUA têm se movido rapidamente para a direita. Israel aferra-se a duas coisas: o adiamento eterno de negociações sérias com a Palestina e a esperança de que alguém irá bombardear o Irã. Obama tem se movido em direção contrária, ao menos tanto quanto a política interna dos Estados Unidos lhe permite. As tensões são fortes e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu está rezando – se é que ele reza – para uma vitória dos republicanos na eleição presidencial em 2012.



O desfecho da crise pode, porém, vir antes, quando a Assembleia Geral da ONU votar para reconhecer a Palestina como um Estado-membro. Os Estados Unidos irão se encontrar na posição perdedora de lutar contra isso.A Arábia Saudita manteve um relacionamento confortável com Washington desde que o presidente Franklin Roosevelt encontrou-se com o rei Abdul Aziz em 1943. Juntos, tinham a capacidade de controlar a política de petróleo em todo o mundo. Colaboraram em assuntos militares e os Estados Unidos contaram com a ajuda do aliado próximo para apoiar outros regimes árabes em cheque. Porém, hoje o regime saudita sente-se muito ameaçado pela segunda revolta árabe.



Também ficou totalmente desconcertado com a decisão dos Estados Unidos de reconhecer o destronamento de Mubarak pelo seu exército; e pela crítica de Washington à intervenção saudita no Bahrain, por mais que a crítica tenha sido leve. As prioridades dos dois países são bastante diferentes agora.



Durante a Guerra Fria, quando os Estados Unidos consideravam a Índia próxima demais da União Soviética, o Paquistão obtinha total apoio norte-americano (e da China), qualquer que fosse o seu regime. Os dois países trabalharam conjuntamente para auxiliar os mujahedins no Afeganistão e forçaram a retirada das tropas soviéticas. Eles provavelmente trabalharam juntos para conter o crescimento da al Qaeda.



Duas coisas mudaram. No período pós-Guerra Fria, os Estados Unidos desenvolveram relações mais próximas com a Índia, para a frustração do Paquistão. E o Paquistão e os Estados Unidos encontram-se em extremo desacordo sobre como lidar com a força crescente da al Qaeda e do Talibã no Paquistão e Afeganistão.Um dos principais objetivos da política externa dos EUA, desde o colapso da União Soviética, te sido evitar que os países da Europa Ocidental desenvolvam políticas autônomas.



Mas hoje, os três países principais – Reino Unido, França e Alemanha – estão fazendo isso. Nem a linha dura de George W. Bush, nem a diplomacia suave de Barack Obama parecem ter retardado isso. O fato de a França e o Reino Unido pedirem que os Estados Unidos assumam uma liderança mais ativa na luta contra Kadafi, enquanto Alemanha diz praticamente o oposto é menos importante que os três expressarem essas opiniões muito alto e fortemente.



Rússia, China e Brasil estão usando suas cartas cuidadosamente no que diz respeito às relações com Washington. Os três se opõem às posições dos EUA em quase tudo atualmente. Eles podem não ir até o fim (deixando de usar o veto no Conselho de Segurança) porque os Estados Unidos ainda têm garras que podem usar. Mas eles certamente não estão cooperando. O fiasco da recente viagem de Obama ao Brasil, onde ele pensou que conseguiria obter uma nova abordagem da presidente Dilma Rousseff – mas não conseguiu – mostra quão pouca influência os Estados Unidos têm no presente.



Finalmente, a política interna mudou. A política externa bipartidária caiu na memória histórica. Agora, quando os Estados Unidos entram em guerra, como na Líbia, a opinião pública mostra apenas cerca de 50% de apoio. E políticos dos dois partidos atacam Obama – ou por ser muito belicoso, ou por ser muito pacifista. Estão todos esperando para lançar-se sobre ele, diante de qualquer insucesso grave. O resultado disso pode ser forçá-lo a intensificar o envolvimento dos EUA em todos os lugares e, desse modo, agravar a reação negativa de todos os aliados.



Madeleine Albright chamou os Estados Unidos de “nação indispensável”. O país ainda é o gigante na cena mundial. Mas é um gigante desajeitado, incerto sobre onde e como quer chegar. A medida do declínio dos Estados Unidos é o grau em que os aliados próximos de antes estão prontos para defender seus desejos e manifestar isso publicamente. A medida do declínio dos Estados Unidos é a incapacidade do país em declarar publicamente o que está fazendo, ou a insistência em dizer que tudo está realmente sob controle. Os Estados Unidos efetivamente tiveram que desembolsar uma quantia muito grande de dinheiro para liberar da prisão um simples agente da CIA no Paquistão.A consequência disso tudo? Muito mais anarquia no mundo. Quem vai lucrar com isso tudo? No momento, é uma questão que está em aberto.

quinta-feira, 31 de março de 2011

LIÇÕES DAS ELEIÇÕES ALEMÃS

1. Houve, recentemente, eleições em dois Estados Federados da Alemanha: Baden-Württemberg (10 milhões e 700 mil habitantes; capital- Estugarda) e Renânia - Palatinato ( 4 milhões de habitantes; capital- Mogúncia). Dois estados do sudoeste alemão, um dos quais é terceiro, quer em termos populacionais, quer em extensão; o outro é um Estado de média dimensão e de média importância em termos populacionais.
O resultado das eleições em Baden-Württemberg pôs fim a meio-século de predomínio democrata-cristão. De facto, o partido da Srª Merkl perdeu, 5,2% dos votos e 9 deputados e os seus aliados liberais perderam 5,4% e 8 deputados. Os Verdes ganharam 12,5% dos votos e 19 deputados, ficando com mais 1, 3% do que o SPD e com mais um deputado, o que faz com que lhes caiba a liderança de um governo estadual, pela primeira vez na história da Alemanha. O governo será pois verde-vermelho, ficando assim bem claro o mau resultado do SPD, que baixou 2,1% e perdeu 3 deputados, tendo tido o seu pior resultado de sempre neste Estado. A Esquerda ( Die Linke) oscilou ligeiramente para baixo (0,3%), continuando fora do parlamento estadual. A coligação de esquerda terá pois 71 deputado estaduais e a direita 67.


Na Renânia -Palatinato, o grande derrotado eleitoralmente foi o SPD que perdeu 9,9% dos votos e 11 deputados. Os liberais (FDP), que tinham 10 deputados, deixaram de ter assento no parlamento estadual, por terem descido de 8% para 4,2%; os Verdes, que antes não estavam representados neste parlamento, passaram a dispor de 18 deputados, já que atingiram os 15,4%, quando antes tinham ficado ligeiramente abaixo da barreira dos 5%. A CDU subiu 2,4% e 3 deputados, tendo ficado com menos um deputado do que o SPD e com menos 0,5% dos votos. A conjugação destes resultados faz com que o SPD possa continuar a liderar o governo estadual, mas, uma vez que perdeu a mairia absoluta, agora com a participação dos Verdes. A Esquerda oscilou agora ligeiramente para cima (0,4 %), tendo continuado fora do parlemento estadual com os seus 3% de votos.


2. A severa derrota política da Srª Merkl, em B. -W., não deve fazer esquecer a incapacidade do SPD para a aproveitar, ao ter descido também mais de 2%. E, embora continue com a liderança do governo da R.- P., não se pode ignorara que perdeu 10% dos votos.

O SPD parece pois consistentemente amarrado a um patamar eleitoral modesto, reflectindo uma clara incapacidade para capitalizar a seu favor o desgaste do governo da Srª Merkl ( CDU-CSU/FDP). A Esquerda também não se tem mostrado capaz de aproveitar a estagnação do SPD para levantar voo. Apenas Os Verdes ( Die Grünen) se têm mostrado pujantes, de acordo com as indicações das sondagens, confirmadas pelos resultados das eleições acima referidos.

Na verdade, se analisarmos a evolução das sondagens dos últimos meses, respeitantes a toda a Alemanha, não vemos grandes oscilações. Na mais recente, já desta semana, a CDU/CSU limita-se a 33%, o SPD não vai além dos 25 %, Die Grünen atingem os 21%, Die Linke fica-se pelos 8% e o FDP cai para uns perigosos 5%. Ou seja, a base eleitoral do Governo da Srª Merkl desceu para uns modestos 38 %, os três partidos de esquerda, actualmente na oposição, se pudessem somar-se, chegariam aos 52%. E mesmo que uma possível coligação abrangesse apenas o SPD e os Verdes, ela atingiria os 46%.

Parece claro que, se não houver uma mutação inesperada, a esquerda tem boas hipóteses de voltar ao poder, após as próximas eleições legislativas alemãs. Mas, contra o que ainda há poucos anos era impensável, não é hoje certo que uma futura coligação de esquerda na Alemanha seja liderada pelo SPD. Pode ser liderada pelos Verdes. Também é nítido que, tal como em comentários anteriores sobre eleições alemãs já alvitrei, a estagnação do SPD não foi aproveitada pela Esquerda. E o papel dos Verdes na Alemanha não é um exemplo que possa ser seguido por outros países. Nomeadamente, aqueles onde os partidos deste tipo têm pouca expressão ou simplesmente não existem, como acontece no caso português.

A estagnação política dos partidos europeus da Internacional Socialista continua, pois, sem fim à vista; e o facto de se estar a passar com o SPD o que acima se refere agrava essa situação, em virtude da grande importância desse partido no PSE ( Partido Socialista Europeu ).


[ Pode clicar sobre o mapa e as infogravuras, para as poder ver aumentadas.]

quarta-feira, 2 de março de 2011

CLAREZA E SIMPLICIDADE


Um pensamento melífluo e gordo escorre pelo sistema mediático internacional a propósito dos povos árabes que se têm vindo a espalhar com alegria pelas praças de muitas cidades. Baluartes sólidos, fortemente adulados pelos poderes de facto e de direito, que mandam neste nosso mundo, ruiram como castelos de cartas. A extensão e a profundidade das mutações geopolíticas que se prometem no horizonte como sequência dos acontecimentos em curso, são difíceis de prever.


Por tudo isso, me pareceu extremamente saudável, pela sua simplicidade despretensiosa e por uma clareza sem ambiguidades, o que disse na ONU, Maria do Rosário Nunes que é a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil . Disso nos dá conta o texto que abaixo transcrevo da revista brasleira CartaCapital , cuja qualidade quero mais uma vez sublinhar.

O texto, datado de 1 de Março e assinado por Guilherme de Amorim, tem como título “Nenhum governo se sustentará pela força” e diz o seguinte:


"A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, discursou nesta segunda-feira (28) durante reunião extraordinária no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação do governo líbio e o destino de seu líder, Muammar Khadafi. Ela criticou as Nações Unidas por serem seletivas e atender a interesses políticos em suas diligências sobre as violações dos direitos fundamentais.
Depois de lembrar dos compromissos de defesa dos direitos humanos propostos pela presidenta Dilma Rousseff, a ministra lembrou da ditadura no Brasil e de como a mobilização popular foi responsável pela restauração da democracia. “Nenhum governo se sustentará pela força e pela violência. Nenhum povo suportará, em silêncio, a violação de seus direitos fundamentais”, afirmou Maria do Rosário, em referência a Khadafi.
A ministra lembrou que, por muitos anos, alianças estratégicas entre governos silenciaram as discussões acerca da defesa dos direitos humanos. Ela reforçou a posição do Brasil como favorável às discussões e deliberações do conselho das Nações Unidas sobre o tema. “Estas discussões estiveram ausentes de discussão e deliberação neste Conselho, o Brasil defende que se debatam as violações dos diretos humanos em todos os países, onde quer que elas ocorram, mas é importante que delibere sem seletividade e sem politização”, declarou, para em seguida acrescentar: “O Brasil entende que posições econômicas e sociais não devem servir de pretexto para a violação dos direitos humanos. Todavia, a violação desses direitos tampouco pode ser um pretexto para ações unilaterais, sem o respaldo da comunidade internacional.”
Maria do Rosário
lembrou que é preciso combater estereótipos, e que cada população tem o direito e a capacidade de avaliar e responder aos seus próprios anseios políticos. Ela disse que o problema do mundo árabe não é um embate entre extremos e que cabe à comunidade internacional respeitar as decisões dos manifestantes.
A representante do Brasil destacou a importância de se acolherem as pessoas que deixaram seus países em momentos de crise, e que as ondas migratórias não podem ser reprimidas. “(Essas questões) devem ser tratadas com humanidade, e sem xenofobia”, acrescentou.
A ministra finalizou falando da necessidade de observação permanente nesses locais de conflito, visando à melhoria gradativa e ao restabelecimento da normalidade da vida da população. Ela comentou da importância de impedir que um novo desequilibrio social se instale nessas regiões que passam por um momento de fragilidade.
A situação na Líbia continua instável, mesmo com a pressão internacional para o fim dos conflitos. No sábado (26), o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, por unanimidade, uma resolução de embargo à venda de armas para a Líbia e o congelamento dos bens de autoridades do país. Também ficou decidida a proibição de vistos para Khadafi e para pessoas ligadas a ele.
Por recomendação do Conselho de Segurança, o presidente líbio deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Ele é acusado de crimes contra a humanidade cometidos durante as manifestações."

sábado, 27 de novembro de 2010

UMA VISITA À IRLANDA EM 2001.


Um velho amigo e camarada, Nuno Filipe, pôs à minha disposição, para possível divulgação neste blog, um texto da sua autoria, publicado em 2001, quando a Irlanda era ainda um paradigma de sucesso, atirado pelos neo-liberais à cara dos que não se vergavam, por completo, à respectiva cartilha. O texto fala, por si. O seu autor achou apenas útil antecedê-lo de uma breve nota explicativa, onde diz que:


"Em resultado de uma visita de trabalho à Irlanda, escrevi para “As Beiras” em Junho de 2001 o artigo que a seguir se reproduz.
Infelizmente, as dúvidas e aquilo que apontámos como erros da corrente dominante do neoliberalismo, resultaram na dramática situação que hoje vive o povo Irlandês.
Por isso entendo, que uns por comodismo, e outros, nalguns casos, por facilitismo e corrupção, são responsáveis pela crise que se abateu sobre uma boa parte do mundo, estando na linha da frente os responsáveis por um modelo politico-económico que só pode conduzir os povos ao abismo, quer na Europa, quer noutras partes do Mundo."


O MITO IRLANDÊS

[Publicado em Junho de 2001]

Depois do movimentado e frenético aeroporto de Heathrow, em Londres, e de um voo de cerca de uma hora, o avião sobrevoou as terras calmas e verdes da Irlanda, aterrando suavemente no aeroporto de Shenanon, que há décadas atrás foi uma das mais importantes plataformas entre a América e a Europa, mas que deixou de o ser com a autonomia de voo acrescida das aeronaves.
De Shanonn a Limerick, confirma-se a paisagem verde e calma, com arvores e campos viçosos de planície fértil e rica em pastagem, que alimenta largo universo de animais, designadamente ovinos e bovinos, que se contam por largas centenas de milhares de cabeças, contribuindo de modo considerável para uma economia que aparece pintada de “milagre Irlandês”.
O povo Irlandês, logo nos primeiros contactos, revela-se de grande afectividade e hospitalidade, que faz lembrar a nossa maneira de ser e de receber, povo que no entanto não esquece a repressão dos Ingleses, do seu carrasco Cromwell e Guilherme III, que impuseram, um domínio violento do protestantismo, ao ponto de expulsarem muitos milhares de católicos. (1)
A curiosidade da visita era, pois, obvia, tanto mais que alguns políticos, provavelmente sem conhecerem, e por motivos puramente demagógicos, apontam o crescimento económico e o modelo da Irlanda como exemplo a seguir, sendo certo que não conseguem, ou não querem distinguir, entre crescimento económico e desenvolvimento social.
Face a esta postura, pretendemos colher o maior número de informações directas, para de modo isento, avaliarmos a realidade da Republica da Irlanda.
Percorremos, durante alguns dias, parte significativa do território, e dessa experiência e conhecimento directo, tentaremos uma síntese daquilo que julgamos ser fundamental para uma ideia geral da vida económica e social do pais.
O crescimento económico Irlandês, que nos últimos anos tem ultrapassado o dobro da média Europeia, permitiu, na verdade, dar um salto, especialmente na produção, na especialização e na multiplicação de grandes, mas também médias e pequenas unidades empresariais.
Resultou assim, nos últimos dez anos, um aumento da taxa de emprego e de níveis salariais significativos. Por exemplo, o salário médio mensal de um Farmer Worker (trabalhador agrícola), laborando 39 horas por semana, é em média de 700 Libras, cerca de 175 contos por mês.
Por outro lado, na educação, o ensino superior faz uma ligação directa e prática à industria e á produção, tendo hoje a Irlanda parques tecnológicos muito importantes.
Diria que estas são as notas mais positivas que devem ser destacadas.
No entanto, o crescimento foi selectivo de modo obsessivo e os aspectos negativos, mesmo francamente negativos, ressaltam de modo chocante.
Comecemos pela mão-de-obra. Actualmente, 70% dos trabalhadores são empregados de cinco grandes multinacionais, ligadas aos Estados Unidos.
Somente 30% da mão-de-obra Irlandesa tem emprego nas pequenas e médias empresas e na agricultura. Será interessante referir que o aparecimento das multinacionais é contemporâneo dos fundos comunitários e que, se para infelicidade dos Irlandeses, estas multinacionais “zarparem” será uma avalanche de desempregados com as consequências sociais e económicas que se adivinham.
Quanto ao desenvolvimento social o panorama é desolador: O governo Irlandês (neo-liberal) não tem qualquer projecto em áreas decisivas para a coesão social, como sejam a infância, juventude e terceira idade, isto é, não há qualquer política oficial, tanto para creches, como para o ensino pré-escolar e terceira idade. Centros-Dia, Lares Residenciais e Apoio Domiciliário, não existem. O que existe nestas áreas respeita quase exclusivamente á iniciativa privada e lucrativa.
Quanto a infra-estruturas básicas o seu nível de desenvolvimento fica muito distante do de Portugal.
A rede de estradas na Irlanda tem mais de 50 anos, e embora todas alcatroadas, são idênticas as nossas antes do 25 de Abril. Quanto a auto-estradas existem escassas dezenas de quilómetros.
O saneamento e a rede de abastecimento de água, fora dos centros urbanos são quase inexistentes.
Os pregadores políticos da nossa praça, não saberão também, que o transporte de energia eléctrica e os postos transformadores (Pts), são ainda de madeira e que o parque habitacional, em média, está muito longe do parque habitacional Português.
O tratamento de efluentes, só agora começa no rio Shannon. No entanto convém dizer que o aspecto das praças e outros lugares públicos é agradável e limpo.
Fomos recebidos, de modo acolhedor, no seio de famílias Irlandesas inexcedíveis em amabilidade. (O cuidado de Miss Pat era comovedor ao perguntar que desejávamos para o pequeno almoço do dia seguinte).
As habitações em que é praticado turismo de habitação, em Portugal não seriam licenciadas, por não terem as condições exigidas aqui.
Outro aspecto que nos deixou espantados, foi o de algumas unidades industriais que visitamos. Uma delas na terceira cidade da Irlanda, isto é, em Limerick. Impressionou tanto pela falta de higiene como de segurança. O ambiente de trabalho parece-se com as unidades de produção asiáticas: sem arejamento, ou pé direito mínimo, nem tão pouco medidas de segurança essenciais, como extintores e saídas de emergência.
O nosso desejo sincero é que o povo Irlandês não seja vitima da gula voraz do lucro e do crescimento cego, que foi erigido como modelo e milagre económico pelos neo-liberais, que não tiveram em conta o essencial, que são as pessoas.
Pretendemos com este apontamento ajudar a desmontar o discurso, tantas vezes inconsistente e demagógico de uma oposição sem pudor e que pretender vender, quase sempre, gato por lebre.

(1) (Mais tarde entre 1800-1829, com o recrudescimento do proselitismo protestante dirigido pelo Bispo anglicano Magee, opõe-se eficazmente o Bispo Irlandes Dr. Doyle, antigo aluno da nossa Universidade de Coimbra).