Mostrar mensagens com a etiqueta Sondagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sondagem. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

SONDAGENS AO LONGO DE UM ANO



SONDAGENS AO LONGO DE UM ANO

Vale a pena olhar para o conjunto das sondagens, quanto às intenções de voto para as legislativas, publicadas em Portugal desde o início de julho de 2017 até ao fim de julho de 2018. Consideraremos as que foram feitas pela Eurosondagem e pela Aximage, as duas empresas que as fizeram sistematicamente durante esse período. Estão em causa 23 sondagens, das quais 13 da Aximage e 10 da Eurosondagem, feitas ao logo de 13 meses.

Se tivermos em conta o conjunto das sondagens, o PS oscilou entre um máximo de 45,1% e um mínimo de 38,1%; o PSD entre 28,7 % e 23,6 %; o BE entre 10,6% e 7,7 %; a CDU entre 8,9 % e 6,9%; e o CDS entre 7,5% e 4,2%. Separadas, as sondagens das duas entidades apresentam algumas diferenças.

Na Aximage, o PS oscila entre 45,1% e 38,1 %, na Eurosondagem varia entre 40% e 42%. Já quanto ao PSD a variação é entre 28,7 % e 23,6%, na Aximage; e de 28,7% e 27,3%, na Eurosondagem. Quanto ao BE, na Aximage, oscila entre um máximo de 10,6 % e um mínimo de 7,7%; e na Eurosondagem, entre 9,5% e 7,7%. Por seu lado, a CDU varia entre 8,9% e 6,9 % na Aximage; e entre 7,8% e 6,9% na Eurosondagem. Por último, o CDS, na Aximage, oscila entre 7,2% e 4,2 %; e na Eurosondagem, entre 7,5 % e 6%. A soma dos partidos de direita (PSD+CDS), na Eurosondagem varia entre 35,5% e 33,3%;na Aximage entre 35,1% e 28,9%.

Comparando os resultados obtidos pelas duas entidades, verifica-se que a variação entre os máximos e os mínimos é maior na Aximage do que na Eurosondagem.
Pressupondo que não ocorram situações extremas, que revolvam em profundidade as preferências eleitorais do último ano, e olhando para o conjunto dos resultados, pode concluir-se que é provável que o PS seja o partido mais votado, podendo mesmo ter mais votos sozinho do que a soma dos partidos de direita. Mas será difícil e improvável que chegue à maioria absoluta.

Já o PSD, consistentemente abaixo dos 30%, vê agravada a sua situação pelo facto de a sua soma com o CDS não ter chegado em nenhuma sondagem aos 36%. Está assim longe de um bom resultado, tal como do governo. O efeito Rui Rio, como consequência de uma novidade hipoteticamente esperançosa, parece assim não ter passado de uma miragem. No caso do CDS, a aspiração de Cristas de ser levada a sério como candidata viável à liderança do Governo da República cobriu-se de ridículo.
Genericamente, o potencial eleitoral do BE e da CDU manteve-se estável, com oscilações não significativas. Em conjunto, atingem intenções de voto que tendem a não baixar dos 15% e a não exceder os 18%. Tal como o PS, não parecem ter sido prejudicados pela celebração do acordo que sustenta o governo atual. Ao contrário, os três tendem a somar em regra mais de 55% das preferência dos eleitores, quase sempre mais de 20% acima do bloco de direita.

Sublinhando o sentido dos comentários feitos, as sondagens mais recentes revelam uma tendência ascendente do PS, ainda que ligeira; uma perda ligeira do PSD; uma estabilidade relativa do BE e da CDU; e um impulso de subida do CDS, conquanto pouco significativo.

Num estudo de opinião recentemente tornado público, ficou clara a preferência dos eleitores do PS, do BE e da CDU, pela continuidade do atual acordo político. Confirmou-se assim a ideia de que é eleitoralmente muito arriscado romper o acordo presente para qualquer dos seus protagonistas. Risco especialmente grande para quem for o causador da rotura, sendo certo, no entanto, que mesmo os partidos que o não tivessem causado poderiam ser fortemente penalizados, pelas consequências 
devastadoras do confisco objetivo ao povo de esquerda de um horizonte de esperança.
As negociações orçamentais, as lutas sindicais e o grau de acrimónia que as envolva, bem como as decisões que o Governo for tomando não podem deixar de ter em conta tudo isso. 

Se a solução portuguesa começa a ser vista como esperança noutros países europeus, seria caricato e trágico que fossemos nós a deixá-la escapar entre os dedos.

domingo, 23 de setembro de 2012

SONDAGENS E POLÍTICA


É inútil dissertar sobre as sondagens para, ao sabor do agrado ou desagrado que nos causem, as exaltarmos ou menorizarmos. Elas representam uma imagem  das preferências dos eleitores numa dada conjuntura, embora não garantam que no futuro essas escolhas se mantenham. Mas menosprezá-las é desperdiçar um precioso indicativo do estado em que se encontra a opinião pública no plano político, num dado momento.

Se compararmos séries de sondagens, podemos ficar com uma ideia ainda  mais consistente da provável evolução da relação de forças entre os vários partidos. Foi recentemente divulgada uma da responsabilidade do centro de sondagens da Universidade Católica que revelou, em comparação com uma outra anterior, um afundamento do PSD e uma subida relevante do PCP e do BE, bem como uma leve subida do CDS e uma ligeira descida do PS. Os partidos do governo reúnem agora 31 % das intenções de voto; e o conjunto de todas as oposições 55%. O trabalho de campo que suporta estes números foi feito depois das manifestações do passado dia 15, o que dá a estes resultados uma particular relevância. Sem ignorar o seu significado próprio, talvez valha a pena comparar os resultados das últimas três sondagens, levadas a cabo pela Universidade Católica


Um ano decorreu entre entre a primeira e a última. Verifica-se  que o PSD perdeu 19%, mas que o PS, ao ter oscilado negativamente dois pontos, não conseguiu mais do que estagnar. Quanto ao CDS, ao ter subido um ponto, mesmo estando no governo, por comparação com o PSD pode dizer-se que evitou a usura de um governo impopular. O PCP progrediu 6% e o BE 5%, vendo-se assim que foram eles quem capitalizou parcelarmente a quebra do apoio ao Governo.


De facto, se compararmos os 49% de intenções de voto, que conseguiam os dois partidos do governo há um ano, com os 31 %, que conseguem agora, podemos ver o enorme grau de retracção desse apoio, aliás concentrada  no partido dominante. Simetricamente, vê-se que o apoio concitado pela soma do PCP com o BE há um ano, 13%, quase duplicou, ao passar para  24%. Acrescentando-lhe os 31% do PS, ficamos com intenções de voto nos partidos de oposição, 24% acima das que se mantêm fieis aos partidos do governo. Eis uma diferença, cujo significado político não pode ser ignorado, tanto mais que ele será muito provavelmente sublinhado pela situação social.

Esta evolução deve ser lida  em conjugação com a crise interna que explodiu no governo e com o clamor popular que teve uma ilustração expressiva nas grandes manifestações do passado dia 15. Expressividade tão marcante, que provocou  uma patética manifestação de hipocrisia de vários apoiantes do governo, cujo desplante lhes permitiu sublinharam a presença de apoiantes do governo numa  manifestação que, predominantemente, foi de resistência  e  protesto contra os seus desmandos.

As manobras institucionais, entretanto ensaiadas, não passaram de tímidas tentativas de ganhar tempo, talvez na esperança de que, por si só, ele desatasse o nó que o governo deu. É claro, que a presença reiterada de pequenas, médias e grandes manifestações, pedindo a demissão do governo, a expressa posição tomada nesse sentido pelo PCP e pelo BE, o salto qualitativo do PS na demarcação do governo, o rosnar matreiro do CDS para tentar limpar-se, a dessolidarização expressa de alguns barões do PSD, o desconforto das associações patronais, o subir de tom da CGTP na sua luta, a passagem da  UGT para uma demarcação mais robusta da via seguida, somando-se, potenciam efeitos e contribuem para colocar o governo numa letargia desnorteada, que tende a reduzi-lo a um fantasma de si próprio. Tonou-se de facto um verdadeiro achado encontrar, fora do clube dos membros do governo e dos deputados do PSD e do CDS, alguém que assuma politicamente solidariedade com o governo. E mesmo dentro deste, sabemos como foi difícil o não estilhaçamento.

Mas se o governo da direita é agora um passeante furtivo dos corredores do poder, ansioso por que se esqueçam de que ainda existe, as oposições,  instaladas na sua suculenta supremacia quanto a intenções de voto, não têm conseguido mais do que deixar na sombra a incómoda verdade de não serem, mesmo agora, capazes de abrir um caminho que possa ser percorrido por todo o povo de esquerda com naturalidade e esperança, sem hostilidades nem constrangimentos mútuos.Um caminho institucional que permita o exercício democrático do poder com uma base social sólida.

 Pelo contrário, prosseguem com os seus proselitismos próprios, com agendas autónomas. E quase sempre fazem economia da questão das relações políticas entre si; mesmo que, uma ou outra vez, façam propostas de convergência das esquerdas. Mas fazem-nas  de tal forma pré-condicionadas a mudanças nos outros potenciais parceiros que verdadeiramente parecem estar apenas a executar manobras de propaganda, tendentes a dourar o seu próprio brasão com  o lustro da unidade, ao mesmo tampo que  embaciam os alheios com o ónus da divisão.

Paralelamente, os cidadãos de esquerda, não organizados em partidos, agitam-se também. Os melhores querem realmente uma esquerda que possa unir-se num sistema de protagonismos conjugados. Alguns procuram mesmo entremear-se com militantes de partidos, para uma antecipação de dinâmicas interpartidárias fecundas. Estes são talvez os mais generosos ao  aventurarem-se , sem reserva mental, a jogar num tabuleiro complexo e ingrato. Mas no estado actual das relações interpartidárias, será mais fácil encontrar militantes partidários que vejam nas realizações conjuntas oportunidades de pesca à linha, do que encontrarem-se cidadãos realmente abertos a contribuir para novas sínteses em que cada parte, sem dever renunciar à sua própria identidade política, não parta da premissa implícita de que é imperativo que as outras partes renunciem  à sua  identidade.

 É claro que há também os místicos, ungidos de uma ilusão de auto-angelismo assente no facto de não serem militantes partidários; e, é claro, há também os "verdadeiros artistas" que se olham ao espelho com o optimismo imprudente de quem se acha em condições de procurar, sorrateiramente, em iniciativas politicamente abrangentes, o trampolim para mais ambiciosos alpinismos políticos. Ninguém é dispensável, nem mesmo os místicos e os artistas de pequena, média e grande dimensão, mas a bem de uma real obtenção de resultados, seria excelente uma pausa em todas as habilidades, renunciando cada partido e cada indivíduo à conversão dos infiéis, para se concentrar na conjugação de diferenças que provavelmente permanecerão.

Não esqueçamos que, aconteça o que acontecer, é improvável que com o centro fora dos partidos de esquerda se estruture uma alternativa, realmente aberta a um futuro. E mais do que isso, se o que é agora uma sombra episódica em algumas das manifestações ocorridas, ou seja, a rejeição de todos os partidos políticos pelo facto de o serem, evoluir para uma vendaval insalubre que marque novas conjunturas, corremos o risco de ficar à porta de um tempo vocacionado para acolher um qualquer fascismo. E, sem exagerar este risco mas sem o menosprezar, o mais certo é que ele só possa ser realmente apagado, se for conseguida uma saída de esquerda para a crise actual, um salto qualitativo no modo de ser da sociedade, que nos coloque numa rota de saída organizada do capitalismo, gradual , democrática e continuadamente.

Um consenso mínimo mas inequívoco quanto à necessidade de um caminho deste tipo é o ponto de partida indispensável para qualquer actuação conjunta, para a partilha de qualquer rota. Embora seja urgente chegar-se a esse consenso, não há dúvida que será difícil. O BE e o PCP têm que assumir que a tomada do poder pela força e o seu exercício  posterior à margem da democracia desapareçam das suas agendas explícitas ou implícitas. O PS tem que se assumir como um partido reformista de transformação social rumo a um horizonte pós-capitalista, o qual para si há-de ser naturalmente socialista, rompendo com qualquer cumplicidade com as estratégias de regressão social e democrática que a ideologia neoliberal travestiu de "reformas estruturais". 

Na verdade, se as rotinas de desunidade da esquerda se mantiverem intactas, não se vê que alternativa institucional poderá ser gerada numa perspectiva de superação da crise actual. Pensarão o BE e o PCP que podem apostar num crescimento que os leve a duplicar a força eleitoral que lhes atribui a última das sondagens referidas? Pensará o PS que pode romper com a estagnação, em que está mergulhado há uma ano no, para a converter em tempo útil numa inesperada expansão que o leve sozinho a uma maioria absoluta? Se assim acontecesse, em ambos os casos isso significaria que teria vencido o irrealismo.

Não é esta a ocasião para discutir esta questão em detalhe, mas, pelo menos no caso do PS, parece poder ter-se como adquirido que ele necessita urgentemente de inovação estratégica, já que nenhuma simples sucessão de alterações  tácticas parece suficiente para o fazer dar o salto de que necessita. Talvez, por isso, o PS mais do que qualquer outro partido precisa de uma transformação profunda, ou seja, aquilo que alguns designam por metamorfose. Permanecer  instalado no exercício  burocrático da sua rotina politico-administrativa é uma passividade que lhe pode sair cara, levando-o a um risco crescente de irrelevância.    

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

POLÍTICA ITALIANA

Uma sondagem, feita recentemente em Itália, mostra continuidade na descida da popularidade de Berlusconi. O seu partido (PDL) está agora com 25% e a coligação de direita que lidera fica-se pelos 35,5%. O chamado terceito pólo, uma congregação heterogénea de ex-democratas cristãos ( UDC), ex-neo-fascistas ( FLI), ex-apoiantes do centro-esquerda (API) e defensores das autonomias (MPA), mantém-se nos 13%, continuando a UDC a ser o partido dominante, com os seus 7%. O centro-esquerda no seu conjunto chega a 45,5%, o que talvez lhe desse a possibilidade de formar governo, se os resultados de umas possíveis eleições correspondessem ao número desta sondagem. O Partido Democrático, partido liderante, ficou-se, no entanto, por uns modestos 28%, sendo significativo o resultado obtido pela Esquerda e Liberdade ( 7,5%) e pela Itália dos Valores ( 7%). Os Verdes(0,8%) o Partido Socialista Italiano(0,7%) e as listas Bonimo-Panella (1,5%) tiveram um expressão reduzida. Fora dos três blocos, surge a esquerda mais radical com 1,5% e o Movimento 5 Estrelas, que busca apoios principalmente na esquerda, com 3,5%.




Dado o desastre político em que se transformou o "berlusconismo", não pode deixar de se mencionar como significativo o facto de o partido alternativo, o Partido Democrático, resultado da estranha fusão entre o sector maioritário do ex-PCI e de os democratas cristãos de esquerda não reunir intenções de voto que cheguem sequer aos 30%.Registe-se a resistência da Itália dos valores , cada vez mais claramente um fenómeno não conjuntural e uma recuperação da esquerda que não aderiu ao PD, por intermédio da Esquerda e Liberdade, eventualmente na esteira do carisma de N. Vendola. As tentativas de ressuscitar, como força política a ter em conta, o velho Partido Socialista Italiano,parecem não ter eco no eleitorado. Ou seja, a direita italiana afunda-se, mas a esquerda não se revela como uma alternativa entusiasmante. O centro heterogéneo parece sem força para se assumir como solução autónoma , mas com a importância suficiente para ser , mais ou menos discretamente cortejado.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ELEIÇÕES : SONDAGENS E EMBOSCADAS

Esta infogravura traduz os resultados de uma sondagem da Intercampus difundidos pelo jornal "Público". O PS com 36,8% seria o partido mais votado, se os eleitores votassem assim no dia das eleições. A uma distância de 2,9 %, ficaria o PSD com 33,9% das intenções de voto. O CDS progrediria bastante, conseguindo com 13, 4% reunir tantas intenções de voto como o PCP (7,4 %) e o BE (6%) somados.



Conjugando-se esta sondagem, com outras recentemente divulgadas, percebe-se uma grande incerteza quanto aos resultados das próximas eleições legislativas: quer quanto a sabermos qual será o partido mais votado, quer quanto a sabermos se os dois partidos parlamentares da direita alcançarão uma maioria parlamentar.


Vários combates se travam num mesmo tabuleiro. O mais ostensivo é o que todos os outros partidos travam contra o PS. Sem dúvida, que lhe provoca um grande desgaste político, havendo um risco de esse desgaste se agudizar, no decurso do curto período que nos separa das eleições. Mas o desastre eleitoral, que parecia ser certo para o PS, quando caiu o Governo, a fazer fé nas sondagens, é agora apenas um risco, que o passar dos dias tem vindo a reduzir.


O PSD, num primeiro momento, pareceu estar apenas perante o desafio de conquistar uma maioria absoluta, já que a vitória relativa não parecia poder fugir-lhe. Redimensionar fortemente o PS, deixando-o a bem mais do que dez pontos de distância, e reconduzir o grupo parlamentar do CDS a um ou dois "táxis", pareciam objectivos ao seu alcance. Estava então na ofensiva, em duas frentes.


O cenário, porém, alterou-se e o PSD vê-se agora forçado a enfrentar duas contra-ofensivas, que o colocam dentro de uma tenaz: dum lado, o PS aproximou-se dele dramaticamente, chegando a superá-lo nalgumas sondagens; do outro lado, o CDS conquistou um espaço político mais autónomo, reaproximando-se dos seus máximos históricos. O PSD passou a correr o risco de não ser o partido mais votado, ao mesmo tempo que via o CDS ganhar uma robustez nova, que lhe permitirá ter uma influência muito mais relevante, no âmbito de um governo de direita. Isto, para não referir o risco, que o PSD corre, de ficar perante um xadrez político complexo, em que o PS possa fazer maioria quer com ele próprio, quer com o CDS; o que significaria uma forte desvalorização da sua importância política no novo contexto parlamentar.


Quanto ao PCP e ao BE, passa-se com ambos um fenómeno estranho. Pareciam destinados a beneficiar de um forte vento de descontentamento popular contra o Governo, que os poderia impulsionar para resultados eleitorais históricos,mas , ainda segundo as sondagens, parecem agora penar para não recuarem, por comparação às eleições anteriores, embora essas dificuldades sejam maiores para o BE do que para o PCP. O facto de nesta sondagem a soma de ambos se equiparar ao resultado do CDS é um autêntico sinal de alarme.


Talvez isso reflicta, afinal, a inconsistência estratégica da orientação política que têm seguido. De facto, ao fazerem coro com a direita na recusa de qualquer acordo com o PS, refugiando-se nuns confusos apelos a imaginários governos de esquerda sem o PS, acabam por se reduzir a si próprios a simples batedores políticos da direita, no combate que ela trava contra o PS. Na verdade, querer combater a política das agências internacionais do neoliberalismo, metendo PS e a direita num mesmo saco, dizendo que são iguais e tanto fazem uns como outros, pode ser uma adequada justificação implícita da sua linha política, mas afasta qualquer hipótese de resistir com êxito a essas agências.


Efectivamente, o próprio modo como o BE e o PCP se opuseram à vinda da "troika", reduzindo o arco de governação mais lógico aos outros três partidos parlamentares, torna ainda mais óbvio que quanto mais enfraquecido institucionalmente sair o PS das próximas eleições, mais forte sairá a direita. Se tão forte que venha a ser maioritária, é o que se verá.


A inabilidade e radicalismo neoliberal do PSD têm tornado mais nítida a diferença entre o que viria a ser um governo de Passos Coelho, em comparação com os governos de Sócrates. Uma parte dos eleitores do BE e do PCP já deram conta disso. Nada garante que muitos outros não venham a ter a mesma perplexidade. Chegarão até ao ponto de votarem no PS, para evitarem o programado festim neoliberal , já agendado, em caso de vitória de direita? Ou, para já, apenas se absterão ? Seria de uma imensa ironia objectiva que a direita ganhasse as eleições, não porque o PS perdesse muitos votos, mas pelo facto de os perderem o BE e o PCP.


Há ainda um outro ponto esquisito na actual campanha. Sócrates (o alegadamente intratável), na qualidade de Secretário-Geral do PS, tem repetidamente publicitado a sua disponibilidade para negociar, com os outros partidos, acordos de governo, tal como parecem desejar as instâncias internacionais e umas tantas legiões de notáveis deste país (a maior parte dos quais nada têm a ver com o PS). Pelo contrário, quer o PSD quer o CDS (alegadamente tratáveis) recusaram publicamente qualquer cooperação governamental com o PS, ignorando os apelos de muitas figuras nacionais das respectivas áreas políticas, bem como as instâncias internacionais e as europeias, estas aliás dominadas pelo Partido Popular Europeu ao qual ambos pertencem. O alegadamente intransigente, Sócrates mostra-se afinal capaz de transigir, quando acha que a isso aconselha o interesse de Portugal. Os retóricos do interesse nacional, na sua versão de direita, são afinal incapazes de secundarizar, por pouco que seja, as suas conveniências partidárias, em face do que tanto dizem respeitar.


O BE e o PCP juntaram-se ultimamente a este coro, rejeitando qualquer acordo com o PS. É claro, que uns e outros falam por vezes expressamente no PS de Sócrates, ou no PS enquanto Sócrates o liderar, como se lhes coubesse a eles decidirem quem deve estar à frente do PS. Mas isso seria apenas uma imbecilidade, se não fosse um afloramento de uma enorme má-fé política. De facto, que Partido sobreviveria à enorme indignidade ética, à imensa cobardia de mudar de Secretário-Geral para obedecer a cominações externas, vindas ou não de outros partidos? Eu, que nunca votei em Sócrates internamente para Secretário-Geral do PS, afirmo sem hesitação que consideraria uma miserável traição admitir sequer discutir com focos de poder externos ao PS a sua substituição ( ou de qualquer outro Secretário- Geral), para fazer a vontade aos outros partidos. Podem não querer acordos com o PS, mas não podem decidir quem deve ou não deve liderá-lo.


Por tudo isto, vai chegando à superfície o significado político profundo da conjugação das estratégias eleitorais dos actuais partidos da oposição. Se todos convergem na rejeição de acordos com o PS, contraem a obrigação moral de se conjugarem numa solução alternativa. Não podem é insultar rasteiramente o PS, dia após dia, e virem depois pedir-lhe apoios ou complacências. Involuntariamente, talvez tenham tornado tudo mais claro: ou há uma maioria absoluta do PS e o PS tem a responsabilidade de encontrar uma solução; ou há uma maioria das actuais oposições e é delas a responsabilidade de encontrarem uma solução governamental.


E se as oposições de esquerda não se sentirem capazes de colaborar numa solução dessas, talvez devam então interrogar-se sobre a razão porque isso acontece. E talvez então percebam que se essa resistência estiver certa, só pode estar errada a linha política que têm vindo a seguir.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SONDAGENS COMPARADAS

Um olhar rápido para este conjunto de sondagens permite reter algumas constantes. O PSD é sempre o partido mais votado, mas dificilmente chegará sózinho à maioria absoluta. Em compensação, os dois partidos de direita só têm menos votos do que os três partidos de esquerda numa das quatro sondagens.


Mas haver dúvidas quanto a uma possível maioria de direita deve ser para esta uma verdadeira assombração. As oposições de esquerda, poelo seu lado, somadas oscilam entre os 14 e os 16 % de intenções de voto; o PS entre os 30 e os 33%, variando a sua desvantagem relativamente ao PSD entre os 6 e os 9,4%.


A volatilidade da conjuntura económica, o acumular de tensões sociais e o relativo dramatismo da situação política, podem aumentar a margem de incerteza quanto aos resultados eleitorais. Por isso, se o PS for capaz de fugir às rotinas dos interesses instalados e não se deixar encerrar em lógicas acanhadas, estimulando as energias que tem deixado adormecer dentro de si, talvez consiga virar a mesa e reverter o jogo. Se, pelo contrário, viver o período pré-eleitoral como simples acumulação de previsibilidades, arrisca-se a ver cumpridas estas sondagens no dia das eleições.

sábado, 30 de outubro de 2010

BRASIL - últimas sondagens


Será talvez a última ronda de sondagens quanto às intenções de voto nas eleições presidenciais brasileiras que vão de correr amanhã. As infografias que acima se reproduzem , foram retiradas do site do jornal "O Estado de S.Paulo".

Mostram uma evolução favorável a Dilma . A miserável campanha feita contra ela, pela grande imprensa e pelos grandes grupos de comunicação social, em conluio com a direita, com os sectores obscurantistas das igrejas e com o bloco partidário que apoia Serra, parece não ter dado os resultados almejados.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

AVISO SUBLINHADO


Foi difundida, hoje, uma nova sondagem da responsabilidade do CESOP da Universidade Católica.
Os resultados são muito próximos dos divulgados pela Marktest, que já hoje comentei neste blog, no texto anterior. Tal como fiz com os da Marktest, integrei os do CESOP num pequeno quadro comparativo, com resultados de sondagens anteriores, levadas a cabo pela mesma entidade.
Todavia, apesar de próximos, os referidos resultados não são iguais aos da Marktest. O PSD tem aqui menos 2 % e a CDU menos 0,3%; o PS tem mais 1%, o BE mais 2% e o CDS também mais 1% também. No seu todo, a direita ( PSD+ CDS) atinge os 47%; e as esquerdas (PS + BE + CDU) chegan aos 46%. Provavelmente, a direita chegaria à maioria parlamentar e poderia formar governo.
No quadro acima apresentado, vê-se que o PS tem vindo a seguir uma trajectória negativa, o mesmo com ocorrendo com o CDS , conquanto em grau menor. Pelo contrário, o PSD tem percorrido uma trajectória ascendente, o mesmo se passando com o BE. Embora oscilando, a CDU tem conhecido uma certa estabilidade.
Comparando as actuais intenções de voto com as apuradas em Junho passado, constata-se que a direita no seu todo passou dos 43% para os 47%, enquanto as esquerdas, no seu todo, desceram dos 50% para os 46%. Ou seja, embora com valores diferentes , estamos perante uma evolução do mesmo tipo da que foi indicada pelos resultados da Marktest. Também neste caso, o PS perde votos, na mesma percentagem para a oposição de direita ( 4%) e para a oposição de esquerda (4%). Simplesmente, neste caso, à esquerda, só o BE beneficia dessa perda, bem como, aliás, de mais 2% perdidos pela CDU.
A paisagem política é, portanto, semelhante à mostrada pela outra sondagem: a direita fica perto do regresso a uma maioria e as oposições de esquerda, embora alcancem os 20% em conjunto, continuam longe de poderem, por si sós, serem suficientemente fortes para servirem de base a um governo só delas.
A semelhança dos resultados das duas sondagens, bem como o padrão de evolução destacado nos quadros comparativos elaborados, torna mais provável que estejamos perante uma relação de forças com alguma estabilidade. Por isso, a urgência de um sobressalto estratégico, no seio do povo de esquerda e dos partidos que se consideram a si príprios de esquerda, aumenta.
Sublinhe-se que não está em causa a perda de identidade, seja de quem for, nem a cedência perante pressões alheias, mas apenas a procura de novas dinâmicas congregadoras e inovadoras, capazes de, com naturalidade, fundirem, num grande movimento social com pontencial institucional, todas as aspirações históricas do povo de esquerda. Deixar tudo entregue a previsíveis rotinas, numa deriva modorrenta, é uma temeridade , uma imprudência, cada vez maior.

AVISO DE TEMPESTADE


Pode ver-se acima um quadro comparativo das sondagens da Marktest difundidas nos últimos meses. Ele pode contribuir para que se fique com uma ideia mais clara do significado político da sondagem hoje divulgada, cujos trabalhos de campo foram feitos entre 19 e 24 de outubro.
Ela mostra um PSD com 42%, ou seja, com 17 % de vantagem sobre o PS no que diz respeito a inteções de voto. Um PSD que juntamente com o CDS poderia constituir uma folgada maioria parlamentar de direita, se as eleições tivessem sido no passado dia 24. O PS está abaixo do desastroso nível atingido nas eleições europeias de 2009, ao ficar-se pelos 25 % das inteções de voto. O BE é terceira força com 10%; a CDU e o CDS estão praticamente empatados com 8,3% e 8%, respectivamente.
Se forem comparados os resultados desta sondagem com os de uma anterior da mesma agência ( trabalhos de campo de 14 a 17 de Setembro ), verifica-se que o PS desceu quase 11%, tendo os partidos de direita subido em conjunto 5,3 % ( 4% vindos do PSD; 1,3% do CDS) e os outros partidos de esquerda também 5,3 % ( 3,5% vindos do BE e 1,8 % da CDU ).
A comparação destas quatro sondagens durante um período fértil em acontecimentos, com aguda conflitualidade política, crescente mal-estar social e dramática instabilidade económica mostra alguma flutuação no nível de desgaste eleitoral do PS, sendo certo que ela existe e apenas incerto o seu grau. Na sondagem mais antiga e na mais recente, a direita teria maioria parlamentar, chegando o PSD, por si só, à maioria absoluta na primeira e aproximando-se dela na mais recente. O conjunto da oposição de esquerda atinge nesta sondagem os 18,3 % ( 10 % do BE e 8,3% da CDU).
Ou seja, o PS perde eleitorado para a direita e para a esquerda, mas o que perde para a direita é suficiente para esta chegar à maioria; o que perde para a oposição de esquerda não é suficiente para que esta se aproxime sequer da possibilidade de se constituir, por si só, como alternativa de Governo.
Será prudente não esquecer as flutuações de resultados ao longo destes últimos meses nos sondagens da Marktest e lembrar que as outras empresas de sondagens costumam apresentar resultados menos desfavoráveis ao PS do que os dela. No entanto, seria pura cegueira política desconsiderar a sondagem ontem saída. Ela sublinha o risco de uma futura hecatombe eleitoral para o PS, de uma cisão entre o PS e uma parte do seu eleitorado que pode ser duradoura.
O contexto sócio-económico nacional e internacional, a anemia política dos partidos europeus da Internacional Socialista, a sofreguidão com que os poderes fácticos dominantes e a direita política europeia sugam a riqueza produzida pelos povos que dominam, tornam a luta política cada vez mais árdua. E fazem-no em tal grau que vai ficando claro que, sem mudanças estratégicas radicais , sem um sobressalto de unidade e de inteligência colectiva do povo de esquerda e dos partidos que nele têm raízes, corremos o risco de uma prolongada agonia política sob a égide institucional dos autómatos neoliberais que os poderes financeiros internacionais irão teleguiar com bonomia e cinismo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Pala além de uma sondagem: desafios e bloqueios.


1. O Expresso de ontem difundiu os resultados e uma sondagem que reflecte já o modo como os portugueses reagiram, pelo que toca às suas intenções de voto, às últimas medidas de contenção, anunciadas pelo Governo do PS.
O PSD fica no 1º lugar com 35% das intenções de voto, logo seguido pelo PS com 33%. Isto significa que o PSD desceu 0,8% em comparação com o mês anterior e o PS, 3%. Em pesquisa feita, também pela Eurosondagem, no mês passado, o PS dispunha de uma vantagem tangencial de 0,2% sobre o PSD.
O CDS, pelo seu lado, ficou em último lugar , entre os cinco partidos parlamentares, com 7%, o que significa um recuo de 1,4%, em face do mês anterior.
A CDU, subindo 2 % , atingiu os 9,7%, enquanto o BE chegou aos 9,3 % por ter subido 2,2 %.
Se olharmos para este conjunto de números, facilmente podemos constatar que a direita (PSD+CDS) chegou aos 42 %. É um número que, em si próprio, não é tão mau como isso, mas que sofre da enorme fragilidade de estarem distribuídos pelos três partidos que lhe são exteriores ( PS+CDU+BE) 52% das intenções de voto.
Basta olharmos para o presente, para vermos que esta maioria, sendo numericamente real, está desprovida de qualquer possibilidade de uma expressão política conjunta que se traduza num exercício de poder estável e dotado de um mínimo de coerência.
Mas também podemos compreender sem esforço, que um governo de direita que tivesse contra ela esses 52% dificilmente seria sequer empossado. De facto, essa hipótese só se poderia colocar se o PSD viesse a desempenhar um papel central no derrube do actual Governo do PS. Ora, nesse caso , será enormemente irrealista pensar-se que depois de ser afastado do Governo pelo impulso determinante do PSD, o PS lhe correspondesse, abrindo-lhe uma porta que poderia manter fechada. E nem seria então caso para se invocar, como condicionante das posições do PS, uma altruísta preocupação com um hipotético interesse nacional, uma vez que só se teria chegado a uma tal dificuldade, se o PSD tivesse antes secundarizado, por completo, esse interesse. Seria, na verdade, o cúmulo da hipocrisia política e do irrealismo que se pedisse ao PS para ajudar o PSD numa dificuldade que só surgira, porque antes o PSD recusara ao PS o que agora lhe vinha pedir.
O PSD tem, portanto, enormes dificuldades tácticas e nenhum sinal positivo em termos estratégicos, perante um xadrez político em que seja esta a relação de forças.
Mas o PS que, no plano táctico, tem o desafogo simétrico do sufoco do PSD, não deixa de ter o ónus da principal responsabilidade em resolver os problemas da governação num contexto difícil, não podendo também ignorar a sombra ameaçadora de importantes dificuldades no plano estratégico.

2. Na verdade, o PS dispõe apenas de pouco mais do que 60% do conjunto das intenções de voto da esquerda, o que significa que os potenciais eleitores dos outros dois partidos rondam os 40 % desse conjunto de eleitores. Se a tendência subjacente à evolução das posições do eleitorado, reveladas pela sondagem acima comentada, se mantiver, as dificuldades sentidas por uma boa parte do povo de esquerda, em face das medidas que são assumidas pelo actual Governo, embora não reforcem a direita , podem reforçar as outras esquerdas.
Ora, se a relação de forças, reflectida pelos resultados que estamos a comentar, já cria enormes dificuldades de manobra ao PS, a subida dos outros partidos de esquerda acima dos 20%, principalmente se for acompanhada por uma descida equivalente do PS, pode criar-lhe dificuldades muito mais severas. Valorizar este risco estratégico, em conjugação com o seu comportamento como partido de um governo que é vítma de condicionamentos e estados de necessidade incontornáveis, no essencial exteriores à sua esfera de poder, é actualmente um imperativo central da sua política.
De facto, o desfasamento continuado entre as necessidades e aspirações estruturantes do interesse social das camadas da população que, vivendo fundamentalmente do seu trabalho, são excluídos, explorados e desfavorecidos, pelo exacerbar da deriva neoliberal ou pelo seu arrastamento, e as práticas institucionais e políticas das forças partidárias em que historicamente essas camadas sociais se reconhecem, é um terreno minado de imprevisíveis consequências.

Uma força política que protagonize na sua acção, continuadamente esse desfasamento, especialmente se o seu protagonismo institucional se traduz no exercício do poder de Estado, corre o risco de romper o elo de identificação histórica estrutural que a une à sua base social, podendo converter-se numa força residual incapaz de desempenhar o papel que antes desempenhava. E nem se está a pretender discutir aqui o acerto ou o erro de medidas tomadas , mas a frustração social continuada dos muitos desfavorecidos que deixem de ver na acção do seu partido um meio para trazer um pouco mais de justiça e desafogo às suas vidas difíceis. Neste plano, o PS tem pela frente um risco estratégico efectivo que seria suicida continuar a menosprezar.
Quanto aos outros partidos de esquerda, eles podem criar a ilusão de que as dificuldades estratégicas do PS se repercutem necessariamente em recursos estratégicos postos ao seu dispor, numa lógica linear de vasos comunicantes. Estão enganados. Se as coisas chegassem ao ponto dramático de um desastre estratégico do PS, ficaria cruamente à luz do dia o facto, hoje ignorado, de que quer o BE, quer o PCP, têm como horizonte um futuro que já não existe ou, quando assim não for, seguem um caminho cujo futuro não sabem imaginar. Reagem muitas vezes às diculdades presentes com decisão, lutam com vigor e denunciam com mérito em muitas circunstâncias, mas caminham verdadeiramente num trajecto sem saída. Vivem, em gande parte, das imperfeições do PS no modo como trilha o seu caminho. Um caminho percorrido com muitas falhas e hesitações, por vezes sem brilho, com lentidão até, mas que é o único que realisticamente nos pode levar ao futuro, se o percorrermos. Todavia, não nos iludamos: se esse caminhante colectivo se afundasse, ficariam de súbito expostos à obrigação de serem esperança identificável os caminhos do BE e do PCP. E então rapidamente ficaria claro que para esses caminhos já não há horizonte.
Por tudo isso, sendo certo que a direita em Portugal só nos pode oferecer futuros de repetição cinzenta das dificuldades presentes, cabe à esquerda ser alavanca para se voltar à esperança. Como? Não sei. Mas sei que o primeiro passo está em todas as esquerdas percebam que têm um difícil problema estratégico para resolver, que os envolve a todas, embora a cada uma de sua maneira; e que sintam que o problema de cada uma delas , embora em menor grau, é também um problemas das outras.
Tudo isto pode ser lido nos resultados da sondagem comentada, talvez porque, no fundo, tudo isto esteja escrito na sociedade em que vivemos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Parcialidade !




As duas imagens acima reproduzidas correspondem a duas primeiras páginas do semanário Expresso. A que está imediatamente acima destas palavras corresponde ao dia 12 do passado mês de Setembro; a primeira corresponde à edição do Expresso saída hoje.

Dentro da edição saída em Setembro passado, noticiam-se os resultados de uma sondagem, em que o PS, ao contrário do que há muito ocorria, é indicado como tendo mais duas décimas do que o PSD nas intenções de voto. A sondagem é marginalmente referida num pequeno texto, sem se mencionarem sequer os resultados.

Dentro da edição saída hoje é divulgada uma sondagem em que o PSD, por 2% , passa para a frente do PS, em intenções de voto. A notícia deste resultado grita na primeira página.

Isto é, se a notícia pode não ser conveniente para o PSD esbate-se o mais possível; se acontecer o contrário procura dar-se-lhe o máximo de relevo possível.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Barómetro do CESOP- eleições em Portugal

O Barómetro, feito pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para o JN, DN, RTP e Antena 1, revela um resultado em linha com as últimas sondagens, mas com algumas diferenças visíveis.
Pela primeira vez neste Barómetro, desde 2002, o PSD é o partido que recolhe um maior número de intenções de voto, 37%. Isso representa uma subida de 4% relativamente ao anterior, divulgado em Março passado. O PS fica em segundo lugar com 34%, perdendo 7% desde o Barómetro anterior. O BE estagna num patamar modesto: 6%. O CDS passa de 10% para 6%, em três meses, acontecendo o inverso com a CDU ao subir de 6% para 10%. Mas a direita em conjunto, mantém-se nos 43 % de Março passado, enquanto PS+CDU+BE atingem os 50%, descendo 3 % desde a sondagem anterior.
Assim, a direita provavelmente não chegaria à maioria absoluta, nem juntando os deputados do PSD com os do CDS. O PS sózinho ficaria ainda mais longe de uma maioria absoluta que lhe permitisse formar governo sem excessiva incerteza.

sábado, 26 de junho de 2010

Está aí alguém ?


A sondagem difundida hoje (26/07/2010) pelo Diário Económico, pela qual foi responsável a Marktest acentua dramaticamente uma tendência nas intenções de voto dos portugueses que outras sondagens , em graus diferentes , vinham anunciando há já algum tempo. Apesar de existir um grande número de indecisos, o que aconselha alguma prudência na interpretação do significado dos números revelados, ignorar a novidade que reflectem, em face de sondagens anteriores, é puro autismo político.


O PSD atinge 47.7% (há um mês 43,9%); o PS desce até aos 24,1 % (antes 27,6 %); o BE sobe até aos 8,9% (antes 7,7 %); o CDS fica-se pelos 6,9% (antes 7,5); e a CDU desce a 6% (antes 7,1 %). Isto significa que o PSD+ o CDS têm agora 54,6% (há um mês tinham 51,6%); o PS+ o BE+ a CDU têm 39% (há um mês tinham 42,4%).

Se nos lembrarmos que das eleições de Setembro de 2009, o drama acentua-se. O PS então com 36,56% desceu 12,4%; o PSD então com 29,09% subiu 18,6%; o CDS então com 10,46 % desceu 3,3 %; o BE então com 9,85 % desceu 0,9%; a CDU então 7,88 % desceu 1,7 %. Portanto, desde Setembro passado o PSD + o CDS subiram de 39,5 % para 54,6 %, enquanto o PS+ o BE+ a CDU desceram de 54,9% para 39%.

Para além de uma inversão completa da relação de forças entre a esquerda e a direita no seu todo, estes números mostram que todos os outros partidos, em maior ou menor grau, perderam para o PSD, embora o PS seja, de longe, o partido mais atingido. Assim, consolida-se a demonstração prática de que, independentemente das intenções de cada um dos partidos da oposição, o resultado prático da sua estratégia de conjugação de esforços no ataque ao PS e ao governo actual, foi apenas vantajosa para o PSD. Tudo se passou como se os outros partidos da oposição fossem instrumentos úteis para o PSD.

No meio de todo o seu tradicional fogo-de-artifício, o CDS não deixa de estar politicamente entalado. Mas é o conjunto do BE com a CDU que parece estar num beco estratégico, uma vez que passando em conjunto de 17,73% para 14,9%, em nada beneficiou, em termos de um possível aumento do seu peso eleitoral, com a enorme queda do PS. Pelo contrário, em 9 meses, perdeu 15% do seu eleitorado de Setembro de 2009.


Tudo isto mostra que a direita, no seu todo, acompanhando a deriva europeia, parece ir de vento em popa, enquanto as esquerdas, no seu todo, parecem definhar.


Seria estulto pensar-se que os partidos de esquerda poderiam, de repente, passar por uma metamorfose virtuosa que os fizesse convergir uns com os outros. Mas será suicida que, nenhum deles actue para reverter esta situação, para modificar radicalmente o modo como se têm relacionado entre si.

É certo que também podem continuar, nesse aspecto, pelo caminho que têm vindo a percorrer, procurando o BE e o PCP diabolizar o PS, identificando-o repetitivamente com a direita, e sublinhando o PS a cumplicidade de todas as oposições e as diferenças programáticas que o separam dos outros partidos de esquerda. Mas, seguramente, que, se isso acontecer, as condições para um próximo desastre político continuarão a ser reforçadas. E se o desastre acabar por acontecer, de nada adiantará depois que os vários partidos da esquerda continuem a debater entre si qual deles é o mais culpado da catástrofe que já tenha ocorrido.


Não se trata de reconhecer acertos ou erros, nem de dar razão a uns ou a outros. Trata-se de dialogar sem condições, cada um respeitando as posições dos outros, para se apurar se é possível fazer alguma coisa, para impedir que a direita portuguesa regresse ao poder, pela mão da esquerda unida na sua crónica desunião.


Ou será que teremos de gritar para as direcções dos vários partidos de esquerda: “Está aí alguém ?”

sábado, 12 de junho de 2010

As sondagens como aviso

A infografia acima transcrita do semanário Expresso traduz os números de uma recente análise de intenções de voto da responsabilidade da Eurosondagem. Por aí se vê que o PSD atinge 0s 34,9% contra os 34,8% do PS. O CDS fica com 10,1 %, o BE com 7,7 e o PCP com 7,5 %. Se tivermos em conta apenas estes cinco partidos, não se compreende muito bem à custa de quem tem vindo a subir o PSD. De facto, parece que ele subiu mais do que a soma das descidas dos outros. Talvez isso possa dever-se aos pequenos partidos.

Mas a infografia mostra também a evolução das intenções de voto, desde Novembro passado. Há uma quebra suave mas continuada, do PS, uma subida do PSD, em aceleração nos últimos três meses; e ligeiras descidas dos outros três partidos.

É visível também o relativo êxito da nova liderança do PSD e o aproveitamento concentrado neste partido do desgaste relativo sofrido pelo PS. Tudo linear e de certo modo espelhando a percepção pública do que se passa. Duas observações a fazer, todavia.

Primeiro, a vantagem do PSD é de apenas uma décima, o que reflecte os limites da sua subida e a apreciável resistência do PS. É curioso, aliás, recordar como no ano passado, quando, havendo sondagens que davam entre 1,5% e 2% de vantagem ao PS, alguma comunicação social falava em empate técnico. No entanto, esses mesmos órgãos de comunicação social esqueceram-se por completo da história do empate técnico, quando se trata agora de sublinhar a facto de o PSD ter ficado à frente do PS pela diferença de 0,1 %.

Segundo, tendo havido nos últimos meses uma acção convergente de todas as oposições numa furiosa contestação do Governo e do PS, verifica-se que, sendo o alarido anti-PS feito por todos, dele só colhe frutos o PSD. Assim, estando embora o BE e o PCP motivados na sua hostilidade ao PS por razões muitas vezes distintas das que movem a direita, a verdade é que é esta quem parece ter tirado todo o proveito do esforço do BE e do PCP. Na verdade, a soma dos votos do PSD e do CDS, fazendo -se fé na sondagem, permitiria muito provavelmente uma maioria parlamentar de direita.

À semelhança de algumas outras sondagens, o PS é mais uma vez avisado, o PSD ainda não foi entronizado e ao BE e ao PCP é dada uma nova oportunidade para reflectirem sobre o risco de verem todo o seu trabalho político transformado na abertura de uma estrada, por onde passe a direita a caminho do poder.

Os partidos que forem capazes de analisar com racionalidade todos os sinais que têm vindo a ser dados, ficarão com boas possibilidades de reverterem o que lhes for desfavorável ou de acelerarem o que lhes for favorável. Os que insistirem na simples mastigação das suas rotinas actuais arriscam-se; e arriscam-se muito.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Caprichos italianos

[Para aumentar a imagem, clique sobre ela.]
Foi recentemente difundida na imprensa italiana a sondagem que consta da imagem que acima se reproduz. Se através dela se verifica que a direita actualmente no poder, sob a liderança de Berlusconi, está em perda, não pode deixar de se estranhar que, desde as últimas legislativas em 2008, apenas tenha descido 2,5% (de 49,2 % para 46,7%), tendo em conta não só a crise geral a que a Itália não escapou, mas também os gravíssimos problemas políticos internos ocorridos dentro do PDL ( Partito della Libertá), entre Fini e Berlusconi. Em contrapartida, a esquerda no seu todo, nos mesmos dois anos, experimemtou o magro sucesso de uma subida de 1,3% ( de 41,7% para 43%). Por último, o sector centrista dos democrata-cristãos que se manteve fora dos dois grandes blocos experimentou uma ligeira progressão de 1,8% ( de 5,6% para 7,4%), o que, sendo pouco como imoulso superador da bipolarização, dada a relação de forças existente, pode ser suficiente para dar a este pequeno centro (UdC - Unione di Centro) a chave de uma futura estabilidade governativa.
Mas, se olharmos com um pouco mais de atenção para os dados da sondagem, podemos ver que, no seio da coligação liderada por Berlusconi, o seu próprio partido (PDL) desde 2008 desceu 4,2% (de 37,4% para 33,2%), mas a Liga Norte (ultra-direitista) subiu 3,8 % (8,3 % para 12,1%). Estas oscilações conjungadas alteraram profundamente a relação de forças interna no seio da coligação berlusconiana. Antes, o PDL valia mais do que quatro Ligas Norte, agora não chega a valer três. Algo de paralelo ocorreu na esquerda, o PD (Partido Democrático ) desceu 6,2% (de 33,2 % para 27%), enquanto a Lista Di Pietro (Itália dos Valores) subiu 3,7 % ( de 4,4% para 8,1%). O resto da esquerda, fragmentado em três blocos, passou no seu todo de 4,1 % nas eleições de 2008, para 7,9% na sondagem em causa. Também no seio deste segundo bloco político houve uma alteração relevante da relação de forças interna. O PD em 2008 equivalia, em termos de força eleitoral, a quase oito vezes a IdV, mas, de acordo com a sondagem actual, está longe de valer agora quatro vezes. O resto da esquerda continua perigosamente pulverizada.
Estes dados permitem antever grandes dificuldades para a direita italiana num previsível pós-berlusconianismo, mas revelam também que a criação do Partido Democrático, como movimento de afirmação de uma redinamização da esquerda italiana, foi uma opção falhada. A crescente crispação interna das facções, que no seu seio se degladiam entre si, não parece ser a melhor atmosfera para reverter esta situação. Aliás, olhando o quadro acima publicado, como ilustração de grandes tendências, é provável que nos próximos anos se desencadeiem novos terramotos políticos na Itália, quer à direita , quer à esquerda.
Num certo sentido, o trajecto que levou à criação do Partido Democrático foi o desenvolvimento lógico da terceira via britânica, com a qual aliás o sector hegemónico dos antigos Democratas de Esquerda se identificava. Parece claro que, também aqui, a terceira via se tem revelado como um caminho cinzento para o vazio.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um sério aviso



1. Uma recente sondagem da Marktest, para a TSF e o Diário Económico (trabalho de campo realizado entre 18 e 20 de Maio) apresenta os piores resultados dos últimos anos para o PS. É certo que há uma outra, também recente, da Eurosondagem, com valores diferentes. Mas seria pura inconsciência não interpretar esta sondagem como um aviso sério.



O PSD sobe até aos 43,9%, aproximando-se da maioria absoluta, o PS fica-se por uns inimagináveis 27,6%. O CDS não paga o preço pela subida do PSD e consegue melhor do que no mês passado com 7,5%. O BE fica ligeiramente acima com 7,7% e o PCP fica nos 7,1%.

Ou seja, a direita passa a barreira dos 50%, atingindo os 51,4%, enquanto os três partidos de esquerda somados não vão além dos 42,4%.

Assim, com a descida do PS não beneficiaram os outros dois partidos da esquerda, que em conjunto ficaram abaixo dos 15%.


2. O PS deve reflectir sobre as consequências, para a sua saúde política e para o país, de se deixar penalizar pelo facto de seguir os caminhos impostos pelos poderes fácticos que causaram a crise ( ou que são eles próprios o rosto verdadeiro da crise) e pelo PPE (Partido Popular Europeu), quando parecem beneficiar dessa penalização os ramos portugueses desse mesmo PPE. Força política essa que verdadeiramente é um dos eixos estratégicos da crise e o seu núcleo político.


O PCP e o BE não podem deixar de reflectir sobre o facto de ser agora óbvio que actuaram objectivamente como instrumentos ( decerto involuntários ) da direita, uma vez que afinal é ela que tira proveito da flagelação sistemática do PS e do Governo , na qual tão aplicadamente têm colaborado com a referida beneficiária.


Aos eleitores que se zangaram com o PS cabe perceber que, se procurarem aconchego no regaço da direita, estão afinal a dar o poder aos que agravarão todas as medidas que os levaram a afastar-se do PS.

Mas, mais importante do que tudo isso é que todos os caminhos de reversão do desastre ficarão mais estreitos se o PS se embrenhar por atalhos políticos ou continuara a arrastar os pés. E, antes de tudo, terá que compreender que não pode limitar-se a oferecer, como único futuro, às vítimas das actuais desigualdades sociais a sua eterna reprodução.

domingo, 7 de março de 2010

Uma sondagem, o PS e as oposições.


Uma recente sondagem da Intercampus , segundo informação do blog Margens de Erro, apresentou os seguintes resultados depois da repartição dos indecisos:

PS - 40,36.
PSD -34,35.
BE - 10,05.
CDS- 7,82.
CDU - 6,28.
Se compararmos estes números com os resultados eleitorais de Outubro passado, verificarmos que :

O PS subiu desde Outubro de 36, 55 para 40,36 [+ 3, 81].

O PSD subiu de 29,11 para 34,35 [+ 5,24].

O BE subiu de 9,82 para 10,05 [+ 1,23].

O CDS desceu de 10,43 para 7,82 [- 2, 61].

O PCP desceu de 7,82 para 6,28 [- 1,54].


Fico sem saber explicar por que razão as variações não se compensam . Aos outros partidos são atribuídos 0,8% dos votos, o que corresponde a menos do que o MRPP teve sozinho, em Outubro passado. Estará na desconsideração dos partidos não parlamentares a razão da referida discrepância?

Feita esta chamada de atenção, no pressuposto da comparabilidade das duas séries de dados, podemos verificar que o PS muito mais de que resistiu, em termos de preferências eleitorais, à grande campanha universal pela sua destruição.

O PSD, a contas com uma crise sucessória, cometeu uma verdadeira proeza, ao ter conseguido reforçar o apoio eleitoral estimado.

O BE solidificou a sua dimensão, tendo até visto aumentar ligeiramente o seu peso eleitoral.

O CDS foi abandonado por cerca de um quarto dos seus eleitores.

O PCP viu deslizar um pouco mais para baixo o seu frágil quinto lugar.

Em termos agregados, PSD +CDS passaram de 40, 54 para 42, 17. No entanto, estão agora à frente do PS por 1,81%, quando nas eleições de Outubro ficaram com 3,99 % de vantagem.

Paralelamente, o BE +PCP passaram de 17, 68 para 16,33, o que sendo uma inflexão ligeira não deixa de representar uma perda de quase 10% desse eleitorado.

Se fossem realizadas novas eleições com resultados correspondentes aos desta sondagem, politicamente, tudo ficaria na mesma com um travo amargo para o CDS e para o PCP e com uma vitória moral do PS que teria resistido à guerra santa que lhe tem movido, quer os “cruzados” quer os “infiéis”.

O PS que tem sido obrigado, pela actual relação de forças, a uma atitude defensiva constataria que havia conseguido resistir sem estragos. A oposição de direita teria pela frente a angústia de não saber o que fazer com um resultado nem carne nem peixe como o que lhe saíra. As outras oposições por certo se preocupariam pelo sinal de subalternidade política estratégica que esses resultados sublinhariam.

Pelo que percebi, a “rafeiragem” anti-PS ficou um pouco mais raivosa com esta sondagem, excedendo-se ainda mais numa campanha negra que começa a descredibilizar mais aceleradamente os seus promotores do que os seus alvos. Parecem esquecer, em particular todos os partidos da oposição, que a sua atitude de atacarem o governo do PS, mas não o derrubarem é uma cobardia política que, não produzindo os efeitos que almejam, os vai desqualificando e destruindo. E atinge, principalmete,não o PS, mas, antes dele, a qualidade da democracia e a credibilidade do país. De facto, cada vez mais é insuportável a hipocrisia objectiva das oposições que atacam o governo como se o quisessem derrubar, mas fogem como o diabo da cruz de o fazer. No máximo, num estilo fanfarrão, os candidatos à liderança do PSD ameaçam com um “qualquer dia”.

Aliás, se nos recordarmos como os barões do PSD discutem a possibilidade de derrubar o actual governo, é curioso ver-se que falam como se tivessem maioria absoluta, cabendo-lhes decidir sózinhos se derrubam ou não o governo.


Não podia haver indício mais claro, do modo como o PSD encara os outros partidos da oposição relativamente a ele próprio: são estrategicamente subalternos. Que o Dr. Paulo Portas queira ser um cordeiro sacrificial do PSD, é uma eventualidade que não me tira o sono. Verificar que as análises que apontam para a subalternidade politica estratégica do BE e do PCP, em face da direita, são assim tão exuberantemente confirmadas, apenas sublinha o que tenho defendido.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sondagem - os números da esperança



No "Correio da Manhã" de hoje é publicada uma sondagem respeitante às próximas eleições presidenciais , comparando o apoio de que dispõem Cavaco Silva e Manuel Alegre. O modo como os resultados são apresentados reflecte um ponto de vista predominante na conjuntura mediática, cujo sentido essencial é o apoucamento da posição de Manuel Alegre.
Especialmente curiosa, é a posição de alguns dos mais petrificados apoiantes intelectuais de Cavaco. Afixam um perfume de simpatia e consideração por Alegre, vestem uma pele apressada de analistas independentes e, como se fossem a personificação de uma imaginária objectividade, quase lamentam que Manuel Alegre seja um candidato que não vai ganhar.
Se lermos este fenómeno na sua globalidade, há uma conclusão objectiva que podemos tirar: a direita que pensa percebeu que a candidatura de Alegre é perigosa para Cavaco, pelo que se deu ao trabalho de a combater desde já.
Em si própria, a sondagem mostra um MA com quase o dobro das intenções de voto, se as compararmos com os votos que obteve nas últimas presidenciais; e um CS com cerca de dez por cento a mais do que aqueles que então teve. Se pensarmos que CS é o actual Presidente da República e que a campanha eleitoral está ainda longe de ter começado, o ponto de partida de MA é bastante auspicioso. E é-o tanto mais, quanto, até agora, da área política que o poderá vir a apoiar apenas o BE se pronunciou favoravelmente, através da manifestação pública de opinião de um dos seus dirigentes de maior relevo. O PS não manifestou uma posição oficial; o mesmo tendo acontecido com o PCP.
Apesar disso, o eleitorado de cada um destes três partidos da esquerda revelou-se desde já maioritariamente favorável a Manuel Alegre. Por isso, o que deveria ser notícia não é o facto de o eleitorado de esquerda não ser unânime, desde já, no apoio a MA, mas sim o facto de que, mesmo sem o apoio oficial do PS, esta candidatura parte com o o apoio de 46% das preferências eleitorais dos socialistas; mesmo sem o apoio oficial do PCP com 50,8% das preferências dos eleitores da CDU; e, perante fortes indicações de que terá o apoio do BE, com 81,9% das preferências dos eleitores do Bloco.
Se pensarmos que, de algum modo, esta sondagem assinala para MA um ponto de partida e para CS um tecto que dificilmente ultrapassará, talvez possamos compreender que ela represente um sinal de alarme para Belém e uma luz de esperança para os apoiantes da Alegre. Luz de esperança que, impedindo qualquer afrouxamento de empenho, mostra que temos um objectivo viável. Um objectivo difícil, mas viável.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Comparação entre sondagens.


Este quadro comparativo de sondagens divulgadas durante o corrente mês de Setembro foi , com a devida vénia, reproduzido, a partir do excelente blog de referência em matéria de sondagens, "Margens de Erro".
Olhando-o, verifica-se que as tendências observadas em sondagens a que nos referimos neste blog ("O Grande Zoo") se mantêm.

O PS ganha vantagem ao PSD; o BE firma-se como terceiro partido; o PP parece querer fugir ao quinto lugar. A direita no seu todo continua estacionada nos arredores dos 40%.
Mesmo a prudência que nos é aconselhada pelo que ocorreu nas eleições europeias, em matéria de sondagens, não impede que consideremos que uma vitória do PSD seria uma grande surpresa. Igual surpresa constituiria que o PS chegasse à maioria absoluta.

sábado, 19 de setembro de 2009

Sondagem da Intercampus para a TVI


Foi hoje difundida mais uma sondagem, feita para a TVI pela Intercampus.

Eis os números:

PS: 32,9%
PSD: 29,7%
BE: 12%
CDU: 9,2%
CDS-PP: 7%

OBN: 9,2%

O panorama também não é diferente do que é projectado pelo conjunto das sondagens anteriores. As tendências mantêm-se, mas não apagam a incerteza do resultado.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A sondagem da Eurosondagem


Ontem, tinha colocado aqui uma infografia que hoje verifiquei que estava errada nos números referentes ao PSD ( segundo os dados divulgados hoje o PSD teria 31,6 e não 32,5). Aliás, verifiquei que num dos sites das entidades difusoras da sondagem , no texto está o número aqui divulgado e numa infografia os números que divulguei ontem. A origem do erro do blog a que recorri deve ter estado nessa página . Os dados originários da Eurosondagem foram hoje retirados da página do Expresso, tinham sido ontem obtidos do site da SIC.

Continuo a poder dizer , como ontem, que o essencial não se afasta dos resultados das anteriores, embora o PS e o PSD sejam colocados em posições menos próximas do que ontem, mas ainda mais próximas do mostram outras sondagens. O terceiro lugar do BE continua menos claro.

Sem desconsiderar as posições relativas que a sondagem revela, ela não desmente o facto de continuar incerto o resultado do próximo dia 27.